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25/07/2017

Tomar posse de escolas, ôba! Mas e então?


Há estudantes tomando posse da escolas em São Paulo. São seis, no momento em que escrevo. Alckmin reage mal. Do mesmo modo que fechou as escolas sem consultar ninguém, inaugurando uma política injusta e realmente prejudicial para o Estado de S. Paulo, agora não entende a oportunidade de ouro oferecida. Qual?

Em geral o estado emprega uma energia enorme, e recursos financeiros aí incluídos, em campanhas que querem mostrar aos jovens que o patrimônio público é deles, que é preciso saber cuidar do que é, enfim, de todos nós. Gasta-se muito tempo dizendo aos alunos: “a escola é sua, o professor está aí para ajudar você a crescer, senão pode amá-lo, ao menos o respeite”. Muitos jovens não aprendem isso. A adolescência com seus hormônios realmente não ajuda muito. Quebram a escola, ameaçam professores. Nessa hora de invasão, começam a pensar diferente. Tomam posse finalmente da escola, não a querem fechada, sentem finalmente que perderam algo. Havia um mundinho ali, de namoro, de leitura, de risada que, num raio em céu azul, foi para os ares. Alckmin deveria agir agora, como médico, como professor, como ser pensante, não mais como político mesquinho. Deveria ter a grandeza de repensar as coisas e olhar para esses meninos não como adversários políticos que, afinal, não são, pois seus pais, aposto, votaram todos no governador.

Um governador nessa hora iria pessoalmente dialogar nas escolas. Iria pessoalmente dizer: “ok, vocês gostam mesmo da escola, então, como estão se organizando aqui para cuidar do patrimônio público, dado que não estão com faxineiros”. “Vocês gostam mesmo da escola, então, vamos fazer um pacto, quanto de nota vocês prometem tirar daqui para diante?” Isso não seria infantilizar os meninos e meninas, conforme o modo da conversa, possivelmente dirigida pelo Secretário de Educação. Essa seria uma atitude bem diferente do que pede a velha esquerda, que já está eufórica achando que “vem aí uma nova geração de militantes”. Aliás, a esquerda só saber pensar nisso, em “nova geração de militantes”!

Falta no Brasil esse tipo de governador, de político, que consiga ganhar o respeito da população por atos ousados. Não estou falando de populismo não. Isso tá cheio. Estou falando de um governador que possa realmente ser uma pessoa, um intelectual com diploma de médico. Quem foi negociar com bandido para salvar um filha do Sílvio Santos, pessoalmente, tem coragem para ir na escola e conversar com os meninos, fazer a vontade deles num momento crucial, que iria reverter toda a história da educação brasileira. Algo como: “ok, vamos então cuidar da escola, em conjunto”. Na verdade, não há nada que prenda o governador de modo que ele não possa agir assim. Não seria mexer no plano todo da reorganização das escolas, mas entender que o momento criado negativamente poderia ter um saldo positivo em termos de conscientização de um lado, e de inauguração de uma nova forma de fazer política por outro.

Sinto uma tristeza imensa de ver que a esquerda e a direita irão ler esse meu texto e rir da minha ingenuidade. Mas ficaria mais triste se o meu leitor, o meu leitor mesmo, não perceba que pode vir comigo nessa ingenuidade. Afinal, se não há ingênuos, não há filósofos. Um “realista” nunca consegue fazer boa filosofia.

Paulo Ghiraldelli, 58, filósofo.

peruzzof

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9 Responses “Tomar posse de escolas, ôba! Mas e então?”

  1. Andres
    19/11/2015 at 13:11

    Ótimo texto. Penso muito parecido com o senhor.

    O que estamos precisando mesmo é resgatar o mediador que existe dentro de nós. É pegar na mãozinha do governador e senta-lo na cadeira é pegar na mãozinho dos estudantes e senta-los nas cadeiras e aí de forma inteligente mediar o debate saudável que é falar e ser ouvido mas ao mesmo tempo ser ouvido e falar e ai então, acredito eu, que começaremos a resolver a crise educacional profunda na qual nos encontramos.

    Paz a todos, e sempre de coração e mente aberta bora fazer o bem.

  2. Luh
    14/11/2015 at 17:10

    Nossa, seria fantástico mesmo, repassando… \o/

    • LMC
      16/11/2015 at 10:00

      E o Geraldo Alstom quer ser
      Presidente???Vai,vendo,
      Percival!!!!!kkkkkk…….

  3. RAMBO
    13/11/2015 at 17:24

    Ele mandou a polícia negociar. Esse é o Alckmin. Na verdade o governador não manda nada, ele apenas segue à risca a cartilha neoliberal ordenada.

    • 13/11/2015 at 17:56

      Rambo não venha mais aqui para pronunciar cliché. Aqui não. “Cartilha neoliberal”? Ah, não, você não poder ser meu leitor. Proíbo.

    • Bruno
      14/11/2015 at 16:48

      RAMBO, você foi expulso da selva e vei parar aqui como?

  4. 13/11/2015 at 14:08

    Obrigado pelo texto Mestre Ghi.

    Ao mestre com carinho.

  5. Bruno Zoca
    13/11/2015 at 12:01

    Penso da mesma maneira. Aqui no Paraná o Governo insinuou fechar algumas escolas e um movimento começou a se organizar. Ele acabou recuando dado que sua popularidade já não é boa, mas mesmo assim ele não admitiu esse recuo e ousou propor uma melhoria das escolas cogitadas a fechamento sejam quais fossem o pacto, apenas disse que isso vazou por uma funcionária mal informada e que ele não disse nada.
    Infelizmente a grande maioria desses políticos só fazem a cartilha do mais do mesmo, nenhuma novidade, só demagogos de plantão que pegam aqueles sem boa formação escolar como militantes (bolsonaros).

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