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28/02/2020

A revelação: Aécio e seu consumo de cocaína


Maconha é droga hippie, cocaína é droga yuppie. No imaginário popular, maconha é coisa do Fernando Henrique, mas cocaína já é coisa do Aécio. Lula é old school, vai de pinga mesmo.

Dilma toma café, mais que isso seria perigoso. Serra nunca tomou absolutamente nada, para não pagar. Nem café. Alckmin toma café, mas quando os outros pagam.

E nós, os cidadãos, o que tomamos? Nem conto! Dizem que tomamos no c…

Todo mundo tem lá sua droga e alguns, que não tem nenhuma droga, estão mortos faz tempo. Todavia, em nossa sociedade atual, o impacto da cocaína é o que se faz sentir. É que se trata de uma droga realmente diferente. A maconha é zen, a cocaína é excitante. Ela “põe o cara ligado”, sem que quem esteja ao lado perceba, diferentemente do que ocorre com o álcool ou a maconha. Ela dá ao consumidor poderes de trabalho que ele efetivamente não tem. Claro que ela destrói neurônios e torna o consumidor imprestável em poucos anos (de um modo mais violento que a maconha e o álcool), mas, conforme o uso, ela é o motor de uma vida toda de pessoas relativamente produtivas, isto é, pessoas que podem trabalhar segundo um padrão de produtividade desejada, e relativamente alto. Por isso ela é yuppie: ela é a droga da “sociedade do trabalho”, enquanto as outras drogas que falei acima são anti-trabalho. São drogas que se mantém no âmbito do “mundo do trabalho” por via de sua contestação.

É por isso que Aécio não pode cheirar!

Um cara “ligadão” é alguém permitido nas redações de jornais, TVs e empresas em que se exige produtividade máxima em espaços de tempo diminuto. Essa maravilha possibilitada pela cocaína a fez uma droga útil. Mas Aécio não pode consumi-la, ao menos não na proporção de sua fama quando jovem em São João Del Rey, porque se espera do Presidente da República que ele não esteja acelerado. Um presidente acelerado pode ser um presidente celerado!

Um presidente que consome a droga hippie não é temido. Pois estamos acostumados a pensar na figura de um presidente como alguém calmo, alegre, até abobado (!). Mas um presidente com olhar de maluco, sorriso de quem está inchado e acelerado pela coca, isso é duro de engolir. Ficamos com a sensação de que uma pessoa assim pode ousar tomar medidas “de impacto”. O brasileiro não acredita que um presidente bonachão possa pensar em tomar-lhe a poupança, mas sabe que um cocainômano pode fazê-lo.

Não importa aqui se Aécio consome ou não cocaína. Eu não sou parente dele e não dou a mínima para o que ele consome. Mas a propaganda contrária a ele, que agora se espalha na Internet, visa pegar em algo que a população realmente teme. E não se trata da ligação de um futuro presidente com o tráfico, mas a posse de sua mente pelo que é o supra sumo do ímpeto para o trabalho: o desejo de ser o super homem sentado em uma cadeira em que esperamos um homem – um homem sereno.

O imaginário popular não precisa estar correto para fazer seus efeitos.

O consumidor de cocaína não é perceptível por quem está ao lado, a não ser pelo seu frenesi de performance. Ninguém quer ficar ao lado de Clark Kent com este atuando como Super Homem sem mostrar seu uniforme. Todos se sentem vulneráveis e vulnerados. E pior: ninguém quer Clark Kent ao lado, a paisana, tão entusiasmado com seu superpoderes a ponto de colocar todos em uma aventura tresloucada. O brasileiro gosta de “presidente macho”, mas receia o governo quando este o tira de sua toadinha.

A cocaína se tornou comum no trabalho brasileiro não manual. Mas, no imaginário popular, até os consumidores temem a situação de estarem sob o jugo de um presidente que faz uso dela. A oposição que utiliza da campanha de internet sabe disso e se Aécio fizer o impossível, e vencer as eleições contra o habilidoso Lula, o escudeiro de Dilma, a campanha não vai parar, será ampliada com ele na presidência. De modo muito mais potente, ainda, que aquela que a direita fez contra Lula, a respeito da pinga.

Tudo que escrevi aqui não é sobre política. É sobre outra coisa. Muito outra coisa.

Paulo Ghiraldelli, 56, filósofo. Autor de A filosofia como crítica da cultura (Cortez, 2014)

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29 Responses “A revelação: Aécio e seu consumo de cocaína”

  1. Ana Figueiredo
    09/10/2014 at 01:08

    Para mim, a questão é o desconforto. Aquilo que de alguma forma me faz sentir “ameaçada”. Uma pessoa “cheirada” me dá a impressão de estar no limite (ilusão ou não) e me tira um pouco o controle da situação. Não é previsível entende? Então tenho “medo” da reação que desconheço.

  2. Antonio Netto
    28/08/2014 at 19:40

    Sobre o que se é ou não o texto parece algo difícil para se estender alguma coisa mais…. Seu texto está aí, e só lê-lo. O fato é o “por quê” do texto, o assunto do texto. Aécio Neves é um cocainômano reconhecido em BH e BSA. Não fosse isso, não faria sentido o texto aqui. E, talvez, o imaginário de um cocainômano na presidência da República já tem na figura de Collor de Melo exemplo recente. Exemplo devastador e via ‘supositório’, diga-se.

  3. Thiago
    24/06/2014 at 16:55

    (Vou me enxerir nesse debate)

    Todo ser vivo com inteligência mínima teme pelo que procura. Nada impressionante. Se não fosse por isso, ninguém estaria comentando neste blog; seria um eco de poeira cósmica ou janta de algum predador. A sobrevivência é instintiva e sempre será, logo, devido ao tema, recorro a questionar a máxima “os fins justificam os meios?”.

    Um dos maiores questionamentos modernos é o (lá vem clichê, porém não menos leal) modus operandi da coisa toda. Menos gente, menos disputa, mais colaboração; quanto maior concentração, maior competitividade, maior tensão ligada às aspirações daqueles que disputam.

    Cidades verticais. Cidades horizontais (condomínio fechado não conta) *isso foi uma ironia.

    As drogas estão bombando e sempre bombaram, por motivos diversos, recreativos ou práticos (agora). Só estão populares. O que realmente é preocupante.

    Como qualquer assunto hoje é tratado numa peneira debaixo do sol para ninguém surtar de vez, mudamos os sentidos das coisas em degradeé. No caso, droga é popularmente conhecido como… remédio.

    E não. Não estou possuído pela erva ou pelo pó, mas sinto agora uma falta enorme de sorvete, e penso seriamente em comprar 2L. E pra já!

    Lembro dos meninos da periferia que, com um pouco mais de renda no bolso – dos pais, claro -, e por questão de novidade de diversão-status, trocaram o álcool por cocaína.

    Sabe aquela coisa do “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”? É por aí. A “gente levamo” milênios para alcançar o ócio, criativo ou não, e agora parece voltar ao estado de natureza, mas, consciente, dominado. Hum hum… É, bicho homem…

    A vida hoje está técnica, especialista, sem brecha para o improviso, para o acaso, exerce uma pressão enorme pela competição pelos sonhos de consumo vigentes, sempre em confronto dos sonhos material versus imaterial. Pensando bem, fui! Tô indo comprar o sorvete.

    *Nossa geração, assim como nas guerras, sofre um estupro de imoralidade legitimado pelo inconsciente coletivo. Exemplo: tu consegues sair de casa e andar 3 quarteirões sem pensar em perigo? E quem defende, maninho, também ataca.

    *outro exemplo: cotas raciais (desconheço ferramenta mais rancorosa e rançosa do que essa). Mas, enfim, tudo por uma boa causa. Salvaguardado pelo politicamente correto! (Ahn????)

    *Os fins justificam os meios?

    • Thiago
      24/06/2014 at 17:12

      É tanta coisa envolvida. Cada vez que fecho a janela, me vem outra coisa, tipo: velhos não têm vez, logo, “vença”! E agora!

      Imaginas a regressão evolutiva ao querer metrificar uma coisa dessas? O instinto ainda vai chutar a cognição talhadinha (que nem bife cortadinho no prato pa quiançada) e vai chegar enfezada no ventilador. *se é que já não está.

  4. naomi coura
    24/06/2014 at 10:48

    O que me preocupa não é o presidente ser drogado. Como você deixou bem claro, sempre consumimos alguma droga: café, açúcar, álcool ou drogas controladas. O que me preocupa no candidato Aécio cheirar é sua ligação com o narcotráfico e o crime. Zezé Perrela e Vitorio Mediolli são apenas dois exemplos dessas ligações políticas de Aécio com o crime organizado. Todos eles fazem da criminalização das drogas uma bandeira pois faturam milhões com a ilegalidade de substâncias que deveriam ser tratadas como medicamentos ou terem a sua produção controlada legalmente. O que me preocupa de verdade é o discurso hipócrita de guerra às drogas partindo de um candidato que recebe o seu pó de parceiros políticos envolvidos na associação criminosa do tráfico internacional, liderado pelo lado obscuro da Coca-Cola associada com a indústria farmacêutica.

    • 24/06/2014 at 10:50

      Naomi! Tudo bem, mas meu artigo não é sobre o Aécio ou sobre política. Não entendi ainda porque os leitores não conseguem comentar um texto fácil, desviando o assunto.

    • MARCELO
      24/06/2014 at 13:06

      Naomi,você cheirou demais
      escrevendo o que escreveu.
      Lembra daquela paranóia do
      Enéas que dizia que o Lula
      e o FHC tinham um pacto
      secreto com os EUA?É
      igualzinho,porra!Teoria da
      conspiração é um chute
      no saco,mesmo.

  5. 24/06/2014 at 10:46

    E quem fuma crack, hein, Ghiraldelli? Não seria o Eduardo Campos…ou Luciana Genro do PSOL…não! Talvez o Pastor Everaldo, depois do pão e do vinho! A droga mesmo é essa política da mesmice, das elites e do povo aliendo. Está tendo copa!

    • 24/06/2014 at 10:54

      Chico Cretter eu não escrevi sobre isso e muito menos sobre essa coisa que a esquerda arcaica gosta de falar que é “alienação”. Você nunca se abre para os textos. Tem o seu pronto, sempre.

  6. 24/06/2014 at 03:36

    Não precisa consumir pra saber se o outro consome; basta já ter convivido com pessoas que usam, sabendo observá-las, que você vai poder distinguir, com alguma margem de erro, quando a pessoa está sob efeitos de cocaína. Policiais fazem isso de modo automático, mesmo os que não usam nada.
    Mas, quanto ao texto, o imaginário social acerca de um tema é sempre algo que foi construído (óbvio), e, no caso da cocaína, associou-se esta aos rockeiros (pessoas desajustadas, sem compromissos, irresponsáveis) de forma muito mais negativa do que a maconha, pois os que usavam cocaína tendiam a apresentar comportamentos mais imprevisíveis, eram mais perigosos. E isso pode ser fruto da guerra às drogas, pois hoje se fala em legalizar maconha, mas é inadmissível falar o mesmo sobra a cocaína, justamente algo que gera tanta receita. Isso é coisa dos illuminatti.(o final foi brincadeira. Ou não. Afinal, qual o melhor meio de se manter no poder? Com muito dinheiro.).

    • 24/06/2014 at 10:47

      Não creio que cocaína tenha a ver com figuras, como roqueiro. Cocaína tem a ver com “sociedade do trabalho”. O ponto chave do texto é sua primeira linha.

  7. Carlos Bengio Neto
    23/06/2014 at 23:07

    Eis o excesso diabólico de Aécio: – Façam o que eu digo, mas não falam o que eu faço (no âmbito privado) -, essa obscenidade é o que a sua fisionomia sustenta no nosso imaginário, principalmente no nariz avermelhado em formato de flecha. Paulo Guiraldelli, mal posso esperar pelas charges dele no Mas Que Porra é Essa.

    • 24/06/2014 at 00:00

      Carlos, meu nome é Ghiraldelli e não Guiraldelli, OK? Olha, eu não fiz um artigo sobre Aécio. O texto não é sobre política ou sobre Aécio.

  8. Leandro
    23/06/2014 at 15:52

    O Aécio torna-se uma figura tão escabrosa não por conta de um helicóptero inteiro haver caído com uma imensa quantidade de cocaína, mas sim, da construção histórica de sua figura e os ideais aos quais ele defende, direita retrógrada e reacionária, burra e elitizada, escravocrata em berço esplêndido. É uma triste constatação de que o Brasil não possui representatividade política de governo de direita, só isso.
    A Dilma com todos os defeitos, ainda possui um postura muito mais harmônica, comedida e representativa do Brasil tanto em âmbito nacional como para o mundo.

    • 23/06/2014 at 22:06

      Leandro, bem, quanto ao meu artigo, ele não é sobre política.

    • MARCELO
      25/06/2014 at 10:55

      Leandro,você escreveu no site
      errado.Que textinho mais
      burro é este?Meu Deus do
      Céu,o Ghiraldelli tem toda
      a razão,o Nassif botou a
      tropa de choque paga dele
      na internet pra difamar
      quem pensa diferente deles!

    • 04/07/2014 at 21:04

      Carlinhos por que eu tentaria agradar você que se esconde sob o “seja mais homem?” Ser mais homem para você é dizer o que você pode entender? Mas pelo visto nem mesmo John Wayne conseguiria ser macho ou mais homem com você. Seu entendimento não sai disso nem com o grau máximo da “macheza”. O que tem a fazer é parar de querer ler um filósofo. Não venha mais no meu blog. Vá ler coisas a Veja e Carta Capital. Aí lá, em meio à política, você se satisfaz porque entende, ou tem a sensação que entende. OK? Tchau.

  9. Dimas
    23/06/2014 at 08:08

    Eu conheci um médico que cheirava e era um dos melhores do pronto atendimento. Se o cara, cheira e resolve, pra mim ele pode comer até bosta que tá de bom tamanho. Sds

    • 23/06/2014 at 11:43

      Dimas, isso é para você, da boca prá fora. Para fazer graça. Mas você NÃO pensa assim. Você falou isso porque quer dar uma de blasé. Mas você não pensa assim de modo algum.

  10. Angelica D.M.Lapolla
    23/06/2014 at 02:35

    Pode não usar a droga, mas suas aparições têm me preocupado, pois sempre com um olhar diabólico e um sorriso escárnio. Para mim isso não é normal. Me preocupa..

    • 23/06/2014 at 11:45

      Angélica este é o ponto, não de Aécio, mas, no meu texto, este é o ponto que faz qualquer um tolerar um drogado e não tolerar outro drogado. É nisso que faz com que uma droga atinja o imaginário popular e outra não. É isso que quis transmitir no texto.

    • MARCELO
      24/06/2014 at 16:17

      Filha,volta pra aquela tua
      igreja evanjegue que você
      frequenta,vai.Tudo é
      diabólico,é do demônio,é
      coisa do capeta….haja
      sessão do descarrego!!!

  11. Senna
    22/06/2014 at 16:30

    O imaginário “popular” pode “construir” o presidente que quiser, mas o que precisamos é de um presidente que respeite o seu povo; chega de impostos escorchantes, de mensalões, de superfaturamentos em obras públicas e todo tipo de corrupção…

    • 22/06/2014 at 17:21

      Senna você entra aqui para escrever isso? Puxa vida, vá ler outro blog. Isso aqui NÃO é para você.

  12. Alberto
    22/06/2014 at 13:33

    Paulo, quem cheira conhece um cara que cheira. É sintomático. Os sintomas são os mesmos. Agora fazer isso uma arma política é fazer sujeira. Quem nunca cheirou e sabe como o cara fica quando cheirado, também sabe que o cara tá ligado. Mas é como o texto no final diz: “Tudo que escrevi aqui não é sobre política. É sobre outra coisa. Muito outra coisa.”

    • 22/06/2014 at 15:14

      Alberto, o texto e´sobre imaginário social e história psicossocial. A questão é a de como que podemos conviver com gente drogada de um modo mas não de outro, ou melhor, acreditamos que podemos.
      Agora, sobre a sabedoria de quem consome uma droga, isso não é tão verdade Alberto. O que consome sempre acha que outros consomem, ele não sabe tanto quanto pensa.

    • Carlos Campos
      24/06/2014 at 13:56

      O que mais me preocupa é esse encosto politico demoníaco que paira sobre nossas cabeças. Somos sempre manipulados e amedrontados com histórias e estórias que buscam mostra o pior daquele (fantoche) que nos representará e conduzirá o país. Estamos enfraquecidos de justiças e verdades enquanto esse encosto que é a maquina político-financeira controla a mente de quase todos os brasileiros.

    • 24/06/2014 at 15:26

      Carlos realmente cansei! Esse é o assunto?

    • MARCELO
      26/06/2014 at 10:44

      CARLOS,VÁ A MERDA!!!!!

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