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20/07/2017

Crianças na manifestação – por que não?


Todas as manifestações contra Dilma na avenida Paulista acolheram famílias e crianças. A imprensa dita de esquerda, inclusive internacional, utilizou as imagens de maneira pouco honesta. Ao invés de mostrar o quão pacífica foram as formas usadas por manifestantes e policiais, foi direto para as imagens de donas de casa de classe média alta com filhos cuidados por suas babás. O mote era mostrar como a manifestação era “burguesa”! Ridículo.

As manifestações agora, em 2016, são de outra ordem. A dita esquerda não quer mais o vice escolhido por Lula, o Temer, agora que ele é o presidente. As mães manifestantes não vão com carrinhos, mas carregam seus filhos em cangurus. São mães com jeito estudantil, raramente acompanhadas por homens. Fazem o perfil “mãe de esquerda” que, em outras épocas, elas próprias se diriam “proletárias”. Felizmente não falam isso.

Qual o problema nisso tudo? O fato é que, agora, não é mais a imprensa de esquerda que tenta descaracterizar a manifestação, mas certos canais de divulgação que, de modo mesquinho, acusam as mães desses atos de protesto atuais de usarem as crianças como escudos. Ou seja, as mães são culpadas por não terem babás, ou culpadas, talvez, por serem mães solteiras ou mulheres completamente independentes, estudantes, e que estão acostumadas a fazer o que tem de fazer com os filhos em cangurus. Ou seja, a direita aqui erra como a esquerda errou no passado recente. Qualquer pessoa deve ter o direito, em um país que  se diz liberal-democrático, de ir a uma manifestação com filhos, com família. Uns podem ir de carrinho e com babá, outros podem ir com bebês em cangurus. Ninguém pode ficar intimidado e não ir nas suas manifestações ou não levar familiares por conta de uma suposta acusação ou potencial perigo. Não havia perigo na manifestação contra Dilma. Não pode haver perigo agora. A polícia é suficientemente treinada e equipada para fazer a manifestação não cair para o campo da violência. Sabemos disso. Deve agir assim, no sentido de garantir integridade física de crianças que estiverem na manifestação.  Afinal, provocações sempre há – também ocorreram provocações no “Fora Dilma”.

Essa história toda funciona sempre em dois planos, o social e o familiar. Uma menina de 17 anos sai de casa para pegar o metrô, de coxas grossas, bunda empinada e uma microssaia. Mesmo um pai não conservador, acaba por dizer: “você não deveria ir assim, não há motivo para dar chance ao azar”. Mas esse mesmo pai, sempre pensa mil vezes antes de dar esse conselho, pois a pior desgraça é criar uma moça para que ela, em um país livre, não possa se vestir como a moda pede ou como a TV mostra etc. Que diabo de país é aquele que uma mulher deve esconder a beleza e a sensualidade? Esse drama familiar mutatis mutandis se repete no caso da passeata. Uma moça de 22 anos com filho no colo deve abdicar da cidadania por causa do filho no colo? Ou seja, a maternidade é a condição pela qual se perde a cidadania? Dizem que a mulher se completa ao ser mãe e, então, ela descobre que para ser mãe tem que perder direitos políticos? A mulher não pode levar filho na manifestação, pois se assim o faz, sem baba´ e contra Temer, aí então ela será acusada de estar usando o filho como escudo. É isso? Não dá para suportar uma acusação dessas!

Essa argumentação contra as mães com cangurus é alguma coisa de uma perversidade sem tamanho. O Brasil não está vivendo a Queda da Bastilha. As manifestações devem poder acolher a todos. Raivinhas de direita e esquerda, nessa hora, servem só a midiagogos já conhecidos. Não deve servir para guiar as coisas em geral. Não deve servir para, mais uma vez, ridicularizar a mulher ou empurrá-la para fora da política.

Paulo Ghiraldelli 59, filósofo. São Paulo, 06/09/2016

Foto inicial: “Fora Temer” no Largo da Batata, em São Paulo (2016)

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4 Responses “Crianças na manifestação – por que não?”

  1. Robert duarte
    07/09/2016 at 06:10

    Que artigo fraco e besta. Mais fraco que os comentários da Fran.

    • 07/09/2016 at 09:33

      Robert todo cara que é contrariadinho pelos meus textos e não consegue argumentar, vem aqui só xingar e gemer. Muitos deles ficam putos porque com eles eu também não argumento, dou lambada. Aí o cara gosta. No fundo ele veio xingar porque quer lambada. É seu caso. Você é burraldo, e voltará aqui como leitor para levar mais lambada.

  2. 06/09/2016 at 20:36

    Professor, “mulheres” podem sSER empurraas p fora da Política por medo de sr ridicularizada, mas A MULHER jamais SE DEIXA empurrar, seja na Politica ou em outros seus objetivos. Quanto a levarem os filhos, mas penso q os dois principais são: porquê não têm com quem os deixar, ou, tem consciência de q por ser politizada não deixa de ser mãe . Quanto o aproveitamento disso, por ambos os lados, é normal em países q praticam erradamente a Política, insistindo em usar o clichê de igualar MÃE com a VIRGEM MARIA, se é q me entende. Um abraço desta mãe , velha e politizada.

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