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15/12/2017

Uma Abertura Olímpica para esquecer


A Abertura das Olimpíadas foi sem dúvida um show de desacertos em favor da breguice nacional.

Alegoria é alegoria. Ela é boa se se basta. No Brasil, o Carnaval do Rio e seus carros alegóricos destruíram a noção de alegoria. Criaram algo como a “alegoria conceitual”. Tudo tem de ser devidamente representado. Se isso em si já é feio, piora bem com os oficiais comentaristas de TV – Galvão Bueno à frente. Mas, ao menos a proporção entre a alegoria e o espaço utilizado, no Carnaval do Rio, é alguma coisa bem acertada. Todavia, transferida para um cenário diferente, como o Maracanã, não se adaptou bem, tornou-se vazia. Em determinados momentos ficou mesmo faltando gente e, em outros, o que se apresentou parecia ter sido criado para que o comentarista de TV pudesse ler o script . Aliás, script deprimente.

E eis que veio a didática. A aula de história apresentou, então, em uma escala de hospício, tudo de inusitado: bactérias que cruzaram com negros e portugueses e deram origem à Gisele Bündchen e, enfim, um Brasil que recebeu árabes e japoneses, mas não italianos que, enfim, preenchem os sobrenomes de quase todos nós. Tudo isso, como disse, lá no fundinho do Maracanã, meio que perdido.

O tédio já havia se apoderado da Abertura de modo irreversível quando, então, todos tiveram de bocejar mesmo ao notarem que Zeca Pagodinho iria fazer o programa “Esquenta” ali mesmo. E o que é mais terrível: ali completou-se a aula de história que virou aula de Educação Moral e Cívica, pois a socióloga Regina Casé nos exortou a nos unir na diferença. Fiquei com medo de que o próximo passo fosse a distribuição de versões condensadas da Constituição.

Dali para a diante a coisa só não atingiu o insuportável porque veio o momento da entrada das delegações. Caso não, então a festa seria alguma coisa para gato jogar areia em cima. Mas não pararam aí. Os atletas entraram e eis que a Abertura foi retomada. Aí um Gil inchado, com bochechas de botox e uma gingado de quem tem Parkison, aderiu a uma voz de taquara rachada, completamente destoante e desafinada, de um Caetano Veloso amarelo. Anita até que tentou ficar charmosa. Poderia ter conseguido, mas as duas múmias ao seu lado parece que não conseguiram fazer a moça soltar um sorriso espontâneo. E então, chegaram as Escolas de Samba, apresentando o Mais Do Mesmo, mas com mulatas celulitosas, mais afinadas com site pornô caseiro que qualquer coisa apresentável.

A única coisa boa da festa foi o sol, mas, claro, criado por um artista plástico cinético americano. Só podia. Pois já haviam estragado Ari Barroso e também Vinícius. Até isso conseguiram manchar!

Nisso tudo, o povo vaiando o vice do PT, Michel Temer, nem deu para curtir. Que noite! E para que ocorre esse lixo, feito com o meu dinheiro, ainda tiraram minha novela do ar!

Resumindo: a própria apresentação do Brasil, feita por britânicos, na Olimpíada passada, foi melhor. Mil vezes melhor.

Paulo Ghiraldelli, 58, filósofo. São Paulo, 06/08/2016

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85 Responses “Uma Abertura Olímpica para esquecer”

  1. 11/08/2016 at 18:52

    (L.O.L) Hilariante, “Voltaire” dos Trópicos”! “Tristes Trópicos”, no caso do senhor.

    • 12/08/2016 at 09:54

      Eu não falei que você voltava, para obter minha atenção? Sua adolescência não passa. Não entende os textos e volta para apanhar.

  2. 11/08/2016 at 15:16

    (L.O.L) Mestre, o senhor nem imagina o quanto fico ofendido e depremido ao ser tachado de “burro” por uma pessoa como o senhor… Vou me atirar daqui do meu apartamento, do quinto andar! kkkkkkk.

    • 11/08/2016 at 15:20

      Marcinho o fato de você voltar aqui várias vezes denota a falta de pai, a falta de aprovação, a tentativa adolescente de querer um pai que o reprima. Mas não sou seu pai. Não conseguiria fazer uma mulher parir um jumentinho. Quanto mais bato em você, mais você gosta, mais volta, e mais coloca “kkkk” para disfarçar. E voltará novamente, pois sua adolescência não passa.

  3. 10/08/2016 at 21:20

    Mestre, “brega” não foi tãosomente a minha resposta: eu mesmo, minha personalidade, enfim, é integralmente brega, cafona, mesmo. E sinto-me muito lisonjeado ao ser tachado de “brega” pelo senhor. E como dizia Sartre: “O inferno são os outros”.(L’Infer c’est les autres”. Nós, cultores da “breguice”, pelo memenos temos muito mais personalidade que os “sofisticados” intelectualmente possam supor. Ser brega é mais que uma estética alternativa: é um estilo de vida, um ethos social. O maior símbolo de tudo isso que escrevo é o fato de eu, em minha cozinha, manter, desde os anos 60, um pinguim de louça sobre a minha geladeira! Sem falar ainda dos bolachões de vinil de Nelson Nedi, Odair José, Wando,Paulo Sérgio, Tom e Ravel, etc. Passar bem, deus Apolo da pretensa superioridade.

    • 11/08/2016 at 12:37

      Marcinho você não é brega ou cafona, você é burro. É diferente.

  4. Rafael Costa
    08/08/2016 at 10:27

    Gostei do Paulinho da Viola, da Gisele e da gostosa da Anitta kkkkk. De resto, meio broxante. Ninguém fala, mas a participação da Elza Soares foi tenebrosa, além daquela cantora do cabelo rosa que não entendi o que ela cantou e nem o que ela estava fazendo ali.

  5. Joilse Garcia Sales
    08/08/2016 at 08:11

    Discutir o que? O cara gosta é de ver novela kkkkkkkkkkkk Não perca seu tempo.

    • 08/08/2016 at 10:54

      Joilse não entender o que é um folhetim é típico do pseudo educado. Aprenda.

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