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30/05/2017

O pum dos estudos de gênero


Feminismo não existe mais, agora é “estudos de gênero”. Essa reviravolta já havia ocorrido nos Estados Unidos, ou seja, a incorporação por parte da academia do que era movimento social. Com isso, o que era algo relativamente necessário pode passar a ser alguma coisa do âmbito exclusivo do humor.

Os “estudos de gênero” não raro são uma nova forma de marxismo vulgar. No passado, quando queríamos rir de algum estudo acadêmico, pegávamos um marxista bem erudito e o colocávamos falando. A construção era enorme. Dados e mais dados e informações históricas sobre informações históricas – algo monstruoso de grande e complexo. Todos os nomes possíveis do movimento operário e socialista. Ao final, a montanha paria um rato: a burguesia era muito maldosa e era necessário fazer a revolução e implantar o socialismo. Aí estava o rato. Ríamos! Agora, temos no lugar disso, repetindo o mesmo esquema, o feminismo de cabeça acadêmica, os “estudos de gênero”.

O que fazem essa moças dos “estudos de gênero”? Podem ir da análise de uma Teoria da Justiça ao mundo mitológico, das tragédias gregas aos debates sobre a epistemologia feminista passando pelos “estudos de gênero”  no esporte, mas, ao final, as moças estudiosas das “questões de gênero” terminam dizendo que o problema das mulheres é a “sociedade patriarcal e agora capitalista e machista”. Em resumo: uma sociedade má e de opressão das mulheres pelos homens. Qualquer estudo das estudiosas de gênero nada descobre e nada propõe, apenas termina dizendo o que já vinha dizendo. A narrativa investigativa não existe, pois o que se vai dizer ao final é o que se pressupõe no começo. Podem ler esses “estudos de gênero” que verão que não estou exagerando não.

É interessante ver que esse tipo de escrito feminista, principalmente no Brasil, não tem a profundidade investigativa de narrativas feitas por mulheres como Hannah Arendt ou mesmo feministas, como no caso de Simone de Beauvoir. Essas mulheres nunca vieram a concluir o que já pressupunham. Ao contrário. Mas essa lição não está presente nos “estudos de gênero” que tenho visto por aqui. O que predomina aqui é o jargão e a repetição sobre a maldade da sociedade opressiva e machista. Ficamos com a impressão de que as moças que estudam “questões de gênero” no Brasil têm problemas sérios com figuras masculinas, ou maridos ou pais ou coisas assim. Há algo nelas que não as deixa investigar, mas as conduz para a reiteração de algo que poderiam dizer sem investigação.

“Estudos de gênero”: não raro é apenas o pum acadêmico do feminismo. E pum é pum.

Paulo Ghiraldelli, 59, filósofo. São Paulo, 20/10/2016

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4 Responses “O pum dos estudos de gênero”

  1. Toguro
    20/10/2016 at 21:14

    Esse pum, se não vier acompanhado da bunda da estudante, é realmente insuportável.

  2. Jefferson silva
    20/10/2016 at 08:45

    Olá professor.
    Só uma dúvida: antes internet como vc fazia para passar vergonha ?

    Att

    • 20/10/2016 at 09:53

      Jefferson um dia fiz uma coisa que me deixou em dificuldades. Sua mãe me pediu sexo, não cedi, mas infelizmente ponderei. Foi chato para mim, eu não sou adepto da zoofilia, mas por um momento pensei “aquela cabrita …”

    • fabio
      28/10/2016 at 05:36

      Jefferson, volta pro facebook, pros seus grupinhos

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Filósofo