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23/04/2017

Sem coxinha o mundo poderia ser pior!


Fernando Holliday é negro e gay, e tem ódio de ser negro e gay. Não entende que ele é uma “cota do Dem”. O Kataguiri é um militante petista invertido. Fica citando “escola austríaca” como Bíblia, igualzinho faz a esquerda estudantil com outros autores que, como o nipônico, também não lê. Esse tipo de gente é parte dos “coxinhas”. Mas o movimento coxinha é maior que isso, ou foi maior. Muita gente saiu às ruas para derrubar Dilma, e Janaína, professora da USP, deu a patada jurídica certa.

Sem os coxinhas estaríamos aí com o PT estragando tudo que foi um dia chamado de esquerda, além de roubar, trair o eleitorado e, pior, corromper a sociedade e a democracia. Quem não entende a dinâmica histórica, que também faz parte do saber popular “Deus escreve certo por linhas tortas” (que se casa um pouco com sua tragicidade grega invertida), cai na infantilidade de não conseguir absorver as linhas do corredor da vida. Gente assim, embota o cérebro. É gente que não sabe admitir que “o outro” pode sim saber mais que ele em vários momentos decisivos. É gente que ainda não entendeu como que o conhecimento se faz a partir de certas topologias. Há lugares, espaços mesmo, que ajudam a melhor visão. Saber que não se estava num melhor lugar em determinado momento é ato de sabedoria para poucos.

Derrubar Dilma foi fundamental para podermos ter a PEC 241. Sem ela, mesmo com a sua cara dura, não chegaremos a lugar algum. Os investimentos não voltarão e o desemprego não cairá sem que exista sinalização do governo dizendo aos emprestadores e investidores: não vamos gastar mais do que ganhamos. Isso é o básico, o resto pode ser aperfeiçoado e a própria PEC prevê isso. É simples tal coisa, e está sendo feita pelo Meirelles, que colaborou com o Lula decisivamente para que no governo petista inicial obtivesse crescimento econômico. Mas Meirelles sabia que ao final do segundo mandato do Lula já era necessário contenção e ajuste. Todo mundo sabia, tanto é que Temer chamou Meirelles, sem ter outra saída (ele gostaria de ter!). Todo mundo sabe, hoje, que Lula tem medo de olhar nos olhos de Meirelles, embora Lula tivesse tentado enfiá-lo no governo Dilma, e esta o rejeitou.

Assim, se estamos num rumo melhor, devemos isso não só a nós mesmos, que alertamos para os descaminhos do PT no plano econômico, e que já conhecíamos um pouco da desgraça no plano da roubalheira; devemos essa situação de “arrumação de casa” aos coxinhas. Aqui, é necessário um alerta: as Diretas Já não foram feitas só por gênios honestos e homens santos. Até o PFL teve de vir. Sem eles, não teríamos dado fim ao ciclo militar. O Fora Collor não foi feito sem o Quércia, notoriamente populista e ladrão. Nos dois movimentos, teve dinheiro alto na jogada. No primeiro, os governadores de oposição puseram carros e tudo o mais para empurrar o movimento. No segundo, as locomoções se deram em todos os sentidos, e em determinado momento a Rede Globo mudou de lado. Na política há dinheiro. Não me venham falar que a FIESP deu apoio ao movimento de rua dos coxinhas, como se em algum momento tivéssemos feito algo sem apoio financeiro. Legítimo. O dinheiro ilegítimo é o roubado da Petrobrás e o mensalão e tudo o mais. Se até o dinheiro dos coxinhas foi roubado, é preciso ver, e para isso Moro está encostando a investigação em gente que nunca foi investigada. Tanto é verdade que o Reinaldo de Azevedo começou já, há duas semanas, a gritar contra Moro na medida que Cunha foi preso e Serra começou a ser investigado. Azevedo geme como o Nassif gritou ao ver Lula atingido. O bolso de certos jornalistas é seu órgão mais sensível.

Se não entendemos que um grupo social, aparentemente diferente de nós, pode nos ensinar, não entendemos nada da vida. E temo que boa parte da esquerda não vai entender nada da vida, nunca. Há um embotamento cerebral nos homens que se fazem militantes. Nas mulheres também. Ficam entorpecidos pela Verdade.

Dráusio Varella saiu contra a PEC 241. Aí foi ler e se informar, e viu essa análise do tipo da minha que resumi acima. Mudou. Há pessoas que são inteligentes, elas mudam. Isso não significa que o médico virou alguém de direita, nada disso. Apenas é alguém que não é de direita ou esquerda aprioristicamente, mas avalia caso a caso. Gente que entende que o plano de Deus às vezes (ou sempre?) é o de deixar o barco correr.

Paulo Ghiraldelli, 59, filósofo. São Paulo, 08/11/2016

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Filósofo