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23/07/2017

Eleições livres em Cuba na agenda


Tanto falaram por aí “Vai para Cuba” que Obama acabou seguindo a sugestão. E já está comendo pela perna outros, inclusive o Brasil. Os Estados Unidos já fecharam acordos comerciais com a Ilha. Esses acordos, em pouco tempo, serão tão ou mais importantes que o porto que o Brasil, acertadamente, construiu lá. Mas a coisa não para nisso. Os Estados Unidos da Administração Obama querem trabalhar com a Ilha de um modo diferente do que ocorreu com a URSS/Rússia.

Na Rússia o processo de democratização foi autônomo demais. E se os americanos colaboraram, foi para pior, com um choque de capitalismo na linha da onda do hiperliberalismo de então. Agora, ventos social-democratas correm também de novo por aí. Obama acredita que a Ilha possa ir por esse caminho, ou seja, antes próxima do Partido Democrata que do Partido Republicano. Tudo que não se quer é que a Ilha gere situações como a da Ucrânia. O lugar é pequeno, mas divisões e fomento de dissidências aqui e ali não precisam de tamanho para criar um inferno. O diabo não se pauta pela grandeza e, sim, pela matreirice. E um inferno perto de Miami e algo que não pode existir. Cuba já foi esse inferno, e não foi útil.

O certo é que corre tanto na Ilha quanto nos Estados Unidos, em gabinetes (a fonte minha é boa!), uma conversação que até já conta com datas aventadas para surpresas. Há uma quase-agenda secreta entre os irmãos Castro e a alta cúpula do Governo Obama, e em tal plano a realização de eleições livres com pluripartidarismo não é algo inconversável. Está no horizonte sim.

O Papa Francisco continua atuando também por ali. Ele participou da aproximação entre Raúl Castro e Obama, a pedido deste último. Tem dado pitacos na agenda. Também quer, obviamente, eleições livres. Cuba transitaria de uma maneira menos traumática para a democracia liberal mantendo ganhos sociais, ao contrário do que ocorreu na Rússia. Os irmãos Castro apostam alto, acham que venceriam as eleições, e querem a promessa americana de que os Estados Unidos não dariam um trança-pés, ou seja, devem garantir que de última hora não irão dar um dinheirinho para o opositor, como é o boato do que ocorre na Venezuela, embora nisso exista mais mito que verdade. (Os americanos não dão tanto dinheiro a opositores de regimes adversários quanto parece. Aliás, em alguns casos, não dão nada! Rico esperto não dá dinheiro nem para a corrupção necessária do outro, prefere corromper por meio da promessa).

Assim, do mesmo modo que a aproximação entre Raul Castro e Obama pegou o mundo de surpresa, também ocorrerá algo parecido com o anúncio de eleições. Na verdade, as conversas estão até adiantadas, considerando como as coisas eram até pouco tempo. Antes o assunto era tabu. Agora, o assunto é falado abertamente entre os homens chefes da Ilha e Obama e seu vice. O problema todo é como isso iria se fazer. Há exemplos de regimes revolucionários que voltaram para o campo democrático sem golpe ou revolução? Parece que não? Há sim! O regime sandinista na Nicarágua se fez por meio de uma revolução longa, com guerrilha no estilo guevarista. Realmente ganhou o poder, socializou um bocado de coisas e, depois, se democratizou a partir de uma agenda posta pelos próprios sandinistas. Obama conta com estudos sobre tal situação, para poder conversar com os Castros.

Paulo Ghiraldelli 57, filósofo.

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3 Responses “Eleições livres em Cuba na agenda”

  1. Jose filho
    11/04/2015 at 22:20
  2. Cesar Marques - RJ
    09/04/2015 at 13:10

    Cuba: único país latino-americano a atingir objetivos de educação:

    http://www.msn.com/pt-br/noticias/educacao/cuba-%c3%banico-pa%c3%ads-latino-americano-a-atingir-objetivos-de-educa%c3%a7%c3%a3o/ar-AAaDbDt?ocid=iehp

    P.S.: Não sou comunista, nem de esquerda, mas acho que isso ajuda a explicar o porque das esquerdas latino-americanas, terem uma certa deferência em relação a Cuba.

    • 09/04/2015 at 13:23

      Cesar a esquerda gosta de Cuba porque gosta de ditador, de vingador, de gente que voa. É uma esquerda de Terceiro Mundo. Infelizmente não é pelo que Cuba tem de bom.

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