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22/10/2017

Religião não se mistura com política?


Religião e política nunca se desligaram.


A VIDA humana desde o seus primórdios estabelece uma profunda ligação entre política e religião. A organização da vida comunal depende dos deuses e os deuses, na vida comunal, recebem funções novas de sobrevivência deles mesmos, para então dar sentido à cidade. Cidades sem deuses guardiões? Difícil. Até nós, hoje, mantemos os santos padroeiros dos locais. E eles tem força, sim, de organizar tempo e espaço, e de criar modos de vida que nos conduzem. Nossas cidades se fazem em torno de igrejas, nosso tempo é inteiro marcado pelo calendário dessas igrejas, nossa vida na cidade, ou seja, nossa vida política, tem uma ética e uma moral que depende de ditames dos deuses.

O mundo moderno que instituiu, no estilo ocidental, o estado laico com democracia liberal, o fez para proteger as religiões da nação, não para acabar com elas. E mesmo nessa situação, a política se imiscui com a religião porque os deuses, ainda que tenham se tornado privados, ainda têm suas prerrogativas públicas. Seria muito ridículo não escutar de um presidente Americano, ao final de um discurso, o “God bless America”. Seria tolo esquecer que boa parte dos grandes partidos europeus tiveram ou têm o nome de Democracia Cristã.

Fazer política sem ética é impossível. O ethos de um povo comanda sua forma de organizar a polis. E é impensável uma ética sem relação com o que que querem os deuses, os dizeres da religião.

As pessoas não deveriam faltar das aulas de humanidades no ensino médio, é isso que as faz querer retirar a religião da vida política a forceps. Tenho visto gente que se diz professor falando isso por aí. Estão errados.

Paulo Ghiraldelli, 58, filósofo. São Paulo, 30/07/2016

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9 Responses “Religião não se mistura com política?”

  1. Ícaro
    04/08/2016 at 14:43

    Pior que ouvir que a religião não se mistura com política é ouvir que estas não se discutem. A sociedade é dotada de uma complexidade de crenças, ideologias,valores cristãos e seculares,etc, e todos esses elementos se influenciam mutuamente formando esses grande organismo vivo chamado sociedade.

  2. Tavares
    01/08/2016 at 23:22

    Mas a ética de qual qual religião? não sei se você sabe, professor, mas o brasil não tem religião oficial, o estado é laico. Como gerir um país com cidadãos de diversas crenças e eticas religiosas? visto que uma ética religiosa “x” quase sempre vai de encontro com uma ética “y”

    • 02/08/2016 at 09:18

      Tavares o tal “não sei se você sabe” não deve ser aplicado a um professor, não a mim, pois eu sei muita coisa;. Agora, o problema é que VOCê não sabe e, pior, não entendeu um texto simples: O ESTADO É LAICO, não a nação. Puta merda! Será que uma coisa simples assim, não se entende? O que é isso, falta de ensino básico. A nação é predominantemente cristã, até a única religião brasileira, o candomblé, é cristianizado! A ética ou o ethos nosso é cristão. Aula de história e geografia do primário porra. Por essa razão é que o estado é laico: ele não assume nenhuma religião, para garantir a liberdade de opção dos indivíduos da nação. Deu agora ou ainda não?

  3. Enrique da Costa
    01/08/2016 at 04:33

    ¿Y el “imperativo categórico” de Kant, según el cual es posible una ética sin metafísica?, ¿no es cierto? ¿O no lo estoy entendiendo bien profesor?

    • 01/08/2016 at 06:36

      Enrique, do ponto de vista filosófico, sim, em termos da vida social real, é claro que isso não é possível, como descristianizaríamos nosso povo? Como fez a URSS?

  4. Fernando
    31/07/2016 at 08:47

    Fazer politica sem ética. Essa é boa. É o absoluto do absoluto. Só na cabeça do absoluto.

    • 31/07/2016 at 10:12

      Fernando, pois é, querem trabalhar com uma ética laica num país religioso? Difícil.

  5. 30/07/2016 at 13:40

    Completando: ”mas, como pretendo me inserir como alguém que respeita as leis do meu Estado, não farei nada além do que um outro cidadão, religioso ou não, faria.”

  6. 30/07/2016 at 13:37

    Muita gente não consegue entender que quando um candidato leva o nome ”pastor” na frente, é como se ele estivesse dizendo ”eu, fulano de tal que, por ser pastor, farei uma política que leve em conta os valores morais do meu grupo, da minha religião”.

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