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24/09/2017

Nietzsche

Identidade moderna: a intensificação de si

Aprendemos no colégio, nas aulas de história, que as “grandes navegações” e o comportamento intrépido de gente que era chamada de “mercadores” deram o tom para a formação do homem moderno. Seguiram a estes os “empresários”, pessoas capazes de correr o risco com dinheiro investido tanto quanto os primeiros correram risco de vida. Max Weber

O vitimismo chegou na direita!

Clint Eastwood representou o macho do cinema após John Wayne. Ambos tinham a carcaça republicana e reivindicaram para si e para seus personagens a silhueta do que seria o americano típico. Self-made-man durão, sedutor de mulheres até por meio da violência, incapaz de reclamar ou chorar, herói de uma selva do salve-se quem puder. Esse

O corpo liso, esse protagonista contemporâneo

Cresce o número de jovens masculinos, ao menos no Brasil, que não suporta o cheiro de vagina. Não fazem sexo oral com suas parceiras! Além disso, exigem que elas se depilem. A tricotomia é internacionalmente conhecida como produto brasileiro. E mais: entre as mulheres, cresce de modo assustador o “clareamento anal”. Acrescento: o Brasil passou

Acorde! Não existe “hacker do bem”!

Um martelo não representa um produto de tecnologia. A tecnologia não se caracteriza pelo uso de instrumentos. A modinha agora é dizer que o mercado quer gente “especialista em segurança e combate à pornografia infantil na Internet”. São os “hackers do bem”. O nome é infeliz. É de uma ingenuidade que só poderia, mesmo, vir

Como ser inteligente no século XXI?

Um concurso mundial para eleger a maior ignorância que caracterizou o século XX, no meu entender, daria o primeiro prêmio à forma dos intelectuais de dividir livros, autores, pensamentos filosóficos, literatura e humor em modelos criados a partir de caixinhas ideológicas, notadamente “esquerda” e “direita”. Isso é algo que desapareceu na maior parte dos bons

O que é a linguagem, afinal?

SE VOCÊ ESTÁ GRÁVIDA nos Estados Unidos então você está pregnant. Se é uma brasileira nos Estados Unidos, grávida, pode entender “pregnant” muito bem, pois tem em sua língua o termo “impregnado”. Algo cheio está impregnado. Importa aí a quantidade. Mas se você está grávida na Espanha ou na Argentina e lugares do castelhano, você

O corpo que parece nosso – Heidegger, Nietzsche e Sloterdijk

Heidegger acreditava que Nietzsche não havia se desvencilhado da “metafísica da subjetividade”, uma das etapas, para ele, do trajeto condenável denominado “esquecimento do Ser”. Uma das “provas” fornecidas por Heidegger a respeito desse mal acabamento de Nietzsche foi a visão deste a respeito do corpo. De fato, o capítulo “Os desprezadores do corpo”, do Zarathustra,

Somos todos terroristas – sociedade contemporânea e individualismo a partir de Buyng-Chul Han e Peter Sloterdijk

O terrorismo é um ato em busca de autenticidade. O filósofo germano-coreano Byung Chul Han endossa essa tese. Mas, o terrorismo também é provocado pelo excesso de leveza e consequente reação em busca de reoneração. Penso que o filósofo alemão Peter Sloterdijk endossaria essa tese. Nos resultados, essas teses possuem pontos em comum. Autenticar-se é

O eterno retorno em Black Mirror

A maior parte dos episódios de Black Mirror (TV Britânica, 2011-2014), que está agora na Netflix, diz respeito à interação homem-máquina. Mas não se trata de uma interação com qualquer máquina, e sim com as máquinas que funcionam no interior do cérebro humano, no casamento da inteligência artificial com a  inteligência natural. Associado a isso, uma

A igrejinha da Democracia

Pela primeira vez em nossa história a democracia liberal está se mostrando fraca, incapaz de nos satisfazer minimamente, sem que isso envolva qualquer tendência dissidente do tipo das que ocorreram no pré-II Guerra Mundial, com o nazi-fascismo de um lado e o comunismo de outro, ou ramificações dessas duas correntes. O mundo inteiro está vivendo

O indefeso

Imagine-se em um campo aberto, em uma praça nem um pouco hospitaleira, cercado de pessoas agressivas. Elas bradam contra você xingamentos de toda ordem. As acusações batem nos seus tímpanos. A violência verbal aponta para uma violência física. Todas elas começam a pegar pedras! Você não tem nada em mãos. Seu coração dispara, e você

Jesus e o xingamento filosófico

Jesus não dizia “fucky you”. Também não dizia “filho da puta”. Esse tipo de xingamento, não sei se faria sentido em sua época. Meu amigo Deonísio da Silva, escritor, deve saber. O que sei é o que todo mundo sabe, que Jesus não se poupava de dizer “hipócritas”. Era sim uma acusação forte. Uma afronta.

A juventude: obra da eletricidade, do petróleo e do demônio

Zygmunt Bauman diz: “tempos líquidos, nada é feito para durar”. Bauman não sabe o que é algo chamado capitalismo. Tudo é feito para durar com data exata para acabar. Chamamos isso de obsolescência programada. Não significa pouca duração, significa duração calculada. Nessa modernidade que vivemos, também a vida humana foi repensada em períodos de obsolescência. Principalmente após

Montaigne e a fundação da subjetividade moderna

O “conhece-te a ti mesmo” inscrito no Templo de Apolo, uma vez adotado por Sócrates, nunca significou qualquer sugestão para a introspecção, nem mesmo para o conhecimento de limites próprios como quando pensamos em nos olhar no espelho para fazermos uma reflexão sobre nossos desejos e possibilidades. Sócrates trabalhou com esse lema a partir de

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