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19/08/2017

Bresser (Emily) Pereira diz que políticos corruptos são insubstituíveis


Estudei em livros do Bresser Pereira. Teses desenvolvimentistas tradicionais, foi isso que ele sempre defendeu. Depois, Bresser Pereira chegou a citar artigos meus para seus textos de aula. O que mais citava eram minhas peças sobre o tema da verdade. Aproveitou-se de textos técnicos sobre teoria da verdade. Na época eu gostei, claro. Mas agora, diante do texto que ele fez, de título “O acordo necessário”, postado na íntegra aqui no meu blog por Isaías Bispo de Miranda (parte de comentários), vejo que ele não aprendeu nada sobre o conteúdo do material meu que ele usou. Não aprendeu nada sobre a verdade. Escreveu no sentido de dizer que é falso que seja bom para o Brasil o que a maioria dos brasileiros desejam, que é a continuidade da Lava Jato e o indiciamento dos corruptos.

Para Bresser Pereira a coisa mais fácil do mundo é dizer, contra mais de 100 milhões de brasileiros eleitores, que é falso que o “passar o Brasil a limpo”, vindo do Judiciário, é algo necessário e bom. Ora, por nenhuma definição de critério de verdade ele poderia dizer isso.

Quais os argumentos de Bresser para legitimar isso que já está vindo por aí, que é o acordo Temer-FHC-Lula para se auto-protegerem? Simples: ele viu que a nova geração que quer fazer política, segundo ele mesmo, é representada por Luciano Huck, que segundo ele não tem nada na cabeça, e então ele argumenta que temos que ficar com esses malandros que aí estão! Eu não deveria chamar isso de argumento, uso o termo por falta de outro. Não dá para levar a sério Bresser quando ele diz isso. Ou seja: o Brasil não é capaz de mostrar novas lideranças e, então, temos de ficar com os velhos bandidos que se tornaram bandidos velhos. Bresser confunde gente famosa com “novas lideranças”.

Depois disso, ele diz que nem todo político é corrupto. Sim, nisso ele está certo. Mas logo parte para exemplos elogiando Vicentinho e Genoíno, depois faz seus salamaleques para FHC e Alckmin. Deprimente. Poderia ter a coragem de citar os verdadeiros não corruptos, como os da bancada do PSOL que, enfim, podem não me agradar doutrinariamente, mas são bons deputados e não estão sendo investigados. Um Ivan Valente ou um Giannazi não são bons deputados? Quem mais luta pela educação e pelos professores senão eles? Bresser fingiu não saber disso. Não os citou por uma razão simples: não são gente do dinheiro e Bresser tem uma mania de elogiar ou gente que esteve com ele em artimanhas ou gente de grana, do poder. Bresser sempre esteve no âmbito do poder econômico. Afinal, veio para a política pelas mãos do Supermercado Pão de Açúcar.

Onde Bresser leu o que é meu, ele não entendeu, onde não leu Lula, que nada escreve, ele entendeu tudo como uma ordem. O capo falou, tá falado. Vem do PT a tese de que ou ficamos com a quadrilha PMDB-PT-PSDB e penduricalhos como pastores e Collor, ou então o único espaço aberto para a política será ocupado pela não-política. Não se chama Castelo Branco abertamente, mas a utilização da tese de que quem denuncia corrupção é sempre da UDN e que, mais cedo ou mais tarde fará um “64”, pedindo forças externas, é o que o PT mais sabe fazer. Tese bem utilizada por Tancredo e outros do PMDB, no passado, na Transição de 1985 até 1988. Tese que o PT combatia. Agora, o PT e Bresser e outros a utilizam abertamente. A ideia básica: a denúncia da corrupção nunca vem para o bem, só vem para desprestigiar nossos queridos bandidos que, enfim, fizeram crimes mas não podem ser chamados de bandidos. Todos os amigos de Bresser cometeram crimes, então, o correto é transformar o crime que cometeram em não-crime. Caso eu não tivesse visto a Emily do BBB eu diria que Bresser é o poço de egocentrismo maior que o Brasil produziu. Seus amigos devem ser transformados em santos, para ele próprio passar para história como tendo uma vida santa.

Acho que de todos os bandidos que ele quer salvar o melhor é ainda o Sarney, que escreveu uma vez na Folha, a respeito do Bresser: ele foi meu ministro e quando precisava dele, não me atendia porque estava no analista. E Sarney arrematou: o Brasil com o corpo doente e meu ministro da Economia doente da cabeça!

Paulo Ghiraldelli Júnior, 60, filósofo. São Paulo, 14/04/2017

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5 Responses “Bresser (Emily) Pereira diz que políticos corruptos são insubstituíveis”

  1. Orquidéia
    18/04/2017 at 08:06

    Eu não podia deixar de compartilhar esse texto em meu perfil.

    https://web.facebook.com/orquideia.goncalves/posts/2121551631404832

  2. Eduardo Rocha
    14/04/2017 at 15:09

    Paulo, o que você pode me falar sobre o governo na época de Sarney? Quando ele assumiu não tinha nascido e quando saiu tinha 3 anos. Conheço pouco dessa época apesar de ser meu conterrâneo.

    • 14/04/2017 at 16:48

      Virou história, tá nos livros. Foi engraçado, olhando hoje. O episódio dele chegar ao poder foi engraçado. Mais irônico que a derrocada do PT.

  3. Orquidéia
    14/04/2017 at 08:49

    [ buá…

    • Waldir Souza Guimarães
      16/04/2017 at 12:55

      Sarney parece ser um bom escritor.

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