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22/10/2017

Levando Bolsonaro a sério


NÃO CONCORDO com o que Bolsonaro diz e faz. Mas concordo menos ainda com quem acha que ele não pode falar o que fala.

A visão de Bolsonaro é uma visão de situações particulares, que não resolve nada. Ele tem uma dificuldade de pensar por conceitos. Ele não entende o que são Direitos Humanos (Direitos Humanos são sempre contra o Estado, por definição), ele não sabe o que é que gera violência, ele tem uma visão estreita do que é um policial bem treinado, ele não tem a menor ideia do que é uma sociedade pautada em boa educação (ele gosta de censurar a educação) etc. Mas ele tem o direito de ser deputado, representar pessoas que pensam como ele, e emitir opiniões.

Claro que não concordo com essa ideia de que ele pode se esconder por detrás da capa de deputado. Aliás, já cansei dessa tal imunidade parlamentar. Isso realmente já deu. Deputado, qualquer um, tem de ser igual a qualquer cidadão. Bolsonaro, quando faz isso, quando se esconde nesse biombo, mostra que não é tão macho quanto diz. Mas, enfim, isso é mais um problema dele. O meu problema é outro: quero viver numa sociedade onde ele ou qualquer outra pessoa possa sair na rua e não ser molestado por “fascio” algum.

O molestamento de indivíduos por grupos em lugares públicos é inadmissível no estado de direito democrático. Essa coisa de gente sair em grupo para ameaçar qualquer um é coisa de neofascismo. A direita e principalmente a esquerda precisam parar com isso. Digo a esquerda porque é na esquerda que estamos vendo mais a atitude dos “fascio”. Chega, já deu. Quem tem divergência, que se expresse nos meios de comunicação, a intimidação física por grupos na rua, na universidade, em restaurantes e aeroportos não pode continuar. E isso não pode ser resolvido por guerra de gangs (é preciso avisar o oportunista do Frota sobre isso, que sem autorização de Janaína Paschoal quer montar grupo de lutadores para “escoltá-la”), mas pelas regras do estado de Direito, pelo aparecimento da polícia para dizer aos grupelhos: “não pode, parem”.

O fascismo não se caracteriza senão pela intimidação de “fascios” contra indivíduos isolados. O fascismo não somente vem pelo ato de emitir opiniões de direita ou pelo voto em candidatos de direita ou por opiniões xenófobas  e racistas etc. Sua característica principal é “fascio”, a formação de fracos agrupados e enrolados, apertados, para juntos formarem um feixe que pode agredir. Por isso, quando a esquerda age com grupelhos na intimidação a professores, deputados, pessoas isoladas, ela se comporta como o “fascio”.

Paulo Ghiraldelli, 58, filósofo.

Foto: sede do Partido Fascista Italiano. Fascio, procure saber do que se trata aqui!

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8 Responses “Levando Bolsonaro a sério”

  1. Alexandre
    15/07/2016 at 14:14

    Atualmente tem um maluco chamado Nando Moura no Youtube, defendendo ideias típicas do Bolsonaro e fazendo um certo sucesso.Os seguidores deles aparentam sentir um certa dose de tesão por ele, acho que são todos gays que não se aceitam. Ele chegou a gravar um vídeo te criticando,não sei se você já viu.

    A criatura chegou a entrevistar o Bolsonaro, veja caso tenha estômago para essas baboseiras: https://www.youtube.com/watch?v=OQWRWVGv5hY

    Vídeo dele te criticando: https://www.youtube.com/watch?v=VpLpNbQqnqA

    • 15/07/2016 at 18:34

      Essas figurinhas de Internet arrebanham desescolarizados. Não há muita importância nisso.

  2. Gabi Bianchini
    10/07/2016 at 15:35

    A liberdade é um direito, claro, mas existem outros direitos, que são diretamente ameaçado pela noção de libertade ilimitada, existem os crimes, o direito de “liberdade” não é ilimitado e nem deve ser, nenhum direito é ilimitado, ninguém é “livre” para cometer crimes, se o seu “direito” pressupõe uma ameaça direita ao direito de outrem, é um sinal vermelho Sugerir que ele tem o direito de dize lás todas as coisas que diz, seria ignorar que os discursos influenciam diretamente no mecanismo de manutenção das violências estruturais que se abatem sobre as mulheres e minorias, os discursos as palavras autorizam e desautorizam atos, inclusive pela linguagem. A fala desse sujeito é voltada para os afetos mais enraizados da sociedade, Ele provoca afetos de uma tradição de violência, que muitas vezes não precisam que mais de uma voz as autorize. Uma vez que o uso exacerbado e anti ético de um direito viola o direito alheio de segurança, não é um direito, é um crime. O debate é complexo, mas já ficou obvio, inclusive para a justiça do STF que esse sujeito faz um uso criminoso, do que se entende por liberdade.

    • 10/07/2016 at 18:13

      Gabi seu texto parece com o dele.

    • Gabi Bianchini
      11/07/2016 at 20:02

      Bom, me rotular é fácil, demonstrar onde estou errada, e onde o STF esta errado é mais complexo. Aliás vc mesmo já fez um vídeo falando sobre como a linguagem e os discursos, provocam afetos, autorizando e desautorizando violências. é ingênuo pensar que o direito a liberdade linguística não tem limites. Do que adianta não matar, se seus discursos alimentam e autorizam uma estrutura que mata. A realidade dos fatos do dia a dia demonstra isso.

    • 11/07/2016 at 20:29

      Gabi não rotulei, fiz uma constatação, uma evidência. Dizer que Bolsonaro incita o ódio e querer calá-lo é, dependendo da situação, a mesma coisa que ele faz, um autoritarismo sem fim. É difícil conviver com o diferente. Agora, há a justiça comum para julgar caso a caso e, para tal, preciso relativizar a impunidade parlamentar.

  3. bobby
    04/07/2016 at 10:43

    bolsonaro estuprador bolsonaro presidiário 2018

    • 04/07/2016 at 10:46

      Não precisa tanto, ele próprio se inviabiliza.

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