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15/12/2017

O que eu aprendi no Impeachment?


Quando o movimento pelo “Fora Collor” começou, não tínhamos sindicados nas ruas e muito menos os chamados “trabalhadores”.

A coisa toda apareceu em colégios da dita e cantada “classe média”. Não tinha conotações econômicas, embora a questão da “tomada da poupança” estivesse ainda no ar, fomentando a mágoa dos próprios eleitores de Collor. O movimento tinha clara conotação, ao menos no início, um tanto que udenista, ou seja, contra a corrupção – um movimento com tino moralista. Não à toa, as grandes figuras da oposição, na época, eram os que apareciam como paladinos da honestidade: Covas, Suplicy e Lula. O próprio PT era visto por muitos do PMDB e por Brizola como udenista. Só depois, quando o barco começou a correr, é que veio a avalanche anti-Collor, mobilizando todo mundo, ou quase, e então as coisas se somaram e a questão moral se mesclou com questões outras.

Olhando por essa via, as coisas com Dilma não se passaram de modo diferente. Desde o início, o anti-petismo apareceu por conta da corrupção do PT. Ninguém fez nada contra o PT senão o próprio PT. Tanto é que nos primeiros momentos a oposição das ruas, mais ou menos apartidária, despontou como sendo uma raiva contra a corrupção, tipicamente de classe média. Também um udenismo, mas sem qualquer possibilidade de catalização pela esquerda, já que o PT havia tragado quase toda a esquerda para a corrupção, e a parte que não foi acabou se imantando a ele por inúmeros mecanismos, inclusive psicológicos ou simplesmente de medo de isolamento. E nisso o PSOL e Ciro Gomes perderam suas chances, se é que, com suas doutrinas socialistas meio carcomidas, teriam alguma.

Com qual movimento aprendi mais? Foram aprendizados diferentes. Mas, com o segundo movimento, o “Fora Dilma”, aprendi algo muito fecundo: as pessoas individuais, não filiadas a partidos e nada ricas podem fazer a diferença. Pode-se fazer a diferença com um diploma de uma boa escola na mão. Pode-se enfrentar o poder político por meio da escolarização bem sucedida, pela competência. Isso ficou claro para mim com a atuação, em todo o percurso do Impeachment, da minha amiga e colega (como professora universitária) Janaína Paschoal. O dia em que ela disse na frente da senadora Gleisi o “não me calo”, e mostrou que, como mulher ali, mera pessoa, não iria abaixar a cabeça diante dos que, uma vez no poder, querem oprimir os que estão fora do poder, aí eu realmente vi o quanto vale estudar.

Janaína vinha participando do movimento contra a corrupção nas ruas. O pedido de Impeachment veio de sua própria cabeça, após um reunião com a família, que sabia o que poderia vir pela frente e, após ponderação conjunta, a apoiou. Teve a sagacidade de entrar com o pedido de Impeachment na hora certa, apostando no racha entre PT e PMDB dentro do governo, o que logo se verificou e fez, então, o processo andar como andou.  Enfrentou a raiva dos colegas e inclusive de ex-professores. Preparou-se como nunca e foi aos poucos tomando a liderança do processo, tendo como corrimão de apoio Miguel Reale e Helio Bicudo – juristas de primeira linha. Torrou boa parte de seu salário nisso. Mas, enfim, venceu, e me deixou ver algo no qual eu acreditava, mas ainda não tinha tanta fé: a competência ajuda mesmo a cidadania no que esta pode ter de radical. Que nós professores e filósofos possamos aprender de fato isso, no qual dizemos acreditar.

Ninguém enfrenta Janaína, mesmo cansada, num debate jurídico-político. E isso por algo que é a sua competência de se colocar numa causa moralmente correta, e com os instrumentos corretos. Meu amigo e petista histórico, hoje falecido, Alberto Tosi, disse em livro que tinha orgulho de ter participado das Diretas Já, e de ter tido a sorte de ver Lula se eleger! Eu tenho a sorte de poder ter visto mais que o Impeachment de Collor, Pude presenciar o papel de uma simples professora uspiana, uma mulher com quarenta anos somente (uma moça!), enfrentar uma presidente da República munida de poder e dinheiro, e derrubá-la. Deveríamos homenagear nossa democracia por ela poder nos dar isso de presente, sem qualquer uso da força, sem qualquer intervenção das armas. Há sim o que comemorar, mesmo nessa crise econômicas desgraçada.

Paulo Ghiraldelli, 59, filósofo. São Paulo, 28/08/2016.

PS: sei que um petista não presta principalmente por conta dele dizer o que Janaína mesmo disse, que recebeu 45 mil reais para o processo do Impeachment. Figuem atentos: 45 mil FORAM PAGOS MUITO ANTES do processo, por um parecer de Janaína sobre o assunto. Ninguém queria que ela entrasse com pedido. Ela entrou sozinha, sem qualquer financiamento. SEM QUALQUER FINANCIAMENTO. Janaína colocou dinheiro do bolso nisso tudo. E isso porque disse para todos que não era tucana, que a oposição tucana era fraca. Mas, enfim, acusações de gente do PT, atualmente, temos de desconsiderar. Mensalão, Petrolão, obstrução da justiça por Lula e Dilma etc jogaram o partido no lixo. Os petistas destruíram o que construíram.

Janaina

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22 Responses “O que eu aprendi no Impeachment?”

  1. Juquinha
    31/08/2016 at 22:26

    Quem é essa senhora nesse episódio todo? Ninguém. É apenas uma mulher querendo seus 15 minutos e teve.
    A maçonaria sim, iniciou e terminou o processo todo. Os tubarões.

  2. Eradio
    30/08/2016 at 16:35

    “Desde o início, o anti-petismo apareceu por conta da corrupção do PT.” Errado. O anti-petismo existia bem antes em uma mentalidade bem caricata sobre o partido e Lula.
    E outra: Janaína não enfrentou sozinha, teve a sorte de contar com um legislativo descontente. O impeachment, no final das contas, é um processo mais político do que jurídico.

  3. Tony Bocão
    30/08/2016 at 09:15

    A única coisa lamentável, nesse processo é não aceitarem incluir, o delito indicado pela ? Reale/Janaína/Bicudo do conhecimento sobre o Propinaduto, os congressistas, acredito, pensaram que seria um arrasador tiro no pé, ao invés, foram para essa história de pedalada dando argumento confortável para Dilma se defender, discussões kafkianas, com divergências técnicas que desviam a atenção do público e fragilizam a própria legitimidade do processo. Afinal, acusação e defesa não querem tocar no tema que compromete a todos, e por isso é mais confortável discutirem coisas como operação de crédito, contingenciamento e programação orçamentária, temas que ninguém parece entender muito bem.

    • 30/08/2016 at 09:23

      Tony, mas isso vai andar ainda, por outras vias.

  4. bardo toad all
    29/08/2016 at 14:10

    em suma, o dominio do fato, a inexistência de crime, a completa falta de elementos de evidencia deixam de existir, deixando no lugar a manipulação da informação pela Mídia, a descarada conspiração no Congresso, os procedimentos inquisitoriais conduzidos pelo dr Moro Torquemada, o brasileiro inocente util sendo midiotizado para contribuir para esse processo vergonhoso e os lideres dos paneleiros igualmente envolvidos em corrupção/sonegação, é algo que o senhor aplaude, concorda e apoia? e ainda tem gente que paga para ter aula com o senhor…

    • 29/08/2016 at 17:32

      Bardo já percebeu seu problema comigo não é teórico? Percebe como está preocupado com o fato de eu ser professor? Gostaria de poder ter nossa tarefa de educação, mas não tem, não conseguiu passar pela escola.

    • bardo toad all
      29/08/2016 at 19:02

      não seja tão convencido. meu problema com o senhor [tirando a alienação] é seu academicismo e falta de fazer a filosofia que alega dar aulas. o senhor engoliu a estorinha da Janaina com isca e chumbada. dica de quem passou da escola e tem diploma como o senhor, embora não o reconheça: Janaína não precisa pagar custas judiciais em um processo de representação contra a presidente. mas como não houve crime, nem há evidências, ela corre o risco de ter a reversão processual.

    • 29/08/2016 at 21:57

      Bardo! Não dá! Seu lado sofredor e seus gemidos não fazem sentido mais.

  5. Hugo Lopes de Oliveira
    29/08/2016 at 07:23

    Janaína mostrou como amadurecemos enquanto nação democrática. Uma cidadã, como qualquer outra, conseguiu fazer uma presidente culpada ser punida. Obrigado Janaína. Ficamos devendo essa a você.

  6. Guilherme Picolo
    29/08/2016 at 03:33

    Sim, a piada foi no sentido de gozar os políticos atuais e o seu jeito sempre igual de fazer política, especialmente os de SP. Nada que se compare ao Paes, que manda a cidadã trepar após ganhar um apto no programa habitacional da prefeitura (há quem diga que o sujeito é só bem humorado e tudo bem).

  7. Fabio Ferreira
    29/08/2016 at 01:12

    Sem contar que ela teve cargos comissionados nos governos do FHC e do ALCKMIN. Patético sua defesa apaixonada! Ela ta comprometida e distorce todos os fundamentos juridicos para jogar pra plateia. Nao tem o.minimo respeito na Academia de Direito. Talvez vc esteja recebendo algum por fora tambem. Uns canalhas, outros patetas.

    • 29/08/2016 at 08:04

      Fábio eu sei que está difícil para você, mas veja, este meu blog é para inteligentes e honestos. Não cabe você.

  8. Luciano
    28/08/2016 at 23:24

    Paulo, sua amiga ontem quis saber a opinião de uma testemunha de defesa a respeito da Venezuela e do mensalão. Assuntos nada a ver com o julgamento. Acho que faltou assunto.

    • 29/08/2016 at 08:05

      Luciano, ela explicou a razão, mas claro, você não pode entender, tem DCS, Deficiência Cognitiva Seletiva.

  9. José do Carmo
    28/08/2016 at 21:53

    Eu só sei que o Brasil não estava bem com o PT. Eu votei no Lula e esperava um governo de esquerda, mas o que vi foram os ricos cada vez mais ricos. A presidenta Dilma tentou implementar timidamente algumas reformas populares como o programa Mais médicos e foi severamente acuada. A classe média bateu panela, logo ela que nunca foi tão rica e nunca cresceu tanto como nos governos petistas.

    • 29/08/2016 at 08:06

      José do Carmo o que é classe média. Cuidado, você pode estar nela e não saber segundo o critério petista de renda. Agora, se for por doutrina, a classe média é udenista, e vai sempre bater panela contra a corrupção. E desta vez, como no Collor, está certa.

  10. Guilherme Picolo
    28/08/2016 at 17:11

    Se tivesse que explicar a democracia praticada no Brasil para um grego antigo, o que diria? É um período de 4 em 4 anos em que os ricos saem de suas mansões para abraçar bebês e comer pastel na periferia!?

    • 28/08/2016 at 18:32

      Seria uma maneira torpe, tola e até mesmo ridícula de ver a democracia, se eu abraçasse esta. Seria como que não entender nada de nada. Não faria isso.

    • LMC
      29/08/2016 at 12:03

      Picolino,teu candidato se a
      eleição fosse hoje,não iria
      ao segundo turno na eleição
      a Prefeito de SP.O Lulla
      tem dois apês e um
      sítio,seu animal!

    • LMC
      29/08/2016 at 14:12

      E se o impeachment acontecer,o que
      os lambe-botas da dupla Lula-Dilma
      vão dizer?Eu só quero ver!

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