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25/07/2017

Sarandon, Zizek e Brenam: votos das partes pudendas?


Para dizer que não vota em Hilary, Susan Sarandon usa a expressão “não voto com a vagina”. Entendo: se votasse com a vagina, votaria em Hilary, por ela ser mulher? Mas isso significa o quê? Se for um pareamento feminista, estaria errado, mulher é,  para tal pensamento, gênero e não sexo. Então devemos entender a fala de Sarandon como uma declaração lésbica, e, nesse caso, de mágoa? Hilary a teria rejeitado? Ou simplesmente, vagina por vagina, ela, Sarandon, não gostaria de pegar Hilary? Juro, a semântica aí não deu sorte. Sarandon vota em outra mulher, do Partido Verde, Jill Stein.

Na verdade, Sarandon não vota em Hilary por uma razão de puro etnocentrismo, imperdoável. Americanos cultos como ela não têm o direito, atualmente, de colocar outras nações para escanteio por conta de problemas internos. No contexto interno, Hilary fará mais por igualdade que Trump, certamente. Mas isso não vale nada, é preciso lembrar que os Estados Unidos são a polícia do mundo, cuja economia controla quase todos nós. No contexto externo, a política de Bush foi suficientemente desastrada para que se possa saber, agora, que um Trump seria um perigo maior que aquele contido na palavra “desastre”. Claro que sei que a face imperialista dos Estados Unidos foi contida por Obama, não por Hilary. Como Secretária de Estado ela deixou bem claro seu gosto belicista. Mas o problema é que democratas podem segurá-la, enquanto que Trump, hoje em dia, ninguém segura. Ele está no páreo não como republicano, e sim como outsider que faz primeiro e pensa depois. O mundo não pode ficar a mercê disso. Sarandon tem os seios lindos, olhos conquistadores e sua politização não é burra, mas está se comportando como uma menina dos Sixties, não autorizada nem por Bernie Sanders.

O outro caso é o de Zizek. Havia no mundo recente só três comunistas, Niemeyer, Saramago e Fidel Castro. Os dois primeiros eram tolos, o terceiro, mesmo com discurso parecido, é bem esperto. Só ficou vivo este último, e ele, é claro, não é socialista faz tempo. É fazendeiro, rico num país pobre. Então, eis que nesse pântano de escassez de comunistas, nasce a flor Zizek. Mas uma vez tendo suas pétalas abertas, vimos que era apenas um rato com todos os vícios do estalinismo. Sua última fantástica ideia foi a de colocar os refugiados da guerra em cercados, na Europa, para controlar a entrada e, assim, evitar a reação nacionalista, fascista. Ou seja, vamos implantar o fascismo para evitá-lo. Ideia estalinista. Ora, Zizek agora fez outra: diz preferir Trump.

Zizek não vota, se votasse na América, iria com a sua vagina ou com seu pênis? Ou os deixaria em casa, por serem conselheiros desautorizados? Tudo indica que ele não iria com partes frontais, mas sim de ré. Ninguém que tem algum pendor socialista, nem mesmo que seja um limítrofe que se criou no comunismo e ainda é comunista, ousaria apostar em Trump como se houvesse outra chance de apostar de novo. Com os dois Bushs os Estados Unidos entraram em guerra errada (ainda que “guerra certa” seja uma expressão chata). Trump poderia não fazer isso? Ser capitalista-empresário faria dele, apesar de fanfarrão e de direita, alguém da paz? A questão não é essa. A questão é que ele não tem a mínima experiência do que é a máquina de guerra americana, de como esse monstrengo industrial-militar-oligarca sempre quis deixar a América não ser mais a terra da oportunidade e sim a ponta de lança para a Guerra Nas Estrelas. Sendo quem é, Trump pode colocar os pés pelas mãos ao novamente isolar os Estados Unidos de seus aliados. E isso sim seria, dentro do quadro do terrorismo internacional, a entrada num buraco. Sim, sim, e usando a traseira.

Junto disso tudo, aparece um filósofo menino, de alguma universidade americana, que diz que o melhor é a democracia, mas não a democracia que prima pela educação geral e, por conta dessa elevação geral, a formação da capacidade de escolher mandatários. Não, ele está longe da democracia de John Dewey, Rorty, Obama ou Jefferson. O que ele quer é uma “epistemocracia”. O governo das decisões técnicas, as melhores. Ora, mas Obama na prática representou isso, tomou decisões técnicas fantásticas e salvou a economia americana, e foi eleito pelo voto sem qualquer restrição. As objeções do menino Jason Brennan, em entrevista à Folha (07/11/2016) são de uma ingenuidade fantástica. Ele defende uma tese que ele imagina que são as da Filosofia, pois esta nunca foi com a cara da democracia, ao menos se tomarmos a herança central da filosofia, a que vem de Platão. Mas a sua crítica da democracia, como um regime que leva a nação a ser governada por gente sem saber técnico, pois comandada pelo voto popular, não era a tese de Platão. A filosofia se baseou em razões metafísicas para fazer a cidade ideal posta em A República, não em razões de necessidade de se ter alguém com informações. O rei filósofo jamais foi alguém mais bem informado, um especialista em algum assunto. Muito menos ele deveria ter um conselho de anciões experts. Ele, o rei, tinha o direito e dever de ser filósofo por ser capaz de estar em contato de modo isomórfico com o mundo das Formas, inclusive, claro, a Justiça. Informação por informação, isso qualquer um poderia adquirir. Platão jamais usaria o argumento de “mais saber técnico” ou informação para colocar o filósofo como rei, embora essa questão viesse a aparecer na crítica à democracia, às vezes posta na boca de Sócrates. A casca do argumento de Brennan é platônica, mas seu conteúdo é simplesmente o de defesa de uma tirania de experts, com legitimidade completamente zerada. Sabemos como isso se chama: governo da tecnoburocracia. Já tivemos isso por aqui, com o douto Mário Henrique Simonsen à frente. Não gostamos. Tinha cheiro demais de uísque e nenhum cheiro do Mundo das Formas.

Como vota Brennan? Duvido que vá sem sua pequena vagina, ou pipi. Com cérebro, certamente, não vai.

Paulo Ghiraldelli, 59, filósofo. São Paulo, 07/11/2016

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2 Responses “Sarandon, Zizek e Brenam: votos das partes pudendas?”

  1. Artur
    07/11/2016 at 18:13

    Paulo G, por que essa guinada tão forte à direita? Não se trata de petismo ou antipetismo, mas seu discurso alinhou-se cada vez mais à direita.

    Será que é birra devido à surra que seu queridinho Sloterdijk tomou do Habermas? Também, né? A gente sabe onde essa história de “parque humano” termina.

    Quando você começará a escrever no Midia sem Máscara, site do Olavinho?

    Com meus melhores votos, no sentido nada eleitoral do termo,
    abs.

    • 07/11/2016 at 18:25

      Artur gente como você que tem a cabeça assim, incapaz de entender um artigo simples, não é para vir aqui ao meu blog. E quanto a parque humano, a gente sabe que você não é capaz de ler o livro. Sobre Habermas e Sloterdijk, você não leu nenhum. Dá para notar isso. Cara, termina o ensino fundamental. Como diria meu amigo Juliano Pessanha, gente como você é da “laia carcomida”. Vai cara, alinhe-se ao Zizek para votar no Trump.

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