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27/03/2017

O imperialismo e o banditismo de Lula


A notícia da Folha de hoje (03/12/2016) não é novidade se pensarmos em termos genéricos, mas é algo sobre o qual vale a pena refletir ao ser tomada no particular. Trata-se da ajuda financeira generosa e completamente ilícita a uma primeira dama de El Salvador, brasileira e velha militante do PT, para uma campanha política naquele país. Dinheiro de corrupção do PT com a Petrobrás  e a Odebrecht, para financiar mais corrupção ainda, no país da América Central. A base de justificativa para a bandidagem: os ideais de esquerda não podem ficar em um só país, é necessário uma rede latino americana para enfrentar o “poderio americano”.

Cuba quis ser a chefe de tal projeto, quando da invasão da África, nas guerras de libertação que consumiram aquele continente, especialmente em Angola e Moçambique. Tratava-se da doutrina do “terceiromundismo”, uma imitação pobre do imperialismo soviético, que falava nos interesses da “mãe socialista”, a URSS. O capitalismo é imperialista, então, que se responda a ele com o imperialismo, e que este leve o nome de “libertação”. Até teologia ganhou o qualificativo “de libertação” nessa época, nos anos setenta para oitenta. Lula deu sequência a esse tipo de coisa, mas sem o drama da armas. Ele trouxe tal projeto, ou o resto dele, para o campo da negociata. Inaugurou o imperialismo de corrupção ou corrupção da libertação. Nada além de um resto de “terceiromundismo” tão nojento quanto ao das doutrinas das Farc, já envolvidas com cocaína, sem qualquer ideal nobre para acobertar a matança que vem quando alguém inventa de inaugurar o tal “homem novo”.

Talvez o fim do PT no Brasil seja mesmo a queda do último tijolo do Muro de Berlim. O fim da corrupção generalizada gerada pela construção do “homem novo”. A pobreza de El Salvador corrompida pelo dinheiro da Odebrecht, agente corruptor da Petrobrás, e tudo chefiado por Lula. Eis aí alguma coisa que vale a pena ser analisada. Trata-se da deterioração moral completa da esquerda brasileira que abandonou a luta contra o populismo para então reproduzi-lo em escala latino americana. A nova ideia socialista, que de início parecia ser sofisticada tal qual o “eurocomunismo”, nunca foi outra coisa a obediência a este imperativo: “vamos ser democráticos sem acreditar na democracia, e então vamos fraudá-la, já que não podemos mais tomá-la pelas armas”. O discurso democrático do PT, que agora se esvai de vez na sua aceitação de Fidel como timoneiro e herói, nunca foi outra coisa senão uma nova casca para a democratização da propina. “Propineiros do mundo, uni-vos”. Esse foi o lema levado adiante por Lula, na sua pseudo independência em relação ao triunvirato de paspalhos, Castro-Chavez-Evo. Enquanto aqueles afrontavam o “imperialismo americano”, aqui se dava algo semelhante, mas num clima social democrata, aparentemente mais civilizado, seguindo no entanto ideais bem mais práticos, os de enriquecimento ilícito de empresários e políticos, patrocinados pelo Partido dos Trabalhadores. Partido dos obreros! Que nome heim?!

O mais significativo nessas relações entre o PT, dono das estatais-galinhas-de-ovos-de-ouro, e outros palácios latino americanos, é que o tipo de corrupção gerada por Lula e seus amigos realmente conquistou a todos. Dinheiro fácil. Lula então começou a prometer mundos e fundos. E ele mesmo, Lula, se espantou com o êxito da coisa, e aderiu de modo a não poder mais saltar fora. E isso explica muito a incapacidade desse grupo, o do PT, em se relacionar com a esquerda americana, seja a liberal ou a marxista. A distância não era a língua ou o papel histórico da política externa americana, mas simplesmente o modo de agir diferenciado. A esquerda americana tem um pé atrás com a corrupção para tomada o poder – ela vê nisso exatamente o que combate em primeiro lugar, como crítica das ações da CIA na América Latina e no mundo. Ora, a crítica a tal coisa, na esquerda latino americana, virou há tempos apenas retórica de ocasião. Pois a prática da tomada de poder por meio de corrupção se generalizou na América Latina nesses últimos anos, da Argentina à Venezuela passando pelo Brasil, e isso de um modo a deixar os burocratas da CIA se sentido meninas normalistas em primeiro dia de prostituição. O Brasil, país mais rico que todos do grupo da sacanagem com nome de socialismo, e dono da Petrobrás, uma das maiores empresas do mundo, tinha tudo para ser o centro do aparato desse projeto. Lula o capitaneou durante todos esses anos, ainda que a ideia de tal projeto nunca tenha sido dele, e sim de Zé Dirceu, Palocci e outros petistas, mais capazes mentalmente.

Esse tipo de imperialismo que agora se destrói é um cancro como qualquer outro imperialismo. Ir por essa via na investigação sobre Lula e sua quadrilha-PT deverá render achados ainda mais assustadores. Aguardem.

Paulo Ghiraldelli, 59, filósofo. São Paulo, 03/12/2016

Foto: Lula e Vanda Pignato, ex-primeira dama de El Salvador, brasileira e militante do PT.

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4 Responses “O imperialismo e o banditismo de Lula”

  1. Gustavo
    04/12/2016 at 15:20

    Os alvos são os presidentes das casas do congresso e a beatificação do novo Messias, o Moro.

  2. Gustavo
    04/12/2016 at 15:16

    Sobre um post seu no face, os manifestantes de hoje não estão na rua para gritar ‘fora temer’. Muito pelo contrário, a orientação da milícia dos coronéis mbl é de não direcionar protestos ao ficha-suja e quem estiver afim de fazê-lo não precisa sair de casa. Recado de um líder da milícia. Nessa guerrinha ideológica é cada um com seus bandidos favoritos! Sacou?

    • 04/12/2016 at 18:34

      Gustavo “sacar” é um verbo seu, não meu. Agora sobre o resto, a política é isso, guerrinhas que às vezes ajudam grandes ações.

  3. Thiago
    03/12/2016 at 16:08

    Perfeito.

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About Paulo Ghiraldelli

Filósofo