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16/12/2018

Cozinhar não é um ato erótico


“COZINHAR é quase erótico”, diz a Paola Caroselli do programa de TV chamado “Masterchef”. Olha, Paola até é uma mulher atraente, mas, sinceramente, nem na sua boca a frase pega. Cozinhar não tem nada a ver com erotismo. Milhares de casais se separam por causa do cheiro de alho e cebola pelo corpo da mulher, na jornada tripla que estas, quando não são ricas, têm de fazer.

E mais: se eu tivesse uma mulher que fosse participar de algo chato como o “Masterchef”, sinceramente, eu perderia todo o tesão nela, porque saberia que é uma pessoa sem qualquer criatividade. A febre da gourmetização é um um lixo tão grande quanto outras modinhas de tribos que nem com viagra duplo são capazes de qualquer erotismo.

Cozinhar é um ato de amor quando feito para um companheiro, mas o tiro pode sair pela culatra, pois é tão deserotizado que nem mesmo a sociedade insistindo no momento edípico o feito traz alguma coisa que possa ter a ver com Eros. Cozinhar é, na verdade, um sacrifício. Um saco.

Eros nunca teve nada a ver com cozinhar, talvez nem mesmo com comida. Eros foi um deus original em certos mitos e um demiurgo em outros, no campo grego. No campo romano, virou um potencial monstro no conto de Apuleio, Eros e Psiqué. Nós modernos o subjetivamos (como tudo) e, então, ele se fundiu em nós como amor, sexo, tesão, poder de sedução, paixão repentina na figura do Cupido etc. Mas se alguém acredita que o deus pode voltar, esqueça a cozinha, ele não é tonto de aparecer justo no lugar dos que trabalham e, agora, das máquinas. Eros nunca teve a ver com trabalho manual. Deuses não gostam do trabalho, e mortais que tem de trabalhar, se assim fazem, não podem ter qualquer coisa a ver com erotismo. Cozinha é trabalho. Só um bobo acreditaria que é “arte”.

Cozinha não é arte nunca nas mãos da mulher. Nas mãos do homem também não é, é apenas uma pequena viadagem ou um mais um fardo.

Paulo Ghiraldelli, 57, filósofo.

PS 1: Ah, não se esqueça: na foto que ilustra o texto a moça NÃO está cozinhando, nem vai. E qualquer comida boa por ali, é crua.

PS 2: O ignorante que vier me acusar de homofobia pelo usa da palavra “viadagem” eu vou jogar uma praga que os pelos da xoxota da mãe dele irão cair tudo, mas em público.

PS 3: Sim, a Fran cozinha para mim, porque ela não é uma inútil, gosta de mim, cuida do meu regime especial de “Vegano” e ainda por cima sem qualquer óleo ou azeite etc, porque é minha esposa. Mas não pense você que eu tenho tesão nela por isso ou que ela está molhadinha cozinhando. Não está. Só se eu “encoxá-la” na cozinha, coisa que faço, claro. Mas acredita, o tesão aí NÃO vem do bacalhau que está no prato.

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8 Responses “Cozinhar não é um ato erótico”

  1. sonia
    03/06/2015 at 10:45

    (off topic) Paulo, você tem visto como a propaganda da boticário tem irritado os evanjegues?

    • ghiraldelli
      03/06/2015 at 16:49

      Sônia, evanjegue é evanjegue, agora o chato é que eles estão pressionando o Conar. Isso irrita a mim.

  2. Julio Castanheira
    03/06/2015 at 00:56

    Paulo, gosto muito da forma como você destrói sem pena estas mistificações midiáticas. Não sei o que é mais triste, ver uma mulher dizer que cozinhar tem algo de erótico ou alguém achar que trabalhar é algo além de vender a existência a granel.
    E pelo que vejo, mulher cozinha por obrigação e homem por vaidade.
    Valha-nos o filósofo nestas horas.

    • ghiraldelli
      03/06/2015 at 16:50

      Cozinha é algo de escravo.

  3. Gislaine Perpetua Roberto
    01/06/2015 at 16:29

    Paulo, gosto dos seus textos mesmo quando não concordo contigo. Você não se excita, mas será que todos são assim? Eu tive dois namorados que ficavam excitados de me verem cozinhar. Um não podia me ver batendo bolo e o que o excitava era o fato de não usar batedeira (vai entender). Seu texto me causou uma inquietação. Nunca perguntei porque, achava que todos eram assim, mas agora fiquei curiosa. Será que meus ex… Complexo de Édipo? Machismo? Babaquice? Falta de imaginação? Precisavam de terapia?

    • ghiraldelli
      01/06/2015 at 17:55

      Gislaine! Caso eu me tivesse tesão ao ver mulher trabalhando eu teria a dignidade de não dizer.
      Grande beijo! Obrigado por ler minhas coisas.

  4. Thiago Zucarini
    31/05/2015 at 21:23

    Paulo, realmente você desbanaliza o banal com este tipo de texto, muito obrigado. Sobre esse tema tenho outro questionamento: Seguindo a linha do texto, é correto assumir, então, sentir prazer ou amar trabalhar com qualquer outra coisa além de cozinhar seria errado, segundo a afirmação de que Eros não gosta de trabalho?

    • ghiraldelli
      31/05/2015 at 22:05

      Trabalho é coisa de escravo, servo, burguês e proletário. Não é coisa de mortais gregos livres e de deuses.

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