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01/05/2017

Dilma a primeira e última “presidenta”


A ideia de tentar ensinar gramática à jurista Carmem Lúcia é talvez a coisa mais ridícula que já vi. É o suprassumo da ignorância. É tarefa para professor universitário petista, a espécie que ultimamente está se esmerando na tentativa de sair da linhagem humana.

A brincadeira de tratar como ignorante quem fala “presidenta” era uma artimanha política. Era um contra-ataque político. Ou seja, como os petistas ganharam a fama de defenderem em escolas o uso da língua sem o rigor do chamado padrão culto, e como no meio disso insistiram no “presidenta”, num claro sentido de ideologização da gramática como no caso da não defesa do padrão culto, a resposta foi a brincadeira: “presidenta” é mais um caso de ideologização forçada; então, vamos levar na gozação. Mas a brincadeira era sofisticada demais para que petistas entendessem.

E assim foi, desde o início do primeiro mandato de Dilma. Os petistas e algumas feministas que depõe contra o feminismo, insistiram no “presidenta”, e alguns oposicionistas inteligentes mantiveram ao “presidente”, para dizer não que havia erro gramatical, pois desde o início se sabia que não havia, mas para mostrar que a ideologização vinda da semântica petista era um fracasso como toda ideologização forçada. Ou seja, “presidenta” iria cair no ridículo. Deveria cair.

Todavia, aos poucos a brincadeira foi tomando outro rumo, e o ridículo veio com gosto mais amargo que esperávamos. À medida que Dilma foi fazendo a bomba relógio de Lula querer explodir, o ridículo se tornou trágico. Então, “presidenta” deixou de ter a conotação anterior, vinda do debate da ideologização da gramática e do ensino desta, para passar para o campo do xingamento político. Ser adepto do “presidenta” passou a ser adepto da “presidanta”. Dilma é anta. Isso pegou. Pois, de fato,  a anta passou a falar mais coisas significativas na sua competição histórica com o presidente general João Figueiredo. Ela passou a falar de criança anunciada por cachorro e por estocagem de ar. Os discursos foram ficando cada vez mais sem nexo. E já ninguém mais queria ouvir o termo “presidenta”, nem para brincar. Tornou-se algo como que o anúncio da anta, a anta perversa, estúpida, insuportavelmente autoritária e incapaz de ver o caos no qual estava nos metendo. Claro, caos preparado por Lula, mas caos que só ficou bem claro para todos na gestão da “presidenta”, a “presidanta”.

Uma boa parte da população foi às ruas para pedir Impeachment, mesmo sabendo que Temer, o vice escolhido por Lula para poder manter o esquema mensalão-petrolão não fosse desarticulado, seria o sucessor. Os políticos receberam aval dos setores empresariais para derrubar Dilma, e assim fizeram não por golpe, mas pelo mecanismo legítimo do Impeachment, que é assim mesmo, um julgamento político. A “presidenta” caiu. A jurista Carmem Lúcia não quer ser “presidenta”, e disse muito bem que estudou, pois quem estuda e ganha bom senso, não quer ser “presidenta” na direção de “presidanta”. Ninguém quer ser anta. Só a anta mesmo, Dilma, assim quis. E assim foi feito.

Amar a língua portuguesa e rejeitar o “presidenta” é o mínimo que se pode fazer quando o “presidenta”, desde o início, havia sido escolhido por razões de quem sempre quis fazer a língua ser antes de tudo ideológica, não comunicacional.

Paulo Ghiraldelli, 58, filósofo.

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14 Responses “Dilma a primeira e última “presidenta””

  1. Henrique
    29/08/2016 at 19:03

    A presidenta ainda não caiu. Eu acredito ainda que ela vá voltar. Espero que as coisas não cheguem a esse estado, que tenhamos a Dilma de volta, ela tem todas as condições de fazer o país crescer com distribuição de renda, ao contrário da direita que sempre governou como se governa uma fazenda do século XIX.

    • 29/08/2016 at 21:56

      Henrique eu sinceramente acho que gente como você sobre de DCS.

  2. José bastos bosta
    18/08/2016 at 13:15
    • 18/08/2016 at 13:45

      João Bosta, leia dez vezes meu artigo e aprenda que “presidenta” não é uma questão gramatical, nunca foi. Desde o início pertente a uma disputa político-semântica. Seja burro, playboy, mas não grite. Não precisa passar vergonha além desse, de se chamar de bosta.

  3. 17/08/2016 at 23:26

    Dilma Rousseff e João Batista Figueiredo, de triste memória? Mais apropriado seria colocar essa senhora ao lado de Hermes da Fonseca, que governou o Brasil entre 1910 e 1914, para algunshistoriadores, um homem tototalmente despreparado para o exercício do cargo, muito pior que o general-presidente já mencionado.

    • 18/08/2016 at 12:23

      Conrado, eu fui pelas frases, não pelo governo ruim. Eles competem nas frases.

  4. 16/08/2016 at 21:54

    Por favor, Luciano, procure no Yotube, o poema musicado do Poetinha, “O Pato”. Bem que poderia ser, também, “O Melô da Incompetanta”.

  5. 16/08/2016 at 21:41

    Luciano, você ainda tem o displante de defender aquele “pato manco” que foi o (des)governo Dilma Rousseff? “Lá vem o pato, pataticolá, lá vem o pato para ver o que que há”( Vinícius de Moraes).

  6. Luciano
    15/08/2016 at 15:01

    Quanto ao impeachment ta mais para um eleição indireta feita pelo Congresso. Bom para a Fiesp que investiu pesado em publicidade nos jornalões e na TV a favor do impeachment, patrocinou manifestações e ofereceu filé mignon pros coxinhas na paulista. O pagamento com juros e correção ta vindo aí com o desmantelamento da CLT.

    • 15/08/2016 at 16:55

      Luciano, opinião de petista, como a sua, hoje em dia vale menos que nota de cem réis.

    • Luciano
      15/08/2016 at 17:59

      Ok. Suponho que a sua seja mais qualificada, Paulo. Setor empresarial apoiar ruptura de governo eleito não é novidade. Apoiaram o golpe em 64 e o impeachment agora. A Fiesp investiu milhões, agora ta recebendo o pagamento.

    • 15/08/2016 at 20:16

      Luciano só o fato de você lembrar de 64 já faz eu desistir da conversa.

  7. Valmi Pessanha Pacheco
    15/08/2016 at 12:32

    PROF. PAULO
    Agora, em matéria de concordância nominal, a turma aguerrida da mandatária Dilma Vana Roussef, reeleita em 2014, com seu (dela e do PT) companheiro de chapa Michel Temer, tendo à frente a Senadora da República Vanessa Graziotin (PCdoB AM) parece estar cursando ainda o ensino básico, ao defender a “Presidenta inocenta”.
    Pobre idioma que Bilac cunhou (sem trocadilho, por favor) como a “última flor do Lácio, inculta e bela, a um tempo esplendor e sepultura…”

  8. Rafa
    14/08/2016 at 19:22

    Semanticamente presidenta virou presidenta, perfeito.

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About Paulo Ghiraldelli

Filósofo