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20/05/2018

Comte

Os engenheiros da linguagem. A confecção da sociologia e das ciências humanas.

[Artigo indicado preferencialmente ao público acadêmico] Quando Durkheim disse que deveríamos tratar os acontecimentos sociais como “coisas”, ele estava tentando ensinar que o cientista social, então emergente, teria de tomar a vida humana como os físicos estavam tomando a vida natural. Nada de colocar no âmbito de acontecimentos da natureza qualquer antropomorfismo. Assim, se a

Só um Deus pode nos salvar

A Oliver Cromwell se atribui a seguinte frase: ‘nunca um homem sobe mais alto do que quando não sabe aonde aonde vai’. A sentença é lembrada por Peter Sloterdijk no livro em que constrói uma “teoria filosófica da globalização”, que na língua portuguesa ganhou o belo título O Palácio de Cristal. O filósofo alemão cita

O nosso mundo entre Fortunatus e Comte

O Renascimento viu nascer um mundo sob varinha de condão da Fortuna. A modernidade tardia, no final do século XIX, preferiu outro tipo de demiurgo, a Providência. Por isso mesmo, na literatura popular de 1500 temos o herói Fortunatus, aquele que ganhou uma bolsa que repunha sozinha o dinheiro gasto. Mas, nos anos de 1800,

Nietzsche foi ao velório?

“Deus está morto”[1] – duvido que exista outra frase de Friedrich Nietzsche (1844-1900) mais popular que essa, e também penso que é uma das mais mal utilizadas.

O filósofo leitor da Bíblia

“Professor, o senhor é ateu?”. “Todos os filósofos são ateus?”. “Filósofo Ghiraldelli o senhor acredita em Deus?”. Quando se é um filósofo como eu, que está na conversação comum e não escondido em colunas de jornais ou colunas da universidade, perguntas desse tipo têm de ser enfrentadas.

No amor e na guerra

Samantha e Alex Murphy: “versões melhores de nós mesmos”. O marxismo como método para nós entendermos. Os casos de “Ela” e “Robocop”

Um dia quinze de novembro lá do passado

Era de praxe Deodoro da Fonseca se emperiquitar para sair de casa. Joias, medalhas de mérito e cordões não faltavam em sua farda impecável. O tempo que levava para pentear a barba não era pequeno, isso sem contar a dedicação com que a perfumava. O Marechal encomendava águas de cheiro dos lugares mais famosos para

A revolução fora do banheiro

A revolução fora do banheiro “Se abandonarmos nossos medos, outras formas de organização virão”. O professor Wladimir Safatle termina assim o seu artigo na Folha de S. Paulo (25/06). Aparentemente diz algo na contramão das posições conservadoras, que estão agarradas aos pelos das pernas de Augusto Comte, no nosso “ordem e progresso” que deixou o