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27/05/2017

Os gritos “Chupa Dilma” e “Fora PT” ecoaram como nunca!


Nunca o Pitoko havia ficado tão nervoso com barulheira de rojão, buzina e panelaço. Realmente, desta vez, ele se apavorou. Logo percebi a razão: havia gritos humanos no meio. Terminada a votação, a população paulistana enlouquecida começou a gritar “fora PT!”, “vão trabalhar seus vagabundos do PT!” e “Chupa Dilma!”. A noite virou dia! Não era a classe média dos bairros ricos e nem a Av. Paulista, tudo isso ocorreu em bairros ditos de “trabalhadores”, inclusive no meu bairro. 

Minha simpatia pelo campo liberal e relativamente de esquerda não me deixou ver o quanto a população estava mesmo com raiva do PT. O meu sentimento de estar sendo chamado de tonto pelo Lula, quando ele fugiu da polícia se achando acima da Lei, não era algo só meu. As pessoas estavam mesmo com ódio de terem perdoado o PT pelo Mensalão e, então, terem visto que o PT não tinha entendido o perdão, e feito tudo de novo, e de modo mais grave, com o Petrolão. As frases gritadas e que deixaram o Pitoko atarantado diziam isso. Tudo muito claro, nítido. Ouvi!

A população berrava. São Paulo parecia que ia explodir. E repentinamente, tudo voltou ao silêncio. Foram trinta minutos de explosão e catarse promovida pelo “Malvado Favorito” de Roberto Jefferson. Após a euforia, o paulistano, militante de si mesmo, individualizado e não organizado por partidos ou sindicatos ou movimentos, lembrou que tinha que dormir rápido, pois logo já seria segunda feira de manhã. São Paulo tem que trabalhar. Aqui, o capitalismo anda, mesmo em tempos de crise. Veio o silêncio sepulcral da noite paulistana vingada.

Lembrei-me das Diretas Já e do Fora Collor. Lembrei-me que as pessoas que lutaram por ambas, não eram santinhos. Alguns não eram santinhos na época, como Sarney no Diretas Já e Quércia no Fora Collor. Outros só mais tarde ficamos sabendo que não eram santinhos, como Covas e o próprio Lula. Este então, a maior  decepção da nação, e logo será do mundo todo. O Congresso que fez passar esse encaminhamento de Impeachment de Dilma, onde uma moça votou em nome de Deus e Platão e outro votou homenageando o Pastor Waldomiro (o do chapéu), produziu peças engraçadas, mas em termos de breguice, não fez muito diferente do que colocou Collor para fora.

De tudo isso, sobrou ainda uma curiosidade. Nunca as esquerdas precisaram tanto de Bolsonaro ou de um tipo como ele. Nunca! Com sua brutalidade de apoiador de 1964, ele foi útil para que alguns da esquerda pudessem acreditar que estavam votando em favor da legalidade e de ideias democráticos, quando na verdade votaram, de fato, em favor de salvar aquilo que o PT não podia ter se tornado, mas se tornou: uma quadrilha.

Em 1985 parecia ser impossível que um dia um operário de esquerda fosse presidente do Brasil. Aliás, isso também parecia ser impossível para um sociólogo de esquerda. Ora, tudo que era impossível se fez. E tanto um quanto o outro, os donos do impossível, jogaram fora o que lhes foi dado. FHC se meteu na compra de votos de um segundo mandato que, por conta disso, se tornou lastimável. Lula se meteu em corrupção e, mesmo perdoado ao final do primeiro mandato, voltou à carga para zombar da população, dos simpatizantes e eleitores do PT. Jogou fora tudo que um dia foi sonho impossível. Não soube entender a responsabilidade histórica que tinha nas mãos. Fez da bandeira liberal e de esquerda sinônimo de dogmatismo, burrice interpretativa, má política e gangsterismo. Ao final dos dias de Dilma, estava já mais preocupado em se safar de se tornar um preso comum, e então nem mais conseguia fazer política. Dilma, então, caiu pelas próprias pernas, que nunca foram pernas de presidente.

Lula e Dilma parece que nunca perceberam que Vaccari já era o segundo tesoureiro do PT preso. Ou já não podiam mais perceber nada, uma vez que o mandato de Dilma, talvez até no primeiro, já tenha sido conseguido por estelionato eleitoral e dinheiro da corrupção. E que corrupção! Moro e sua equipe confessaram terem ficado assustado com o volume, com os números. Banqueiros no exterior, mesmo acostumados a escândalos, também disseram o mesmo.

A esquerda brasileira não gosta de democracia. Não gosta de ler coisa nova. Não gosta de abrir sua mente. Não consegue entender que seus educadores deveriam antes se preocupar em formar pessoas honestas que pessoas de esquerda. Os petistas ou coisa parecida formam patrulhas na universidade. Agem de modo grupelhista, como igrejinhas militarizadas. E por isso, a esquerda não vai aprender a lição, não vai aprender a lição da peregrinação dos candidatos americanos, que fazem a democracia na América funcionar. A esquerda, só por eu fazer esse elogio à América, virá aqui me xingar – aposto. E xingarão usando de mais tolice ainda, pois aprenderam o erro de dizer: “mas o partido X também é corrupto”. Funcionam sempre na mesma toada, chamando todo mundo de fascista como a TFP fazia ao chamar liberais de comunistas.

A esquerda não vai aprender com esse grito brasileiro de “fora PT”. Vai continuar falando do que não sabe, vai continuar dizendo que as forças de 1964 derrubaram Dilma, ainda que, na política de hoje, exceto pessoas que não contam mais, só Dilma era adulta em 1964.

Paulo Ghiraldelli, 58, filósofo.

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18 Responses “Os gritos “Chupa Dilma” e “Fora PT” ecoaram como nunca!”

  1. Tiago MayBe Wrong
    12/05/2016 at 08:56

    Eu acho que pelos comentários aqui que eu li, o autor se acha um ser iluminado sempre correto, me fez lembrar de uma pessoa igual: Jean Wyllis.. que defeca por dois buracos – a boca e a bunda!

    • 12/05/2016 at 10:42

      Tiago sua lembrança do Wyllys deve ser amor. Não é comigo. Vá com ele.

  2. LMC
    19/04/2016 at 11:41

    O gênio da raça Carlos Alberto de
    Nóbrega disse ontem,na Folha,que
    os deputados que votaram na
    sessão do impeachment são
    semi-analfabetos.Claro,quem
    assiste o programa dele na TV
    geralmente são universitários
    formados em Harvard e Oxford.
    kkkkkkkkkkk

  3. Demótenes
    18/04/2016 at 20:46

    A maré da direita conservadora vai chegar aos seus pés e você não saberá lhe dar com ela. Posso ver.

    • 18/04/2016 at 21:22

      Demóstenes meu blog é para leitor inteligente, não tem a ver com você.

    • LMC
      19/04/2016 at 11:18

      Se o Demóstenes soubesse que
      Churchill,que salvou o mundo do
      nazismo foi conservador…

    • 19/04/2016 at 11:34

      Churchil nunca salvou o mundo. Ele deu uma boa mão, mas por puro desespero.

  4. Alexandre
    18/04/2016 at 08:59

    Três momentos chamaram a minha atenção: o discurso estúpido do Bolsonaro (ele ainda consegue me surpreender com a sua estupidez), a raiva do Jean e o Eduardo Cunha dizendo “Que Deus tenha misericórdia desta nação”. Esse momento do Eduardo Cunha foi de longe o que mais me marcou.

    • 18/04/2016 at 09:00

      Bolsonaro durante todos esses dois últimos anos tem salvado o PT de si mesmo.

    • Alexandre
      18/04/2016 at 13:51

      O Jean cuspiu na cara do Bolsonaro.

    • 18/04/2016 at 21:23

      Alex, se você tivesse brio, faria o mesmo.

    • Alexandre
      18/04/2016 at 21:32

      Eu não disse que discordo da atitude dele, muito pelo contrário, adoraria fazer o mesmo.

    • 19/04/2016 at 06:19

      É um passo em falso, que infelizmente eu não adoraria fazer, mas poderia fazer.

    • Alexandre
      18/04/2016 at 22:06

      “Alex, se você tivesse brio, faria o mesmo.”
      .
      Esse seu comentário me ofendeu profundamente, não sei se foi essa a intenção.

    • 19/04/2016 at 06:18

      Não? Não faria? Veja, como você pode ficar ofendido por uma frase no condicional feita por uma pessoa que não conhece você? Vou melhorar, ou melhor, vou escrever corretamente: “tendo brio, qualquer um faria o mesmo”.

    • Thiago Carlos
      18/04/2016 at 19:34

      Paulo será que o Jean perde o mandato por causa dessa cusparada?

    • 18/04/2016 at 21:23

      Olha, tomara que não. Era uma pegadinha, uma provocação do Bolsonaro.

  5. Vítor Mazzuco
    18/04/2016 at 02:23

    Encerra-se um ciclo que começou nos anos 80, com a fundação do hoje extinto Partido dos Trabalhadores. Um partido que começou muito bem no papel, com pensadores de alto calibre, Welfort, Sérgio Buarque, bispos da teologia da libertação ( no final de seu ciclo, o PT se apoiou na teologia da prosperidade, do bispo Edir Macedo, algo que nem o oráculo de Delfos poderia prever…), gente estudada, saindo do processo de luta pela abertura democrática, visando à construção de uma política de esquerda, voltada para atender aos problemas da classe trabalhadora. Todavia, nos anos 90, abandonou-se o processo democrático de tomada de decisões internas e, seguindo a linha imposta pelo clubinho do zé dirceu, adota a política de cúpula, tornando-se um partido como os outros. O PT, antes mesmo de chegar ao poder, em 2002, já estava natimorto, e o mensalão/petrolão foram apenas expressão, em grande escala, do já ocorria no partido há muito tempo. O que virá agora e qual o futuro da esquerda brasileira é algo que não se pode prever com segurança. Sou um cara otimista, acredito que a esquerda possa aprender com a história do petismo e, quem sabe, lançar as bases do que venha a ser um partido liberal de esquerda, aos moldes do Partido Democrata americano, tendo como germe inicial a política proposta por Marina Silva e como meta geral a busca pela proteção e expansão dos direitos das minorias, iniciando sua caminhada com a bandeira, já adotada, de proteção ao meio-ambiente. Talvez ao final desta década possamos sair, finalmente, dos anos 50, que o Brasil insiste em permanecer ( haja vista os discursos proferidos na Câmara hoje…).

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About Paulo Ghiraldelli

Filósofo