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19/11/2018

Diga-me em quem vota e lhe direi quem és!


[Artigo indicado para o público em geral]

Há candidatos que dizem deles mesmos, e há candidatos que dizem muito mais de seus eleitores que deles mesmos. Lula e Bolsonaro são do segundo tipo. Eles são aquilo que eu chamo de desnudadores sociais. Ninguém mais do que eles nos ensinam a respeito de gente que, até então, não tínhamos a noção de quem eram.

Basta ficar atento e, diante de pessoas que preferem Lula e Bolsonaro, podemos tirar uma série de informações que, se não fosse uma tal observação, nunca saberíamos. Informações proveitosas!

Ao vermos pessoas aderindo a esses dois candidatos, com estes se revelando como o que são – um chefiando quadrilha e outro pegando animais para fazer sexo (matando-os) -, sabemos que tais pessoas aderentes estão, de fato, se abrindo, se mostrando para nós sem a vergonha costumeira. Querendo ou não, elas estão nos dando um recado: “somos assim, não nos importamos com ética alguma, com moral alguma que professamos. Esta é nossa verdade”. Elas não falariam desse modo, elas não endossariam roubo ou sexo com animais, diretamente. Mas, ao apoiarem Lula e Bolsonaro, elas estão sim dizendo isso, e de maneira intencional, como aquele tipo de palhaço que se cansa da fantasia, que precisa, ao menos um dia, encontrar um forma de nos mostrar o seu verdadeiro rosto. 

Claro que, se as apertarmos um pouco contra a parede, dirão que não concordam com tais coisas “atribuídas” a Lula e Bolsonaro, e que é mentira nossa que Bolsonaro e Lula são quem são. Todavia, isso não dura muito. Uma apertadinha a mais, e explodem.

Colocamos as provas na mesa: os vídeos, as declarações de outros e as confissões próprias sobre suas falcatruas e ações monstruosas. Nessa hora, tais pessoas deixam de querer mentir. Atacam, agridem e, finalmente, abrem de fato o peito, numa confissão catártica. Mostram que nenhuma boa ação as guia, nenhum respeito as compõe, nenhuma intenção minimamente ética lhes é inerente. Confessam sem pudor que desejam participar da orgia do dinheiro e do emporcalhamento nacional. Querem de fato que o lixo se espalhe no mundo. O ressentimento recalcado vem abruptamente à tona: dizem claramente que querem um mundo sujo, para que possam ganhar status; querem virar gente. Como assim, “gente”? Como “virar gente” fazendo o mudo se emporcalhar? Não é difícil entender o raciocínio desse pessoal.

Eis a confissão que é própria do tipo de pessoa que, no passado, vimos adorar Hitler e Stalin: “Toda gente será sufocada pela lama e, então, seremos todos iguais”. “Nós, os porcos, seremos gente num mundo em que toda gente virar porco”. “Após isso, eu serei diferente, pois serei amigo(a) do rei que fez tudo parecer lixo”. “Sou eleitor(a) dele, Lula”. “Sou eleitor(a) dele, Bolsonaro”. Os vermes sairão pela boca dessa gente que virou gente por ter virado porco, tudo isso por meio de um tipo de sonho igualitarista que, contrária e paradoxalmente, é também perversamente hierárquico. Cada um quer ser igual ao outro da mesma laia, e cada um quer ver o adversário obedecendo a “nova ordem”, para criar a diferença. Assim funciona a cabeça dos seguidores de chefetes.

Repare em cada vizinho seu, bolsonarista ou lulista. Repare o fanatismo. Note a dificuldade de pensar diferente, de admitir erros de seus chefetes. Repare a incapacidade de perdoar. Repare o ódio com que dirigem seus projetos. Vejam como querem mudar o mundo sempre sem considerar o outro, querem que as coisas se arrumem do dia para a noite, sempre de modo a propor o impossível, exatamente para que nada ocorra, e que só o projeto de emporcalhar o mundo se verifique. Note como, no fundo, se seus candidatos acabam sendo desnudados como bandidos, elas, essas pessoas, também se desnudam e apoiam os erros de seus candidatos de uma maneira que não esperávamos dela. Repare isso. Note esse desnudamento. Fique atento, pois tais pessoas não são só eleitores, são apoiadores que se identificam com o roubo e com o sexo com animais e coisas do tipo.

Em 2018 seu vizinho irá se desnudar. Talvez gente de dentro da sua casa se desnude, para seu terrível espanto. Cuidado, pois essa gente não está brincando, elas vão querer ver você, que tem êxito na vida, na lama que estão distribuindo. Só na lama essas pessoas poderão realizar o sonho de enlulamento e do bolsonarinamento, que, enfim, é isso mesmo, a transformação de todos em habitantes de uma grande depósito de esterco.

Paulo Ghiraldelli Jr, 60, filósofo.

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7 Responses “Diga-me em quem vota e lhe direi quem és!”

  1. Guilherme Pícolo
    20/01/2018 at 13:25

    As eleições de 2018 guardam algumas coincidências indesejáveis com as de 1989: ocorrem após um período de instabilidade política, polarização da opinião pública e crise econômica, em meio a indefinição de nomes e com profusão de gente sem nenhum cacoete para a presidência, ou do baixo escalão da política tentando se lançar como outsiders.

    O que não entra na cabeça é que no Brasil os candidatos não entendem um princípio básico da democracia, que é o da alternância de poder… Nos EUA, por exemplo, depois que o presidente cumpre seu(s) mandato(s), é comum que se recolha para um posto de coadjuvante (como Bill Clinton) ou assuma uma vocação mais diplomática (como Jimmy Carter)… Aqui, figuras como Collor, Lula, Alckmin, Aécio, não largam o osso nunca! Meu Deus!

  2. LMC
    03/01/2018 at 12:10

    Lula e Bolsonaro são os
    problemas?E o Alckmin
    que mandou a polícia
    reprimir nos protestos de
    2013?Quer ser Presidente!
    PQP!!!!

    • 03/01/2018 at 12:41

      LMC! Será que você entende meus textos? Às vezes tenho a impressão que não! Lula e Bolsonaro não são apresentados como problemas no meu texto. Aliás, são apresentados como soluções. Eles desnudam o vizinho. O que ocorre com sua leitura que raramente é a leitura do texto?

  3. Tony Bocão
    03/01/2018 at 08:51

    Bergson diria que os dois da foto, não costumam rir.

  4. Gabriel
    03/01/2018 at 04:11

    Excelente texto, Paulo. A propósito, vc deve ter visto o vídeo do YouTuber americano Logan Paul que foi rechaçado ao mostrar um cadáver de um suicida no Japão numa floresta. O que é isso, mal gosto que precisava de um pedido de desculpas como o próprio fez, ou na sociedade da leveza não há espaço para o suicídio e a morte? Pra quem posta vídeo todos os dias, não dá pra refletir muito sobre o conteúdo do vídeo. Não consigo julgá-lo. Por que talvez essa necessidade de causar?

    • 03/01/2018 at 09:55

      Gabriel, adotamos para cada um, se somos retransmissores, o que a imprensa fazia. Agora entendemos que a imprensa nem era movida a dinheiro!

  5. ezequias costa
    01/01/2018 at 22:48

    boa, gostei.

    um abraço Paulo.

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