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23/11/2017

Historiadores! Aécio perdeu o salário


Historiograficamente falando, a perda de salário do senador Aécio Neves nunca alcançará o sucesso do Impeachment de Collor e Dilma. Talvez nem mesmo consiga aparecer mais que o desprestígio de Temer e o folclorismo machóide do restolho dos Galinhas Verdes, o Bolsonaro. Mas, se quisermos escrever a história política do Brasil daqui uns anos, não atentar para essa situação vivida por Aécio é perder o fio da meada.

1985. Findo o ciclo dos presidentes generais iniciado em 1964, saímos para uma democracia que prometia ser diferente daquela iniciada em 1945. Parecia que seria, ainda que velhas figuras estivessem na roda: Tancredo, Sarney e Brizola, para dizer o mínimo. Mas o fator Lula era a mudança. O operariado organizado e o crescimento do PT davam mostras de que os líderes populistas não teriam a mesma sorte que tiveram antes de Castelo Branco declarar que eles e a política que faziam eram o que havia de pior no Brasil. Todavia, muito antes de Lula ser desmascarado com a descoberta do “mensalão”, e agora jogado na lama por seus anos de governo corrupto, alguns já diziam que ele e FHC eram de uma esquerda que iria repetir o passado. De fato. O próprio FHC comprou votos para ter o direito de se reeleger, além disso fez um segundo governo péssimo, estragando a sua biografia. Ele e Lula souberam, cada a um a seu tempo, tornar a esquerda brasileira cada vez mais hipócrita. Esses dois homens fizeram vários intelectuais se tornarem popularmente imbecis.

Mas agora, tudo isso, toda essa fase, se mostra realmente como próxima de seus últimos suspiros. O menino herdeiro do coronelato, Aécio Neves, que foi presidente da Caixa Econômica aos 25 anos, e que nunca trabalhou de fato, tem a sua função de senador suspensa e, pasmem, perde o salário. Agora sim estamos começando a virar a mesa, a encerrar uma época. A maquinaria ideológica que pintou o herdeiro de Tancredo como o queridinho de parcelas enormes da classe média foi arruinada, e significativamente por uma instância que, contra todos os contratempos, tem funcionado: o Ministério Público e a Justiça em geral, em especial a nova onda de procuradores e juízes jovens, concursados, da geração Moro, a mesma geração da advogada e professora da USP Janaína Paschoal. Esses brasileiros, vinte anos mais jovens do que eu, se cansaram mais cedo do que eu desse Brasil democrático. Querem uma democracia sem o ranço daquela que Castelo Branco destruiu. Querem o simples: uma democracia em que possamos sair da ideia de que a própria democracia não funciona sem corrupção.

Muitos não estão se dando conta do ocorrido. Aécio não é um senador qualquer. Foi o presidente do PSDB e o queridinho dos olhos de FHC, portanto, o chefe político de setores que são chamados de “formadores de opinião”. É a demonstração visível, por conta do episódio do helicóptero do Perrela, do quanto nossas oligarquias chafurdam numa lama que continua quase a mesma daquela na qual convivemos entre 1945 e 1964, e que permaneceu nojenta na política de eleições municipais nos anos da Ditadura Militar. Representa a corrupção instaurada no Brasil um século antes de Lula aprender a ser corrupto, um século antes de Bolsonaro pegar 200 mil reais de corrupção e fingir ter devolvido. A degradação da classe operária com Lula é um pedacinho de estrume perto da degradação dessas famílias rurais que sustentaram o varguismo um dia, mas sempre conversando no banheiro com Carlos Lacerda. Um passinho a mais na Justiça brasileira, e daremos um salto histórico. Falta pouco, sabemos. Mas o tamanho desse pouco, em alguns dias, parece infinito.

Paulo Ghiraldelli, 60, filósofo. São Paulo, 15/06/2017

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9 Responses “Historiadores! Aécio perdeu o salário”

  1. 27/06/2017 at 11:38

    Nunca “lambo” as botas de ninguém, meu caro. Muito pelo contrário: a vontade minha éesfregar( literalmente) os meus chinelos, sujos de galinheiro, na sua cara!

    • 27/06/2017 at 12:15

      Dênis, esse é seu problema: mágoa.

    • Fake News
      30/06/2017 at 07:45

      Dênis,vc é uma tranqueira ou um fake?

  2. 25/06/2017 at 20:17

    Ah! Tá bom, filósofo… Aproveito o ensejo, pois serei o próprio tirano corcocoroado e mandálo-ei para a ghilghilhotina. Detesto filósofos. Aliás, odeio filósofos e políticos! Bando de mandriões!

    • 25/06/2017 at 20:49

      Denis você detesta filósofos e vem aqui lamber a bota de um. O que é isso? Homossexualismo enrustido? Falta de pai? Cara, eu acho que você não está bem. Enfie sua cabeça na privada e dê duas vezes descarga. No seu caso, pelo seu modo de agir, isso talvez seja um tratamento.

  3. 25/06/2017 at 15:28

    Anseio, caro professor, por uma monarquia, mas não a monarquia constitucional, parlamentar ou liberal, do tipo inglês, espanhol, sueco, dinarmaquês ou coisa parecida por esse mundo afora. Quero uma monarquia abslota, comoaquelas do século XVIII, do Rei Sol, Luiz XIV: “L’Etat c’est moi. “O Estado sou Eu”!

    • 25/06/2017 at 17:11

      Denis, serei seu monarca e mandarei você para as galés.

  4. josé fernando da silva
    15/06/2017 at 12:16

    De certa maneira não sou capaz de ajuizar se toda essa lama de corrupção começou com a “compra” de nativos com espelhinhos e bijuterias, mas que toda estrutura de vice-reinos e capitanias já se mostra permeada por essa prática sombria, disto não duvido. Anseio, como você, por esse salto histórico, embora tenha alguma dúvida quanto à dimensão desse “passo” que ainda nos falta dar.
    Ah, você está certo: o corte dos salários do playboy senador é estrondoso (quem o ajuizaria sequer como algo um dia possível de ocorrer em cenário político brasileiro?).

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