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24/09/2017

Chomsky no Brasil – o modelo do intelectual que não devemos seguir


Chomsky está no Brasil. Quem foi vê-lo? Um jornalista da Folha, o Mário Sérgio Conti. Sim, aquele que entrevistou um cover do técnico da Seleção Brasileira, o Felipão, e que publicou a entrevista pensando ter entrevistado o próprio Felipão. Sendo assim, imagino a conversa entre ele e o Chomsky: ele num mundo psicodélico, e o Chomsky num mundo de militância estilo PSTU. Mas, ainda assim, o texto do Conti sobre o caso foi bom (Folha/12/08/2017). Só que com algumas falhas.

Primeiro: Chomsky está longe de ser o intelectual americano mais conhecido no mundo. Segundo: Chomsky anarquista? Ora, nem pensar. Chomsky é muito mais um anti-americano (como Richard Rorty identificou) que adora governos populistas. É um iludido com Dilma, Lula e toda essa gente que infelicitou a esquerda. Terceiro: Chomsky não é um revolucionário da linguística, muito pelo contrário. Sua tese no campo da linguagem é tudo o que ninguém mais dá atenção – ele está antes na retaguarda que na vanguarda. O inatismo só tem como adepto o Steven Pinker que, enfim, é mais um publicista que um professor.

Mas há mais o que dizer de Chomsky. Vou no que importa. Chomsky é visto como um intelectual que tem trabalhos em política e em linguística que são separados. Mas não são. A sua posição em filosofia da linguagem, de defesa do inatismo linguístico, casa-se muito bem com a sua concepção de homem, que é de um naturalismo fundacionista, essencialista, que se articula com posições de esquerda que acreditam que devemos construir a sociedade ideal que espelharia o que é o indivíduo humano. Ninguém pensa assim mais. Esse modo de pensar do século XVIII e XIX andou um pouco no século XX, mas nenhum filósofo hoje em dia caminha por tais rios fáceis.

Acreditar que temos um pensamento devedor da linguagem é algo vigente, mas acreditar que temos de um lado um pensamento, como uma linguagem privada, e que essa linguagem é retraduzida para uma linguagem social, é coisa de Chomsky e dos defensores de uma tese impossível de ser verificada. Trata-se de um Chomsky que não absorveu Wittgenstein e sua crítica à hipótese da linguagem privada. Aliás, é algo de quem não entendeu jamais Quine e Davidson, os dois maiores filósofos analíticos do século XX, e bem americanos. É algo que vai na contramão do maior filósofo americano de todos os tempos, este sim influente no mundo todo, John Dewey.

Acreditar que esse inatismo da linguagem é também uma força para o inatismo em geral, e que o homem é bom por natureza e que, para que tudo dê certo, basta ter uma sociedade que o espelhe no coletivo a sua essência individual, é uma tese de utopistas que foram destituídos todos após o fracasso de Maio de 1968. As pessoas ficaram adultas após Maio de 68 e passaram a ver a vida como algo bem mais complexo do que os utopistas essencialistas e de esquerda pintaram.

Chomsky é uma espécie de último comunista essencialista da face da Terra. É o chamado quarto homem. Os outros três eram Saramago, Fidel e Oscar Niemeyer. Maduro? Não! Maduro é apenas motorista de ônibus que virou sindicalista e foi posto como vice igual a Dilma. Serve apenas para criar crise e deixar a esquerda mais estúpida que a direita. E no caso, consegue!

Paulo Ghiraldelli Jr., 60, filósofo. São Paulo, 12/08/2017

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5 Responses “Chomsky no Brasil – o modelo do intelectual que não devemos seguir”

  1. Eduardo Rocha
    12/08/2017 at 20:53

    Paulo, por que aqui no Brasil se tem um antiamericanismo muito forte relacionada à filosofia americana? E como apresentar essa filosofia se aqui temos uma preferência por europeus (Franceses e Alemães)?

  2. Kai
    12/08/2017 at 14:15

    Não diria que o Chomsky é o último comunista essencialista da Terra. Em particular vejo o Zizek na mesma senda, com a diferença de que este é amparado pela psicanálise lacaniana

    • 12/08/2017 at 23:50

      É verdade, tem essa outra besta malucona, o Zizek

    • Matheus
      14/08/2017 at 12:06

      O zizek é amparado pela psicanálise lacaniana ou ele está em tratamento com um lacaniano?? Rsrs

      O dia que eu conseguir entender uma frase que sai da boca daquele homem acho que conseguirei ouvir um comentário do Pondé sem ter vontade de dar um soco na televisão e ler uma página de Bauman sem dormir…

    • 14/08/2017 at 12:09

      Sim, é por aí!

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