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17/08/2019

O atraso da narrativa de “A elite do atraso”


Os gregos antigos nos ensinaram a narrativa da tragédia. Nela, nunca se disse que não eram os homens os autores da própria história. Os homens eram de fato postos como fazendo a sua história, mas, por mais que quisessem fugir do destino traçado pelos deuses, pegando vários caminhos diferentes e mudando de percurso, sempre terminavam por realizar o traçado desenhado pelas divindades. Até hoje esse tipo de narrativa faz sucesso. A consciência popular diz: “ninguém foge de seu destino”.

Os historiadores modernos, entusiasmados pela ideia de aventura, típica do mundo do Renascimento, deram crédito para os indivíduos intrépidos. A tragédia se separou da escrita da história definitivamente. Ela passou a contar para o teatro e tão somente para o teatro. Os pensadores vieram a falar de um outro modo e estilo, conferindo um poder de decisão aos indivíduos – noção esta então recém criada – jamais vista antes. Guardamos desse tipo de história, em nossos manuais escolares, as aventuras de Cristóvão Colombo, de Vasco da Gama e tantos outros. É nessa linha que, até hoje, falamos de Napoleão. Não raro ainda falamos de Stalin e Hitler assim! Isso quando não começamos, a partir daí, a falar no estilo das teorias conspiratórias!

Nos dias de hoje, quando a regra é a auto-intensificação, acreditamos na filosofia de Sartre em sua colaboração maior com a ideologia do momento. Para entendermos como nos vemos hoje em dia, vale aqui repetir Sloterdijk:

“O indivíduo é simplesmente o homem sem missão, o não-mensageiro. Constitui uma espécie de produto semi-acabado o que, de resto, é precisamente aquilo que a educação moderna pretende fazer da criatura humana: produtos semi-acabados que devem trabalhar-se até se tornarem produtos acabáveis utilizáveis – o que quase ninguém alcança. Foi Sartre quem forneceu a ideologia deste fenômeno ao dizer que o importante é fazermos alguma coisa do que fizeram de nós” (1)

Não sei o quanto eu gostaria de responsabilizar Sartre pela ideia de que, agora, temos de contar a história como sendo feita a partir de nossa intervenção pessoal e voluntariosa, uma história de reconstrução pessoal, de re-invenção (como está na moda falar). Mas sei bem que é assim que temos, ao menos alguns de nós, nos empenhado em narrativas históricas. Essas narrativas são diferentes daquelas que Marx, também no início da modernidade, exatamente por seu respeito a Hegel, nos ensinou escrever. Narrativas como as atuais, que fazem sucesso entre nossas esquerdas, esqueceram completamente de Marx, e passaram a gerar histórias em que os indivíduos agem como protagonistas exclusivos dos feitos. Fazem do que fizeram delas algo extraordinário! Mas, o que é mais grave, ao serem postos como donos de todo destino, logo esses indivíduos se apresentam também como senhores do bem e do mal, agindo então como mentirosos espertalhões, que sem convencimento do que dizem, enganam uma massa de tolos – ou seja, todos nós.

Vi esse último tipo de narrativa no livro de Jessé de Souza, A elite do atraso. É uma narrativa em que nós todos somos vistos como tontos, e a Lava Jato associada à Rede Globo, como donos do mundo e do destino, e sendo formadas por pessoas de profunda má fé, e que nunca fizeram qualquer denúncia séria sobre a corrupção. O que fizeram foi apenas exercer suas funções de bandidos com poderes quase mágicos de contarem mentiras, com o objetivo de nos levar a entregar a Petrobrás para estrangeiros milicianos. Esse tipo de narrativa é, a meu ver, menos útil para mim; não vejo como uma pessoa que a vive, que se situa nela. Inclusive, uma narrativa assim poderia estar extremamente a serviço de uma visão generosa demais para com os políticos da coalização governista imperante nos últimos entre 2002 e 2018. Um trecho do livro do Jessé exemplifica bem o que quero dizer:

“A Globo, em associação com a grande mídia a maior parte do tempo, e a Lava Jato fizeram o contrário disso tudo [proteger o patrimônio nacional] e a nós todos de perfeitos imbecis. A título de combater a corrupção dos tolos, turbinaram e legitimaram a corrupção real como nunca antes neste país das multidões de imbecilizados”. (2)

Nesse tipo de narrativa, a Globo e os homens da Lava Jato surgem como deuses malévolos, enganadores, e nós, então, tontinhos que precisamos do grande Jessé para deixarmos de sermos os imbecis que somos, para abrir os olhos e ver como que o único objetivo de tudo era a entrega do nosso petróleo aos … yankees! “O petróleo é nosso” brada Jessé, como se estivesse nos anos 50, servindo de bucha de Vargas que, na verdade, tomou tal frase para si após ter prendido o real defensor dela, Monteiro Lobato.

Para escapar desse tipo de narrativa, que repõe a história de indivíduos poderosos e a completa com chistes sobre mocinhos e bandidos, nada melhor que reinvocar Marx. Para este, as relações postas pelo capitalismo invertem a relação sujeito-objeto. As relações sociais e o dinheiro, que se completam formando o capital, saem da condição de objetos e se transformam em sujeitos. Nós viramos os objetos – somos coisificados, mas não nos tornamos tontos. Marx fornece a narrativa em que o capital se põe como sujeito e, então, não traça o jogo e o vencedor, nem chama os jogadores de bandidos de um lado e tolo de outros; mas, o que o capital faz, e o que é o importante de ver, é que, antes do jogo, ele traça o campo do jogo e a escolha do desporto praticado. Quem faz essa escolha é o capital. Ele é o sujeito da história. Se não atentamos para os seus deslocamentos, se não vemos que o jogo é jogado no campo do capitalismo financeiro, e não mais no capitalismo comercial e industrial, ficamos perdidos, e passamos a achar que a Globo e a Lava Jato são feitas de deuses que sabem tudo e mentem, e que nós não sabemos nada e que somos enganados pela nossa idiotia. Eu falaria assim para Jessé:  desculpe-me meu caro, mas eu não sou idiota, eu não preciso de sua narrativa pseudo-reveladora para entender um pouco da realidade que vivo. Falo isso por poder ver que os poderes da Lava Jato e da Globo não advém da mentira, mas do fato de estarem na perspectiva fortalecida de quem é o sujeito da história, o capital.

Quando pegamos um livro como o do professor Ladislau Dowbor, A era do capital improdutivo (3), temos o perfeito antídoto à narrativa policialesca de Jessé de Souza.  Nesse livro, o que interessa é o campo de jogo. Como o capital financeiro se fez presente? E então, por sua obra, como ele fez pessoas simplórias, que pronunciam “conje” ao invés de “cônjuge”, chegarem a ter poder? Os que aparentemente mentem, de fato não mentem não porque são virtuosos, mas simplesmente porque são simplórios e acreditam no que fazem. Ou acreditam no que fazem porque estudaram e encontraram na narrativa autojustificadora do capital um aspecto racional. Então eles, os poderosos, falam coisas que acolhem muito da verdade. A corrupção denunciada pela Lava Jato existiu. Essas pessoas simplórias que ganharam o poder e o prestígio e começaram a falar grosso, durante um tempo, assim puderam agir porque falam a voz do capital. Jogam o jogo traçado pelo campo posto pelo capital. Não destoam dos interesses do dinheiro-que-gera-dinheiro-sem-que-ocorra-produção, que é o mundo da felicidade da Bolsa de Valores.

Se olhamos assim a história, pela via de Marx, então podemos tratar nossos adversários políticos com seriedade. Entendemos a visão deles. Passamos a respeitá-los diante do que acreditam, e nos qualificamos para a discussão com eles, invocando o direito de fornecer nossa narrativa, por exemplo, para as mudanças das leis trabalhistas e a reforma da previdência. Não fazendo isso, não poderemos sentar à mesa para negociar e propor alternativas, pois, afinal, não teríamos o que falar para bandidos que sabem que estamos certos, mas teimam em advogar suas saídas para a crise mesmo não acreditando nelas.

Os homens do governo atual, de Bolsonaro, e os seus intelectuais, estão convictos que suas explicações da crise brasileira são corretas. E em parte, para os interesses do capital, estão mesmo! Eles falam da crise gerada pela necessidade de combater a inflação, não deixar a corrupção reaparecer, e então fazer o “ajuste fiscal”. Nós, vendo como o capitalismo financeiro funciona, queremos colocar que a crise é devido à dívida, que esta deveria ser auditada, e que se não trouxermos o capital para o campo da produção, com algum controle sobre a financeirização, não teremos chance de sobreviver. Podemos sentar para conversar e podemos por na mesa a nossa narrativa, levando a sério a deles, porque não estamos nos sentando com gente que sabe de tudo e que só nos ludibria com sacanagem, ainda que saibamos que os adversários jamais seriam canonizados pelo Papa Francisco.

Quando abandonamos o capital na sua tarefa invertida de ser sujeito, e começamos a olhar só para o jeitão de Dalagnol e William Waack, acreditando no poder enganador deles sobre nós, e achando que isso é a história, pegamos uma via que não é a da minha preferência. A narrativa de Jessé serve para a rede Globo fazer novela, ela até nos mobiliza emocionalmente, mas ela ajuda pouco na hora de enfrentarmos a política.

Paulo Ghiraldelli Jr., 62, filósofo.

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35 Responses “O atraso da narrativa de “A elite do atraso””

  1. Valéria Castilho
    26/07/2019 at 11:00

    Então, acabo de ler. Penso que tirando o vier de esquerda que prejudica uma analise isenta do trabalho sociológico apresentado. Achei a provocação válida.
    E, tenho que dizer que carapuça me serviu, pois inúmeras vezes acabo por justificar algumas atitudes nossa, pela justificativa apresentada por Jessé do “homem gentil” e vira-lata.

    • 01/08/2019 at 08:53

      “viés de esquerda”? Querida, não existe análise “isenta”

  2. Alexandre
    14/07/2019 at 16:32

    Paulo, eu li o seu post por causa do comentário no canal “Partigiano”. Mas, de fato, você só citou aqui o trecho de J. de Souza mostrado pelo canal. E é só em torno desse trecho que você faz a crítica, como dito no vídeo.

    • 24/07/2019 at 20:50

      Não precisa mais, ele dá o espírito do livro. Esse é o ponto da narrativa que a enfraquece, e ele percorre a obra

  3. Olavo
    23/06/2019 at 14:37

    Senti certa estranheza ao ler o livro, principalmente quando o autor desanca gente como Florestan e Faoro mas não tinha me ligado nessa narrativa que o senhor expôs. Agora desanuviou em parte..

  4. Belinha Santos
    13/06/2019 at 08:49

    Professor, o que vem a ser “lawfare”, que andam falando por aí?Meu nome é Isabel Santos cALDERARO).

  5. Wesley da Silva Souza Ana Paula da Silva Souza
    21/05/2019 at 17:06

    Jessé Souza é foda!

  6. Helio Teixeira
    18/05/2019 at 14:52

    Paulo, você nunca está equivocado, não é mesmo? Todos que interagem contigo estão errados e não entendem nada de nada, né? Sucesso aí em sua jornada.

    • 18/05/2019 at 16:08

      Depende Helio, se você fala bobagem, eu corrijo você. E veja como o fato de você não aceitar isso faz de você uma pessoa igual aquela que você me acusa.

  7. Helio Teixeira
    16/05/2019 at 15:07

    Olá, Paulo! Parece-me que você não quis entender, e com isso quero significar que você está propondo simples polêmica, a ideia expressa por Jessé Souza a cerca da “imbecilidade” como condição mascarada pelas relações de poder engendradas no cotidiano. A imbecilidade estaria ligada ao caráter oculto das relações sociais de pertencimento de classe geradas no contexto da escravidão do período colonial e reproduzidas ao longo do tempo. Eu estaria de acordo contigo se houvesse apontamentos a respeito da crítica, a meu ver falha, feita ao patrimonialismo iniciado em Buarque de Holanda. Eu tendo a olhar para sua crítica desde o princípio da caridade, de Donald Davidson, segundo o qual você estaria – de saída – buscando a polêmica em detrimento de uma sincera e honesta busca pelo entendimento do raciocínio de Jessé Souza. De qualquer forma, gosto do seu trabalho.

    • 16/05/2019 at 23:09

      Hélio, o princípio de Davidson NADA tem a ver com isso. Nadinha. Tá errado. Quanto ao resto, você não está equivocado, apenas errado por pressa de concluir. Você gosta do meu trabalho, mas eu não gostei de sua observação. Precisa mais prudência, mais calma para abordar um filósofo. Sobre o Buarque, o próprio Jesse não faz o que promete, abandona o projeto antes de dez páginas.

  8. arivan
    12/04/2019 at 11:35

    O senhor não entendeu a tese o Jessé

    Tudo fica explica aqui

    Resposta a Paulo Ghiraldelli – entendendo Jessé Souza | Canal do Partigiano
    https://youtu.be/isWV3CMXa1M

  9. João Henrique Abbud
    12/04/2019 at 07:32

    Minha única crítica é ao ecletismo do autor! Se fosse um marxista e realiza-se esse tipo de análise derivada da crítica de Marx ao capitalismo eu acompanharia mais seus textos, porém, me parece que o senhor a usa apenas quando lhe convêm, procede essa crítica?
    Pois seu domínio quanto a categoria do fetchismo e sua ilustração para “os homens fazem, mas não sabem pq o fazem” foi cirúrgica, difícil encontrar “marxistas” que tenham esse domínio!

    • 12/04/2019 at 10:27

      João, paramos de falar em “ecletismo” nos anos 70/80. Somos intelectuais, não religiosos.

  10. lucas
    11/04/2019 at 20:40

    Belo texto Paulo!
    Estou com seu livro o que é pragmatismo, e estava pensando se a crítica feito aos pragmatistas por suas posições políticas serem mais a direita do espectro político são verdadeiras, ou se são somente críticas por desconhecerem a filosofia pragmatista. Neste mesmo sentido algumas críticas feitas ao pragmatismo que deixaram de lado análises importantes sobre a estética são da mesma forma por desconhecimento do que seria o pragmatismo, ou fazem jus a filosofia pragmatista.

    Att,

    Abraços.

    • 12/04/2019 at 10:26

      O preconceito contra a filosofia americana é vigente. As pessoas acham que um país altamente tecnológico não tem filosofia.

  11. mathaus
    11/04/2019 at 19:54

    Desculpa, é que eu me apaguei a um trecho específico e fora do contexto influenciado por noticias recentes.

  12. Anderson Thadeu
    07/04/2019 at 16:00

    Tudo bem Professor? Sou admirador do seu trabalho, especialmente do canal do youtube. Também já acompanho entrevistas do Jessé Souza, especialmente sobre o livro citado. No meu entender, a maior contribuição do autor é quanto à natureza escravocrata do Brasil que não foi desfeita. As relações entre Casa Grande e Senzala continuam mantidas, o que as estatísticas, os acontecimentos e as relações quotidianas não desmentem. Ele faz uma crítica acerca de um suposto ‘brasileiro cordial’, perfil que foi montado por intelectuais como Sérgio Buarque de Holanda, Raimundo Faoro, dentre outros. A tese que ele expõe tem uma linha de argumentação bastante sensata e, me parece, inédita; e incômoda. Com relação ao termo “tontos” ela desperta uma mesma inquietação de desconforto similar a palavra “medíocre”, que ganhou ares de pejorativo, quando faz alusão ao que é médio, corriqueiro. O tonto que ele usa refere-se ao fato de a população em geral ter sido feita de tonta. A corrupção, e uma gama substancial de temas, é tratada no jornalismo (brasileiro) como a causa de todos os males. O jornalismo elegeu o bloco político como o único responsável pela praga da corrupção, quando sabe-se, e os jornalistas acredito que mais do que a média das pessoas que estão informadas, que a corrupção é sistêmica. Nesse sentido, ao transmitir a imagem de que a remoção de um determinado partido político da cena eliminaria a corrupção, fez a população de tonta, sim. E tonto não quer dizer burro. Tonto que dizer no contexto da discussão do livro, feito de bobo, que foi enganado, ludibriado.

  13. andre ribeiro filho
    07/04/2019 at 13:20

    ÔÔÔ Professor…. a título de curiosidade…. o Senhor gosta de bolinho de laranja….????

  14. mathaus
    06/04/2019 at 04:48

    Ora! Ora! Mas ele pode ter mirado onde viu e acertado de raspão o que não viu.
    Olavetes do MEC(Que comandarão TV escola), Guedes, Globo, Moro e seus bluecaps são apenas um bando de mercenários seguindo a risca a idelogia que professam:”ai de fazer tudo de interesse próprio, pois responsabilidade é coisa de esquerdista”.
    Não há maldade aqui, só estão fazendo o que a ideológia diz que é moralmente correto.

  15. Richard Huston Figueredo
    05/04/2019 at 16:20
  16. Assis
    05/04/2019 at 00:24

    Boa noite, professor Ghiraldelli!

    Ganho muito com seus ensinamentos, e certamente o que tratarei agora não é exatamente pertinente, mas creio ser importante. Quero falar sobre a ignorância da maioria das pessoas quanto ao que é dinheiro e o que é riqueza.

    Um assunto nunca tratado é que bastantes cidadãos, principalmente na minha região, pensam que o dinheiro público vem da mágica. Pensam que o governo fabrica papel moeda e o distribui sem lastro. Não associam uma cédula de R$ 100 a algum produto ou serviço gerado em outra parte do país, ou no lugar onde estão, lastreando tal cédula, fazendo a razão dela existir.

    O que acontece?! Muitas pessoas veem no político que administra o FPM, FPE, emenda parlamentar, alguém que possui as chaves do cofre da riqueza, e, talvez por isso, buscam no Estado brasileiro, no poder público, a fonte de tudo o que lhes pode ser oferecido. Vou citar exemplo para que eu possa ser entendido: o empresário desconhece que presta um serviço, qual seja, trazer ou comprar de longe, em grande quantidade e a preço mais barato, produtos que, se não fosse por ele, os consumidores só teriam acesso pagando um preço bem maior. Esse empresário imagina que o seu lucro advem unicamente do dinheiro originado dos agentes públicos, que compram no seu estabelecimento.

    Essa é a questão! É como se ninguém gerasse riqueza, é como se ninguém prestasse serviços ou fabricasse produtos, ainda que sejam os mais elementares possíveis. É essa consciência que muitas pessoas não tem, e é por isso que não valorizam o dinheiro público, pois é como se fosse algo gratuito e dependesse somente da benevolência do governo.

    Não sei se consegui passar para a mensagem o que quis dizer, mas, humildemente, quando o senhor puder comentar, ficarei bem satisfeito, porque é uma questão de grande importância e que ninguém liga!

    Grato!

  17. Mariniel
    04/04/2019 at 11:22

    Professor, acho seu texto muito bem colocado. Não é possível atribuir o curso da história a indivíduos mau ou bem intencionados.

    Mas será que podemos simplesmente negar que existe uma minúscula elite que se conhece, se organiza e constantemente usa de expedientes criminosos para conseguir o que querem? Se tivéssemos uma Lava Jato dos trabalhadores com todos os recursos investigativos disponíveis, o que ocorreria com essa elite se posta nos bancos dos réus? Seriam eles tão ingênuos assim a ponto de deixar suas ideologias conduzirem sua ação política, sem que em momento algum agissem com o pragmatismo próprio do sistema financeiro?

    Entendo que ocorre um processo de Coisificação na política e na mídia, mas não acho que podemos perder de vista que são seres humanos reais a apertar os botões. Acreditando ou não em sua superioridade moral essas pessoas continuam se envolvendo com a sujeira da política fisiológica e com o submundo dos crimes financeiros.

    Eu vejo o trabalho do Jessé mais como um jornalismo que tenta se aproximar da sociologia e com objetivos declaradamente políticos. Se pegarmos a cobertura da TV Brasil sobre a Lava Jato e o Impeachment vemos que é possível informar a população sem poluir o debate com todo o tipo de baixaria. Por que teríamos que nos contentar com a cobertura dada pela Grande Mídia? Estariam os seus editores livres de qualquer crime?

    • 04/04/2019 at 18:36

      Marinel, eu acho que você não chegou a ver bom jornalismo. O trabalho do Jessé chama o povo de tonto a cada duas páginas.

  18. Lucas Diniz
    03/04/2019 at 23:15

    Professor, concordo com a sua análise. Entretanto, não entendi se a crítica que o senhor faz com base no Sloterdijk diz respeito a uma interpretação “equivocada” desse ser humano “inacabado”, ou se é realmente uma crítica direta ao existencialismo. Se puder me esclarecer ficarei grato.

    • 04/04/2019 at 18:37

      O trecho citado diz as coisas com cuidado. Reveja-o

  19. Assis
    03/04/2019 at 22:49

    Boa noite, professor!

    Pelo que entendi, somo pacientes enquanto sujeitos, e o capital, hoje financeiro, é agente, ditando os acontecimentos. Concordo! É como se alguém, para ser influente, tivesse de estar no lugar certo e na hora certa, ou seja, o fato de ser um político determinante, por exemplo, seja contingente. Mas, na parte relativa a Jessé de Souza, o senhor diz que não existem mocinhos e vilões nas relações sociais, afirmando que o indivíduo de direita acredita nas ideias da direita e age de boa fé, no que concordo em parte. Realmente, tem o pessoal de direita que acredita sem titubear que a meritocracia é o caminho moral a ser trilhado, pois muitos sobem na vida trabalhando duro, indiferentes à justiça social, pois o melhor é que cada um cresça sozinho, seja autossuficiente; esse é o verdadeiro bem nesta visão. Porém, tem aqueles de direita que, não sendo indiferentes, são sádicos e egoístas; estes aparentemente gostam de conservar as coisas e pessoas como são, desiguais. Acredito que é neste último ponto que é compatível a análise de Jessé, embora não o tenha lido, só visto suas entrevistas. Sádicos conservadores, muitas vezes retrógrados, é que muitas vezes chegam ao poder e são personagens decisivos no que diz respeito às grandes narrativas politico-sociais. Nisto eu acredito, apesar de poder estar errado!

    Gostaria que o senhor comentasse!

    • 04/04/2019 at 18:39

      Assis, acho que você leu muito rápido meu texto. Meritocracia não é bem o caso né? Eu estava falando de visões gerais, não de detalhes.

  20. Rosemary Roque de Aquino
    03/04/2019 at 19:15

    Boa noite professor!
    Sou professora no ensino fundamental 1 e venho lhe acompanhado pelo you tube e digo que me sentir com uma certa esperança de que ainda podemos lutar para não perdemos o Brasil. Estou lendo novos livros de sua indicação e revendo outros . Vou ler esse texto com mais atenção!!!

  21. 03/04/2019 at 15:10

    Professor, o senhor já leu “O Fim do Poder” de Moisés Naim? Ou poderia me indicar algum outro livro que você acha que deveria ser obrigação lermos?

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