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28/04/2017

Agostinho

Um tapinha russo não dói?

Encontrei um livro que fala de como tratar fascistas, como discutir com fascistas etc. Li um pouco. Mas o texto é ruim, chato mesmo. E tem um defeito grave: parece se divertir em ser fascista contra fascistas. Deveria se chamar: carta da intolerância contra que eu acho que é intolerante. Quero conversar sobre isso, levando

Crise da representação

“Fulano de tal não me representa”. Temos visto esse tipo de manifestação, na Internet e nas ruas. Não só no Brasil. Os analistas da vida política falam em “crise de representação”. As pessoas delegam poderes para quem as pode representar na democracia liberal representativa, e logo se sentem traídas. Então, começam a desconfiar de que

Foucault e a masturbação

Adriana Gonzaga presenteou-me com um texto chamado “O saber gay”, de Foucault (veja aqui). Não conhecia, e me parece que ela, Adriana, acertou bem na sua leitura. Trata-se de uma entrevista de 1978 não incluída em Dits et Écrits. Entre vários assuntos postos, Foucault volta ao tema da masturbação. Ele fala da novidade da interdição da

Montaigne e a fundação da subjetividade moderna

O “conhece-te a ti mesmo” inscrito no Templo de Apolo, uma vez adotado por Sócrates, nunca significou qualquer sugestão para a introspecção, nem mesmo para o conhecimento de limites próprios como quando pensamos em nos olhar no espelho para fazermos uma reflexão sobre nossos desejos e possibilidades. Sócrates trabalhou com esse lema a partir de

O que é a felicidade?

Felicidade é a nossa palavra para aquilo que a Grécia antiga chamava de eudaimonia. Há os que preferem tecer comentários sobre essa tradução, há os que dispensam qualquer reparo. Estou entre os primeiros, mas não por especialidade em idiomas e, sim, por questão de ênfase filosófica. Eudaimonia vem da junção eu e daimonion, ou seja,

A vida leve como imperativo

“Quero o café com açúcar, de amargo chega a vida!”. Ouvia-se muito uma tal expressão. De uns tempos para cá ela desapareceu, e se ressurge, vem invertida: “Sem açúcar, por favor, de doce já basta a vida”. Hoje em dia a vida deve ser doce. Temos de professar isso. As inúmeras revistas em que moças

Jesus e eu

Sobre a tese de doutorado de Hannah Arendt “Com Jesus não se brinca”. Aprendi isso quando criança, da forma ingênua que todo menino de catecismo católico entende. Mais tarde, aprendi que com Jesus também se brinca, uma vez que ele pediu que deixassem as crianças virem até ele. Ora, conversa séria, de adulto, é algo

Morrer de vergonha

“Seu” Paulino era servente no colégio em que estudei. Meu pai, diretor da escola, encontrou-o morto cedinho lá dentro do prédio da escola. Veneno de rato. Tomou o suficiente, talvez, de modo a nem passar mal por muito tempo. A primeira coisa que veio à mente do meu pai, ao levantar-se perto do homem, fitando