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25/05/2017

Mulheres gostosas! Avante! É o que informa Hélio Schwartsman


O colunista Hélio Schwartsman é de uma geração antes que a minha, e certamente conviveu na USP, fazendo filosofia, com o que era ainda o padrão comportamental do heterossexual, ou seja, o de chamar mulher gostosa de gostosa, entre outras coisas consideradas pecadinhos hoje em dia. Afinal de contas, ainda pegou o Pica Pau, na TV, usando a palmatória, dando bordoada em velhinhos, colocando personagens com trejeitos (afeminados?) como vilões ou bobões e, claro, tendo como prêmio “dinheiro, iates e mulheres”. Mulheres que raramente eram passarinhas da linha do Woodpecker, mas já criaturas concorrentes de Jessica Rabbit. Portanto, quando Hélio fala de “beleza”, no sentido popular da palavra, ele sabe bem o que está dizendo.

Vem dele a informação de que um desses diretores de sites de namoro, por meios estatísticos, fez a confirmação daquilo que já estamos até carecas de saber: beleza feminina importa na contratação para qualquer coisa, e de uma forma extremamente decisiva. A noção de beleza é tirada do gosto popular, sem qualquer tentativa de delimitação filosófica, e por isso mesmo a pesquisa tem seu lado bem útil. O resumo da ópera do Hélio, para o comentário aqui, é este: “Uma mulher ‘top tem’ [dado do Facebook, que a elege para o pesquisador] consegue cinco entrevistas contra zero das que estão entre as 20% mais feias. O efeito ocorre mesmo quando o responsável pela contratação é uma mulher heterossexual” (Folha de S. Paulo, 04/10/2015). A pesquisa também revela que para a contratação de homens, a beleza não importa.

A conclusão é simples: seja lá qual for o critério pelos quais nós todos achamos uma mulher bonita, este se repete conosco quando, na função do profissional do RH, acolhemos a futura trabalhadora para um cargo no qual, em princípio, ser “vistosa” ou “bonita” ou “gostosa” não importaria. Mas esse “não importaria” é, no fundo, uma bobagem. Aqui, toda atenção é pouca!

A maior parte dos empregos nossos, principalmente no Brasil, é no setor de serviços, lugar em que estamos sempre de corpo presente no trabalho, bem visíveis. De modo que queremos estar envolvidos exatamente com quem escolhemos como “delícia” no Facebook. Ainda que alguém possa dizer que é o preconceito contra a dita feia que rege o RH, de qualquer modo este setor acerta. O RH não visa consertar o mundo, isso quem quer fazer são só os filósofos, professores, padres, juízes, delegados e, claro, prostitutas. O RH funciona segundo o critério conservador, junto com escritores conservadores e políticos de qualquer espécie. O RH quer que a empresa “ande bem”. E empresas não andam bem somente por competência, mas por “azeite”. Empresas azeitadas, que correm nos trilhos de modo fácil, são mais competitivas. Ora, empresas com mulheres vistosas no seu trabalho são mais perdoadas por incompetências que empresas com mulheres competentes nos lugares em que a competência não importa muito. O setor de serviços possui inúmeros lugares assim. De modo que a conclusão do RH atira no que viu e acerta pelo que não viu: basta ter um homem competente na chefia (ou uma mulher – uma única), não visível, e um batalhão de funcionárias “boazudas” (desde que não sejam animalescas, como as paniquetes) na linha de frente. Para um mercado incipiente como o brasileiro, isso é suficiente.

Nos Estados Unidos isso tem mudado. Mulheres que não agradam ninguém pelo visual aparecem em telejornais e dirigem serviços que exigiriam, no Brasil, a perigosa “boa aparência”. No entanto, é bobagem achar que mulheres nada atraentes, lá “na América”, podem exagerar e dispensar um bom decote com volumes apetitosos dentro. Feia até que pode, até gorda pode, mas sem peito, nunca.

O feminismo radical dos Sixties perdeu essa batalha. Mas era uma batalha que ia mesmo ser perdida. Pois há um bocado de evolucionistas por aí que mostram que a seleção que fez do hominídeo o homo sapiens não agiu em função do mais adaptado, mas em função do que foi mais notado por conta de ter seu rosto já como rosto humanizado, sem pelos. Peitos e nádegas ajudaram seguindo o critério do rosto. Aliás, sabemos muito bem que, em qualquer zoológico do mundo, mulheres com seios mais avantajados conquistam os olhares e masturbações dos macacos. Loiras à frente. Talvez o RH do mundo seja um RH de macacos. Juro, não estou reclamando.

Paulo Ghiraldelli, 58, filósofo

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8 Responses “Mulheres gostosas! Avante! É o que informa Hélio Schwartsman”

  1. Hanna Montana
    05/10/2015 at 15:17

    cala a boca seu idiota

    • 05/10/2015 at 15:52

      Baldruo essa é a hora que eu mais me divirto, quando vejo o Zé Ninguém gemendo aqui.

  2. Marcio
    05/10/2015 at 11:02

    Paulo, e a outra questão a que o Helio fez referência no texto: “pessoas mais bonitas têm menos chance de ir para a cadeia e, quando vão, tendem a pegar sentenças menores que os feios”, alguma análise? Quando você falou ali “juízes, delegados”, me lembrei logo disso.

    Abraço.

    • 05/10/2015 at 13:18

      Márcio você tem completa razão. Há mais aspectos ainda. A subida na carreira que, segundo pesquisa da Fran, é vertiginosa para os tidos como bonitos. Mas antes mulheres que homens

  3. Fernando
    04/10/2015 at 14:59

    Olá, Paulo. Me tira uma dúvida. É um troço que deu um nó na minha cabeça. Não tem a ver com o artigo. Bom, a mídia alardeia que falta professor e que cada vez menos pessoas querem seguir essa profissão. Mas eu falei com uma amiga que fez pedagogia e ela me disse que não falta professor e sim concurso. Ela me disse que é muito difícil arrumar emprego como professor, que tem muita concorrência. Então qual o problema? É falta de demanda ou de oferta de profissionais?

    Desde já agradeço

    • 04/10/2015 at 20:51

      Falta professor hoje no Brasil. Não falta concurso. Falta salário para existe alguém querendo ficar com as aulas. Os que passam me concurso desistem antes de completar um ano. Aí o governo, principalmente em São Paulo, pega os reprovados. Tem se tornado uma regra isso. Aí entram os piores que, por sua vez, nem força moral para reivindicar salário possuem, então, mais ainda o salário cai e a profissão se torna desinteressante. Num prazo de vinte anos, está aí a nossa situação, que alguns chamam de “apagão escolar”.

  4. henrique
    04/10/2015 at 13:24

    não é machismo optar por mulheres segundo um padrão de beleza da sociedade heteronormativa e masculina

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About Paulo Ghiraldelli

Filósofo