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24/06/2017

O que é “mudança de paradigma”? O não-pensamento em tempos de fim do PT


Nos anos oitenta não se ouvia falar em outra coisa que não fosse “mudança de paradigma”. E isso continuou nos anos noventa. A ideia veio da filosofia e história da ciência de Thomas Khun e logo foi para o meio jornalístico, onde se casou com outro termo derivado do discurso sobre artes e filosofia: “pós-modernidade”. 

No imbróglio jornalístico, voltou para o meio acadêmico e passou a significar algo como “mudança de modelo teórico e político em acordo com fim das grandes concepções da história”. Quando então ocorreu o desmantelamento da URSS e o fim do comunismo, de fato se imaginava que o mundo todo iria de modo mais profundamente alterar suas concepções e fazer acontecer em um plano mais prático, num prazo de alguns anos, essas mudanças sintetizadas nessas duas expressões. Em muitos lugares isso ocorreu. Aqui parecia que iria ocorrer. Quase aconteceu, mas a universidade brasileira, justamente nesse período, decaiu o seu ensino devido a queda generalizada do ensino público básico do país – principalmente por conta do descuido com os salários dos professores -, e os pensadores brasileiros, os professores universitários, não conseguiram acertar o passo com a nova literatura em filosofia e ciências humanas. Acoplado à vitória do PT em 2005, esse atavismo se aprofundou.

Em alguns setores, inclusive, se voltou ao discurso de caráter bolchevique, cheio de jargões de DCEs dos anos 60 e 70. Até Chomsky, um carcomido e piada nacional na América, passou a importar para as esquerdas brasileiras. Em meio às mudanças de pensamento do mundo todo, aqui as esquerdas começaram a olhar para os lugares politicamente mais atrasados do mundo, bem mais atrasados que o próprio PT: Bolívia e Venezuela. Não que existisse alguma coisa real e concreta chamada “revolução bolivariana”, como aqui a extrema direita inculta e débil mental insistiu em denunciar. Chávez nunca deixou de ser um fanfarrão. Mas, o fato é que isso nos levou até o que estamos vivendo hoje. Há ainda pessoas nas manifestações da rua, ainda que em grupos pequenos, falando contra “o golpe”, que nada é senão um Impeachment, e defendendo um governo de alto a baixo montado pelo banditismo, incompetência, estelionato eleitoral, populismo do gângster Lula e coisas do tipo. Muitos professores universitários envolvidos nisso chegam ao máximo da paranoia emburrecedora: invocam a participação da CIA na retirada de Dilma, como se não fosse o PT que tivesse levado o PMDB e o PP para o governo. Isso sem contar no slogan dessa gente: o governo do PT seria aquele que mais fez pelos banqueiros e é um governo interessado em “causas sociais”.  Incluiu milhares na classe média. Sujeito fala isso no Largo da Batata, em São Paulo, num discurso ao lado do morador de rua que está fuçando num latão de lixo!

Os professores deixaram de ler, deixaram de consumir a filosofia que se fez nesses últimos quarenta anos, largaram mão de pensar o Brasil a partir de novos paradigmas e a partir do choque pós-moderno, e então, diante de um país em que a esquerda voltou a velhos hábitos e adquiriu um novo, que é a formação de quadrilha, não tiveram instrumentos teóricos para se livrarem dessa política petista. O resultado é que, agora, sucumbem junto com Dilma, Lula e o PT. Levam também junto o PT 2.0. E olha que alguns desse professores deveriam, mesmo, é rezar para que não acompanharem Lula na cadeia, se Moro tiver apoio popular para poder ir adiante com a Lava Jato.

As pessoas que são pagas para pensar e não pensam são as que mais sofrem. Os professores universitários lulistas só não se decepcionarão de todo porque, a essa altura, pelo que os ouço falar, acho que já não entendem mais nada do que ocorre. Estão como dinossauros com Alzheimer. Gemem por cantinhos “não vai ter golpe”, e babam.

Paulo Ghiraldelli., 58, filósofo.

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5 Responses “O que é “mudança de paradigma”? O não-pensamento em tempos de fim do PT”

  1. gilmar Joner
    15/04/2016 at 18:36

    De certa forma custou deixar, custou parar de sofrer com a decepção do PT. Isso por que na santa inocência de alguém que ajudou a fundar um partido nos idos de 1990, no interior do RS, era inadmissível, inimaginável o PT de hoje. Como escreveste o PT não precisa de impeachment ou golpe, como queiram chamar, para se ver diante de um caos proposital.
    Mas não podemos negar a força, o feitiço que causam os discursos dos (ex)poentes carismáticos “esquerdistas” causam no imaginário de quem ainda não conseguiu se livrar do doce canto e encanto das novas velhas virgens desse partido que conseguiu que ousássemos sonhar com algo diferente.
    É difícil reconhecer do que estava posto para ser, na verdade não foi e nem será.
    Nem todos conseguiram se manter fiel a um linha de pensamento imparcial, e acompanhar as coisas com os pés no chão. “Eu no caso, sucumbi ao canto doce dessa sereia estrelada” (risos e choros kkk…snif)

    • 15/04/2016 at 19:48

      Gilmar, não são os de esquerda que são carismáticos ou populistas, Jânio era um populista de direita. Renunciou e voltou! Eu nunca me decepcionei com o PT. Nunca achei que era boa coisa.

  2. Orquideia
    15/04/2016 at 07:38

    O sr.acha que as “gerações futuras”, influenciadas por esses intelectuais “apaixonados” pelo Lula e pelo PT,vão ter salvação?

  3. Log
    14/04/2016 at 11:34

    É uma falta de conhecimento histórico tremendo esse texto.

    • 14/04/2016 at 12:39

      Log, infelizmente você não colocou seu nome, mas, se não tivesse vergonha disso, saberíamos quem é você e correríamos comprar seus livros, para aprender.

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