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01/05/2017

Queda do Muro de Berlim – cadê as comemorações?


O comunismo desapareceu. Ao menos o comunismo escondido na capa do chamado “socialismo real”, sumiu mesmo. Inventar comunismo em Cuba ou Coréia ou, pior ainda, na Venezuela com ideais do “bolivarianismo” é mais que ridículo, é ignorância e em alguns casos condição intelectual limítrofe.

O comunismo hoje voltou de vez para as prateleiras e pertence aos estudiosos. Aliás, pertence aos que gostam de ler clássicos de peso. A obra de Marx continua tão imprescindível quanto a de Nietzsche e Freud para entendermos nossa atual autoimagem. Mas, no campo político efetivo, o que há do comunismo é apenas a comemoração dos 25 anos do início de sua derrocada final, quando da Queda do Muro de Berlim.

Sendo assim, o que deveríamos estar vendo nas redes sociais virtuais, agora infestadas de “fascistaria”, seria uma grande euforia nas comemorações. Faz um quarto de século que o mundo assiste a cada dia o êxito do pensamento anticomunista em suas diversas vertentes. No entanto, paradoxalmente, justamente a direita política é a que mais silêncio faz sobre o assunto. É que, passado esse tempo, a direita luta desesperadamente para sobreviver com a única coisa que oferece com alguma pretensa utilidade: diz que pode ajudar os liberais e até, às vezes, os socialdemocratas no sentido do combate ao comunismo. Sendo assim, faz 25 anos que a direita não tem mais nenhuma utilidade.

Sobra para a direita, então, sua própria agenda: racismo, xenofobia, ódio aos movimentos

Balões que comemoram em Berlim os 25 anos da Queda do Muro

Balões que comemoram em Berlim os 25 anos da Queda do Muro

sociais e movimentos de minorias (gays, mulheres, negros, índios etc.), endurecimento de leis punitivas contra tudo e todos, censura às diferenças, hipocrisia moral e coisas do gênero. Juntam-se a isso os que querem prender menor, bater em ecologista e que, não raro, se indispõem contra quem quer ajudar animais ou tirar drogados das ruas. Isso tudo pode vir sob o velho invólucro de “Pátria, Família e Propriedade” – agora sem a Virgem Maria, uma vez que talvez sejam os evangélicos, nessa nossa época, tão ou mais pesados quanto os “católicos a la Ratzinger” nesse lado do espectro político. Essa agenda da direita, no entanto, não é atrativa senão para grupelhos. No caso do Brasil, e especificamente em São Paulo, pode-se colocar toda essa gente em três quarteirões em frente ao Masp. Cabe tudo ali. E sem aperto, com folga. É 1/5 do que conseguiu Plínio Salgado quando o Brasil tinha bem menos gente. Afinal, nem todo coxinha, mesmo aquele com problemas de desenvolvimento cognitivo, que não são poucos, é de direita a ponto de ser só aecista sem se lembrar de Covas.

Esse pessoal forma os que não podem comemorar a Queda do Muro, o fim do comunismo, pois eles não podem viver sem a agenda negativa, o anticomunismo, uma vez que sua agenda positiva é dura demais de engolir na prática. Pois na prática o senso comum democrático tem lá seu peso. Aliás, não pensem que a revista Veja vende tanto quanto diz. Para sobreviver ela é comprada por  governos estaduais e distribuída em escolas, e também recebe ajuda do governo federal, por conta de propagandas pagas a peso de ouro pelas estatais.

É necessário que as instituições democráticas fiquem atentas com essa direita? Deveria a

Balões que comemoram em Berlim os 25 anos da Queda do Muro

Balões que comemoram em Berlim os 25 anos da Queda do Muro

democracia que vivemos prestar atenção em seus papagaios, inclusive os jornalistas que falam em favor do não diálogo político, da intransigência? Não creio. Seria dar muito valor para “camisas negras” que gritam serem liberais conservadores, mas que são os autoritários da direita. Essa gente autoritária, todos eles, adoram exibir armas e caem de quatro diante de homem armado. É como o rico com membro sexual diminuto que precisa ter o seu carrão, mas que também fica sexualmente excitado quando vê outro rico com carrão. Para todos eles, todos mesmo, o comunismo existe – tem de existir. É a razão da vida deles. As esposas? Ah, são secundárias.

Paulo Ghiraldelli, 57, filósofo.

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31 Responses “Queda do Muro de Berlim – cadê as comemorações?”

  1. Caçapava
    13/11/2014 at 19:36

    Quem foi Leandro Konder? Não sou do Rio.

  2. Charle
    11/11/2014 at 19:00

    Pomba Giraldelli, se pessoas de direita são suínos, então Che Guevara e Mao são o que?

    • 12/11/2014 at 09:57

      Charle apesar de você me chamar de Pomba e esquecer as minhas duas outras figuras, a de Deus e Jesus, vou responder. Não que você entenda, até porque estou na praça há 40 anos, sou referência bibliográfica e você não conseguiu sequer aprender meu nome, ou seja, não consegui COPIAR! Tchê e Mao são foram revolucionários e, então, se entendiam como toupeiras (as de Marx), mas tenho certeza que muitas pessoas que não eram de direita os consideraram simplesmente assassinos. E foram.

    • Charle
      13/11/2014 at 23:22

      Se Che e Mao não são revolucionário, logo não são esquerdistas. Mas quem então é de esquerda? Gandhi?

    • 14/11/2014 at 01:19

      Charle não creio que queira conversar. Para conversar é necessário ler direito o que eu escrevo. Leia várias vezes de novo tudo. Aí retomamos.

  3. LMC
    10/11/2014 at 12:20

    O Covas,pra se eleger
    governador teve o apoio
    do PFL,hoje DEM.Pro
    Estadão,ele virou um
    herói de São Paulo.

    Nos EUA,a direita é
    a mesma coisa daqui.
    Diz que Obama é
    socialista,comunista
    e populista.E o pior,
    tem gente que
    acredita nisso e dá
    a maioria pra essa
    direita besta que
    agora domina o
    Congesso de lá.

  4. Valmi Pessanha Pacheco
    10/11/2014 at 10:27

    PAULO
    Quando nos encantávamos, bem jovens, na UNE com o monocórdico discurso marxista no final da década de 50, o primeiro abalo veio com a intervenção soviética (a pátria da liberdade de Jorge Amado) na Hungria em 1956. Em 1962 o ucraniano Secretário Geral do PC da URSS denunciou o genocídio cometido por Stalin. Depois, o encanto se perdeu de vez quando os tanques soviéticos invadiram Praga, em 1978 e soterraram a Primaqvera Tcheca. A queda do Muro de Berlim, em que pese os saudosistas do Adeus Lenin, foi apenas reflexo da Glasnost e Perestroika do Gorbachev (desgaste do material). Você tem razão, Marx, Nietzsche, Freud e, se me permite, a Escola de Frankfurt, e mais pós-modernamente, Thomas Piketti são excelentes pensadores para por e repor nas prateleiras das bibliotecas.
    Com admiração
    Valmi Pessanha.

    • 10/11/2014 at 11:06

      Valmi eu tenho a herança marxista toda na formação. Também a escola de Frankfurt e o pragmatismo. Dos anos noventa para cá tenho voltado a ler os alemães, principalmente agora o Peter Sloterdijk. Nunca coloquei a política na frente da filosofia. Acho que a politização da filosofia é tão perniciosa quanto a sua despolitização.

    • LMC
      11/11/2014 at 11:15

      Fascistaria,mesmo,foram
      os tontos da UJS fizeram
      na frente da Editora
      Abril perto do Primeiro
      Turno.Queria ver eles
      fazendo essas graçinhas
      na frente da
      Carta Capital.

    • Hayek
      11/11/2014 at 16:08

      Professor, você tem falado muito em solidarismo, prática que seria alternativa a social democracia, mas ela não é uma teoria política não? O anarquismo, pós-anarquismo não deveriam ser pensados nessa questão de revitalização da esquerda?

    • 11/11/2014 at 17:03

      Eu não penso a política, eu penso filosoficamente. O solidarismo é um elemento de vida, um oxigênio.

    • Hayek
      12/11/2014 at 11:05

      Mas o senhor disse no texto que não é um social democrata, e como também não é um liberal deve ter outra teoria política na manga. Caso não queira falar (eu sei que você não quer atrair seguidores) poderia dizer quais outras teorias políticas estão sendo criadas atualmente no reino da filosofia?

    • 12/11/2014 at 11:17

      Hayek eu sou filósofo e não político. E com o pragmatismo e como cidadão eu opto em estudar caso a caso, para ver se meu bolso, meu coração e minha cabeça concordam com o que se está fazendo na administração da cidade.

  5. Fábio JS
    10/11/2014 at 01:11

    O comunismo dito real caiu, mas as mazelas que levaram a ele continuam bem vivas. De certa forma o próprio capitalismo caiu também em 2008, quando ficou claro que a parte que cabia para as massas eram dívidas, despejo, fome e o peso da reconstrução, enquanto os executivos que quebraram o sistema financeiro recolhiam seus bonus milionários… curiosamente, nenhuma das revoluções que surgiram após o debacle soviético, como as coloridas, os occupy, as primaveras árabes e seu rebento ISIS, chegaram perto do que foi o comunismo e sua antecessora, a revolução francesa… será este o fim da história?

    • 10/11/2014 at 02:29

      Fávio que conversa maluca. O capitalismo está aí firme e forte. Suas crises são seu braço direito. Assim funciona. Agora, fim de história é outra coisa, é filosófico. Depende menos de redução da filosofia à política.

  6. Wagner
    10/11/2014 at 00:58

    Consigo ver algo de militar na coisa. O perigo iminente, real ou não, sempre foi um trunfo nas mãos de generais durante a história. Tal fantasma faz a cabeça de quem está sempre pronto para o quebra pau, funciona bem com eles!

    • LMC
      10/11/2014 at 15:26

      Sabiam que estudantes
      ligados ao PSDB venceram
      as eleições do DCE da
      UNB?Foi em Setembro.

  7. 09/11/2014 at 22:52

    Paulo,

    Vc precisa se informar melhor sobre as pessoas de direito no Brasil.

    • 10/11/2014 at 02:31

      Bruno sua frase não faz sentido “pessoas de direito”? Ou pessoas de direita? Ora, pessoas de direita não existe. Não há pessoas na direita. A direita é feita de suínos.

    • LMC
      10/11/2014 at 12:12

      Tem pessoas de direita no
      Brasil,mas tem vergonha
      de dizer:o Delfim,por
      exemplo.No ano
      passado,ele dizia que
      os manifestantes eram
      baderneiros,etc,etc.

    • 10/11/2014 at 12:20

      Delfim Neto não é um liberal libertário, porra!

    • 13/11/2014 at 14:21

      Se é assim, então pq a Revista Veja chama Che Guevara de porco fedorento?

    • 13/11/2014 at 16:56

      Bruno a revista Veja chama de porco fedorento ou coisa do tipo todos os que são fantasmas que a alimentam. Ele vive de defuntos. O comunismo é um defunto que alimenta a extrema direita. A Revista Veja é a única que acredita nele.

    • 13/11/2014 at 22:04

      Paulo,

      Eu respeito muito esse seu posicionamento que é até bem próximo do meu. O Zizek faz uma analogia usando cinema e psicanálise para explicar esses fantasmas que sintetizam diversos medos e simplificam a realidade como no caso do tubarão no filme de Spielberg.
      Agora, tem algo que os pensadores de esquerda não estão percebendo e que me aflige. Embora o que vc tenha dito sobre o comunismo e a Veja seja verdade, se contruiu um pensamento que não é filosófico no sentido escolar ou acadêmico do termo mas que possui uma lógica interna e uma função própria. Por exemplo, comunismo em Olavo de Carvalho não tem nada a ver com essa coisa que morreu na queda do Muro de Berlin e isso se articula com milhares de outros termos com sentido próprios e muito diferente do que a esquerda ou as pessoas do povo entendem com os mesmo vocábulo. Agora, esse pensamento pode e deve ser criticado, porém, eu tenho certeza que ele não é compreendido por muita gente, nem em suas partes e muito menos no conjunto e no pano de fundo.

    • 14/11/2014 at 01:22

      Bruno! Olavo é analfabeto. Com ele citado, a conversa perde o sentido. Se formos levar em consideração o “pensamento filosófico do Jânio Quadros”, estamos ferrados.

  8. Diego Brito
    09/11/2014 at 21:04

    Aparentemente o comunismo clássico, desapareceu da contemporaneidade, o que resta é sua vertente digamos “heterodoxa” que esta agindo em vento e polpa o Marxismo Cultural, corrente que ganhou força depois da Escola de Frankfurt (Antônio Gramsci), estudar a crise teórica do Marxismo.

    • 09/11/2014 at 21:58

      Diego esse papo é de quem ouviu o galo cantar mas não sabe onde.

    • Cesar Marques - RJ
      09/11/2014 at 23:27

      Eu me recusaria a responder quem quer falar sobre “Marxismo Cultural”, “Escola de Frankfurt” e “Antonio Gramsci”, mas escreve “em vento e polpa”.

    • Usp10
      10/11/2014 at 10:30

      Pqp! Antonio Gramsci não fazia parte da Escola de Frankfurt e esta ,que eu saiba, não era formada por comunistas.
      Ensino Médio de hoje está formando uma geração de antas!

    • 10/11/2014 at 11:04

      USP10 esse papo de “marxismo cultural” esses idiotas aprendem aí com gurus de direita, substituíram o ensino médio por Lobão, Olavo, Pondé e por aí vai.

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Filósofo