A obscenidade americana

Trump perdeu, mas ganhou no Texas. Gente como ele sempre ganha no Texas. De ato, o Texas possui leis adaptáveis ao estilo Trump de viver.

Corre pela internet a informação de que há uma lei no Texas que diz que uma pessoa não pode ter mais que seis vibradores. Na verdade, no código penal de lá a formulação é a seguinte: “A person who possesses six or more obscene devices or identical or similar obscene articles is presumed to possess them with intent to promote the same.” Bem, como se vê, o problema é que se presume que se você tem qualquer dispositivo obsceno (um vibrador é um objeto obsceno?) em um número maior que seis, não é para consumo próprio!

Nada é mais vago que isso. Você pode ter um vibrador que não se pareça com um pênis e ser perfeitamente um vibrador! E sendo um vibrador, é um objeto obsceno!

Brinquedo eletrônico que vibra é o que não falta. Quem impediria da Igreja fabricar figuras de santos que vibrem? Encostados na pele, eles passariam a vibrar, de modo que o devoto sentisse um contato com os Céus! Duvido que já não tenham fabricado algo assim. E se os evangélicos não podem comprar a Nossa Senhora vibrante, para eles  a figura de um Jesus vibrante seria o ideal. Bem, dizem que eles não podem cultivar a imagem de santos, né? Desse modo, no caso deles, teriam mesmo que ficar com os vibradores normais e, tendo mais que seis, poderiam ser enquadrados na lei. Crentes texanos, fiquem alerta!

De resto, para os que não querem mesmo dar chance para alguma apreensão policial, basta ficar com o crucifixo e fazê-lo cantar em movimentos manuais!

Tudo isso é muito interessante, mas o que não entendi é o número cabalístico: seis. Seria algo ligado à Besta? O número dela é 666. Ou seria algo calculado a partir de orifícios do corpo? Suponhamos que a mulher use ao mesmo tempo um na boca, um segundo no ânus e um terceiro na vagina. Sobrariam três (Ou estou enganado? Nunca sei qual mais orifício ou dobra está na moda). Isso indica que a lei prevê solidariedade. Pode-se emprestar os outros três a uma amiguinha da escola, que esqueceu de levar os seus e, no recreio, está subindo pelas paredes. Tive coleguinhas que nunca conseguiam fazer uma prova de matemática sem antes obter um relaxamento completo.

Mas, não vamos sacrificar Trump assim. Ele já perdeu mesmo! Lembremos que outros estados americanos não deixam o Texas em navegação solitária. Vejamos!

Quando o assunto é sexo e legislação, o fato é que os americanos se esmeram. Por exemplo, no estado do Iowa “é ilegal para o homem beber três goles de cerveja, quando na cama com a mulher”. Que discriminatório né? Um casal gay, então, pode se embebedar na cama. Ora, desse modo, se você tem propensão a bebida alcoólicas, você vai acabar tendo que ser gay!

No estado de Minnesota você não pode “pendurar no varal, lado a lado, calcinha e cueca”. Isso poderia ser chamado, a meu ver, de o cúmulo do fetiche! Alguém olhando a cena imaginaria a cueca fazendo gracejos para a calcinha? Ou seria uma lei protetora? Por exemplo, isso traria ao transeunte uma má lembrança, a de um dia ter chegado em casa e visto esta cena, certificando-se que a cueca não era sua.

Havia também uma lei no estado da Virgínia que proibia o coito anal. Não sei se ainda está em vigor, e parece que isso tinha a ver com a proibição da atividade homossexual. Aqui no Brasil há um bocado de gente estúpida que acha que coito anal é coisa de homossexual!

Bem, por fim, uma lei interessante, ainda que não tenha a ver com sexo (ao menos não em um primeiro momento), mas que fala de órgãos genitais, é aquela que afirma que “não se deve mijar na boca do seu vizinho”. Esta é de Illinois. Presumo que toda vez que se deseje ofender um vizinho, neste estado, deve-se defecar na boca dele – urinar é feio! Ora fico imaginando que se você tem intimidade com o seu vizinho e quer fazer um gostoso golden shower, você tem de mudar de estado! Que dureza! De qualquer modo, Illinois seria um bom estado para dar asilo político ao Bolsonaro, quando ele terminar o mandato e a polícia for pegá-lo. Lembrem-se que Bolsonaro condenou o golden shower (além de perguntar do que se tratava, depois).

Todas as vezes que você reclamar de alguma lei no Brasil, e começar a dizer “vou embora, vou morar nos Estados Unidos etc. e tal”, lembre-se que os humanos são caprichosos em todos os lugares do mundo.

Mas a pior obscenidade americana, agora de fato acabou: era aquela criatura na Casa Branca. Aquele motherfucker is fired!

Paulo Ghiraldelli, 63, filósofo

 

 

6 thoughts on “A obscenidade americana

  1. No Mississippi parece que é proibido dar um pegão em animais. Dá cadeia mesmo…tem o caso de um senhor que amava sua eguinha e por isso já foi preso pelo menos 2 x por tal libidinação…

  2. Antigamente sei que havia em vários estados de lá a lei que tornava crime tirar uma mulher de um estado e transar com ela em outro….
    Não sei se ainda existe.

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