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28/04/2017

Sloterdijk

Notas para uma teoria da violência religiosa

Será mesmo que podemos levar a sério divergências religiosas, ideológicas, classistas, de gostos e tudo que implica alguma forma de exposição concatenada em uma forma de narrativa mais ou menos racional? Será que temos realmente divergências dessa ordem? Talvez nossas divergências — especialmente as que levam à violência religiosa — não sejam senão mero xenofobismo.

O fluxo das camisetas

Em um brilhante artigo da época do governo Collor, a professora Marilena Chauí denunciou a estratégia populista do presidente jovem. Ela apontou para sua prática de vestimenta. Collor mandava recados diretos para seus eleitores, sem mediação de partidos ou porta vozes ou até mesmo de seu próprio discurso, por meio de slogans grudados em seu

A sociedade espelhada

Combustível fóssil, penicilina e espelho. Nosso universo contemporâneo é fruto deles três. A descoberta e a  utilização dos combustíveis fósseis libertou o homem da sua dependência de horas massacrantes de trabalho, dando oportunidade para uma reorganização completa do nosso modo de vida. A descoberta da penicilina nos fez abolir de vez a ligação entre filosofia

O defunto nosso de cada dia, comei hoje!

Peter Sloterdijk defende a ideia de que uma história que responda aos nossos dias deve ser uma história que saiba integrar e uma só narrativa o que se deixava de lado por não possuir história: o mundo da natureza. Também Bruno Latour, com a ideia de parlamento das coisas, participa da mesma tese. Sei bem

Somos todos terroristas – sociedade contemporânea e individualismo a partir de Buyng-Chul Han e Peter Sloterdijk

O terrorismo é um ato em busca de autenticidade. O filósofo germano-coreano Byung Chul Han endossa essa tese. Mas, o terrorismo também é provocado pelo excesso de leveza e consequente reação em busca de reoneração. Penso que o filósofo alemão Peter Sloterdijk endossaria essa tese. Nos resultados, essas teses possuem pontos em comum. Autenticar-se é

O parlamento das coisas

Heráclito não acreditava falar por si mesmo. Aliás, o “si mesmo”,  esta expressão, é uma invenção nossa, não dos antigos. Heráclito entendia que o logos do cosmos utilizava de sua boca para falar de sua organização própria, a harmonia cosmológica. O Humanismo moderno nos tirou essa possibilidade. Então, se as coisas querem falar, hoje em

Síndrome de Dédalo

Vivemos na “sociedade da abundância”. Ricos ou pobres, vivemos em uma sociedade que ganhou leveza e que se desonerou em um nível nunca visto antes em toda a história da humanidade. Energia fóssil, motor de explosão, luz elétrica, penicilina, tratamento hormonal, Viagra e pílulas de contracepção, alfabetização em massa, diminuição de mortalidade infantil, aumento da

A Loucura da Transparência

Diante da noção de intimidade, todo cuidado é pouco. Dizemos coisas bem diversas com esse termo aparentemente simples. Byung-Chul Han lembra que Richard Sennett, ao falar das “tiranias da intimidade”, está se referindo a um mundo íntimo que, na verdade, se exige mostrável. Em Sennett, sabe-se, a sociedade não é vista (e criticada) na completude

O stress da sociedade da leveza contemporânea

Não é porque estamos lutando pelo fim do sacrifício dos animais que o sacrifício nosso acabou. E aí a palavra “sacrifício” tem vários sentidos: do voluntariado de guerra ao trabalho árduo e deste para deveres morais nada fáceis. Essa minha tese, portanto, se insere claramente no debate contemporâneo em contraponto à tese de Gilles Lipovetsky,

A revolução dos não-bichos

Para Nana Lacerda Uma cenoura é diferente de um esquilo não no mesmo sentido que um esquilo é diferente de uma vaca. Muita gente que dá palestra por aí não sabe disso. Conhecem o tipo? Sim, até na Unicamp tem gente assim! É aquele que adora dizer que quem não mata uma vaca vai acabar

A tese do “dinheiro inteligente” contra direita e esquerda (Merchior não era inteligente)

“O mercado se rege por critérios de eficiência e rentabilidade, não de justiça ou de equidade. Ele é um soberbo órgão de criação de riqueza, mas não um mecanismo competente de distribuição de renda.”  Duvido que alguém possa levar a sério esse pensamento. São frases com quase verdades, mas colocadas juntas assim, são mera ideologia.

Um espectro ronda a modernidade: a maioria

A ficção de um dos episódios da série Black Mirror mostra um mundo onde todos são avaliados e premiados com nota a partir de uma continua votação via rede social. Por essa avaliação, cujos critérios são os mais frívolos possíveis, uma vez que são o da moda e decido pela maioria, redistribui as oportunidades gerais

Só um Deus pode nos salvar

A Oliver Cromwell se atribui a seguinte frase: ‘nunca um homem sobe mais alto do que quando não sabe aonde aonde vai’. A sentença é lembrada por Peter Sloterdijk no livro em que constrói uma “teoria filosófica da globalização”, que na língua portuguesa ganhou o belo título O Palácio de Cristal. O filósofo alemão cita

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