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19/08/2017

Janaína Paschoal fala do voto de Gilmar Mendes e outras questões atuais


Entrevista rápida com Janaína Paschoal.

Paulo Ghiraldelli (PG). O voto de Gilmar Mendes pela soltura de José Dirceu foi um voto declaradamente não técnico, inclusive citando os procuradores. Você concorda? Se sim, não há nada que a sociedade possa fazer nesse caso?

Janaína Paschoal (JP). Vamos por partes. Eu não diria que o voto foi declaradamente não técnico. O voto foi manifestamente contrário à jurisprudência do próprio Supremo Tribunal Federal e dos demais Tribunais do país. Em todas as Cortes, ao manter prisões preventivas, os magistrados consideram a gravidade dos fatos em concreto, consideram o fato de haver várias condenações e ações em andamento, consideram o fato de o sujeito ter mantido a prática criminosa, enquanto respondiam a uma ação penal. Nos casos dos liberados nos últimos dias, tudo isso foi desconsiderado. Veja que eu não estou apenas comparando com os milhares de presos provisórios, que não chegam ao STF. Estou comparando com a situação daqueles que conseguem levar seus casos ao STF e são mantidos presos. Para quem trabalha com Direito, o quadro que se apresenta é muito triste, sobretudo porque as pessoas agraciadas com as decisões fizeram parte de um grande saque ao país.

PG. Antes mesmo da imprensa falar algo sobre o assunto, senti e escrevi que o voto do triunvirato que soltou Dirceu visava antes conter Palloci na delação premiada que qualquer outra coisa. E deu certo. Você sente mesmo um complô nesse sentido?

JP. Prefiro não utilizar a palavra complô. Mas é impossível negar que há uma pressa em soltar os presos da Lavajato. Na medida em que os figurões de todos os Partidos já apareceram nas delações, é possível pensar que há delações envolvendo pessoas poderosas ainda não expostas. Resta saber quem.

PG. No jogo de braço entre Lava Jato e os políticos, há algo técnico que se possa fazer? Ou ficamos à mercê do simples “povo na rua”?

JP. Não acho que povo na rua resolva o problema agora. Magistrados não dependem de voto. Cabe à Procuradoria Geral da República arguir os impedimentos e suspeições dos Ministros que vêm concedendo liberdade, sem darem maiores explicações.

PG. Há como trabalhar ainda com alguém no Congresso, no Senado, ou o sistema está contaminado a ponto de ficarmos sozinhos, ou seja, a população entregue a si mesma?

JP. Eu acredito que há pessoas bem intencionadas em todos os lugares, não gosto de generalizações, nem para endeusar, nem para demonizar.

PG. Uma pergunta um pouco fora do eixo: a decepção com Temer veio cedo, e não era mesmo para termos confiança; mas e o Dória, já não começa a repetir embates ideológicos desnecessários? Não há uma picuinha ideológica que ele não esquece, contra Lula etc.?

JP. Ainda estou observando o novo Prefeito. Difícil saber até que ponto seu discurso anti-Lula é sentido mesmo, ou se foi adotado pela oportunidade política. Espero que seja um discurso real. Lula, e tudo que ele representa, precisa ser firmemente combatido.

PG. Como você vê as reformas da previdência e trabalhista? Não há uma afronta aos sindicatos que nos leva para um Brasil que perturba demais a justiça do trabalho? Não é algo que pode levar nossa democracia liberal para um campo de fim do início do século XX, na República Velha?

JP. Veja, acho que esse governo, até por todas as denúncias que há contra ministros, têm dificuldades para dialogar com a população, para explicar que é necessário fazer reformas, até para garantir a aposentadoria dos mais necessitados. Hoje, há muito discrepância e regalias. O governo ganharia crédito se começasse cortando os mega-salários, em todos os poderes. Ganharia crédito se as autoridades, que têm duas aposentadorias, para dar o exemplo, já abrissem mão de uma delas. As pessoas estão incrédulas e é compreensível!

03/05/2017

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13 Responses “Janaína Paschoal fala do voto de Gilmar Mendes e outras questões atuais”

  1. Matheus
    18/05/2017 at 12:34

    E agora, teremos impeachment de temer?

    Sei que a Janaína não é a PIGU – pedidora de impeachment geral da união, e não estou insinuando que ela deva fazer isso.

    Mas se puder entrevista-la novamente gostaria de saber o que ela pensa sobre os últimos acontecimentos.

    • 19/05/2017 at 08:25

      Janaína manifestou desde o Impeachment de Dilma que Temer era “experimental”.

    • Gustavo
      26/06/2017 at 19:01

      Experimentar o que? Essa mulher não sabe o que fala. A ultima foi dizer que FHC tem alma petista por ter criticado o Dória e que o ex-presidente quer o amigão Lula de novo na presidência. Soh asneiras. Esperar o que de uma olavete!

    • 26/06/2017 at 19:36

      Gustavo, você é que sabe tudo. Janaína é professora da USP e a mulher que fez o IMpeachment de Dilma. E você, fez algo? Nem nascer de nove meses conseguiu, é notório cara que nasceu de 11 meses.

    • Gustavo
      26/06/2017 at 20:08

      Invasão russa; complô do PT, Janot e Joesley pra derrubar o Temer e FHC petista. Qual será a próxima?

  2. Gustavo
    04/05/2017 at 18:20

    E a invasão russa vai acontecer quando? Pergunta a ela ai, Ghiraldelli.

    • 05/05/2017 at 00:26

      Gustavo, a Janaína responde para alfabetizados. Então, no seu caso, não é possível nenhuma resposta. Expliquei essa geopolítica na época, mas também não era para você. Também explico coisas só para alfabetizados. Perdão.

  3. 04/05/2017 at 12:21

    Dra.Jannaina boa tarde. me responda por favor.
    como pode um politico se aposentar se ele não tem nenhum contrato de trabalho não tem carreira de trabalho assinada por ninguem nenhum contrato temporário de trabalho ele é apena s um prestador se serviço como um biscateiro.

  4. Orquidéia
    04/05/2017 at 08:00
  5. Paul
    04/05/2017 at 06:49

    Sobre o STF o povo não tem como interferir pedindo impeachment? Apesar de estarem correndo listas pedindo impeachment dos 3 juízes que estão soltando os preços da Lava Jato.

  6. Hilquias Honório
    04/05/2017 at 01:15

    A honestidade da Janaína é sempre surpreendente. Foi a mão divina mesmo, além da coragem dela, quem a trouxe abaixo o governo criminoso de Dilma (como bem explicado no texto “Deus não faz impeachment, mas ajuda). Embora eu possa até discordar de uma opinião ou outra, enxergo sempre como ela é inteligente e bem intencionada. Janaína representa a luta que cada cidadão pode travar contra a prepotência dos criminosos. Por um mundo com mais Janaínas, e menos Dirceus e Mendes!

    • Hilquias Honório
      04/05/2017 at 01:17

      Corrigindo: “Deus não faz impeachment, mas ajuda”.*
      Quem trouxe abaixo.*

  7. JOAO ENEAS OLAIA PASCUAL OLAIA
    03/05/2017 at 12:39

    PARA DRA. JANAINA É UM MOTIVO DE ORGULHO PODER TER A OPORTUNIDADE PERGUNTAR, MAIS COM TODA MINHA IGNORÂNCIA, GOSTARIA DE SABER QUEM PODE JULGAR E PUNIR OS MINISTRO DO STF , PRINCIPALMENTE, OS MAUS INTENCIONADOS, LEIA-SE GILMAR MENDES,CELSO MELLO, DIAS TOFOLLI E LEVANDOWISK – DESDE JÁ GRATOS PELA ATENÇÃO – BAITABRAÇÃO !!

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