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20/07/2017

Vício e droga – para além da “fraqueza psicológica” ou das “más companhias”


Você gosta de maconha?

A maconha vai receber um tratamento diferenciado no Uruguai. A ideia básica do governo uruguaio é assumir a descriminalização segundo condições específicas de controle. Nós brasileiros saímos ganhando, pois podemos observar a experiência em um pequeno país e ver se tiramos algum aprendizado para enfrentar o problema do vício e do tráfico.

Escrevo esse parágrafo acima com tranquilidade, mas ele não pode ser lido com a minha calma por determinadas pessoas que sabem muito bem, por experiência de terem viciados em casa, que as drogas, todas elas, não são um bom caminho.  Não raro, quando um problema nos afeta fortemente, a ponto de nos vermos isolados e impotentes em meio ao caos, a única coisa que pensamos é na presença de algum vingador (Jesus, a polícia, o governo, a justiça com as próprias mãos, a proibição do mal por meio da censura etc.). Tornamo-nos impossibilitados de pensar a partir de interesses mais amplos, por exemplo, a partir de uma visão do estado, e ficamos no mundo pequeno de nosso sofrimento.

O que a filosofia pode dizer nesse caso? Há o que dizer sobre isso? Talvez exista algo a dizer para o nosso entendimento do papel das drogas e do vício na vida humana.

Não conhecemos na história uma sociedade que tenha vivido sem o consumo de alguma droga. No entanto, conhecemos muito bem sociedades em que o vício e os problemas decorrentes dele não se puseram. Para sermos realmente sinceros, temos de admitir que a informação histórica disposta para nós, modernos, é que o vício é uma questão tipicamente moderna. Talvez exclusivamente moderna.

O filósofo alemão Peter Sloterdijk, em um brilhante texto dedicado ao tema do vício e das drogas, que se tornou capítulo de um livro de 1993,  Weltfremdheit (1), expõe com cuidado filosófico essa informação normalmente associada à antropologia: as sociedades antigas conviveram com drogas de vários tipos, mas elas não conheceram o vício, uma vez que o consumo estava associado ao ritual religioso, e isso de uma maneira que nós temos uma enorme dificuldade de compreender, ou talvez mesmo de vislumbrar.

As epifanias do passado, diz Sloterdijk, davam aos deuses o acesso direto aos homens e vice versa, e nesse clima as drogas estiveram em um campo de utilidade inerentemente religiosa, ganhando então sentido coletivo que desconhecemos. Quando os deuses se calaram, quando os oráculos emudeceram, quando os xamãs deixaram de acariciar os homens, veio junto um tempo de descodificação do que os deuses poderiam querer dos homens, uma perda da noção de sagrado. Tudo aquilo que Weber distinguiu por meio da célebre expressão “desencantamento do mundo”, não ocorreu rapidamente, mas foi um processo longuíssimo, e abriu espaço para que a opção pelas drogas se desse no consumo privado, sem qualquer sentido, com a abertura das portas para o vício.

Algumas sociedades de transição entre o encantado e o desencantado mostram um período de nascimento do vício enquanto fruto do consumo privado. São sociedades em que o emudecimento dos deuses e a decadência dos rituais deixaram as drogas soltas, para caírem sob o comando falso de quem efetivamente passou a ser por elas comandado.

Sloterdijk associa a isso mais um elemento: nosso tempo também é um tempo em que o desejo de não existência se faz presente como desejo real. Nesse âmbito, a droga que é, verdadeiramente, algo que consome aquele que se imagina o consumidor, ganha então o meio pelo qual esse desejo de voltar a não existir pode ser de grande valia. Mas, o que é tal desejo?

Trata-se de um desejo que, a meu ver, até pode ser lembrado como detectado por Freud. Foi o pai da psicanálise que falou de instinto de morte ou de destruição. Freud usou de uma cosmologia em que, no limite, gozo e morte mostrariam como que a natureza, que é rompida pela cultura que gera o ego, quer voltar a descansar na perda do ego, na total desintegração do sujeito. Sloterdijk chama algo assim de “a vontade de não ser”.

Ao invés de uma ontologia estática, ou seja, a busca pela “mobília do mundo”, Sloterdijk está em busca de uma cinética do ser, uma linguagem capaz de expressar o que vem da inexistência à existência e que aponte para a inexistência. Ele corrige Heidegger, afirmando que este não deveria de falar do “ser no mundo”, mas usar do “no” no sentido de “ser entrando no mundo”. Reclama por uma ‘analítica do vir ao mundo’. Nesta, clama pela noção que entende encontrável em Sócrates, a de metoikesis, que tem a ver com mudança de elemento, especificamente quando Sócrates fala da mudança de morada da alma, ao estar prestes a tomar a cicuta. Sua disposição, então, é a de mostrar que é um tanto ridículo uma filosofia que considere a existência de um ponto de vista estático e positivo, como se ela não implicasse a inexistência. Desse modo é possível ver, ontologicamente, que há uma marcha, e que é bom sairmos do vocabulário que condena o homem a se ver descrito como estando estático, fora dessa marcha. No contexto dessa ontologia, então é possível ver com certa razoabilidade a vontade de não ser e, assim, o que se passa com o vício, com o consumo de drogas entorpecentes desvinculado de ritual e preso ao campo privado (p. 149).

Que se preste atenção aqui nesse trecho altamente importante de Sloterdijk:

“Por meio do consumo privado e des-ritualizado de drogas, os sujeitos se abrem a uma via de retorno selvagem, por assim dizer, à inexistência. Com frequência, eles creem ter expressamente um direito a semelhante saída, como se fossem penetrados, em um rincão da consciência, pela convicção de que são demasiados soberanos para ter que arcar com o peso da existência (…) Nada conforta tanto quanto a certeza de pode poder escapar da escravidão do próprio instinto de conservação” (pp. 149-50)

Para vários entre nós, a existência se torna o que ela é, um peso não pelas suas condições duras, mas um fardo que pode ser mensurado, por exemplo, pelo contraponto, ou seja, os momentos de gozo sexual e outras situações em que o próprio instinto de conservação não pode cobrar nada. Nossa linguagem preserva expressões que apontam para essa adega em que estão as garrafas de doses inexistenciais. Usamos “morro de rir” ou “ainda morro disso” ou simplesmente “morri”. Nessas situações, não indicamos uma tragédia, ainda que seja o caso, mas a necessidade de estamos vivos enquanto ao mesmo tempo cessamos os deveres e até mesmo os direitos do “cidadão da realidade”.

A sociedade, lembra Sloterdijk, não irá chamar quem apela para a fuga da realidade de outra coisa senão de desertor. Mas, quando notamos historicamente a cultura nirvânica, e no Ocidente a cultura das religiões salvacionistas, podemos ver de modo mais amplo que não se trata de uma fuga somente.

No âmbito das religiões de salvação, o ser e o não-ser convivem em dualidade. Pois a ideia de um mundo bom por natureza, pois feito pelo Criador, deve conviver com buracos de algo que não segue a mesma bondade, as almas. Então, seria melhor uma transição para a morte, uma vez que a vida é falsa. Esse início de gosto pela morte, pela volta à inexistência, ganha formas de narrativas ontológicas que expõem tudo a partir da dualidade ser e não-ser. São narrativas que vão da cultura gnósticocristã até a psicanálise de Freud.

Ora, mas, nesse caso, também a descrição ontológica do próprio Sloterdijk não se encaixaria em uma narrativa desse tipo? Não creio que ele negaria isso. Ele está, certamente, querendo fazer uma narrativa assim, capaz de explicar outras, mas com a determinação de falar da ontologia não por meio da metáfora dita “mobília do mundo”. O mundo não é povoado de peças. O mundo está povoado por aquilo que viaja, transita, mas não como peças imutáveis, e sim como o que se desloca em si mesmo, transformando-se enquanto muda no espaço e no tempo.

No campo de uma narrativa ontológica desse tipo, pode-se perceber que o vício não se instaura por conta de poderes químicos que porventura a droga possui. Isso é apenas um dado. O que importa é que o vício não é só fuga. Ele é parte de uma determinação ontológica profunda que não está arraigada na existência somente, mas também na inexistência. Por isso mesmo é possível então compreender os vícios que não envolvem a droga química (ainda que transformações químicas ocorram). Todos conhecem bem o quanto o workaholismo e, enfim, a necessidade do hobby, se fazem presente entre nós.

Aliás, o hobby comanda o mundo atual que pede o entretenimento quase com o mesmo sentido de não-ser que o vício do trabalho o abraça. Pascal viu o “divertimento” sem, no entanto, notar que, já naquela época, ele indicava ser parte do vício associado ao desejo de não-ser, a agenda da inexistência, sem que isso tivesse que envolver qualquer força química.

blackoutO que Slorterdijk propõe, portanto, é que possamos compreender os vícios destrutivos como o que adquirimos por determinadas transições históricas, mas que deitam raízes em algo que pode ser descrito ontologicamente, se soubermos alterar nossa noção de ontologia. Saindo da ontologia que dogmaticamente se mantem positivista, admitindo como base a oscilação entre ser e não-ser, podemos ganhar uma dimensão nova a respeito do vício.

Criar uma narrativa ontológica baseada no “dogmatismo da existência” foi mais fácil. Todavia, essa narrativa deixa para fora o que é visto algo esporádico. Mais correto, penso eu, é levar em conta o advento das tendências ascéticas e negativas, não só como o que pode ser historicizado, mas também como o que não pode ser tomado como um mero momento histórico passageiro. O fardo da existência não produz um sintoma simples que possa ser aquilo que vemos em um cansaço por causa de uma gripe ou o desânimo provocado por um emprego perdido ou uma fuga do mundo por conta de um insucesso financeiro ou ainda o trágico infortúnio do encontro com a química em uma balada qualquer. Há algo de mais monstruoso nisso tudo.

Digo “monstruoso” no sentido de monstro, de horrível, mas também de gigantesco. Por que o vício, nessa sugestão de Sloterdijk, não se apresenta segundo uma fórmula fácil e ingênua, que seria dizer “ah, trata-se de algo inerente à natureza humana”. Não é disso que falamos até aqui. Falamos do vício como o que é historicamente datado. Trata-se de algo moderno, de algo que é fruto da modernidade, enquanto noção antes filosófica que histórica. Mas, também, trata-se de algo que poderíamos compreender melhor se descrito por uma narrativa ontológica capaz de vê-lo como não só associado às drogas, mas como o que tem a ver com o “desejo de não ser”, com a força que nos chama para a inexistência e que convive com as energias da existência.

O vício associado à droga e o vício em que a droga não é um mero produto ingerível (o jogo de cartas, o de apostas), mas uma prática, até mesmo uma prática vista como virtude (o trabalho e o hobby obrigatório), podem pertencer a uma mesma narrativa ontológica, ou talvez cosmológica. Fazendo isso, a filosofia quiçá possa nos levar a um patamar de compreensão de nossas mazelas vinculadas ao vício de um modo que nos deixe com as mãos tão atadas como estamos agora.

© 2013 Paulo Ghiraldelli, filósofo

Há edição em português. A que tenho em mãos é a edição espanhola: Extrañamento del mundo. Valencia (Espanha): Pré-textos, 1998, com reimpressões em 2001 e 2008.

Mais? Veja o vídeo sobre drogas, vícios etc. do Programa Hora da Coruja

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21 Responses “Vício e droga – para além da “fraqueza psicológica” ou das “más companhias””

  1. Rafael Costa
    26/05/2017 at 19:56

    E a questão das drogas posta nos sixties, como forma de liberdade e auto afirmação dos jovens daquela época, entrariam nesse contexto ontológico de vício, ou nem chegam perto?

    Abraços.

    • 26/05/2017 at 21:14

      Rafael, não deu muito tempo de ser uma prática livre, com algum ritual, o fato é que logo vieram os anos 70, com a droga pesada e o tráfico.

  2. Orquidéia
    25/05/2017 at 08:01

    Um palpite.
    No tempo em que a religião era uma influência preponderante na vida das pessoas,então não existia o vício autodestrutivo.
    Ele passou a existir depois que ela,a religião_ deixou de ser tão importante.
    E a criatura humana busca desesperadamente a transcendência.
    A transcendência desse modo,passou a ser procurada de uma maneira mais estressada.

    Pelo que entendi do seu texto, nossa vida é totalmente regida por essa necessidade.

  3. Cesar Marques - RJ
    28/03/2015 at 11:44

    Vou precisar reler o texto com calma, para fazer uma reflexão mais acurada. Por ora, gostaria penas de fazer duas pequenas observações:

    – O Presidente Mujica, em entrevistas, disse que essa atitude do Uruguai não tem nada que ver em lidar com o vicio e sim em lidar com o tráfico (tirando de suas mãos essa mercadoria valiosa, como os EUA no passado tiveram que fazer com as bebidas revogando a Lei Seca), além de respeitar um preceito liberal básico que é o de uma pessoa sã, maior de idade, em locais estabelecidos, poder consumir a maconha assim como o fazem os que consomem tabaco.

    – Faltou o senhor dizer que o Freud era chegado numa cocaína. Isso não é um fato irrelevante.

    • 28/03/2015 at 11:49

      Cesar! Freud não era chegado numa cocaína. E meu texto não é sobre Mujica ou não Mujica, mas sobre a solução de Sloterdijk para pensar as drogas.

  4. Roberto William
    17/04/2014 at 16:50

    Paulo, Estou utilizando uma parte do que você disse para compreender nossa (minha) dificuldade em “manter o peso”, ou seja, “estar forma”, com o corpo “sarado”. Veja bem, as drogas consumidas sem um propósito levam ao vício. Idem para as guloseimas. Certo? Se estabelecermos um sentido para comer e beber, não exageraremos na quantidade ingerida e, assim, ficaremos com o corpo saudável. Por exemplo: se eu beber apenas socialmente, uma vez por semana, dificilmente me tornarei em um alcoólatra. Da mesmo forma, se eu resolver comer açúcar apenas uma vez por semana, na sobremesa do almoço de domingo com a família, engordarei coisa alguma.
    É a filosofia ajudando até mesmo no processo de emagrecimento.

    • 17/04/2014 at 17:55

      Roberto, não creio que a filosofia ajude nisso. Emagrecer é uma questão de decisão. Depende do seu pai ter tido sucesso na educação sua.

    • Roberto William
      17/04/2014 at 19:11

      E para uma pessoa se livrar do vício das drogas ela não precisa decidir por fazê-lo? Se for assim, o que a filosofia tem pra falar de útil? No meu entender, Comer pode ser um vício tanto quanto Usar drogas. A diferença, que para você faz muita diferença, é que as drogas viciam e dominam infinitamente mais que um docinho. TODAVIA, a lógica é a mesma: fazer algo por uma obsessiva busca de PRAZER, que é o que se vive hoje em dia, é igual a dar um passo decisivo rumo ao vício! Sendo esse uma vontade que quando não satisfeita nos faz sentir os sintomas da abstinência…. ou coisa parecida. Eu diria até o seguinte: algumas religiões pregam que o sexo serve só pra procriação, justamente para as pessoas não “viciarem” em sexo, tendo em vista que a falta de controle sexual possui no mínimo três consequências: Aumento de chances de se pegar DST; Gravidez precoce e mais uma terceira que não sei, mas que deve exisitir hehehe

      Eu apenas usei o que o senhor disse sobre o vício e apliquei em casos não exemplificados no seu artigo, embora esses casos sejam menos graves, sem dúvida!

      É isso.

    • 18/04/2014 at 02:11

      Roberto William, não creio que a filosofia possa ajudar a você ser uma pessoa capaz de decidir. Só seu pai pode ajudar. Se ajudou, ajudou. A filosofia, na atual circunstâncias, pode ajudar você entender de onde vem sua incapacidade de decisão.

    • Roberto William
      19/04/2014 at 02:39

      Sim, exato Paulo Ghiraldelli, o que não deixa de ser uma ajuda no “processo de emagrecimento”, ou melhor no processo de decidir, certo? Entender a incapacidade de decisão é um passo para se tornar capaz de decidir. Claro que meu pensamento não é apenas sobre “emagrecimento”, e sim sobre como se livrar dos vícios “menos grave”. Digamos que eu percebi algo que você não quis dizer, mas foi através do seu texto que eu percebi: sempre que fazemos algo buscando o prazer caímos fácil no vício. Sentir prazer não é errado, contudo temos que estabelecer um horizonte de sentidos para que assim não nos viciemos em uma determinada conduta.

  5. 03/02/2014 at 21:01

    Nietzsche escreveu que Jesus não afirmou e não negou o mundo, ele ignorou-o. Seria essa a conduta, a fase mais aguda do niilismo, daquele que busca a inexistência nos entorpecentes? Ou nada disso tem relação?

  6. thiago de lima
    16/01/2014 at 08:43

    Isso também serve em relação as mulheres?

    abraço,

    thiago.

  7. Thiago Leite
    19/12/2013 at 21:33

    Paulo, quando você fala do vício nos rituais isso significa que tanto a revolução francesa quanto a industrial estão fora dos argumentos do seu texto, né? Pq não vi vc falando de liberdade e da produção em massa de drogas.

    • 20/12/2013 at 01:42

      Thiago, eu falei o contrário, leia lá. Ritual não dá vício.

  8. 17/12/2013 at 11:55

    Pelo jeito terei de assistir ao Hora da Coruja a fim de melhor entender o que queres dizer. Até lá.

    • 17/12/2013 at 12:51

      Acho que não, acho que é só ler sem pressupostos, ou seja, ler o texto como texto e não como pretexto.

  9. 17/12/2013 at 01:08

    Talvez esse novo modo de ser no mundo seja marcado (e retroalimentado) pela individualidade (usar drogas, jogar, consumir, gozar, enfim, visando a satisfação individual de modo a ver nisso um fim, e não apenas um meio, como uma parte do ser, e não o ser mesmo), e dizer isso Bauman já disse. Resta saber se isso é algo possível, e desejável, de ser contido, ou talvez construído de maneira a lhe emprestar uma finalidade que possa pensar no outro também enquanto sujeito. Porém, se o próprio sujeito não deseja ser sujeito, verá um sujeito no outro? Logo, a religião não pode servir para retirar alguém desse modo de ser individualista e objetificado/objetificante, visto ser ela outro modo de ser sem ser, como Nietszche tão bem falou em “o anticristo”.

    • 17/12/2013 at 03:13

      Bem, meu texto não diz respeito propriamente a isso, a uma satisfação individual ou ao individualismo. É uma descrição ontológica. Esse é o problema de quem lê Bauman, ele sociologiza de um modo simplório.

  10. 16/12/2013 at 19:54

    Mais uma dose de sabedoria com gelo, por favor. rs seu próximo livro poderia se chamar “Para além do banal”. A partir do que você disse sobre a ideia da busca pelo não ser, penso que, talvez, essa tentativa de não ser esteja ligada a uma necessidade de transcendência, que clama pela superação do homem, num deserto positivista onde o universo e a terra estão apartados. Ontem Nietzsche disse que o veneno do último homem produzia sonhos agradáveis, hoje ele diria que os remédios estão trazendo pesadelos, ao ponto de as pessoas não mais saberem se existem porque pensam, e acreditarem que o pensamento é descartável como a merda do homem.

    • 16/12/2013 at 21:30

      O tom é nietzschiano, claro, mas Sloterdijk está pondo mais sal na sopa do que eu imaginava de início nesse livro dele, e que ajuda em muito a compreensão das drogas e do vício.

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