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24/09/2017

Cioran

Só um Deus pode nos salvar

A Oliver Cromwell se atribui a seguinte frase: ‘nunca um homem sobe mais alto do que quando não sabe aonde aonde vai’. A sentença é lembrada por Peter Sloterdijk no livro em que constrói uma “teoria filosófica da globalização”, que na língua portuguesa ganhou o belo título O Palácio de Cristal. O filósofo alemão cita

A filosofia conservadora comete um erro teórico

Rousseau advogou a retirada do indivíduo da sociedade, num individualismo extremo. Buscou encontrar o homem sem máscara social alguma. Esse homem seria próximo de sua ficção teórica do “bom selvagem” ou de um Emílio-que-tivesse-dado-certo. Ele próprio experimentou essa busca da existência que deveria preceder o pensamento, e entendeu que a encontrou em um momento que

A homossexualidade heroica de São Paulo

A homossexualidade de Paulo, o santo, é sempre matéria de boa conversa. Por duas razões: sua obstinação, que filósofos como Cioran (1) tomaram como típico fanatismo; e sua capacidade de ampliar as bases da doutrina cristã, tornando-a apta para adoção por mais povos. A questão não é desimportante e não se resume à fofoca burguesa

Michele Obama dá o tom correto para o feminismo

Paulatinamente o feminismo americano vai reencontrando seu caminho. A primeira dama Michelle Obama, negra e sem qualquer traço do militante temido por Cioran, aquele do “chegou a Salvação”, articulou corretamente o novo discurso: educação das meninas e melhoria do tratamento para com as mulheres adultas são lutas comuns.

Como usar do trágico para a filosofia – sem estupidez

Há uma modinha entre conservadores: vou ser trágico! Em termos historicamente mais amplos, isso acontece não só entre conservadores, mas também na esquerda há momentos do tragicismo. Quando seus representantes nunca conseguem comandar o que você imagina que eles deveriam comandar, então o mundo fica com destino traçado, de desgraça, e então aparecem esses trágicos.

A importância do bem

Ser boa pessoa virou “brega”. Querer “um mundo melhor” virou pecado. Cristãos conservadores odeiam o papa Francisco I por ele reintroduzir na Igreja o que é a essência do cristianismo: a caridade, o amor, a bondade. Estranho não?

Peter Sloterdijk e a frase de Nietzsche sobre a música

“Onde estamos quando escutamos música?” A resposta a essa pergunta é motivo para Peter Sloterdijk traçar, em resumo máximo, o trajeto da filosofia contemporânea: “(…) expulsar as quimeras da subjetividade absoluta em favor de uma inteligência personalizada. Existencialidade em lugar de substancialidade; ressonância em lugar de autonomia; percussão em lugar de fundamento”.(1)

Cioran e os fervorosos

Talvez a pior coisa que possamos ter diante de nós são os que querem fazer o bem. Principalmente aqueles que nos querem fazer entrar no paraíso aqui mesmo na terra.

Cioran

Cioran, Sócrates e o fanatismo

Cioran fala do perigo dos fanáticos. Ponho aqui duas passagens dele, em Breviário da decomposição (Rocco, 2011), primeira: “Sinto-me mais seguro diante de um Pirro do que de um São Paulo, pela razão de que uma sabedoria de boutades é mais doce do que uma santidade desenfreada.” Segunda: “A ânsia de tornar-se fonte de acontecimentos

Pensamento social, filosofia e modernidade

Pensamento social, filosofia e modernidade Durkheim e Weber, continuadores e Marx e Nietzsche Karl Marx e Friedrich Nietzsche não leram um ao outro. Todavia, um dos principais saberes nascidos na transição do século XIX para o XX, o da sociologia, emergiu considerando-os fundamentais não só para o entendimento da vida social, mas como retratistas excepcionais da