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14/12/2018

Sherazade, Bolsonaro e outros tipos semelhantes de Kataguiris em orgias megalomaníacas


[Artigo para o público em geral]

Em meados dos anos sessenta, com o Golpe de 64 já nos dando presidentes militares, a esquerda se transformou em uma colcha de retalhos de pequenas agremiações com todo tipo de radicalismo. Pode-se pensar, hoje, que ninguém sabia realmente o que defendia. As diferenças entre tais grupos, para o estudioso hoje, são quase irrelevantes, e acaba-se então falando que uns apoiavam a “luta armada” e outros não – e que era isso que caracterizava um e outro grupo. Mas, para quem viveu aquela época e o que se seguiu, já nos anos setenta e oitenta, ser da “Libelu” não era ser “da Convergência Socialista”, mesmo que ambas fossem trotskistas e tivessem como inimigos o segundo MR-8, não o do Gabeira, mas o do Claudio Campos, um quercista-stalinista (!). Cada um tinha lá sua “leitura” do Manifesto Comunista. Nos anos 80, pouco antes do fim do Regime Militar, novamente essa profusão de posições se fez sentir, ampliando o número de impressos vindos da “imprensa de esquerda”, herdeira da “imprensa nanica” ou “alternativa” dos anos setenta. Era também o auge do tipo Eurocomunista, dentro do PMDB e mais próximo do professorado universitário que dos alunos, ou até mesmo sendo um professor universitário. Mas até o PT tinha lá gente assim! Não era Weffort um homem assim, um equivalente, no PT, do Carlos Nelson Coutinho, no PMDB?

Nessa época, dos anos sessenta ao final dos anos oitenta, todo intelectual não tinha de ler Marx, mas, antes de tudo, ser marxista.

Tudo isso se repete agora na direita, só que sem a sofisticação intelectual da esquerda. Claro que na direita  há bem menos debate intelectual, há muito mais gemido. O nível de escolaridade da direita deixa a desejar no mundo todo, e no Brasil chega a ser piada. Aqui e ali, parece quererem até debater, uns sendo mais estatistas e outros mais favor do “anarco-capitalismo” e/ou “neoliberalismo”. Falam em leituras a respeito da Escola Austríaca. Mas isso, obviamente, não é escola, apenas uma corrente de frases de ideólogos divulgadores de uma insustentável e banal crítica ao marxismo. Se Karnal – eleito o rei da banalidade – fosse dessa turma, seria certamente um leitor da Escola Austríaca. Esse pessoal deita e rola em cima de Bolsonaro que, enfim, não pode ler nada, dado que nem isso entende. Os que entendem alguma coisa, se acham intelectuais por conseguirem ler o pessimismo fingidamente blasé do Pondé, um cara que cita o que não leu.

O que move a direita hoje é a mesma megalomania da esquerda do passado. São grupelhos que, uma vez ouvidos pela imprensa – que é sempre mais ideológica e pouco pragmática, porque precisa vender dramas e histórias políticas que às vezes nem ocorreram – começam a se dar uma importância que não possuem.

A esquerda imaginava que “as condições objetivas para a Revolução” apareceriam, e que era necessário estar pronto. Como o cristão que espera a chegada de Jesus, “a qualquer momento” – bem, pode ser a morte, claro, que bate na porta sem mandar e-mail antes e nem mesmo um pequeno aviso de celular. A direita está tão encantada com o fato de Bolsonaro pontuar nas pesquisas um pouco mais que Eneas (mesmo os que, na direita, brigam com Bolsonaro), e está tão eufórica com o fato de caminhoneiros pedirem “intervenção militar” enquanto fazem churrasco e lockout, mandados por patrões, que já perdeu a dimensão de qual é o seu tamanho real. Dá-se ao luxo, agora, de se dividir e até colocar nomes em suas agremiações. São agremiações que, não raro, como as da esquerda do passado, possuem três militantes cada uma: um rapaz e sua namorada e um terceiro elemento que é outro rapaz ou garota que anda junto do casal, como um amante step. Tudo igualzinho ao que a esquerda já fez. Inclusive as indumentárias são semelhantes, em alguns casos. Kataguiri às vezes se veste igualzinho a um militante paranóide da esquerda dos anos 70 e 80. Bolsonaro e Sherazede posam, não raro, como terninhos que os Eurocomunistas adoravam.

A esquerda tinha a sorte de, não podendo atuar na política real, atuava na política estudantil e, então, tinha a sensação de realmente existir. A direita não tem essa sorte. Não tem onde exercer poder e, ao fim e ao cabo, acaba dependendo de políticos. PMDB e PSDB podem lhes dar alguma coisa, aqui e ali; Bolsonaro também, e o resto pode ser arrancado de donos de lojas de roupas e donos daquela “Vergonha Alheia” chamada “Partido Novo”, que são equivalentes, na direita, ao PCO ou PSTU na esquerda. É tudo muito ridículo. Mas, de certo modo, é um meio de vida para quem não tem profissão, não conseguiu se formar em nada. Esses grupos de direita possuem muito chupins. Também nisso, não inovaram nada.

Mas o horário eleitoral irá mudar tudo isso. Com a TV funcionando, iniciar-se-á  o debate real da campanha presidencial e, portanto, pragmático. Aí Stalin e Hitler irão realmente virar figuras mortas, a URSS irá de novo desaparecer, e o eleitor real começará a procurar quem é que vai gerenciar melhor o país, diminuindo desemprego, melhorando a educação, dando hospitais públicos para todos etc. A histerias ideológicas diminuirão e os que agora rebolam e pensam que são alguém voltarão ao real tamanho.

Quando tudo isso ocorrer, esse pessoal da direita terá mesmo que voltar aos braços da cinematografia do amigo deles,  dito ator e militante político, o Alexandre Frota. Nesse meio tempo, é rezar para que a Marilena Chauí não fale nada, não diga que Moro é agente da CIA. E torcer para que a Tiburi não queira sair da cela do Lula, descalça, e correr para beijar bigodes de Maduro. Se essas coisas acontecem, aí de novo sai de cena a política e entra o circo. Ora, também é do circo que a direita vive.

Paulo Ghiraldelli Jr., 60, filósofo.

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10 Responses “Sherazade, Bolsonaro e outros tipos semelhantes de Kataguiris em orgias megalomaníacas”

  1. Anderson Silva
    07/06/2018 at 10:58

    hum….. Ótimo texto! Esquerda com ares de inteligência, mas burra. Direita com ares de burra e burra mesmo. A única dúvida é se o eleitor, diante da campanha eleitoral, vai mesmo saber escolher…. afinal, não tem muito o que escolher. Talvez apenas usar a máxima, “entre os males o menor”.

    • 07/06/2018 at 11:01

      Anderson, há mais que escolher agora do que da última vez, inclusive, sem Lula, a campanha fica mais racional.

  2. tadeu
    04/06/2018 at 14:35

    (RISOS) então, professor, não há nenhuma contradição entre ambos, em termos de bestices. e por flar em asnices, outro dia ele, em entrevista à jornalista Joice rasselman( aquela tosca, sem rosca, dizia que o país estava urgentemente precisando de “ordem e progresso”! o professor já observou que, agora, o lema positivista, inscrito em nossa bandeira, caiu na boca desse pessoal? pulo guedes também quer ser uma espécie de “pigmalião” de Bolsonaro. criador e criatura… bela “transmutação”, hein, professor?

    • 04/06/2018 at 19:15

      Tadeu, aquela Joice consegue perder em burrice para a Cheira Azar

  3. tadeu
    04/06/2018 at 13:43

    ESSA IDEIA DE “FAMÍLIA”, DELE, SÓ PODE SER O DA tfp, que o senhor menciona em seu artigo. QANTO AO BOLSONARO, PAULO GUEDES, UM LIBVERAL CLÁSSICO, SERÁ SEU EVENTUAL MINISTRO DA FAZENDA, CASO VENÇA AS ELEIÇÕES DE OUTUBRO. O QUE O PROFESSOR PENSA A RESPEITO DELE? não é contraditório?

    • 04/06/2018 at 13:53

      Paulo Guedes não é liberal, é apenas uma besta.

  4. Tdeu
    31/05/2018 at 17:13

    SIM, CLARO, PROFESSOR! Outro dia ele declarou que “a família está sob ataqui”.

    • 31/05/2018 at 17:36

      Talvez ele seja mais nazista que o Bolsonaro, afinal, ele é o cara do trabalho escravo.

  5. TDEU
    31/05/2018 at 13:43

    o Flávio ROCHA É UM BOM NOME?

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