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17/08/2017

Você sabe algo sobre sexo?


Não há nada que seja assunto mais comentado entre nós que sexo. Foucault disse essa verdade que alguns, adeptos toscos da “hipótese repressiva” (do freudomarxismo do boteco), não conseguiam ver. Não somos reprimidos quanto a falar de sexo, aliás, falamos disso – só falamos disso!

Mas entre falar e saber há um mundo. Falamos demais, mas não sabemos tanto sobre o assunto. Ao menos não tanto quanto falamos. Sabemos o que faz um mulher não conseguir gozar? Na verdade, apesar de levantarmos um bocado de hipóteses, não sabemos. Sabemos que uma parte grande das mulheres não goza “internamente”. Fingimos saber, mas não sabemos. Não queremos saber. Não para além do que já fez a “pílula rosa”. Há uma série de mistérios sobre nossa sexualidade. Tanto é verdade que ainda, popularmente, há quem não se aceite como bissexual, mesmo sonhando à noite com elementos que claramente indicam um excitação homossexual. Ou seja, não sabemos muita coisa, porque há certos saberes que nos levariam a ter de entender que identidade não é algo tão fácil assim, não é colocar um chapéu ou um laço na cabeça e pronto.

Sabemos tão pouco que ousamos não acreditar que nossos parceiros ou parceiras sexuais, namorados ou casados, se masturbam com vídeos e fotos de sexo, numa visão clara de sexo com outros, ou seja, figuras que não somos nós. Homens fazem isso, curtem pornografia, e não deixam de gostar de suas parceiras e muitos menos se tornam estupradores por causa disso, ao contrário do que disse por aí um certo feminismo tolo, principalmente americano. Mulheres curtem pornografia cada vez mais. Há estatísticas que mostram que elas já ultrapassaram os homens nisso. Nossas mulheres estão deitadas ao nosso lado na cama e estão vendo pornografia, e nós nem percebemos. Aliás, algumas nunca vão nos dizer, mas estão fazendo sexo conosco e pensando em outro. Não necessariamente em outro determinado, mas em elementos fantasiosos – um pênis maior, um pênis negro, uma parceira feminina junto, um monstro, algo mais selvagem ou mais doce, etc. Essas mulheres não querem, necessariamente, nem saber de trair seus parceiros. Ao menos não por conta dessas fantasias. As fantasias excitam como fantasias. Uma boa parte das mulheres não teria tesão alguma se tais fantasias virassem realidade.

O ciume faz parte do amor e do sexo. Portanto, pornografia e fantasia são pornografia e fantasia; em muitos casos não cabem dentro da vida do casal senão assim. Os casamentos abertos e o swings, que estão aumentando, revelam outra coisa. Revelam apenas que o que é chamado casamento mudou de nome – isso não é parceria. É confusão de parceria. No Ocidente a intimidade resguardada não cabe mais que dois. Quando cabe mais, é porque toda uma cultura se transformou. Enquanto o arcabouço geral não deu mostras de ter mesmo se alterado, exatamente porque tal comportamento não pode ser visto pelos filhos e demais amigos, então é sinal que a tal parceria que se chama casamento (aberto) tem alguns problemas. Sexo não é intimidade. A intimidade vem bem antes, historicamente. Por isso, o sexo pode é ser um vazamento de intimidade. Todos sabem disso. Não estamos na sociedade do swing, ainda não! E os que caem nessa logo verão suas contas bancárias arrombadas.

Ao mesmo tempo que nossa atividade sexual é mais livre, há um outro fenômeno nisso tudo. As religiões caça-níqueis, que crescem no Brasil, não possuem códigos rígidos. Para ter adeptos e, portanto, dinheiro, precisam de códigos pouco rígidos. Mas devem ter códigos de proibição, para soarem aos ouvidos do povo simples algo como “religião”. Ou seja, religião é alguma coisa que proíbe alguma coisa de modo que Deus possa dar alguma coisa. Sendo assim, essas religiões criam alguns tabuzinhos: algo na linguagem ou um grupo social (homossexuais) pode ser o objeto de escárnio, o pecado. Cria-se um pecado só. Em geral é algo do âmbito do sexo. Isso não faz com que deixemos de fazer sexo mais livre, mas nos faz saber menos do sexo, pois temos de falar dele superficialmente, principalmente em certos grupos sociais. Esses grupos aparecem aos mais escolarizados, então, com infantis ou “ignorantes”. E são mesmo.

Vivemos esse drama atual: alguns que falam de sexo não sabem muito dele, alguns que não falam não sabem nada. Os que sabem, nem sempre podem falar. E por fim, os filósofos e sociólogos e psicólogos que acham que podem dar lições de sexo, não sabem fazer sexo. As psicólogas, por sua vez, sabem fazer, mas quando começam não sabem parar.

Paulo Ghiraldelli, filósofo.

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3 Responses “Você sabe algo sobre sexo?”

  1. Douglas
    19/02/2017 at 22:43

    ” As psicólogas, por sua vez, sabem fazer, mas quando começam não sabem parar.” PERFEITO! hahahahahhaahaa

  2. 19/02/2017 at 18:19

    Show.

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