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26/03/2017

Heidegger

O homem é homem se tem sua raposa

Meu avô foi um rábula. Um estudioso do Direito que, tendo como escola um bom escritório de advocacia, ganhou condições para prestar o exame da OAB e se tornar advogado. Com isso, chegou a ser advogado do Palácio dos Bandeirantes, na gestão de Adhemar de Barros. Foi um sábio, sem dúvida. Seu nome era Carlos

Nossa boa religiosidade atual: entre William James e Peter Sloterdijk

Um bom leitor europeu do pragmatismo americano tradicional? Este: Peter Sloterdijk. Melhor ele fica quando o autor escolhido é William James, nos estudos de religião. A nova publicação em alemão do clássico de James, As variedades da experiência religiosa, traz um estupendo ensaio de Sloterdijk. Neste, encontramos o significativo trecho: “Seu [de James] caminho foi

Só um Deus pode nos salvar

A Oliver Cromwell se atribui a seguinte frase: ‘nunca um homem sobe mais alto do que quando não sabe aonde aonde vai’. A sentença é lembrada por Peter Sloterdijk no livro em que constrói uma “teoria filosófica da globalização”, que na língua portuguesa ganhou o belo título O Palácio de Cristal. O filósofo alemão cita

Peter Sloterdijk: o que é o homem?

“O que é o homem?” Kant formulou essa pergunta como uma espécie de corolário de três outras: “o que posso saber?”, “o que devo fazer?” e “o que me é permitido esperar”? Sloterdijk se aproxima mais das duas últimas que das duas primeiras. “O que me é permitido esperar?” e “o que é homem?” são

Cinismo e fascismo: relações vitais

A moda no Brasil agora é acusar aquele que você não gosta de “fascista”. É tanta frase acusativa que, se computarmos o que ocorre, deveríamos concluir estupidamente que a Alemanha nazista nunca chegou aos pés do Brasil. Até manual simplório sobre “como lidar com fascistas” já existe no mercado. É uma espécie de auto-ajuda de

Reconceituando o estresse

Nada há de mais errado que acreditar que o estresse pode ser retirado de cena se trouxermos as pessoas para uma vida na calmaria das pequenas cidades ou do campo, ou que ele seria atenuado se nossas grandes cidades tivessem uma vida mais organizada.

Como surgem os terroristas de hoje?

A pedra é sem mundo, o animal é pobre de mundo e o homem é construtor de mundos. A essa sabedoria de Heidegger pode-se acrescentar a de Sloterdijk, de que vivemos no mundo da abundância, e de que não poderia deixar de ser diferente, pois somos seres, ontologicamente falando, da riqueza, do mimo e o

Rebeldes censores e censores rebeldes em 2015

Em entrevista recente no St John’s Divinity School no Reino Unido, Peter Sloterdijk disse que “o homem moderno e o pós-moderno não vivem somente na ‘casa do Ser’ (como Heidegger chama a linguagem), mas, implementadamente, no domicílio tecnosférico”. Essa observação dá o que pensar. Estamos longe, nesse caso, de qualquer expressão banal a respeito de

Peter Sloterdijk

Subjetividade filosófica dos filósofos

O estudo dos intelectuais pertence a um conhecido itinerário bibliográfico que vai de Max Weber a Sartre passando entre outros por Antonio Gramsci. Mas o estudo da subjetividade do intelectual e, especialmente do filósofo ou do homem teórico, escapa dessa trilha, não raro pavimentada somente com paralelepípedos sociológicos. A subjetividade do homem teórico é um

Arendt e Sloterdijk: não durma com o inimigo

“Onde se está quando se está no mundo?” pergunta Peter Sloterdijk. “Onde se está quando se está pensando?” pergunta Hannah Arendt. Duas perguntas distintas, instigadas pelo mesmo filósofo: Heidegger. Mas, além disso, o que possuem em comum?

Estamos perdidos na sociedade contemporânea?

Indistinções: da sociedade do espetáculo às perdas semânticas. 1. Ilusão de ótica é uma coisa, ilusão metafísica é outra. A física, a fisiologia e outros campos do conhecimento podem cuidar do primeiro caso, só a filosofia cuida do segundo, afinal, trata-se de um invento só dela.

A favor do mundo pior

Vivi o final dos anos cinquenta e início dos anos sessenta como criança. Nasci em São Paulo, mas morei também no interior. Lá tínhamos um quintal com animais. Os animais eram bem tratados. Mas nós não exitávamos em matá-los.

Adultério nosso de cada dia

Os homens ainda traem mais que as mulheres, mas as estatísticas estão caminhando para uma situação igualitária. Além disso, o número de pessoas que traem também cresce de modo contínuo e veloz. Não tardará o dia em que todos nós, ao menos uma vez, teremos sido cornos.

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