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20/10/2018

Bolsonaro eleito, não governa. Um pouco de história.


[Artigo para o público em geral]

A República começou em 1889 com um levante militar de cunho positivista em associação com liberais civis. Após dois governos desastrosos, os militares se retiraram e iniciou-se a política de troca de favores entre duas oligarquias, a de São Paulo e a de Minas Gerais, a “política do café com leite”. Vargas varreu a política do café-com-leite a partir de 1930, com uma revolução cuja promessa era criar um “Brasil Moderno”.

Entrou positivista, passou pelo fascismo entre 1939-45 e, enfim, voltou ao positivismo, mas então mais à esquerda. Assim foi Vargas. Ao final, assumiu uma de suas facetas, o trabalhismo. Era uma espécie de populismo à esquerda. Um tipo de social democracia meio nacionalista e autoritária.

Em 1945 Vargas se retirou para o exílio em São Borja, quando da “redemocratização”, ou seja, o fim do Estado Novo inaugurado por ele em 1939. De lá de seu recanto no sul do país, sem uma viagem e sem TV ou Internet, disse para a população jogar os votos no General Dutra. Foi a primeira eleição de um poste. Dutra governou os quatro anos. Após Dutra, Vargas então voltou “nos braços do povo”, ungido pelo voto popular, para o Palácio do Catete. Cometeu suicídio em 1953 em meio a uma crise política, gerada por denúncia de corrupção de seus assessores. De fato, entrou para a história, como a sua Carta Testamento previa. Mas, mais que isso, governou durante muitos anos ainda, mesmo morto. Tudo que se fez da morte de Getúlio para diante foi guiado pelo espírito pró-Vargas e anti-Vargas. Jango e Brizola foram seus herdeiros diretos. Carlos Lacerda seu opositor direto. O ciclo varguista durou tanto que chegou a atravessar o período do regime militar. Pois após a “democratização de 1985” viria Tancredo, um seu ex-ministro – herdeiro de sua caneta, um símbolo nada desprezível. Mas Tancredo não veio. Deixou aberta a vaga para Brizola. Todavia, os tempos eram outros: Lula, criado na oposição à Ditadura Militar, havia iniciado “o novo Sindicalismo” (que aparentemente teria vindo para acabar com o peleguismo e com o populismo), e atropelou o gaúcho. Ao final tudo se perdeu: deu Collor. O ciclo Vargas, então, se encerrou: 1930-1989. Collor governou só dois anos. E então começou a Era FHC-Lula. Ou melhor dizendo: a Era Lula.

Quando da eleição de Collor, dezenas de intelectualóides de direita diziam que “esquerda” e “direita” não existiam mais. Agora, época em que as pessoas de direita parece que podem se dizer “de direita”, vivemos então o retorno inexorável da terminologia “direita” e “esquerda”. Os intelectualóides não abrem mais a boca para dizer que essa dualidade desapareceu. O máximo que fazem é passar vergonha dizendo que ser de direita é não ser fascista porque o nazi-fascismo era de esquerda, e que Hitler era “socialista”, já que o partido dele se chamada “nacional socialista”. Sim, os intelectualóides da direita continuam apenas intelectualóides.

Estamos vivendo a pós-Era Vargas, que de certa forma pode ser chamada de Era Lula. A eleição de agora, 2018, possui todas as suas peças segundo um tabuleiro criado por Lula. O governo Temer é cria de Lula, e dos candidatos que aí estão, três foram ministros de Lula: Ciro, Marina e Meirelles. O PSOL nasceu para ser a oposição à esquerda de Lula. Disso só restou Giannazi. Boulos é apenas um puxa saco do ex-metalúrgico. São Paulo e Minas, vão eleger ao senado Suplicy e Dilma, dois lulistas! A UDN de Lacerda reapareceu, agora em união novamente com as forças mais da extrema direita, ligada ao racismo e ao ideário militar. Um medíocre chamado capitão Bolsonaro (ex-presidiário do Exército), recebeu o encargo de carregar a proposta da direita, mas ele não sabe bem o que está fazendo nisso tudo. Haddad, o segundo pau mandado de Lula (o primeiro foi Dilma, e não deu certo), se coloca então como a cloaca na qual o ex-sindicalista manda que a esquerda deposite as suas esperanças.

O quadro atual é o mais surrealista possível. Notem!

De um lado, há um medíocre acamado que, sem campanha, ganha votos por conta de ser de direita. Ao contrário do que vários dizem, ser bolsonarista não é não ter programa ou agenda, e votar negativamente, votar “contra o PT”. Não! Ser bolsonarista é ser proto-fascista ou fascista, ou seja, ter programa positivo sim. Há muito brasileiro que se sabe fascista e quer o fascismo (não à toa a Alemanha mandou aquele vídeo! Alemães sentem cheiro de nazismo de longe). E há brasileiros que não sabem o que significa a palavra “fascismo”, mas são a favor de hierarquias fortes, desigualdades, massacre de minorias, racismo, machismo criminoso, homofobia e ódio a pobre. São fascistas sem poder conceituar o fascismo.

De outro lado, há um corrupto preso, que comanda a eleição não de São Borja, mas de dentro de uma cela, como Marcola faz com o crime. Grande parte do povo brasileiro, que não cai sob ordens do hospitalizado, um hitlerzinho abestalhado que se parece com o pernilongo da Dengue, cai sob o comandado da cela de uma prisão em que um Al Capone da periferia de São Bernardo se imagina estadista. Este, então, teima em ser o chefe da esquerda e ser o que de fato é: chefe de quadrilha.

A direita diz que a esperança que Haddad carrega é a esperança da volta da corrupção. A esquerda responde dizendo que Bolsonaro é a desesperança total. As mulheres se manifestam contra Bolsonaro, e com razão. As minorias organizadas também.  O que ocorrerá, afinal? Se Haddad ganhar, o país terá uma oposição de direita ainda mais raivosa, que será abafada só se o sucesso econômico de Haddad for estrondoso, o que duvido. Se Bolsonaro ganhar, finalmente as forças lacerdistas e pró-64, mais a Nova Direita, terá chegado ao poder pelo voto. Ora, mas não havia chegado com Collor? Sim, dois anos de Collor foram suficientes para lembrar os poucos meses da última vitória, com Jânio. E isso nos faz por a seguinte questão: Bolsonaro irá conseguir governar?

Minha resposta é um sonoro “não”!

O êxito de Bolsonaro na economia não virá de modo algum. O Brasil pode acertar ou errar com modelo social democrata ou parecido, mas com o modelo neoliberal só pode errar. Bolsonaro irá desastrar o país. Sarney diz que Bolsonaro não irá governar.  Sarney sabe das coisas. Digo que não só não irá governar como irá recriar a maior esquerda da América Latina. O PT será esquecido como partido corrupto, como ocorreu com o PTB de Vargas, e poderá reinar mais ainda do que estando no governo.

Leiam aqui o que escrevo e guardem aí no computador, para retomarem quando as coisas ditas aqui vierem a ocorrer. Não preciso ser futurólogo para acertar. Está evidente para qualquer intelectual sério isso que estou falando. Todos economistas bem formado sabe que Paulo Guedes é um medíocre. E se vem amarrado com o jumento de carga (segundo Ciro: o general Mourão), então, a coisa vai de mal a pior. Paulo Guedes é tão medíocre que fugiu do debate com outros economistas dos outros candidatos. Collor fazia o mesmo.

A diferença entre essa direita e a do passado é que Carlos Lacerda, sendo homossexual, era macho: queria debater. Agora, essa direita tem horror a homossexual, mas se porta como “mariquinha”, ou seja, agem segundo a imagem (falsa) que ela mesmo faz dos homossexuais.

A diferença dessa esquerda de Lula para a do passado, a de Vargas, é que a do velho caudilho praticava a corrupção sem “as ordens do velho”, e está pratica a corrupção com as ordens diretas de Lula. Vargas se matou. Tinha honra. Lula tem só ganância e irresponsabilidade. Haddad, por sua vez, tem só uma coisa: a capacidade de ser o maior capachão que a história brasileira já forjou. O próprio modo dele falar, com biquinho torto, mostra uma personalidade subserviente.

Um futuro com Haddad e Bolsonaro é um futuro em que a Justiça deve soltar Dario e lhe dar duas facas. Mas mais amoladas! Ele ouve Deus! Ah, sim, Cabo Daciolo também escuta Deus diretamente. Não vamos sair dessa crise com Haddad e Bolsonaro, não mesmo.

Paulo Ghiraldelli Jr., 61, filósofo

 

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23 Responses “Bolsonaro eleito, não governa. Um pouco de história.”

  1. LEONARDO
    20/09/2018 at 22:22

    “O Brasil pode acertar ou errar com modelo social democrata ou parecido, mas com o modelo neoliberal só pode errar.”

    O problema é que até os que “inventaram” a Social-Democracia já são muito mais liberais que Terrae Brasilis…

    • 21/09/2018 at 00:02

      Não no mundo. A social democracia tem base operário e tradição marxista na Europa, e base no New Deal nos Estados Unidos. O partido tucano é um partido artificial.

  2. Vitor
    20/09/2018 at 14:54

    Infelizmente o psdb fez uma oposição fraca e permitiu esse cenário nefasto. Sinceramente não tenho esperança no país pelos próximos 8 anos.

  3. THIAGO
    20/09/2018 at 10:28

    Estava lendo de boa, até essa parte:

    “Digo que não só não irá governar como irá recriar a maior esquerda da América Latina. O PT será esquecido como partido corrupto, como ocorreu com o PTB de Vargas, e poderá reinar mais ainda do que estando no governo.”

    Realmente fiquei preocupado com essa merda.

  4. Henrique
    19/09/2018 at 22:41

    Entre os dois, venha o diabo e escolha

  5. Felipe
    19/09/2018 at 22:24

    Esse ano vai ser tenso…….

  6. Marcelo Vapuca
    19/09/2018 at 21:20

    Mas por que raios, o eleitor quer correr esse risco?

    • 19/09/2018 at 22:18

      A vida é uma aventura! Talvez seja o único momento que ele possa afirmar irracionalismos como se eles não o atingissem.

  7. Mauricio L Bonetti
    19/09/2018 at 19:06

    Eu estava esperando que essa eleição fosse trazer estabilidade para o país. O Bolsonaro é a reação tosca da sociedade que já está cansada do fisiologismo partidário, é um chute no balde, apesar de justificável, sabemos que isso não vai resolver nada. Ganhando não governa, mesmo. Vamos amargar mais alguns anos de endividamento e baixo investimento. Esse post está salvo e vai acontecer o que você previu com certeza.

  8. LMC
    19/09/2018 at 15:41

    Hilquias Honório,o Ciro finge ser
    isentão,mas é capacho do PT do
    Ceará,do Lula,do Nassif e do
    Paulo Henrique Amorim.

    • 19/09/2018 at 19:23

      LMC eu acho que você tem problemas mentais graves de entendimento das coisas simples

  9. Anderson Silva
    19/09/2018 at 15:00

    Muito boa essa análise! Mas, em meio a isso tudo, fico pensando não propriamente na governabilidade, ou não, desses dois aloprados, mas nos ânimos exaltados da população (que com as redes sociais parece mais raivosa do que antes. Não sei se seria um detalhe, mas o fascismo da era Vargas parecia ser alimentado por um sentimento religioso católico (mas obediente ao Vaticano, e ao missal), agora, o sentimento que alimenta a extrema direita, em sua grande moiraria, é evangélica. O cabo Daciolo, apesar de racionalmente performático, parece ser uma expressão daquilo que vem alimentando o fascismo atual.

    • 19/09/2018 at 19:24

      Eu não disse o fascismo do integralismo, inimigo de Vargas, eu disse o protofascismo do próprio Vargas, que não era religioso, era positivista.

  10. Luciano
    19/09/2018 at 14:21

    Vamos derrotar o fascismo. Infelizmente não com a melhor opção, mas vamos derrotar.

    • 19/09/2018 at 19:24

      Com a opção Haddad? Não, com esse opção você vai é reacender o fascismo.

  11. aristeu chamberlain
    19/09/2018 at 11:47

    estamos entre o escracho(bolsanaro) e o capacho(hadad).

    • 19/09/2018 at 14:01

      Boa tirada, embora eu esteja com medo de rir.

  12. LMC
    19/09/2018 at 11:37

    Aí vem o Ciro e diz que não vai
    apoiar Haddad contra Bozonaro
    no segundo turno.E se o Ciro
    for Presidente,vai governar com
    quem?O PP do Maluf?O DEM?
    O PSDB que ele tanto odeia?O PMDB
    do Eunício Oliveira,aliado dele?
    Hahahahahahahha….

  13. Marcelo de Paula
    19/09/2018 at 11:20

    Ok, ok, sairíamos dessa crise com qual nome então?

    • 19/09/2018 at 14:02

      Preciso responder? Andou vendo meus vídeos? Dê uma olhada.

  14. Hilquias Honório
    19/09/2018 at 11:12

    A situação tá ficando feia. É impressionante como o Bozo e o Capacho se alimentam. Um faz o outro crescer, a olhos vistos. Eu ainda me espanto em ver que realmente o Bolsonaro chegou, e agora o PT empurra o Ciro pra fora. Triste!

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