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20/10/2018

Por que votei em Giannazi, do PSOL?


[Artigo para o público em geral]

Também votei na Tábata Amaral para deputada federal (PDT), sem conhece-la pessoalmente. A história dela me foi apresentada por um amigo, o Pedro Possebom. Valeu. De resto, fiz o voto em Ciro para presidente, no Suplicy do PT e na Silvia Ferraro do PSOL para o Senado, e para governador cravei também PSOL, com a professora Lisete Arelaro. Meu único voto pessoal, com conhecimento próximo do candidato, foi no professor Carlos Giannazi, do PSOL, meu deputado estadual e meu amigo.

Eu não votava para presidente desde 1989, quando fiz campanha para o Lula, contra Collor. Fiquei contente em votar. E contente com o resultado. Ciro pautou as eleições. Até mesmo Bolsonaro teve de baixar o tom e, talvez falsamente, dizer algumas coisas que Ciro disse. As únicas campanhas com propostas eram a dele e a do Alckmin. As soluções do Ciro eram mais à esquerda, as do Alckmin eram mais à  direita – mas ambas eram viáveis. Aliás, só eles dois sabiam do que estavam falando, o resto era amadorismo puro, isso sem contar os dois paus mandados, Bolsonaro e Haddad. O segundo, um pau mandado do Lula; o primeiro, um pau mandado do setor financeiro, do lobby das armas, dos evangélicos caça-níquel e, enfim, da estupidez. A “marcha da insensatez”, como disse FHC.

Meu voto foi à esquerda, e como não poderia deixar de ser, escolhi os candidatos mais ligados à educação. Sabendo que Janaína Paschoal seria bem votada, mais ainda votei com gosto em Giannazi. Não me preocupo com os desempregados que Bolsonaro e o Impeachment trouxeram à cena, como o Mamãe-Defequei, o Japonês Analfabeto, o “Príncipe” e o Devedor da Prótese Peniana. Essa gente vai experimentar ter um salário, alguns pela primeira vez na vida, pago por nós. Mas não seguirão adiante. Na próxima eleição, se entrarem de novo, será com bem menos votos. Ao final de dois mandatos, terão demonstrado a mediocridade e acabarão como de costume segundo esses tipos. Afinal, dos que apoiaram Collor, Roberto Jefferson terminou na cadeia e Renan terminou no lulismo. Se ainda vagam por aí, é como fantasmas do que foram. Agora, o destino de Janaína é diferente. Ela é fanática e, uma vez reprovada em concurso na USP, vai ter de se agarrar ao novo emprego. Facilmente se acostumará ao melhor salário, e não irá largar o osso fácil. A tenacidade dela durante o Impeachment assusta. Então, para barrar gente assim, que pode realmente ressuscitar, com ajuda do próprio presidente, o “Escola sem Partido”, é necessário um inteligente Giannazi ali na Assembléia paulista. E ele sabe lidar com a direita que espuma pela boca, como sabe!

Na avalanche conservadora que se abateu para o país, a verdade é que Giannazi se elegeu bem, e o PSOL cresceu em todo o país. No Rio, fez 10% dos votos para o governo. Caso o partido não tivesse defendido Dilma, num ato suicida – que não foi acompanhado por Giannazi, que não é lulista – teria crescido mais. Havia e há um espaço para uma esquerda independente. Mas o fato é que o PSOL pisou na bola, e até Ivan Valente cedeu ao lulismo e à ideia tola de que Impeachment é golpe. Isso não cabia, não cabe. Se o Impeachment da Dilma foi golpe, então teríamos de admitir que o do Collor também foi. Ninguém na esquerda e mesmo entre os liberais está disposto a dizer isso, que Collor sofreu um golpe. Brizola, que o apoiou, pagou preço igual – quando foi vice do Lula não arrastou voto algum. O PSOL não aprendeu nada com isso tudo. Até mesmo Erundina foi apoiar Lula. Ora, Lula é gangster, e todo o PSOL sabe disso. O saudoso amigo Plínio Sampaio havia dito bem, com todas as letras, e também disse que Dilma não governaria. O Boulos é uma criança de boa intenção, mas não sabe nada. Querem saber? Também o Ciro amargou nessa eleição essa sua posição errada sobre o Impeachment.

O fato é que o Impeachment pegou muita gente, para o bem e para o mal. Uma parte da esquerda considera a questão da honestidade algo meramente moral, que não pode suplantar exigências de ordem da “grande missão política”, que é colocar um basta na crescente desigualdade econômica de nosso país. Luiz Eduardo Soares, mesmo escorraçado pelo PT, acabou saindo da Rede, pois teve posição contra o Impeachment. Muita gente andou passando a mão na cabeça do PT. Afinal, não é fácil admitir que Lula, uma pessoa afável e que um dia teve de fato um ideal libertário, se transformou em alguém disposto apenas a ter um apartamento na praia por conta de exigências familiares tolas, pequenas, feitas da mentalidade de classe média baixa de São Bernardo. De fato, Dona Marisa mandava mais do que poderia mandar. Seus filhos inúteis também. Levaram Lula para um buraco, o de não perceber sua responsabilidade diante da esquerda mundial.

Mas, então, a minha esquerda é o PSOL? Conjunturalmente, sim. Mas, teoricamente, não. Eu não acredito que o embate hoje seja entre socialismo e capitalismo. Para mim, seguindo Richard Rorty e Peter Sloterdijk, meus filósofos prediletos depois de Sócrates, esse embate não diz mais nada sobre o nosso tempo. Richard Rorty escreveu que ele sabia dos males do mercado, mas que não sabia como distribuir as coisas (inclusive livros) de modo melhor que o feito pelo mercado. Peter Sloterdijk, por sua vez, escreveu que “o comunismo foi apenas uma fase do consumismo”. Tendo a concordar com ambos. O que eles endossaram, de fato, é o que endosso: “a liberdade é algo importante demais para deixar nas mãos dos liberais”. De fato, toda defesa maior da liberdade, a do indivíduo, a do professor e do aluno, a das instituições democráticas, foi o que sempre guiou a ação de Giannazi na Câmara Estadual. Giannazi tem apreço pelo socialismo, mas é algo vago, retórico, pois na prática a sua ação pela escola pública é uma ação que deveria ganhar todo tipo de cabeça inteligente, independente de partidos. Giannazi provou isso como diretor de escola e como deputado. Em ambos os casos, foi sempre corajoso defensor de mulheres, pobres, gays, negros, indígenas e estrangeiros; um defensor da igualdade econômica em associação com a liberdade individual e identitária. Ao mesmo tempo nunca deu apoio às milícias de esquerda que, enfim, imitam os milicianos do “Escola Sem Partido”. Em suma: Giannazi é daqueles que, como eu, apoia o feminismo sem endossar as feminazi.

Mas eu não posso decidir montar um partido da minha cabeça. Nem quero! Não sou filósofo que tem predileções políticas antes que autenticamente filosóficas. Então, não tendo o que imagino ser o melhor no espectro partidário, procuro empurrar o que há de menos conservador. E assim foi meu voto. Um voto libertário. Afinal, como sobreviveriam os filósofos em sociedades sem liberdade? Em sociedades sem liberdade, como as que Bolsonaro e seu Mourãozinho propõem, não há espaço para os filósofos. Mas, a despeito disso, a minha raça de filósofos ficará, e ele, como Collor, passará. Se não passar como Collor, talvez passe a si mesmo, como Hitler. Já imaginaram um passamento melhor ainda para ele, como o de Mussolini? Ah, querem um passamento, para ele, com exemplos à esquerda. O de Nicolae Ceau?escu. Não foi lindo? Foi sim.

Paulo Ghiraldelli Jr. 61, filósofo.

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10 Responses “Por que votei em Giannazi, do PSOL?”

  1. wolney
    12/10/2018 at 21:29

    sorte dele, meu caro! azar do senhor, é claro!

    • 12/10/2018 at 23:37

      Wolney, ser um babaca é azar. Quanto a mim, fui agraciado pelos deuses com inteligência. Eu sei que não sabe o que é isso. Sua manifestação mostrou isso.

  2. wolney
    12/10/2018 at 19:12

    engana-se, meu caro. até mesmo porque o enhor não o conhece! meu amigo professor de filosofia em um colégio particular, é herdeiro de uma família riquíssima e só exerce o magistério por puro diletantismo, por idealismo e amor ao conhecimento, ok?

  3. wolney
    10/10/2018 at 14:26

    um amigo meu, professor de filosofia, me disse que essa janaina paschoal é uma “idiota útil”, na acepção de lenin.

    • 10/10/2018 at 18:54

      Só que ela vai ganhar um baita salário e o seu professor não, então, avise-o que o idiota é ele.

  4. Hilquias Honório
    10/10/2018 at 03:01

    O PSOL dá o que pensar mesmo. O mais curioso é que achei por acaso aqui no blog, aquele “Chega de Idolatria” da Janaína, em que ela diz que queria enterrar a República da Cobra (creio que referência ao “rabo da jararaca”) mas não para surgirem novos salvadores, uma República de Procuradores, por exemplo. E achei amargo acreditar que ela tenha ido parar justamente no PSL.
    Mas não será que eu já não estou simplesmente reclamando por ela não ter o meu gosto partidário? Nesse caso, estaria fazendo como o nosso amigo LMC costuma fazer.
    Hahahaha

    • 10/10/2018 at 04:12

      Não, o discurso da Janaína não indicava que ela iria cair nas mãos do Bolsonaro. Mas aí, a questão do pai pesa. Ela parece ser uma pessoa que deve muito ao pai, que é monarquista. Nessa hora, se entregar ao um chefete de direita, não é de estranhar não. Para nos libertarmos da família é preciso autoconhecimento e coragem.

  5. LMC
    09/10/2018 at 12:25

    Não ficaria nada bem ao PSOL apoiar
    o impeachment de Dilma feito pelo
    crente-presidiário Eduardo Cunha e
    votado por Maluf,Aécio e Bolsonazi
    que dedicou seu voto ao Brilhante Ustra.
    Sem falar naquele povinho vestido
    de verde e amarelo protestando na
    Paulista pedindo a volta da ditadura.

    E “feminazi” virou o xingamento
    favorito dos Pondés e Alexandre
    Frotas da vida.

    • 09/10/2018 at 12:48

      Não ficaria para você, que esqueceu a história pela qual nasceu o PSOl meu caro.

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