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23/03/2017

O que vai ocorrer agora, após o ataque terrorista em Paris?


Após as mortes e a covardia, o pior do terrorismo ainda está por vir. A implosão da democracia por aqueles que dizem que a defendem. São os de sempre.

A cobertura de William Waack pela Globo ontem à noite foi bem diferente da de William Bonner. Como sempre. Bonner se prende à notícia, Waack quer o dramalhão. Bonner falou em “terroristas”, Waack ficou o tempo todo repetindo a palavra “islâmico”, mesmo sabendo que o presidente francês ainda não havia acusado ninguém, e que muito menos Obama. Fingindo estar consternado, ao final do Jornal da Globo, Waack jogou de uma vez o islamismo do lado da “barbárie” e o “nós”, o Ocidente, do lado da “civilização”. Para piorar, disse que todos os países atacados nos últimos dez anos por terroristas foram as democracias, tanto no Oriente quanto no Ocidente e na África, e insistiu que essas democracias “continuam pujantes”. Ou seja: deixou no ar a ideia de que as medidas de segurança não abalam a democracia em lugar nenhum. É muita ingenuidade ou muita cara de pau ideológica!

Essa é a mentira que alguns querem acreditar e outros, como Waack, acreditando ou não, querem passar adiante. É mera ideologia. Todos nós sabemos que daqui para diante na França as coisas irão ficar ruins para todas as pessoas de rosto desenhado, no real e muito mais no imaginário, como sendo o de um seguidor do Islã, radical ou não, terrorista ou não. A quebra de liberdades democráticas será intensificada, a democracias ficarão mais uma vez como cascas e sem algum conteúdo substancial e, além disso, haverá um recrudescimento de posições xenófobas na Europa toda. Não poderia ser pior o momento para isso acontecer, pois não param de entrar no Continente levas de refugiados da Guerra Síria, e, portanto, o número de muçulmanos a serem vistos com desconfiança irá crescer de forma a ampliar o medo e levar o governo a medidas duras, e cada vez mais mentirosas.

A solução será mesmo a do rapaz que pensa igual a Waack, mas com seta invertida, o Zizek. Ele pediu “militarização” como solução para o problema da imigração atual. Agora, ela virá. Waack e ele deveriam se conhecer. Tomariam várias cervejas juntos. Talvez na Casa do Saber, com colegas de esquerda e direita de lá.

Não há nenhuma guerra que possa vencer o terror desse tipo que, enfim, não é mais aquele terror de grupos de esquerda, contra o qual a Europa lidou nos anos setenta. Aquilo é passado. O terror de hoje é completamente outro. Prender um maoista ou algo assim nos anos setenta, por ato de terrorismo, causava menos dano interno que agora.  Um esquerdista preso era um problema da polícia. Agora, um terrorista não preso ou preso é problema dos grupos xenófobos que podem crescer mais, pedindo que governos democrático-liberais sancione leis que, no limite, lembrarão o fascismo.

Gente como Waack e outros conservadores nunca se preocupam com isso. Eles se dispõem a alianças com a forças ditas democráticas, mas aquelas sempre dispostas a caçar gente de burca ou gente de barba islâmica – a aparência conta sim. A filiação religiosa, então, nem se fale! Sabemos bem disso. Fazem mais ou menos o que o militante de esquerda, não raro, leva adiante: enaltece a democracia e, em certo momento, dá acenos para ditaduras. A diferença é que o comunismo golpista no mundo todo é uma grande piada. Os comunistas no mundo todo (sim, eu disse do mundo todo), mesmo se chamados pela revista Veja que acredita demais que eles existam, não conseguem lotar nenhum estádio brasileiro. Ninguém em Cuba ou na China ou na Coreia é comunista. Na Bolívia e na Venezuela, então, menos ainda. Nas ditaduras o que há são ditadores tentando se manter no poder. O resto é povo que trabalha, quer viver melhor e ter internet. Na Venezuela e na Bolívia? Aí nem conta, não é nada de nada, apenas crise. Agora, do lado da direita, há o comportamento fascista que pode ser revigorado exatamente pelo crescimento do xenofobismo. E isso enche sim estádios e mais estádios.

O terrorismo aposta nisso. O terrorismo vê um William Waack na TV e diz: “acertamos, estão reagindo, mesmo os distantes geograficamente, com uma precaução generalizante, haverá uma hostilidade geral ao islamismo e, então, o mundo islâmico terá de ceder a nós, os do terror”.

Waack em nenhum momento fez o papel do jornalista sério.  Seu correspondente em Nova York, Pontual, ainda tentou desvincular o Islã do terrorismo. Mas Waack não deixou. Durante todo o tempo falou em “radicais islâmicos”, mas de um modo que quem estava assistindo não teria dúvida que, enfim, se tratava de “gente muçulmana”, “gente diferente”, ou seja, os do rosto que não é o rosto “padrão”.

A França hoje tem mais de cinco mil pessoas investigadas. A polícia diz que só consegue acompanhar uns mil. A Europa sempre teme a ajuda americana pois acha que a CIA não é flor que se cheire, que ela mais cria reação contrária que favorável. Mas Waack fez troça dessa informação. Parecia mesmo que o seu desejo era o de poder falar no ar: “foda-se a Europa, para resolver o problema do terrorismo é preciso contar com a CIA para além de simples informação e droner”. Caso ele estivesse no canal por assinatura, ele falaria algo assim. Ele traria alguns parceiros para falar a mesma coisa. Ele sempre diversifica opiniões de modo que todo mundo fale o mesmo!

O terrorismo não quer o terror em geral, mas o terror dirigido. O terrorismo conta com a reação antiislâmica natural, mas muito mais com aquela que é incentivada e multiplicada por gente como Waack em vários lugares no mundo. Ninguém tem a coragem de afirmar a verdade, que por mais que um governo torne a vida dos europeus e americanos um inferno em termos de perda de garantias de direitos individuais, o terrorismo não vai ser abalado. Ele não quer vencer. Seus adeptos são suicidas. Estão numa guerra santa prevista para mais que um milênio. Eles não querem explodir o mundo ocidental, eles querem implodi-lo.

Gente como Waack é daquele tipo que acha o seguinte: “nunca vão mexer comigo, eu não tenho rosto árabe”. Mais ou menos isso. É uma versão quase adulta daquela do eterno infanto-juvenil Roger, que disse que não aconteceu nada com ele e sua família na época da ditadura porque seus pais nunca fizeram nada de errado.

Paulo Ghiraldelli, 58, filósofo

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57 Responses “O que vai ocorrer agora, após o ataque terrorista em Paris?”

  1. Victor
    25/11/2015 at 02:18

    Achei seu comentário muito interessante; sendo qualquer jornalista o fato de ele ser parcial seja por preferências de ordem político, racial, social, religioso, ou de qualquer índole; ele comete uma falta grave de ética, pois não se pode julgar um povo, ou uma preferência política, religiosa de muitos que assistem o tal jornal.
    Particularmente não gosto muito da postura da Globo; porém gosto dos comentários que Waak expressa, mas sendo comentários parcializados, já não se enquadraria como um jornalista qualificado ou sério. Talvez o Waak tenha um repúdio natural, devido a sua origem alemão-judio, que não se justifica.
    Mas focando o assunto principal do blog, sugiro colocar seus pontos de vista com relação ao que o poder econômico dos Estados Unidos tem por trás de tudo isto (não digo os americanos, pois muitos deles não querem conflitos, nem guerras) Como que o Estado Islâmico apareceu, quem os criou, ou fortaleceu?; Porque Obama quer tirar o presidente da Síria?. Porque Estados Unidos quer manter o controle total das forças no Meio Oriente, aumentando cada vez mais suas bases militares e instalação de mísseis direcionados ao território russo?
    Geralmente as noticias são dominadas pela imprensa americana e só falam quando alguém pisa no calo deles. O resto do mundo que se foda. Sinto pena pelas vítimas na França; mas também não justifica a retaliação francesa ao povo sírio; que nem a imprensa destacou sua importância, a pesar de que muitas vítimas foram crianças, mulheres todas inocentes a estes atos de terror.
    Assim como condeno todo ato de terrorismo, também ao mesmo tempo condeno todo abuso do poder militar e econômico.

    • 25/11/2015 at 02:22

      Vitor eu sou filósofo, não jornalista. O jornalismo é sempre político. Os jornais nasceram assim. Só depois eles, por razões econômicas, começaram a ficar um pouco mais sofisticado. Mas a ideia de verdade do jornalismo é errada, é a de “apresentar os dois lados”. Mas as narrativas informativas não possuem dois lados. Elas dependem de redescrições contínuas e diversificadas. O jornalismo não tem essa prática.

  2. Siani
    17/11/2015 at 08:47

    Por favor responda uma pergunta: e o terrorismo só faz aumentar o ódio do ocidente contra os islâmicos; por que os islâmicos não ajudam a cabar com o terrorismo?

    • 17/11/2015 at 11:03

      Se você ler meus artigos aqui verá que a coisa é mais complexa.

  3. Kênio
    15/11/2015 at 23:30

    Olá.

    Na hora dos atentados em Paris, eu estava no sítio, onde não tem internet, só uma tv com antena parabólica. Assistia então o canal globo, o jogo do Brasil x Argentina.

    Depois iniciou o jornal da globo e, confesso, achei muito boa a atuação do Waack, sinceramente, eu até fiquei emocionado pelo jornalismo da Globo sobre aquele desgraça ocorrida na França. E, ao contrário, não gosto muito do Bonner. Acho o jornal nacional muito raso. Mas o no jornal do Waack há um jornalismo bem melhor, mais crítico.

    Assim, ao ler o seu texto, fiquei meio confuso. Pois eu tive a sensação inversa: que quando via o jornal da globo, ficou claro que era coisa do Estado Islâmico, como vingança pela França colocar seu exército na Síria. Não entendi como se estivessem culpando os islâmicos em geral, mas, sim, que os jornalistas estavam emocionados como todos nós com aquela merda toda.

    Mas o seu alerta é muito importante, pois em nome desta guerra ao terrorismo podem incentivar perseguições a pessoas consideradas diferentes pela sociedade, e levar a todo tipo de injustiças a quem considerarem como bode da vez.

    Aliás, creio ainda que aqui no Brasil, estas coisas (xenofobia e etc) não sejam levadas a sério. A convivência mais ou menos pacífica de todos aqui, impedem atitudes radicais.

    O fato de convivermos no dia-a-dia bem com pessoas diferentes, só nos mostra que nós somos, no fundo todos míseros humanos.

    Meus vizinhos aqui, por exemplo, são adoráveis muçulmanos, que nos enchem com guloseimas árabes todos os dias e não faz qualquer sentido alguém pensar que possam fazer mal a alguém. 🙂

    Abraços.

    • 15/11/2015 at 23:34

      O fato de você o Waack melhor faz de você um não leitor meu. É difícil entender um texto meu tendo já esse critério.

    • Kênio
      17/11/2015 at 18:51

      Independente do que eu acho do Waack, penso hoje que você fez a análise correta: comecei a perceber esta sutileza da mídia culpar os islâmicos em geral.

      Ora, para mim, o culpado dos ataques é o ISIS : ou seja, é só uma minoria dos muçulmanos.

      Mas estou vendo muitas pessoas nas redes sociais, culpando a religião inteira. Putz, haja saco. 🙂

    • 17/11/2015 at 20:29

      Kênio a gente escreve aqui de um modo que tente você sair desse simplismo que, aliás, é o do Waack

  4. José
    15/11/2015 at 14:25

    Paulo, um bom tema para o próximo Hora da Coruja.

  5. LENI SENA
    15/11/2015 at 00:02

    Excelente análise, Paulo! Estava a discuti com o meu irmão a respeito desse ataque, e como todo desavisado (ingênuo) que se preze falamos mina de merda sobre o assunto. Entre os xingamento e o repúdio direcionados aos autores do ataque, bem como as soluções milaborantes para acabar com o terrorismo (diginas do RAMBO aí acima) me veio a mente o artigo em que defendestes a ajuda aos refugiados. Isso foi o suficeinte pra mim calar a boca e pensar a respeito da situação com o mínimo bom senso. Foda que se for falar o contrário do que é tido como certo é capaz de levarmos uma surra! É assim quando se vai defender os Direitos Humanos, a liberdade, igualdade e fraternidade dos que são de casa, imagina querer defender os que são de fora! Como se as treta dos outros não nos atingissem. Não adianta fechar as portas para o povo de lá,nem devolvê-los é como tu bem falasses “eles não querem vencer. Seus adeptos são suicidas”.

  6. 14/11/2015 at 22:53

    Ainda fala de Civilização? Esta palavra tem um sentido terrível compreendido. Aquilo que expressa dominação de homens contra os outros, destruição da natureza, guerras, batalhas, cruzadas, injustiças, desemprego, pobreza, riqueza e entre outras coisas. Logo, nós (como diz, os civilizados) somos mais piores que os possíveis “barbáries islâmicos” pelo nosso histórico de crueldade. Além do mais, tinha falado o “Ocidente Geográfico” ou a civilização Ocidental, que é mais provável a ser dito!.

    • 14/11/2015 at 23:07

      Obrigado, professor, pela compreensão!

    • 15/11/2015 at 03:12

      Civilização implica, em qualquer conceituação, dominação. A oposição à barbárie, nesse sentido, é correta. O problemático é achar que o Islã não é civilização, ao pintar o terrorismo como quase necessariamente islâmico em sentido geral.

  7. Bernardo Tenório
    14/11/2015 at 21:13

    Obrigado pelo esclarecimento professor

    • 14/11/2015 at 21:33

      Bem, Bernado, é uma tentativa de não ceder ao pensamento fácil, que nos morde na hora da paixão.

  8. José Silva
    14/11/2015 at 17:37

    Estava assistindo ao jogo pela TV, França e Alemanha, ouvi os barulhos, achei que era um rojão. Assim como fazem nos estádios sul-americanos, principalmente Argentinos. Depois mudei de canal e fui vendo os que não era “rojão”, e aquilo era “o de menos” em Paris.
    Realmente isso á algo monstruoso e os discursos imbecilizantes que saem desses atos são mais assustadores ainda.
    Quanto a cobertura da mídia, William Waack está sendo um “ponto fora da curva” dentro da Globo. Toda a cobertura dada aos atentados, os jornalistas e pessoas convidadas usavam de um discurso que separa-se os refugiados, muçulmanos e o terrorismo. Evitavam colocar tudo em um bolo só.

    • 14/11/2015 at 18:45

      Bem, José, talvez ele esteja junto como Malafaia.

    • LMC
      16/11/2015 at 09:51

      E o Chico Pinheiro que outro
      dia,elogiou o atual governo
      de Cuba no Twitter?O Chico
      é o William Waack do PT.
      kkkkkk…..

  9. A. PALMER
    14/11/2015 at 12:48

    Nobre Paulo Ghiraldelli, aprecio muito seus textos, inclusive este, mas tenho que dizer algo: assim como a verdade sobre o assunto acima não está com Waack, também não está contigo…afinal não é isso que se diz ser filosofia? A busca da verdade? Quando tu dizes não querer mais certo leitor, estás sendo extremista e agindo da mesma forma que Waack. Respeite a opinião dos colegas, você não estará concordando. Senão, que faças um blog fechado apenas para os que contigo concordam.

    Espero que me entendas.

    • 14/11/2015 at 13:23

      Palmer! Eu não escrevo para você para você adquirir verdades. Eu escrevo em contraponto para você tentar construir suas opiniões e também para você ver como que se escreve no sentido da desideologização. Acho que você não tá sabendo aproveitar.

  10. sharon lee
    14/11/2015 at 12:47

    Você fez uma observação sobre a forma que a nossa mídia culpabiliza determinados seguimentos.

    Percebi nas suas entrelinhas um medo excessivo de usar a palavra (Islâmico) como se os seus interlocutores fizessem a sandice de colocar 90 % do povo mulçumano ( que é pacifico) no mesmo bolo dessa minoria com algum poder aquisitivo e militar.

    Acredito que a maioria aqui sabe diferenciar o (EI) do povo mulçumano num geral.

    Eu não acompanho Waak e tão pouco o Bonner, assisto no máximo alguns programas da globonews e foco mais em mídias independentes e internacionais.

    Pessoas fazem associações, eh natural que um sobrevivente da casa de shows ao ouvir um pelotão de fuzilamento bradar ” Pela Siria! Pelo Iraque! ” associar isso ao grupo “Estado Islâmico”

    Pode-se fazer a análise conjuntural que for necessária, mas certas coisas são conectadas pela própria história.

    Anos 80/90 americanos unem-se a Saddam Hussein, Osama Bin Laden e Mubarak / anos 2000 ambos os líderes não servem mais para os interesses americanos e são aniquilados/ num passe de mágicas grupos fumdamentalistas que eram mantidos em seus devidos lugares por esses ditadores mortos, ganham força e dominam a região/ e finalmente chegamos nos dias de hoje.

    Vendo por esse processo histórico, como e porque esses GRUPOS terroristas cresceram?

    • sharon lee
      14/11/2015 at 12:49

      * fundamentalistas

    • 14/11/2015 at 13:24

      Lee o meu texto é exatamente sobre a tese que de que, mais uma vez, a guerra semântica e uso de vocabulários sem cuidado, ou propositalmente idológico, é um perigo. Acho que nesse sentido você não entendeu meu texto.

  11. 14/11/2015 at 11:46

    Marçal você erra ao avaliar o Jô assim. Veja o tratamento dele comigo e pronto, já desmente você.

  12. Bernardo Tenório
    14/11/2015 at 11:36

    Quis dizer na veia

  13. Bernardo Tenório
    14/11/2015 at 11:32

    Não é o começo nem o fim de nada é apenas poder,fúria e niilismo em altas doses

  14. Bernardo Tenório
    14/11/2015 at 11:27

    Penso que o problema não é a filiação religiosa ou étnica dos terroristas e mais a postura niilista que essa forma de pensar-agir evoca lendo Nietzsche diríamos que eles negam a única vida que desfrutamos por um non sense guerreiro e místico,por outro lado quem não está nem aí para isso,se aproveita elabora estratégias de controle que sufoca o indivíduo e inibe a razão em nome dela ideologia na veja para mobilizar multidões virtuais ou não.

    • 14/11/2015 at 11:44

      Bernardo sinto dizer, mas niilismo é ausência de valores, não é o caso do fundamentalismo. É o contrário. Eles estão grávidos de um valor.

  15. joão
    14/11/2015 at 11:26

    Ghiraldelli, é razoável chamar o endurecimento sobre à comunidade islâmica na Europa de “fascismo” ou “xenofobismo” após esses ataques, tendo em conta que o único ponto em comum entre todos os grupos terroristas espalhados pelo mundo é justamente o ISLAM? Afinal de contas, ninguém com cara de árabe vem com “extremista” escrito na testa. Seria também fácil convencer a população europeia a aceitar indiscriminadamente uma nova cultura que não aceita a democracia ocidental por não conseguir separar efetivamente o estado da religião? Lembre-se que até o mais moderado dos paises de maioria islâmica é altamente teocrático. Acho que sim, boa parte do problema está na religião islâmica em si, e não querer milhares com essa cultura nas suas terras não é simplesmente “maldade fascista”.

    • 14/11/2015 at 11:45

      João no caso sim, pois o neofascismo é organizado em partido e ele vai aparecer de novo, inclusive com a suásticas, como aconteceu no início do ano.

    • joão
      14/11/2015 at 11:59

      Olhando por esse lado existe ‘neocomunismo’, pois tem vídeo de protesto na Grécia de partidários do Syriza com bandeiras soviéticas (foice e martelo mesmo). Sempre vão existir malucos querendo se aproveitar de determinadas situações. A questão é que o povo europeu em massa, e não apenas os mais radicais de direita, percebe uma invasão cultural que é clara, e rotular essa percepção de “fascismo” ou “xenofobismo” talvez só sirva para embaçar a visão sobre o problema.

    • 14/11/2015 at 12:10

      João você não pode olhar as coisas por fotos. Tem dó. Puxa vida. Que coisa chata. Não conseguir entender um artigo meu, simples. Olha, João, vai ler outro blog, esse aqui realmente não é seu caso.

    • joão
      14/11/2015 at 12:13

      Tomo isso como um elogio, juro!

    • 14/11/2015 at 12:16

      Sim, é um elogio. Há elogios à burrice e à teimosia que temos que prestar. Esse foi o seu. Mandei-o embora por ter o cérebro pequeno. Mas, como você voltou, vou lhe dizer que fascismo é comportamento, comunismo não. Nisso se baseia o neofascismo. Mas, enfim, isso já é demais para sua cabecinha.

  16. Rafael Vitor
    14/11/2015 at 11:25

    Belo texto Paulo Ghiraldelli.

  17. Cesar Marques - RJ
    14/11/2015 at 10:24

    Prevejo duas situações:

    – A primeira militar, com certeza França e EUA vão lançar um ataque aéreo em larga escala sobre Raqqa (capital do Estado Islâmico).

    – A segunda, que se divide em duas, tem a ver com a relação da França com os muçulmanos. Primeiramente, a França vai fechar totalmente suas fronteiras para os refugiados que tentarem ir pra lá. Em seguida, no futuro, se houverem mais uns dois atentados dessa natureza na França, vai ocorrer por lá uma expulsão dos muçulmanos desse país. Espere e aguarde.

  18. Luma
    14/11/2015 at 10:09

    Obrigada, Paulo, pelo texto. Você sempre resgata o crivo de racionalidade em face de acontecimentos tão horríveis como esse. Não pude deixar de ficar em choque com o atentado a Paris.

    • 14/11/2015 at 11:47

      Luma eu escrevo para um leitor inteligente. E aí, claro, pego você.

  19. Cesar Marques - RJ
    14/11/2015 at 10:01

    Prevejo duas situações:

    – A primeira militar, com certeza França e EUA vão lançar um ataque aéreo em larga sobre Raqqa (capital do Estado Islâmico).

    – A segunda, que se divide em duas, tem a ver com a relação da França com os muçulmanos. Primeiramente, a França vai fechar totalmente suas fronteiras para os refugiados que tentarem ir pra lá. Em seguida, no futuro, se houverem mais uns dois atentados dessa natureza na França, vai ocorrer por lá uma expulsão dos muçulmanos desse país. Espere e aguarde.

  20. Marcio
    14/11/2015 at 09:16

    Só tenho a agradecer a oportunidade de ler essa análise dos fatos e da interpretação dos fatos assim, tão próxima dos eventos. Muito interessante. Muito boa para pensar.

    E tenho muito a lamentar por quem tem a oportunidade de ler e, de repente, chega aqui para vomitar certezas.

    Abraços.

    • 14/11/2015 at 11:47

      Márcio, eu tento. Às vezes eu acerto mesmo em se tratando do calor da hora. Obrigado por ler.

  21. Jokas
    14/11/2015 at 07:58

    Fiquei assustado com o tanto de clichês e lugares comuns nesse jornal da Globo. É um jornalismo que chega a incomodar, fica difícil de acompanhar. Mas é o tipo de coisa que agrada aos mais conservadores e aqueles que não querem muita reflexão ou relativização.

    • LMC
      16/11/2015 at 10:10

      Jokas,vá ver a TV Brasil que tem
      Nassif e Emir Sader e depois me
      conte,tá?

  22. Maximiliano Paim
    14/11/2015 at 07:45

    Isso também abre mais espaço ainda pra extrema direita na política, que já cresce a algum tempo. Na Alemanha, uma senhora de mais de oitenta, viúva de um direitista e adepta do revisionismo histórico, foi condenada a dez meses de prisão por dizer que o holocausto é uma ficção.

  23. Joel
    14/11/2015 at 04:34

    Foi “difícil” de aceitar alguns trechos. Mas após reflexões e mais reflexões cheguei a conclusão de que tens razão Paulo. Pois a maior desgraça será quando a “democracia” vier a baixo. Pois ninguém mais estará “seguro”!

    • 14/11/2015 at 11:51

      A segurança prometida é uma mentira. Ela é impossível.

  24. Neto
    14/11/2015 at 02:31

    Paulo, poderia explicar sobre essa questão do terror dirigido e de implosões? Abraços.

    • 14/11/2015 at 11:50

      Não é o terror pelo terror, é o terror com um objetivo bem sabido: fazer de todos os que tem religião baseada no Alcorão serem odiados pelo Ocidente e “voltarem para casa”, mas uma casa que é o do fundamentalismo, que não é bem a casa do Islam.

    • Neto
      14/11/2015 at 14:55

      Caramba! Tu é cabeção, Paulo. Tudo que eu li da imprensa nacional e internacional não chegou perto da sua análise. Mas imaginemos que as os adeptos voltem para a “casa”, o que aconteceria depois desse retorno?

    • 14/11/2015 at 15:26

      Os grandes califados! O horizonte. Na prática, o terrorismo se vê como eterno. O califado é uma meta de Deus.

    • 14/11/2015 at 16:02

      Neto, os dados sobre estudos em terrorismo são variados. O que tenho tentado notar e ver se há verdade nisso, é sobre a insanidade do terrorismo. O terrorismo é insano, declara-se, e então, é como se não houvesse capacidade racional nele, como se não tivesse finalidade. A finalidade é esta: a de trazer todos os do Islam “de volta para casa”. Isto é, que todos acolham o Islam, e quem é o Islam acolhedor? O Alcorão? Não, mas o Califado do Futuro.

  25. RAMBO
    14/11/2015 at 02:06

    Pare um pouco p/ pensar, Ghiraldelli.
    O neo liberalismo requer que a imigração seja crescente na Europa p/ sustentar o capitalismo de exploração da mao de obra barata. Mas eles, os governantes, não se importam com tudo isso, vão fazer esquecer logo. O importante é manter o status quo.

    • 14/11/2015 at 02:23

      Rambo vai ler outro blog, não tenho vontade de ter você como leitor.

    • 14/11/2015 at 02:23

      Rambo vai ler outro blog, não tenho vontade de ter você como leitor.

    • RAMBO
      14/11/2015 at 03:25

      Paulo, a CIA trabalha para os Terroristas, estão treinando terroristas, não é conspiração. Pergunte a qualquer especialista em Foreign Policy. Os EUA querem a EUR nas suas mãos para agir no Oriente Médio.
      Oque você acha que causa a imigração em massa? São dois vetores: Capitalismo e Guerra, Guerra e Capitalismo.

    • 14/11/2015 at 11:48

      Rambo eu já pedi para você parar de ler meu blog, vá embora. Eu preciso só de leitor inteligente. Por favor, tá?

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Filósofo