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15/08/2018

Lipovetsky

A retomada de “a sociedade do espetáculo”, de Debord. Comentando um erro de Gilles Lipovetsky

A expressão “sociedade do espetáculo” de Guy Debord não diz respeito diretamente à mídia e ao modo de vida, tipicamente americano, que inaugurou o “show time”. O espetáculo a que Debord se refere é o espetáculo da mercadoria. Ele constrói sua expressão na base de uma visão marxista da noção de mercadoria. O fenômenos midiáticos

La Casa de Papel – por que o sucesso?

[Artigo para o público em geral] “A tomada de consciência da individualidade é o verdadeiro individualismo” – Peter Sloterdijk Cruzei o parque Villa Lobos, aqui em São Paulo, escutando “Bela Ciao”. Era um grupo de jovens, todos negros, cantando. Sinal dos tempos. Época do êxito da série La Casa de Papel , onde a canção

Mulheres e homens ainda podem pecar? Onde?

[Artigo para o público em geral] Vivemos na “sociedade da leveza”. O mundo ocidental de hoje é um “mundo de desoneração”. Estamos de acordo com o mundo se estamos a favor de forças antigravitacionais. Da ideia de ser magro à noção de que temos que pagar menos impostos passando pela paixão do frívolo, tudo corrobora

O império do fofo

[Artigo indicado para o público em geral] Um filósofo notou certa vez que quando uma mulher diz “aquele homem é interessante”, ela vai acabar fazendo sexo com o citado. Em acréscimo a isso, observo também que quando uma mulher diz “ele é um fofo”, esse indivíduo citado pode esquecer a mulher, sexo com tal senhora,

Os homens bons podem ser bons e fazer o bem

[Artigo indicado para o público em geral] Hélio Schwartsman alerta-nos sobre os “militantes do bem” (Folha, 02/02/2018). Ele diz que estão aumentando. Estão mesmo, e de fato isso já está registrado na sociologia de Gilles Lipovetsky e nos incentivos da filosofia de Peter Sloterdijk. Hélio gosta deles, mas acredita que podem facilmente ficar tentados a

Caminhamos para um mundo de extraliberdade

Artigo indicado preferencialmente para o público acadêmico Hegel tinha a certeza de que a sua filosofia da história dizia exatamente para onde caminhamos: para cada dia mais liberdade. Ele dizia que só não podíamos ver uma tal coisa quando olhávamos para a história sem a perspectiva da “grande duração”. Na verdade, a “astúcia da razão”

William Waack cai e alivia a Globo

Este artigo é indicado para o público em geral William Waack é aquele que fazia entrevistas convidando só pessoas de direita para explicar o que é direita e esquerda. O show de pedantismo de seus convidados irritava qualquer um. Mas, mesmo assim, ele reinava sendo mais pedante ainda. À noite, levando adiante o jornal de

Esquerda e direita em Peter Sloterdijk

Podemos falar em direita e esquerda atualmente? Claro que sim! Mas seria tolice, em filosofia social e política, não notar os deslocamentos dessa divisão na vida contemporânea, para além da prisão – e banalização – do vocabulário jornalístico. No meu entendimento, Peter Sloterdijk é quem melhor apreende as vicissitudes semânticas pelas quais estamos passando nesse

O corpo liso, esse protagonista contemporâneo

Cresce o número de jovens masculinos, ao menos no Brasil, que não suporta o cheiro de vagina. Não fazem sexo oral com suas parceiras! Além disso, exigem que elas se depilem. A tricotomia é internacionalmente conhecida como produto brasileiro. E mais: entre as mulheres, cresce de modo assustador o “clareamento anal”. Acrescento: o Brasil passou

A sociedade masturbatória

Nós nos masturbamos. É o que nos restou. Quando veio a AIDS, nos anos 80, voltamo-nos ao sexo solitário. Mas agora, a masturbação não é mais só sexo, é um estilo de vida. Faz parte, de modo distintivo, da nossa transição ético-moral do mundo moderno para o mundo contemporâneo. No mundo moderno criamos o individualismo,

Rocha Loures: o indivíduo exemplar

Rocha Loures é um deputado amigo do presidente Temer. Há um vídeo rodando na TV brasileira incessantemente, onde ele aparece saindo da pizzaria Camelo, um lugar de jornalistas e políticos na cidade de São Paulo. Sai apressado e joga em um táxi uma mala cheia de dinheiro. Propina. O presidente está na corda bamba por

Capitalismo Emocional

Quase todos os analistas distinguem o capitalismo de produção do capitalismo de consumo de massa. Os filósofos sociais tendem a tirar conclusões psicopolíticas dessa segunda condição que, segundo eles, nos mostram características essenciais do modo de vida contemporâneo. O capitalismo de hoje não é aquele analisado por Weber. Todos sabemos disso. O filósofo germano coreano

João Pereira Coutinho quer ser uma galinha. Por quê?

O articulista lusitano da Folha (23/05/2017) saiu de seu costumeiro conservadorismo para aderir ao tão criticado “construtivismo social”, visto pela direita de ser tipicamente “esquerdista”. O seu lema é: se alguém que não é negro por pigmentação da pele quer se negro, acha-se negro, tem identidade social de negro, temos de tolerá-lo como estamos fazendo

A vida sob a obscenidade máxima

A Bíblia é impossível de ser proveitosamente lida com olhos pornográficos. A pornografia caracteriza-se  pela exibição da carne sem seus mistérios. A leitura da Bíblia de modo literal, sem hermenêutica, é a transformação do texto na banalização do facilmente visível. Trata-se, nesse caso, da leitura pornográfica. A leitura pornográfica da Bíblia, promovida pelos pastores das

Somos todos dopados

Somos todos dopados. Aliás, só vivemos em função do doping. Nosso corpo produz substâncias que nos dão prazer semelhante ao que procuramos por conta de efeitos químicos do doping. A medicina sabe disso, mas comenta pouco. A filosofia sempre quis ignorar isso. A filosofia imagina que se a química nos diz algo, esse algo tem

O fluxo das camisetas

Em um brilhante artigo da época do governo Collor, a professora Marilena Chauí denunciou a estratégia populista do presidente jovem. Ela apontou para sua prática de vestimenta. Collor mandava recados diretos para seus eleitores, sem mediação de partidos ou porta vozes ou até mesmo de seu próprio discurso, por meio de slogans grudados em seu

Gilles Lipovetsky vem aí. Mas como não viria?

Há dez anos, exatamente em 2007, Gilles Lipovetsky lançou com Jean Serroy o fácil A cultura-mundo, publicado no Brasil pela Cia. das Letras em 2011. Nesse livro, tentou falar do tripé que rege nossa vida: mercado, tecnologia e individualismo. Entre tantas denúncias que fez, retratando a fase de nossa modernidade, destacou no âmbito cultural como que viveríamos,

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