Go to ...

Paulo Ghiraldelli on YouTubeRSS Feed

27/03/2017

Oh! Trump vai invadir a Rússia, escalpelar latinos e f* todas as menininhas virgens negras


O tom de Trump mudou imediatamente. Como sempre ocorre no chamado Day After. Tratou de apaziguar os ânimos. Por mais que seja outsider, após uma campanha tão longa, até um jumento (ou melhor, um elefante), aprende um pouco de política. Ele sabe que a tarefa não é substituir Hilary, mas sim o estupendo Obama, o presidente que tirou os Estados Unidos da maior crise mundial, que é super simpático, e que sabe das coisas. O presidente que buscou fazer a América ser de novo um lugar para qual se quer ir, e ao mesmo tempo, o implacável executor de Bin Laden. Ninguém fará uma gestão tão boa. Trump tem outros valores, mas não se chega à Casa Branca sendo tão energúmeno quanto os seus eleitores mais fanáticos. Um candidato, ao menos quando eleito, está sempre à frente de seus próprios eleitores mais ideologizados. Não se mede um Presidente americano pelo carinha limítrofe que torceu para ele loucamente. Todo país tem 30% da população próxima do QI que acusa um pouco de idiotia.

Trump hoje é o sinal do que ocorre no mundo todo: a derrota do Stablishment. Não se trata da derrota da democracia, nem a vitória da direita por ser direita (os Estados Unidos são bem menos conservador que Trump), mas a derrota da classe política que faz política. A Casa Branca estava destinada a um outsider. Boa parte dos analistas sabiam disso. O Partido Democrata também sabia. Sanders seria o melhor adversário de Trump – os estudos internos indicavam isso, e não eram “pesquisas eleitorais”. Mas Sanders não representa a cúpula liberal dos democratas, a elite – exceto Obama – vista como corrupta pela população, os “velhos da política”. Mas Sanders não passou, e não passou meio que na base do roubo dos Clinton nas prévias. Os republicanos se descuidaram, e Trump passou. Melhor para eles, ou quase isso.

Para a esquerda mais cabeça dura, no mundo todo, aquela esquerda que tem o demente Zizek na capa de suas revistas, Trump será o melhor presidente. Sim! Vejam: “o imperialismo”, “o capitalismo mau”, “o pacto de Washington”, o “neoliberalismo”, “a sociedade patriarcal machista”, o “fascismo renascendo” – todos os clichés poderão ser usados. Como a esquerda atual não tem outra coisa senão clichés, isso é bom para ela, ao menos terá como deixar jovens invasores de escolas com alguma minhoca na cabeça. Ou melhor, uma tênia, um ovo de tênia na cabeça, aquilo que aos poucos vai alterando o pensamento e deixando o adolescente totalmente maconhado, sem que ele precise de maconha. Zizek terá o que dizer. Pois ele é o adolescente desse tipo e então, falando o nada com nada, será “entendido” pelos Safatles da vida! Felizmente, tipos como Lula não terão a mesma sorte de Zizek, pois Lula se destruiu sozinho ao virar o Ladrão Maior do país.

A democracia americana funcionou perfeitamente. Vai fazer a rotatividade no poder, e deu chance a um outsider. Não se pense que é porque é rico. Sanders teria chance igual ou melhor. O importante, para o eleitorado atual, era só isso: o vencedor não deve ser um político tradicional. Algo que, mutatis mutandis, se deu com Dória aqui em São Paulo. Olhando a Europa, veremos coisa parecida.

Trump vai governar de modo conservador, claro. Mas, cuidado! E se por conta da própria democracia americana, que apruma as coisas em um país dividido, ele deslizar para um comportamento como o de Schwarzenegger, que foi excelente governador republicano? Claro, ator e gente da TV, o grandalhão. Mas também é o caso de Trump, que foi apresentador e só por isso se tornou conhecido. A Casa Branca já hospedou outro ator, pronto para construir um escudo no céu, feito de mísseis – lembram disso? Era péssimo ator. E não levou adiante o projeto Guerra nas Estrelas, esse dos mísseis (Israel levou). Além disso, nem sempre se consegue invadir um Iraque com mentira, todos os dias. E mais: boa parte das guerras-atoleiro dos Estados Unidos foram feitas por democratas, com a doutrina da “exportação da democracia” ou de “manutenção do mundo livre”. É necessário nessa hora olhar o passado e ver as coisas de modo menos apocalíptico. A população americana tem experiência com a democracia, sabe lidar com ela. Somos nós, os neófitos nisso, que não entendemos a alternância no poder como algo normal.

A lição dos liberais e da esquerda, que não será aprendida, é a de que a mentira e roubo não coadunam com uma política que visa construir um mundo melhor. Não adianta querer forçar. Forçaram ao empurrar Sanders prá fora, e colheram Trump. Gente como o meu filho Paulo Francisco, e nosso amigo Pedro Possebom, bem jovens, está gostando. Odeiam Trump, mas como todos os jovens de boa cabeça, não querem mais a nova velha esquerda corrupta comandando máquinas partidárias – em lugar nenhum. Não querem mais que o voto seja obra de chantagem. Ninguém gosta de chantagem. Ninguém mais vota na esquerda, em lugar nenhum, por medo de malucos de direita. As pessoas, às vezes, falam: vai o maluco, outros já passaram por aí e a Casa Branca os domou.

Agora, cá entre nós, que houve uma catarse geral nossa ao ver os professores midiáticos errarem por não saberem ler pesquisas, isso houve. Magnoli e outros tolos foram a piada que satisfez todo mundo. Não é verdade?

Paulo Ghiraldelli, 59, filósofo. São Paulo, 09/11/2016 –

22 Responses “Oh! Trump vai invadir a Rússia, escalpelar latinos e f* todas as menininhas virgens negras”

  1. 23/11/2016 at 14:22

    A vitória de Trump teve pelo menos um fator positivo: a alternância do poder. Aqui, o recall da Dilma também trouxe esse alivio de retirar do poder um partido que já estava muito obeso. O segredo da democracia moderna está no interstício.

  2. Mauro
    12/11/2016 at 18:02

    Exagerei: não é que ambos tenham sido, exclusivamente, eleito por um ou outro fator, mencionados anteriormente, o religioso, no caso de Bush, em 2000 e o sócio-econômico, em 2016. Mas, tanto um como o outro contribuiram para vitória das respectivas candidaturas,cada uma a seu turno.

  3. 11/11/2016 at 12:46

    Enquanto George W. Bush foi, de certa forma, eleito pelo “Cinturão da Bíblia”, Donald Trump foi eleito pelo chamado “Cinturão da Ferrugem”(“Rust Belt”).

  4. Rebeca
    11/11/2016 at 06:38

    Professor, eu não gosto de pessoa estilo Trump, e tipo Hillary idem. Não estou lá nos EUA pra saber das necessidades dos seus habitantes também.
    Mas tenho me incomodado com meus amigos da esquerda e de movimentos sociais falando que o Trump revela e representa um discurso de ódio vencedor. Eu me questiono, será mesmo?
    Os EUA tem sei lá… uns 300 milhões de habitantes segundo o Google? Trump teve quase uns 60 milhões de voto, Hillary também. Isto é, cada um teve uns 20%? E os outros 60% ? O sistema eleitoral dos EUA tem uma questão de pontos, não é?
    Então eu seguindo esse raciocínio considero meio problemático dizer que a eleição do Trump representa uma maioria amiga do ódio.
    Lógico, tem questões a mais como a questão de votos na região industrial, esse ponto do Trump ser um outsider, etc
    Minha lógica está errada? Essa de pensar que o Trump se elegeu por fatores que vão além do discurso de ódio, ou estou sendo ingênua? Acredito que nós do povo temos muitas necessidades além de questões de minorias por exemplo (e eu não votaria em Trump) mas resumir a questão como estão fazendo eu acho muito estranho! E mais, essa análise da galera alimenta tipos como o Bolsonaro.

    • 11/11/2016 at 08:35

      Rebeca, exato. Por mais que a retórica de campanha seja viciada, as questões de perto são outras. Trump é o voto contra o Stablishment, voto que vinha apontado cabeça faz tempo. Sanders pegaria Trump na curva, por também representar o outsider, mas os Clinton deram um jeitinho nele.

    • LMC
      11/11/2016 at 14:31

      Rebeca,os ricos ressentidos-e os pobres
      que imitam eles-nos EUA fizeram o que
      seus irmãos ingleses naquele
      referendo sobre a saída britânica
      da União Européia.Por outro lado,
      é preciso lembrar que Trump perdeu
      no voto direto pra Hillary.Só venceu
      por causa dessa jabuticaba
      americana chamada Colégio Eleitoral.

  5. 10/11/2016 at 21:37

    Arnaldo Jabor está “cuspindo marimbondos”, afirmando que foi “a vitória da boçalidade” nos EUA, referindo-se ao conjunto dos eleitores que votou no “protofascista”…

    • 11/11/2016 at 01:32

      Mas Jabor é a cara do Trump!

    • LMC
      11/11/2016 at 14:33

      Trump fala tanta merda que deixam
      o Lula e o Bolsonaro com inveja dele.

  6. Fernando
    10/11/2016 at 19:53

    Apesar de o Obama ser centrista, da ala New Democrats, durante o governo dele as bases foram mais e mais pra esquerda, exatamente por conta dos seus sucessos. Infelizmente o partido democrata teve vergonha de parecer ser de esquerda e achou que o eleitorado ia se contentar com mais um Clinton. Ora, Clinton fazia sentido nos anos 90, mas jamais faria sentido nos EUA pós Obama. O partido republicano e as instituições americanas devem controlar Trump, mas é muito triste voltarmos aos tempos de Bush.

    • 11/11/2016 at 01:34

      Obama não “centrista”, Obama é um estadista próprio para a América de seu tempo. Salvou a economia americana e conseguiu ser querido inclusive por gente que tinha reservas com os negros no poder. Foi o melhor presidente dos Estados Unidos de todos os tempos, se fizermos a comparação com outros, mas levando em consideração a crise que ele pegou. Obama é o primeiro herói do século XXI.

  7. Orquidéia
    09/11/2016 at 23:04
  8. Leonardo
    09/11/2016 at 22:37

    Hillary faria a mesma coisa que Obama quanto as políticas internacionais: se enxeretar onde não de deve financiado guerras. Como bem colocou , a “exportação da democracia”.

    Apesar de imprevisível ,Trump tem eloquencia, o que é essencial para um político. Veremos como irá se sair como presidente.

    • 10/11/2016 at 12:46

      Hilary e Obama pensam diferente, e bem, sobre guerras. Quem os iguala não sabe o que fala.

  9. Fabiano
    09/11/2016 at 22:26

    A jornalista Joice hasselman por pouco não teve um orgasmo ao anunciar em um video no youtube a vitória do Trump, o que ta me parecendo e que todos os conservadores estão na expectativa de ver o Bolsonaro ganhar força e repetir o resultado dos EUA aqui em 2018, o que acha professor?

    • 10/11/2016 at 12:47

      Fabiano, nada a ver. Trump passou pelo ensino regular e não faz sexo com o Frota.

  10. Guilherme Pícolo
    09/11/2016 at 13:36

    O Brasil não conseguiu estabelecer uma proximidade pujante com os EUA nos últimos 20 anos e hoje é um país fora do radar deles, pouco relevante seja na área política, seja na econômica. Será que algo muda agora nesta relação, no sentido de desenvolver-se uma parceria mais efetiva ao menos no setor comercial?

  11. LMC
    09/11/2016 at 11:09

    PG,tem gente de esquerda(?)no
    Brasil comemorando a vitória de
    Trump,porque “a Globo apoiou
    Hillary”.Acredite se quiser!

    • 09/11/2016 at 12:00

      Como não? Obama e Sanders são o quê?

    • LMC
      09/11/2016 at 12:12

      É aquilo que você escreveu na
      direita do teu site sobre o
      típico militante,PG.Nosso
      gênio da raça Bolsonazi
      cumprimentou Trump em
      seu Twitter pela eleição
      do Pondé americano.kkkkk

  12. Pedro Possebon
    09/11/2016 at 10:21

    P.S. Hillary, não, ninguém aqui é trouxa.

    • LMC
      11/11/2016 at 14:36

      Quem sabe o Pondé não seja
      Ministro da Educação do
      Trump,hein?kkkkkkkkkkkk

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

About Paulo Ghiraldelli

Filósofo