Go to ...

Paulo Ghiraldelli on YouTubeRSS Feed

28/06/2017

Os Neves, de Tancredo a Aécio


Tancredo era um homem conservador em todos os sentidos. Moralmente e economicamente optava por tradição de costumes e ortodoxia monetarista. Politicamente, no entanto, Tancredo não era propriamente um conservador, era apenas mineiro. Tinha apreço por alianças amplas. Foi assim que, em pleno regime militar, conseguiu tecer uma tela que serviu de pano de fundo para a saída da situação criada em 1964 que, diga-se de passagem e por justiça, nunca lhe foi favorável. Tancredo jamais aceitou o golpe militar ou qualquer golpe.

Tancredo não se sobressaiu na política só pelas habilidades de conciliação, mas por não ser atingido pela avalanche de corrupção pré-64, e por ter governado Minas, no regime militar em sua fase final e mais branda, sem passar por grandes denúncias. Ele era um homem que não precisava de luxo para viver. Era um centrista old school. Amigo de Olavo Setúbal, do Itaú, e também de notórios comunistas. Quando perguntado sobre se havia lido O capital (olha só o tipo de pergunta que se fazia na época!), quando de sua eleição indireta para a presidência, em 1985, não teve nenhuma vergonha de dizer: não li, mas li vários bons comentadores e introduções. Ou seja, nem vergonha, mas muito menos desprezo pela cultura, pelo que importava para a sua geração.

O presidente brasileiro que fez a transição do regime militar para a democracia, se hoje estivesse vivo, certamente não botaria a cara para fora de casa. Pior ainda, talvez tivesse uma complicação cardíaca. Abateria sobre ele algo que seu garoto protegido jamais sentiu: vergonha. Tancredo era daquele tempo que os homens sentiam vergonha, vergonha alheia inclusive, e que se penitenciavam caso a família pisasse em falso.

O avô Tancredo era um homem bom, e como todo homem bom, às vezes tenta fazer com que os mais jovens, da família, não passem por dificuldades. Protegeu o neto, utilizou-o como motorista, colocou-o na política e também em posições que permitiram que este, jovem demais, já ocupasse cargos imerecidos. Deu asas para que Aécio se tornasse alguém acostumado à vida fácil e a uma moral frouxa, para não dizer coisa pior. Uma vez sem o avô, Aécio perdeu o rumo e foi seguindo na política brasileira nadando de acordo com as ondas que muitos outros seguiram. Essas ondas o fizeram protagonista da maior mancha na história da família, e também de seu próprio partido, o PSDB. Sua irmã está presa. Seu primo está preso. A família está dividida. Aécio foi suspenso do cargo de Senador e, talvez pior, mostrou-se mesquinho e perigoso para a sua própria família, ao dizer que poderia eliminar (falou metaforicamente?) o seu ajudante, seu primo, caso esse acabasse em situação de delação da prática criminal dos Neves atuais.

Aécio nunca escreveu bons artigos. Foi um governador medíocre. Foi um senador vagabundo. Aécio não fez uma boa campanha presidencial. Aécio nunca foi um grande presidente de partido. Finalmente, Aécio jogou esterco no túmulo de Tancredo. Aécio petezou de vez. Como podemos ver agora, em 2014 nossas opções de segundo turno não eram salutares. Entre a louca e o playboy, escolher era dar um tiro no coração do país. Eu, que não votava desde 1989, continuei apenas justificando o voto. Felizmente, ao menos para a minha consciência.

Paulo Ghiraldelli 60, filósofo. São Paulo, 19/05/2017

Tags: , ,

20 Responses “Os Neves, de Tancredo a Aécio”

  1. 25/06/2017 at 20:52

    E dizem aqui em Mnas, que o dandi das alterosas numa certa noite de junho de 2008,quando era ainda governador de Mg, teria mandado isolar um pavilhão inteiro do Hospital MtMater Dei, de Belo Horizonte, para que ele pudesse ser devidamente internado com mais tranquilidade e segurança, após uma crise aguda, depois de usado e abusado da “farinha” da boa!

  2. Heriberto Montero
    25/05/2017 at 15:32

    Quem é vocÊ para falar mal da família Neves?

    • 26/05/2017 at 01:42

      Ninguém precisa falar mal dessa família, não mais.

  3. Gustavo
    19/05/2017 at 22:53

    O Aécio é tão ruim como político que nem pra ganhar da Dilma. Uma vergonha. Esse modelo de política hereditário tem que acabar.

    • Guilherme Picolo
      09/06/2017 at 16:31

      Não é só na política que se deve acabar com esse sistema de castas. Na economia também; vivemos uma espécie de “capitalismo de compadrio” e “meritocracia dos bem nascidos”, onde o sucesso é determinado pelas relações com o poder e não pelo preparo e pela competência.

  4. Sábio mor
    19/05/2017 at 21:19

    Paulo. por que vc não vota? Qual a serventia de boicotar o pleito? Vc é um fresco. Quer bancar o isentão? Saia de cima do muro. Assuma a responsabilidade. Na Venezuela a oposição resolveu boicotar uma eleição e o chavismo tomou conta de vez.

  5. Cesar Marques - RJ
    19/05/2017 at 21:14

    Dorival, sua anta, Tancredo Neves era um membro histórico do Partido Social Democrático (PSD), inclusive, quando era Ministro da Justiça do Presidente Getúlio Vargas na época que se avizinhava um golpe para demovê-lo do poder, o Tancredo numa reunião ministerial pediu autorização ao Presidente para prender os militares oposicionistas e assim abortar o golpe. Getúlio negou o pedido e optou pelo suicídio. Dizem que ao fim da reunião quando Getúlio despediu-se de Tancredo, deu-lhe de presente uma caneta, e lhe disse “Para o amigo certo das horas incertas!”. Quando ocorreu o Golpe de 1964 e esse instituiu o Bi-partidarismo, o Tancredo ingressou no Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Resumindo: Tancredo era um conservador, mas não era um hipócrita filho da puta.

  6. josé fernando da silva
    19/05/2017 at 17:02

    Perfeito, Paulo. Em tempo: sua não escolha entre a “louca” e o “inconsequente” rapidamente mostrou-se a única opção lúcida (foi a minha também).

    • 20/05/2017 at 08:30

      Infelizmente estou nisso desde 1989. Mas espero um dia poder votar. Acho que votei mais na ditadura que na democracia!

  7. 19/05/2017 at 16:40

    Esqueceram-se de Aécio Neves como Diretor de loterias da Caixa Econômica Federal, nomeado pelo então Presidente José Sarney, em 14 de maio de 1985, a pedido de sua avó Risoleta Neves.
    Aécio permaneceu somente um ano no cargo, porquê?

    • 20/05/2017 at 08:31

      Na época, Carlos, ele não tinha currículo nem para gari.

    • LMC
      22/05/2017 at 14:58

      É porque ele foi candidato a Deputado
      Federal e venceu sua primeira eleição
      em 1986.Foi o Federal mais votado de
      Minas naquela eleição

  8. Guilherme Picolo
    19/05/2017 at 10:40

    Até hoje circulam teorias da conspiração dando conta de que Tancredo Neves na verdade foi assassinado e que a repórter Glória Maria “sumiu” na época porque sabia de tudo…

    • 19/05/2017 at 12:02

      Ha ha ha é hoje em dia há jovem bolsonarista que diz que o homem não foi na Lua. É o Olavo-Repetente-de-Carvalho funcionando.

    • LMC
      19/05/2017 at 14:37

      Tem também muito esquerdista
      metido a Che Guevara que
      acredita nessa lorota que o
      homem não foi pra Lua contra
      o imperialismo ianque(????).

  9. Dorival
    19/05/2017 at 10:36

    Como o Tancredo não era a favor da Golpe de 64 se ele era filiado à ARENA, partido do governo?

    • 19/05/2017 at 12:02

      Dorival, que tal você tentar fazer o ensino médio?

    • LMC
      22/05/2017 at 15:07

      O Aécio virou diretor de loterias
      da Caixa por causa do primo dele,
      o Francisco Dornelles,hoje vice-
      governador do Pezão no RJ.

  10. J. B
    19/05/2017 at 10:35

    Parabéns vc disse tudo de um inútil,que só queria ser mais um mercenário, nesse maravilhoso Brasil!!!!!!!!!!

    • LMC
      19/05/2017 at 14:33

      Tem também outro mineiro,o Fernando
      Pimentel,o Aécio do Lulla.kkkkkkkkkkkk

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *