Subjetividade: vontade, desejo e corpo

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Em filosofia estamos acostumados a usar a palavra “vontade” como sendo um querer racional enquanto que a palavra “desejo”, diferentemente, aponta para um querer não racional. Assim, vontade é alguma coisa do âmbito da deliberação. Queremos alguma coisa, sabemos que queremos e, então, deliberamos no sentido de alcançar ou não o que queremos. Com o desejo é diferente. Sabemos que queremos, mas a impressão que temos é que não fomos nós que iniciamos o querer. Trata-se de um querer alheio à nossa vontade. Parece-nos que a vontade ganha expressão enquanto uma força vinda do eu, ao passo que o desejo surge na ordem do dia o outro. Mas, que outro? O desejo faz parte do outro que habita em nós. Na história da filosofia, tendemos a identificar esse outro com o corpo – o nosso corpo.

Nessa tradição de reflexão, o eu é visto como sede de nossa vontade. Por sua vez, o nosso corpo é visto como uma parte de nós, sem dúvida importante, mas que por colocar os nossos desejos contra a nossa vontade ou, de certa forma, independentes de nossa vontade, escapando da decisão de nossa razão, dá-nos a impressão de ser o outro da razão. Logo que a filosofia teve seu início, com os gregos antigos, essa nossa condição dupla se tornou um tema importante. Mas, inicialmente, essa duplicidade de funções não significou uma  dualidade entre pensamento e físico ou entre corpo e alma.

Platão descreveu a luta entre vontade racional e desejos como uma contenda no interior da própria mente humana, que ele não distinguia da alma. A alma, para Platão, foi posta como a fonte do querer racional e do querer irracional. No entanto, ainda em Platão, surgiram alguns alertas sobre a ideia desenvolvida por Sócrates, a de olhar para o corpo como alguma coisa que poderia ser descartada após a morte. Foi nesse contexto que a filosofia começou a falar do “corpo como prisão da alma”. (1)

Vinte e cinco séculos depois, o nietzschiano Foucault ousou dizer exatamente o oposto. Ele insistiu em afirmar que era a “alma a prisão do corpo”. Nietzsche, por sua vez, ensinou-nos a parar de chamar o corpo de nossa “parte irracional”. Mas ele não inverteu as coisas, colocando o eu e a vontade como sendo o irracional. Ele considerou a possibilidade de falar em duas razões. A “pequena razão” abrigaria o que até então é chamado de eu, e “grande razão” nada seria senão o corpo. (2) Ou seja, Nietzsche deu o nome de “razão” ao aparato de decisão, como de fato fizeram os gregos, mas ele logo percebeu que, uma vez adotando essa terminologia, então o correto seria atribuir o nome de “razão” a ambas as partes, uma vez que ambas seriam instâncias decisórias. Além disso, as decisões mais fortes, mais importantes em nós, seriam as tomadas pelo corpo, não pela vontade ou o eu, até então localizado no pensamento. Assim, seria mesmo mais correto chamar o corpo de “grande razão”, exatamente para deixar claro essa sua preponderância quanto às decisões. Afinal, contra a decisão do corpo, dificilmente conseguimos colocar outra decisão.

Nietzsche não fez isso à toa. Seu objetivo era claro: o ataque à metafísica, ou seja, ao platonismo e seus derivados. Para ele, o platonismo era o responsável pela terminologia do homem moderno, ou seja, pelo senso comum de nossos dias. E se fazer filosofia tinha a ver com alguma superação do senso comum, então nada melhor para o filósofo que se livrar dessa terminologia platônica. Para tal, toda vez que fosse possível dar uma estocada lá na tradição grega vinda de Sócrates, não haveria motivo para não fazê-lo.

Nietzsche entendeu que as filosofias como a de Sócrates ou a do estoicismo queriam colocar o corpo sob o domínio do pensamento e, portanto, da vontade. Todavia, esse projeto seria irrealizável, pois, ao fim e ao cabo, a última decisão de tudo sempre caberia ao corpo. Afinal, o dia que o corpo decide não mais se locomover, ou seja, o dia que o corpo resolve parar de vez, morrer, não há dúvida que ele decide por ele e pela vontade. E nessa hora, ele não consulta ninguém.

Alguns povos inventaram a vida após a morte. Foi uma forma de revidar ou complementar o esforço grego de dominar o corpo. Foi uma resposta do tipo: se podemos dominar o corpo e, no entanto, ao fim, o corpo ainda se mostra senhor porque morre e põe tudo sob sua decisão, então criamos pelo pensamento o lugar de sua própria salvação: uma outra vida na qual o corpo não será mais importante.

A invenção de um mundo no qual viveríamos somente com a alma ou, em certo sentido, um mundo onde estaríamos vivos exatamente porque teríamos o nosso pensamento desprovido de corpo, foi uma invenção do pensamento, da alma, e, portanto, não temos porque não desconfiar dele. Afinal, quem o inventou assim agiu em interesse próprio. O corpo não inventou um mundo de vida eterna para ele. O corpo sempre concordou que mandando aqui nesse mundo, já lhe bastava. Agora, o pensamento ou a alma nunca quis assim. Para o pensamento, estar no jogo do mandar e do obedecer nunca foi suficiente. O que o pensamento queria era mandar sempre, anular o corpo – seu projeto de revanche era totalitário. Então, criou o mundo no qual a “pequena razão” teria existência, sem o comando ou mesmo a presença da “grande razão”.

Nietzsche usou sua nova terminologia para dizer algo como isto: é incrível que não tenhamos percebido esse engodo. É fantástico que não tenhamos visto que a ideia de um mundo que pudesse dispensar o corpo nada mais era que a imaginação da alma para trair o corpo, para fazê-lo ter ciúmes, para desqualificá-lo, para roubar sua autoridade. É como se o pensamento ou a alma (em Platão essas duas coisas eram as mesmas: psykhé, yuch) tivesse armado uma armadilha para roubar a autoridade do corpo. Diante da “grande razão”, a “pequena razão” começou a se rebelar, primeiro aderindo à filosofia, depois, inventando que ela iria atravessar o grande muro da morte e fugir, deixando para trás a “grande razão”. Nesse mundo para além do muro, o pensamento seria a única razão e, portanto, ele seria a “grande razão”. O que Nietzsche conseguiu ao desvendar esse truque foi revelar o quanto o pensamento ou a alma nunca fez outra coisa senão invejar o corpo.

Essa narrativa alternativa da história da racionalidade, assim formulada por Nietzsche, tem mais capítulos. Como outros filósofos, Nietzsche também percebeu a ligação entre o projeto dos filósofos cristãos e vários elementos platônicos. Do mesmo modo que Hegel, ele viu que a importância da noção de subjetividade e sua associação com a racionalidade, na passagem entre os gregos e os cristãos, ao contrário de se perder, seguiu um fio de continuidade. Também como Hegel, ele não colocou os tempos modernos como uma época anticristã, mas, ao contrário, como uma época que, na linha de valorização da subjetividade, advogou exatamente a mesma coisa que o cristianismo. (3) Quem lê a história da filosofia escrita por Hegel e, em seguida, avalia tal história pelas alternativas de Nietzsche, não consegue não ver os laços de continuidade, diferentemente daquilo que foi enfatizado pela história vinda dos historiadores, que quiseram marcar a modernidade como um tempo independente do passado, em especial do passado medieval. Agora, no caso de Nietzsche, sua terminologia, ou seja, o uso dos termos “pequena razão” e “grande razão” nos deu a possibilidade de pensarmos melhor a respeito do que, afinal, foi o tal fio condutor que propiciou falarmos na subjetividade como o elo permanente entre helênicos, medievais e modernos. Ora, quando olhamos a história da filosofia com a terminologia de Nietzsche, podemos notar que é a ideia de autocontrole que está na base do projeto ocidental, o que verdadeiramente alinhou a cultura helênica com a cultura cristã e moderna. Ser sábio, para essas três culturas, nunca deixou de ser aquele que tem o controle dos desejos, aquele que, portanto, ao menos para cristãos e modernos, controla o corpo. Aquele que, para os gregos, fazia vencer a parte nobre da alma sobre a parte não nobre.

Ninguém melhor que Santo Agostinho para expor exatamente essa agenda, ligando a importância da subjetividade com a função do autocontrole. Ele fez isso de modo magistral ao explicar a relação entre o pecado original e o livre arbítrio, indo direto para as questões corporais. Eis o trecho:

Quando o primeiro homem transgrediu a lei de Deus, ele passou a ter outra lei em seus membros, repugnante à lei de sua mente, e ele sentiu o mal de sua própria desobediência quando experimentou na desobediência de sua carne uma mais justa recusa sobre si mesmo. Então, assim era a “abertura dos seus olhos” que a serpente lhe tinha prometido na tentação – o conhecimento de algo em relação ao qual, de fato, teria sido melhor ter ficado ignorância. Então, certamente, o homem percebeu dentro de si o que ele tinha feito; assim, ele distinguiu o mal do bem – não o evitando, mas perpetuando-o. Pois, com certeza não era exatamente aquela obediência que deveria ser obtida de seu servo, isto é, seu corpo, para ele, que não havia obedecido ao seu próprio Senhor. Bem, então, quão significante é o fato de que os olhos, os lábios, a língua, as mãos, os pés, as costas, o pescoço e lados, são todos localizados dentro de nosso poder – para serem aplicados às operações à medida que lhe são adequados, quando temos um corpo livre de impedimentos e em um estado que exibe saúde; mas, quando se chega à grande função do homem de procriação de crianças, os membros que foram criados expressamente para esse propósito não obedecerão à direção de sua vontade, mas o desejo tem de ser esperado para colocar esse conjunto de membros em movimento, como se tivesse direito legal sobre eles, e algumas vezes se recusam a agir  quando a mente quer, enquanto que frequentemente agem contra a sua vontade! Não deve isso fazer corar de vergonha a liberdade da vontade humana, que por seu desprezo de Deus, seu próprio Comandante, tenha sido perdido todo seu comando próprio, para si mesmo, de seus próprios membros? Agora, onde poderia ser encontrada mais adequada demonstração da exata depravação da natureza humana pela razão de sua desobediência, do que na desobediência daquelas partes da qual a própria natureza deriva subsistência por sucessão? Pois é por uma especial propriedade que aquelas partes do corpo são designadas como naturais. Isso, então, foi a razão pela qual o primeiro casal humano, na experiência do movimento da carne que foi indecente porque desobediente, e no sentimento de vergonha de sua nudez, cobriu esses membros ofensivos com folhas de figo; nesse sentido, ao menos, pela vontade dos ofensores envergonhados, um véu poderia cobrir o que era colocado em movimento sem a vontade daqueles que sentiam o desejo: e desde que a vergonha emergiu do que era indecentemente prazeroso, a decência poderia ser obtida pela cobertura. (4)

Santo Agostinho tinha cultura helênica suficiente para saber a respeito do projeto de autocontrole socrático e estoico. Todavia, o que ele necessitava compreender não era essa cultura que, enfim, havia lhe chegado às mãos bem cedo. Seu problema era o de conseguir interpretar filosoficamente a outra tradição que havia adentrado sua casa por meio de sua mãe, a cultura vinda dos textos judaico-cristãos, ou seja, os textos da Igreja.

O grande problema de Santo Agostinho era o de encontrar uma narrativa da psicologia do homem de modo que uma tal coisa não se fizesse estranha quando glosada com os textos bíblicos. Foi importante para ele explicar a origem do Mal, tirando-o das costas de Deus, por meio da ideia de livre arbítrio humano presente no próprio plano divino. Todavia, a partir daí, tornou-se mais importante ainda, para ele, explicar a vergonha como sentimento moral e o rubor físico associado a ela.

Ele explicou essa ligação com essa sua bela e engenhosa interpretação do pecado original, citada acima. A serpente havia prometido ao primeiro casal na terra o conhecimento. De fato, Adão e Eva tiveram conhecimento. Eles apanharam o fruto proibido da árvore do conhecimento; eles passaram a usar do pensamento, da razão. Mas, logo perceberam que a ignorância teria sido uma melhor opção. Com o conhecimento próprio, ou seja, com o que Nietzsche chamou de a “pequena razão”, eles perderam a ligação imediata com a Terra, a relação umbilical com o Paraíso, e essa ligação, puramente corporal e vinda do próprio chão do Paraíso – afinal, Adão foi feito do barro –, era a “grande razão”. Passar a se determinar pelo conhecimento e, portanto, pelo uso da “pequena razão”, fez de Adão um alheio aos destinos fáceis e aconchegantes da “grande razão”. Ele não precisou ser punido por Deus. Sua punição diante do pecado original – a desobediência – veio imediatamente do próprio pecado: pois o que ocorreu foi que a “grande razão” se ergueu contra ele e se pôs no comando independente dele. De homem que tinha um funcionamento harmônico de seus membros, ele passou a perambular como um boneco com defeito, cujos membros começaram a se movimentar sozinhos. Ou, dizendo melhor, não todos os membros, mas, explicitamente, um membro: o pênis. O preço de se fazer racional foi a perda da vida harmônica com uma racionalidade maior ou, em outras palavras, o que poderia se chamado de vida instintual.

A cada movimento do pênis, vindo a ficar enrijecido sem qualquer comando da vontade de Adão, o seu próprio corpo respondia com a vermelhidão nas bochechas, trazendo para o rosto o sinal de sua incapacidade de guiar seus próprios movimentos. Então, Adão sentiu aquilo que o próprio Deus havia sentido diante de sua desobediência. Quando Adão viu que ele, para procriar, tinha de esperar os movimentos de seu pênis que, agora, se movia por si mesmo ou, melhor dizendo, como escravo do desejo, ele realmente percebeu, dentro de si, o quanto era ruim a desobediência. Adão passou a conhecer o bem e o mal. Nada pior do que querer seguir a lei da procriação e, no entanto, só fazê-lo por algum mandato aleatório – os desejos que, agora, não lhe eram mais obedientes.

Foi assim que o pênis se tornou o símbolo da rebeldia do corpo contra a vontade de Adão. O primeiro homem passou a ter ereção e a não ter ereção como se isso se realizasse por conta própria. Analogamente, foi exatamente esse sofrimento que Deus passou ao ver Adão, que era parte do próprio Deus enquanto sua criação, ficar desobediente. Adão optou pelo conhecimento e não mais pelos instintos que, até então, o favoreciam e eram a própria voz de Deus no seu eu. Então, Adão se viu tendo de ter de agir com a “pequena razão”. Sem os instintos, isto é, em desarmonia com o Paraíso, Adão sentiu em si o que era o mal, ou seja, ser um boneco cujos membros vão para um lado após uma ordem que os encaminhava para o outro lado. Deus sofreu com isso, quando Adão desprezou os instintos, que eram sua ligação harmônica com o Paraíso, e quis caminhar por meio da “pequena razão”. Adão trouxe para todos os homens esse sofrimento. Seu pênis, para sempre, durante toda a existência do homem na Terra, lembraria essa sua perda do contato harmônico com Deus e com o Paraíso. Então, Adão e todos nós passamos a sentir vergonha de nossos corpos nus: ali estava a denúncia de que Deus sofreu por nossa culpa, a denúncia da nossa então verdadeira condição de bonecos, a denúncia de termos sido estúpidos ao querermos a “pequena razão” para enfrentar a vida quando tínhamos a “grande razão” como nossa aliada.

Com essa teoria em mãos, Agostinho podia explicar todo e qualquer projeto nosso, inclusive filosófico, de tentar voltar a ter o autocontrole perdido. Isso explicava muito bem a própria agenda da filosofia. Além disso, não poderíamos fazer nada senão continuar a cumprir esse nosso destino. Ser santo, portanto, não seria outra coisa senão saber da revolta da “grande razão” e, assim, passar os dias tentando o autocontrole usando o que havia sobrado: a “pequena razão”. Manter o pênis segundo a vontade e não segundo o desejo tornou-se um dos pré-requisitos básicos da vida filosófica e religiosa. Afinal, quem de nós não sabe que é cobrado do filósofo quase o mesmo do religioso? Quem não sabe que é cobrado de todos nós no Ocidente a virtude do máximo autocontrole.

Quando olhamos essa narrativa proporcionada por Agostinho, podemos perceber o quanto nossa relação com o pênis se tornou algo fundamental para nós. Talvez por isso, Freud tenha dado tanta importância para a simbologia envolvida com a ereção. Por isso nossa civilização, de fato, cultiva não o pênis, mas as possibilidades ou não de autocontrole do pênis. Para uma civilização como a nossa, a civilização ocidental, é importante lidar com o controle do pênis a partir das decisões subjetivas, ou seja, por meio do pensamento, do eu, da vontade. Somos verdadeiramente sujeitos se temos controle de nós mesmos, ou seja, do corpo. Mas, quando olhamos a relação que os orientais têm com o pênis, vemos que se eles almejam algum controle, eles não invocam o autocontrole.

O “Pênis Day” no Japão mostra bem isso. (5) A data é chamada de Kanamara Matsuri. Podemos tentar traduzir a expressão. Trata-se mais ou menos de algo como “o pau de aço”. A história associada ao dia é de uma jovem muito linda que, tendo uma vagina com dentes, acabava por decepar o membro de seus pretendentes. Então, contra aquela mulher, só mesmo o “pau de aço” poderia fazer alguma coisa. Assim, surgiu a ideia de venerar “o pau de aço”. E isso é feito desde mais ou menos os anos seiscentos até hoje, através de um festival em que a população devotada às tradições carrega enormes falos. É uma celebração do pênis na sua ereção, mas sem qualquer alusão ao elemento chamado controle interno ou autocontrole. O pênis, nesse dia, é rei e senhor. Ele é carregado como nós carregamos os santos em nossas procissões católicas e similares. Ele se põe como estrela. Os orientais não se sentem nem um pouco preocupados com o reinado do pênis. É como se a “grande razão” não lhes fosse nenhuma inimiga. Contra uma vagina que morde, não temos nenhum exercício de autocontrole, temos apenas que dispor de um mecanismo externo mais potente, um “pau de aço”.

No nosso caso, quando celebramos o pênis, isso se torna alguma coisa que deve ser chamado ou de pornografia, e ser proibida, ou então, para o gosto de transgressão das elites, podemos chamar isso de arte.

Talvez devêssemos dizer: as sociedades orientais mostram um controle do pênis por meio de sua exposição. Agora, as sociedades ocidentais se viram envolvidas com a ampliação da subjetividade, com o desenvolvimento da subjetividade, portanto, com os processos internos de controle ou, exatamente, o autocontrole. Assim, controlar o pênis, o membro rebelde, é necessariamente mostrar autocontrole. Controle é algo objetivo. Autocontrole é subjetivo. Vivemos uma sociedade que tem de expiar o pecado de ter feito Deus passar a dor que resultou de ver um de seus membros não obedecer mais, ou seja, Adão. E Adão sentiu o que Deus sentiu ao ver que ele não era mais dono de sua ereção, ou seja, ele sofreu e, disso, ganhou a vergonha e o rubor, por se parecer um boneco que se movimenta de modo desengonçado. Nada disso pertence ao Oriente. Isso fica mais evidente, ainda, quando lembramos que nós ocidentais nos consideramos expansivos, enquanto que julgamos os orientais, principalmente os japoneses, tímidos. Por essa regra, eles deveriam ter vergonha de algo com o Penis Day. Mas eles não têm, ao contrário, é na cultura deles que essas festas se preservaram. Neles, a inveja da “pequena razão” diante da “grande razão”, se é que podemos falar nessa dualidade para eles, nunca se manifestou.

  1. Foucault, M. Nascimento da prisão. Vigiar e Punir. Petrópolis, RJ: Vozes,
  2. F. Assim falava Zaratustra.
  3. Ghiraldelli Jr., P. O corpo. Filosofia e educação. São Paulo: Ática,
  4. De Civita Dei, Book 1, Chap. 7< http://www.fordham.edu/HALSALL/source/aug-marr.htm>
  1. Sobre o Penis Day ou Kanamara Matsuri:<http://www.somewhereintheworldtoday.com/first-sunday-in-april-kanamara-matsuri/>
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