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26/04/2017

A subjetividade e a mídia virtual na era do “fim do sujeito”.


Como compreender o ciberativismo hoje? São sujeitos em uma era de “fim do sujeito”? Como pode isso?

Ao vermos o volume de pessoas na Internet dando opinião política, podemos imaginar que o Brasil ganhou um novo patamar de consciência social. Olhando o mundo virtual notamos o número de listas do “Avaaz” pedindo que se protejam coelhos na Rússia (o que acho correto) ou querendo que a entrada de um “professor de pegação” no Brasil seja uma questão de estado (o que eu acho uma tremenda bobagem), então podem achar que estamos diante de uma juventude finalmente engajada em tudo. O sonho dos que pediram cidadãos politizados teria se realizado? Estaríamos diante da vitória de alguns ideais dos Sixties?

Será isso mesmo? Do ponto de vista filosófico haveria aí, então, um estranho paradoxo: justamente na era do “fim do sujeito”, pré-anunciada com Nietzsche no final do século XIX, indicada pelos pós-estruturalistas em meados da segunda metade do século XX e, agora, admitida como uma verdade por várias correntes filosóficas, os indivíduos estariam agindo como sujeitos mais do que em qualquer outra época. O que significa isso? Um paradoxo ou simplesmente um erro da filosofia? Estaria a filosofia completamente descolada do que efetivamente vem ocorrendo, com descrições nada atinentes aos acontecimentos?

Não creio que a filosofia esteja errada. Penso que podemos construir uma narrativa melhor sobre o assunto, evitando esse paradoxo e fornecendo uma boa maneira de entender os acontecimentos atuais sobre o ativismo ou, melhor dizendo, o ciberativismo.

Começo pelo começo: do que se fala ao falarmos de sujeito e subjetividade? Recordo aqui nossa melhor síntese do que é o sujeito.

Trata-se da entidade que funciona com suas três instâncias em harmonia e em graus ótimos. Essas instâncias são a consciência, a identidade e a autonomia. A consciência é o saber que se sabe, a identidade é a garantia de que o eu é o eu e, por fim, a autonomia é a capacidade de exercer a liberdade e, então, por meio de autodesinibição e autoconsulta passar da teoria à prática. O filósofo alemão Peter Sloterdijk enfatiza a última característica como sendo a que efetivamente faz do sujeito um sujeito. O fator desinibidor é crucial e este, no sujeito, passa a ser interno e mais ou menos opaco para outros, de modo que nem sempre se sabe o que um indivíduo, atuante como sujeito, irá realmente fazer. Nisso reside a ideia que presume que o sujeito é livre: sempre podemos ser surpreendidos por quem se põe como sujeito, pois não temos claro o que ele irá usar como aconselhamento a si mesmo uma vez que não é tão fácil conhecer previamente o seu elemento desinibidor. Quais crenças e desejos o sujeito detém e que o faz passar da teoria para ação? Ao vermos o resultado a posteriori, avaliamos que ele agiu de alguma forma livremente, e podemos até então inferir que foi motivado pela consulta a determinas crenças e desejos agora mais ou menos transparentes para nós. Mas isso, como disse, a posteriori. Portanto, o sujeito, como Sloterdijk insiste, é alguém diante do qual há de se ter desconfiança. Ele diz: “só quem é suspeito de ter segundos pensamentos pode efetivamente ser considerado sujeito”.[1]

Em outro texto mostramos como que nem sempre um eu ou uma consciência se comporta como o sujeito moderno, pois se mostra ainda não capaz de enredar-se em um si mesmo que, por complexidade social, torna-se quase indevassável, ainda que acredite que assim o faz por sua própria natureza e não pelo arranjo histórico da comunidade em que vive. Fizemos então o percurso da intimidade antiga para a moderna e, desse modo, visualizamos a subjetividade moderna, a condição efetiva do sujeito, emergente de forma paradigmática em Rousseau, que, afinal, deixou Montaigne e Descartes para traz. [2] Aqui, essa transição importa menos. O que se faz necessário é focalizar a ideia de Sloterdijk de como o sujeito é sujeito à medida que pode nos deixar em dúvida a respeito de ter segundo pensamentos.

Ora, se levamos isso a sério, as coisas começam já a ficar mais claras. Nada mais previsível que os militantes de seja lá qual for a causa política de hoje em dia. Se há pessoas em relação às quais não há razão de se ter desconfiança, são os ativistas ou militantes políticos. Não estou falando só dos velhos militantes carcomidos de direita ou esquerda, sempre teleguiados por programas feitos em fábricas de produção em série. Estou falando do ativismo em geral, que hoje em dia passa pelo ciberativismo. Lidaríamos aí com proto-sujeitos, se estivessem emparelhados com Montaigne. Mas vivendo no mundo complexo em que vivemos atualmente, não causarem qualquer desconfiança quanto ao que pensam e fazem, os transforma em pseudossujeitos.

Atualmente, qualquer fazedor de horóscopo pode realmente dar o mapa astral dos ativistas com detalhes inauditos, pois estes anunciam tudo que irão fazer mesmo que não abram a boca. Afinal, uma vez postos como ativistas, todos os seus passos já estão determinados. E tudo sai como o que se pode prever de fora, até por uma criança. Não é possível para esse tipo de militante ou ativista agir como quem parece ser livre ou como quem vai inovar e surpreender. Ele é mais previsível que esposas ou maridos qualificados como chatos. Até há aquela frase: “marido (ou esposa) é tudo igual, só muda o endereço”. O saber popular assim os destitui da condição de sujeitos, sem qualquer necessidade de teoria.

Assim, não é tão verdade que o sujeito enquanto efetivo sujeito está aí vivo, só porque há mais atividade no mundo. Mas ainda há o que dizer sobre isso tudo. Afinal, não podemos descartar que restam indivíduos agindo, há atores sociais, e seria um tanto estranho dizer que eles por serem falsos sujeitos podem ser reduzidos a peças que detém hardwares variados (quando não estão de camiseta da causa) e um software único. Há algo neles que os coloca ainda como vivos. Estar vivo não é sinônimo de ser sujeito, mas é alguma coisa que devemos notar como ainda possuindo alguma subjetividade. É isso que precisamos explicar. Eis a questão filosófica: onde está essa subjetividade, seja ela o que for, quando ela está no mundo?

É pouco útil acompanhar aquela parte da filosofia contemporânea que diz simplesmente “o sujeito morreu” de modo a ouvi-la como sinônima de “não há nenhuma subjetividade”. Alguma subjetividade está posta.  Mas onde? Qual a geografia que acolhe essa subjetividade que, afinal, deve de algum modo se ver como o campo no qual o ciberativista se vê como uma pessoa, como alguém que pensa estar movendo o mundo.

Sloterdijk lembra que o sujeito é aquele que se desinibe por meio da consulta a si mesmo, mas se sua munição de crenças e desejos parece não lhe ser suficiente para tal, então este recorre a um suprimento, que nada é senão o que é dado pelo consultor externo. Em um mundo liberal levado às últimas consequências, como o nosso, é ótimo termos consultores colocados no interior de uma sociedade de mercado, pois eles não mais darão velhos conselhos.  Eles não mais dirão como disseram os seus precursores, os filósofos, os ideólogos e o Papa, que o melhor a se fazer é tratar os do outro lado como inimigos, e então eliminá-los. Em uma autêntica sociedade de mercado o consultor, até para não perder clientes, sugerirá que todos sejam tratados como adversários momentâneos, como competidores em um jogo. Pode-se fazê-los perder, mas não se deve eliminá-los. Nessa lógica, então, toda sociedade liberal de mercado deve primar por Direitos Humanos e jogos que possam sempre dizer ao perdedor que “game over” é só um momento, que logo virá outro momento em que as disputas estarão zeradas, e que todos poderão participar novamente. O consultor externo, que aparece na falta do sujeito autêntico, no intuito de dar sobrevida a algum tipo de subjetividade, nem é mais o filósofo ou o ideólogo cuja força durou até 1968, mas simplesmente o proprietário de uma empresa de consultoria que deixará o pseudossujeito ainda na condição de pseudossujeito, pois ele continuará bastante previsível. Mas o panorama do mundo, nesse caso, é outro.

Essa ideia do jogo torna-se uma mania necessária e, não raro, formas de programas de auditório se fundem com reality shows enquanto fórmulas de trabalho, de administração, de capacitação em diversos níveis e, enfim, até como maneiras de amor e vida privada. Tudo se torna um grande parque de Entertainment.[3]  Restruturada em níveis jamais imaginados, a vida lúdica estabelece-se como regra da vida moderna liberal realizando o que Pascal adiantou pelo nome de divertissement. Não à toa a pátria da democracia moderna e da mais avançada e pujante sociedade de mercado, os Estados Unidos, é o local que possui artistas que efetivamente sabem trabalhar com o entretenimento. O resto do mundo é amador nisso. Os artistas do mundo todo ainda levam o seu trabalho como que possuindo alguma mensagem e podem, então, serem pessoas que sabem interpretar sem dançar ou cantar ou apresentar. Vale antes a mensagem que o espetáculo. Isso não existe para o artista americano. Ele é completo, por assim dizer. Em cada artista toda a Hollywood deve estar presente. Um mero talk show americano sempre é um completo show de entretenimento, nenhum artista brasileiro consegue essa façanha no programa do Jô Soares.

Mas não nos enganemos, mais uma vez, com essa febre de atividade dos pretensos sujeitos. Cada um que põe coisas em movimento é, por sua vez, posto em movimento só aparentemente de forma não heterônoma, porque o consultor invade tudo. E ele rapidamente se transforma em uma peça cada vez menos com rosto humano, ainda que ponha mil máscaras de atendimento individualizado e sirva cafezinhos a todo instante. Na figura do personal training, da moça das finanças que aparece na TV ou do Youtube do tipo “faça você mesmo”, o consultor deixa de funcionar para empresas, bancos, estados, ongs e ricos individuais para funcionar para todos.

Eis o nosso panorama. De um lado, o consultor mantendo o espantalho da subjetividade em pé. De outro lado, toda a rede de ludicidade para que exista a impressão de que os indivíduos são sujeitos e, mais importante ainda, que pareçam não descartáveis diante de outros indivíduos ou máquinas, cuja presença ao lado já mostra que todo mundo é descartável em nossos tempos. Nesse contexto bizarro se dá então o fenômeno da comunicação e o ciberativismo, circunscrevendo um espaço, um lugar. Como descrever tal lugar e situação?

Um belo e curioso artigo do filósofo russo-alemão Boris Groys dá as pistas para a elaboração de uma narrativa sobre toda essa aventura desventurada, e que pode bem ser acoplada ao que expus até aqui munido de Sloterdijk.

Groys também está preocupado com a subjetividade na era da “morte do sujeito”. Para sua argumentação em favor da permanência de alguma subjetividade, ele se aproveita da célebre passagem hegeliana da dialética do senhor e do servo (ou senhor e escravo).[4] Lembra que nessa dialética a maior autoconsciência aparece diante do dilema do senhor que não pode matar ou degradar o servo, mas acaba por tê-lo de ver reconhece-lo como um igual em racionalidade, de modo que este o reconheça livremente na condição de senhor.  Desse modo, quando o senhor vê no servo um fim em si, abre as portas para que ele próprio e o servo adentrem uma situação de respeito a leis universais, que é o que caracteriza um ser racional (um eco de Kant e Rousseau em Hegel). Groys lembra que essa situação é aquela em que ambos, senhor e servo, se tornam então meros cidadãos do estado.  Groys elabora uma inteligente analogia: “O hegeliano sujeito servo constrói um estado – como uma prisão para seu senhor que é reduzido a um cidadão sob o controle da lei.

“O sujeito contemporâneo pós-desconstrutivo, o sujeito capitulado, constrói a Internet – como uma prisão para o tradicional sujeito senhor do pensamento ser reduzido ao papel de um usuário da rede e um ‘provedor de conteúdo’ (content provider). Aqui, o sujeito servo abandona sua própria mensagem e começa a ser por a serviço das mensagens de outros – torna-se um servidor (server). Torna-se Google, Faceboook, Wikipedia e inumeráveis outras agências da Internet. Fazendo assim o sujeito servo capitulado, captura e põe todos os ‘provedores de conteúdo’ (content providers) – todos os alegados senhores de suas mensagens – na prisão da rede da mídia. Não acidentalmente, os Facebooks individuais se parecem todos como epitáfios; e a rede como um todo se parece um enorme cemitério e, ao mesmo templo, como um fórum para uma conversação pós-mortal, pós-desconstrutiva.” (grifos meus) [5]

Groys complementa:

“O sujeito servo alimenta o fluxo de sinal – de modo que ele possa continuar fluindo. Mas ao mesmo tempo canaliza o fluxo de informação controlando não o significado, mas precisamente o seu lado material – sua direção, quantidade e assim por diante. E esse controle operacional – canalizar, dirigir, entregar – não é inocente. O próprio meio é a mensagem, como já foi dito, uma mensagem-zero, puro barulho, caos. O ordenamento, o trabalho da canalização o trabalho operacional do sujeito servo (ele é o operador, sujeito servo sem mensagem que opera a nossa mídia – não o anônimo poder descrito por Foucault) traz ordem ao caos da mídia. Contudo, canalizando a informação o sujeito operacional produz significado – mesmo se faz isso indiretamente, mesmo no modo de auto-engano. Portanto, o sujeito servo nunca pode colocar-se além da suspeita de corrupção, manipulação e de ter uma agenda escondida – isto é, de usurpar o lugar do senhor.”  (grifos meus).[6]

Que se note o seguinte: atraídos para o interior do novo local em que o reconhecimento é possível, ou seja, a Internet, todos se transformam em usuários. Ninguém é mais que ninguém. E devem se sentir melhor que antes, no ambiente em que regras universais pareciam não se por ou nem mesmo valer mais, como na sociedade atual. A Internet parece ser o novo estado, o lugar na qual a racionalidade de uma lei geral garante a todos que são efetivamente racionais porque sabem seguir a lei. Mas não é só isso. Há que se notar as partes grifadas.

As partes que grifei nos destaques não são, obviamente, as únicas interessantes. Mas elas revelam um acordo com o alerta que faço, munido de Sloterdijk: há um lugar para a subjetividade atual quando ela está no mundo. Esse lugar revela tudo que ela faz atualmente. Esse lugar, a Internet, se parece inicialmente como o novo estado em que senhor e escravo serão ambos iguais por conta de serem todos racionais, e poderão se regozijar no reconhecimento mútuo. Mas logo o espaço se mostra como um tipo de cemitério, pois é justamente o que é a Internet. Só para ilustrar: tenho amigos que faleceram já há anos e continuam participando da Internet, mandando e recebendo mensagens e, em alguns casos, militando politicamente. Recentemente recebi a mensagem de um petista falecido há mais de uma década que denunciava o golpismo da mídia e da oposição etc. Nada mais atual! Caso alguém perceba alguma inatualidade, logo imagina que se trata de uma informação nova do que realmente está acontecendo, e passa adiante. O espaço no qual essa nova subjetividade se faz anula o tempo.

Também é revelado nesse lugar, nesse espaço ou, digamos assim, na esfera, o papel próprio de uma subjetividade: a construção de significados. Redirecionar volumes e por aparente ordem no caos, ainda que isso seja feito sem qualquer necessidade de inteligência, é papel de um tipo de sujeito, um pseudossujeito, se quisermos conferir ao autêntico sujeito virtudes do Iluminismo. Fiz questão de grifar que isso se pode fazer inclusive ou até principalmente com o operador em autoengano. Talvez até mais em autoengano, em se tratando do ciberativista. Podemos imaginar o quanto existe de operadores que redirecionam mensagens falsas que, enfim, eles até poderiam saber que são falsas se não estivessem já tão empenhados na tarefa não de militantes políticos que passam propaganda mentirosa, mas simplesmente na missão de um ciberativista que está na atividade compulsiva de, apertando teclas, ser algo como um sujeito perdido. Afinal, se a subjetividade é isso e somente isso, amplia-se o frenesi por fazê-la não ser mais um defunto em um lugar bem delineado para defuntos.

Isso é resumido por Groys, dizendo que a subjetividade é tornada pela mídia o seu meio. Sem qualquer mensagem o sujeito que emerge aí, no caso, o operador, torna-se ele próprio um meio da mídia.

Não há então alguém que emite uma mensagem significativa, mas há formas de sujeitos, por assim dizer, sujeitos servos, que redirecionam mensagens e com isso produzem significados – mas que não são significados criados efetivamente por eles. São esses usuários tão ou mais previsíveis quanto os apêndices de sujeito, os tais consultores, que agora também se colocaram no lugar do próprio sujeito. Aliás, não à toa, os que utilizam da Internet no trabalho da militância (pago ou não, na verdade todo mundo vira ativista de algo na Internet) também são os exímios chipanzés de “game over” para lá e para cá. Eles não conseguem sequer andar na cidade sem estar conectados com aquela coisa que parece uma maquininha de detecção de ouro no chão. Andam com aquilo à frente do rosto, como esperando um sinal. O único sinal que recebem não é o do ouro, mas o de uma mensagem que não captam: “você está ficando cada vez menos inteligente, câmbio, desligo”.

Paulo Ghiraldelli, 57, filósofo, diretor do Centro de Estudos em Filosofia Americana, professor da UFRRJ.

Consulte: O que é subjetividade? (vídeo básico)

[1] Sloterdijk, P. Palácio de Cristal. Lisboa: Relógio D’Água, 2008, p. 66.
[2] Ver: Ghiraldelli, P. Intimidade em Peter Sloterdijk: um traçado preparatório: <http://ghiraldelli.pro.br/intimidade-em-peter/> 21/11/2014. Acesso aqui.
[3] Sobre isso ver: Ghiraldelli, P. “A sociedade gincanizada”. <http://ghiraldelli.pro.br/a-sociedade-gincanizada/> 21/11/2014. Link aqui.
[4] Hegel na Fenomenologia do Espírito
[5] Groys, B. Subjectivity como medium of the media. Radical Philosophy (69). Setembro-Outubro, 2011, p. 8. [link aqui]
[6] Idem, ibidem. 8-9.

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25 Responses “A subjetividade e a mídia virtual na era do “fim do sujeito”.”

  1. 24/11/2014 at 12:24

    Professor,

    Eu assisti ao vídeo sobre subjetividade e achei interessante. Minha dúvida é: o assunto subjetividade se torna relevante na medida em que se compreendeu tratar-se de mais um mito moderno ou de fato, seria interessante e importante alcançar a posição de sujeito? Se sim, pq e para q ser sujeito?

    • 24/11/2014 at 14:07

      Bem, agora você pode ir para os livros: que tal os dois volumes de A aventura da filosofia, da Manole.

  2. LMC
    24/11/2014 at 10:19

    PG,não tem a ver com o
    assunto em si,mas quero
    saber tua opinião se os
    professores da USP
    ganharem mais que o
    governador de SP?
    Chamar os professores
    da USP de marajás
    não é coisa de gente
    que não conhece ela?
    Abs.

    • 24/11/2014 at 10:47

      LMC! Os professores da USP que ganham mais que o permitido pela carreira normal formam uma casta que não faz nenhum bem à universidade. Que um professor atinja ao final da carreira 20 mil reais, é algo possível para alguns poucos, mas 45 mil, aí não tem como. A USP nem é o problema, o problema maior são as Federais, cuja carreira é livre, tanto faz produzir ou não, tem uma progressão meramente burocrática e uma forma de servir a sociedade que é a de um colegião (até por conta de seu vestibular), o que desprestigia a profissão e então leva os professores a estarem sujeitos ao desprestígio salarial.

    • LMC
      24/11/2014 at 15:56

      Essa resposta foi
      ótima,PG.Hoje na
      Folha,um leitor
      comparou quem
      ganha muito na USP
      com o fator
      previdenciário de
      quem trabalhou na
      iniciativa privada.
      É aquele típico
      leitor que
      raciocina como o
      Maluf,que acha
      que só rico
      estuda na USP.

    • Hayek
      26/11/2014 at 11:03

      Professor, qual é mesmo, em média, o salário de um professor nas federais?

    • 26/11/2014 at 12:09

      Hayek não faço a menor ideia. Mas acho que quem entra deve estar ganhando por volta de 3 a 4 mil. É pouco. No entanto, cargos burocráticos e acúmulos de participações aqui e ali nas reitorias e burocracias criam uma disparidade salarial como a que a USP vem apresentando. Estamos como uma péssima política salarial na base, no ensino básico, e isso já atinge agora a ensino universitário. Claro que o sistema federal, sendo a única coisa que o super rico MEC possui, pode sempre se salvar.

  3. João Eduardo
    23/11/2014 at 14:25

    Caro Paulo,

    Gostei muito do texto, belíssimo. O filósofo Sloterdijik se enquadra em qual vertente filosófica? E você acha que as análises do autor a respeito de sujeito e subjetividade seriam incompatíveis com análises de alguns teóricos considerados pós-estruturalistas, como Foucault e Deleuze?

    • 23/11/2014 at 15:25

      João! Não acho uma boa querer enquadrar filósofos. Acho que fazer isso é simplesmente evitá-los, enganá-los e nos enganarmos. Eu sou um pragmatista? Ora, será? Mas gosto de Platão de um modo que Rorty não gostaria. E assim vai. Assim vale para mim e outros filósofos, principalmente os mais criativos e com muito mais fôlego.

  4. Ivandro Almeida de Gois
    23/11/2014 at 10:57

    Professor Ghiraldelli, bem interessante seu texto, nos provoca a reflexão como estamos usando a comunicação virtual, ou melhor, ela esta nos usando, quando falas no texto “Estar vivo não é sinônimo de ser sujeito, mas é alguma coisa que devemos notar como ainda possuindo alguma subjetividade”. Está vivo é quem provoca alteração social, ou seja, quem pensa…filtra as informações.

    • 23/11/2014 at 11:56

      Ivandro, a questão não é estar vivo, mas ser sujeito ou não, ou seja, pois é essa condição dita moderna que parece, agora, ser sido mera invencionice. Esse é o tema.

    • Ivandro Almeida de Gois
      23/11/2014 at 12:44

      Professor Ghiraldelli, será que sai do tema ? Penso que não, para entender que sou sujeito ou não, temos que esta vivo socialmente falando, pois tem tanto morto vivo por ai, que deixou de ser sujeito da sua existência, sendo a causa desta mortalidade social a mídia virtual.

    • 23/11/2014 at 12:58

      Sujeito não é necessariamente um indivíduo.

    • Ivandro Almeida de Gois
      23/11/2014 at 14:00

      Professor ! Como entender o que é o sujeito, se ausentando do indivíduo ?

    • 23/11/2014 at 15:28

      Classe social é um sujeito em Marx. O Espírito é o sujeito hegeliano. A nação pode ser um sujeito em várias filosofias. A consciência transcendental é um sujeito em Kant. O indivíduo humano, se é que você está falando dele, pode também ser um sujeito, principalmente no clima do Humanismo e do Liberalismo, que são hegemônicos no Ocidente e que caracterizam nossa modernidade. Subjetividade moderna e sujeito moderno são construções filosóficas que não se aplicam somente ao indivíduo. Agentes sociais ou atores sociais podem desempenhar a função do sujeito ou, melhor dizendo, querer fazer isso. Se conseguem ou não, se é possível ou não, aí é outra história – uma história da filosofia contemporânea.

  5. 21/11/2014 at 20:07

    Eu sou um pseudosujeito de carteirinha!

    • 21/11/2014 at 20:31

      Fonseca você não tem esse privilégio sozinho, qualquer gambá também é – este é problema que você parece não ter agarrado.

    • 21/11/2014 at 20:39

      Pessoalmente, não me parece um problema. Socialmente já não sei, pois aí, é tarefa para filósofos. Espiritualmente me calo, pois a metafísica é assunto para astrólogos embusteiros.

    • 21/11/2014 at 20:44

      Fonseca, você não sabe o que é metafísica e, portanto, o que falou antes ficou inválido.

    • 22/11/2014 at 12:11

      Eu sei o que é metafísica mas o personagem idiotizado que construí reproduz um preconceito conceitual e consensual.

    • 22/11/2014 at 12:18

      Fonseca, ruim aquela sua reconstrução. Não deu certo.

    • João Pedro
      26/11/2014 at 15:08

      Mas professor, depois de nietzsche a metafísica não virou uma bobagem, assim como o geocentrismo em astronomia?

    • 26/11/2014 at 19:04

      João Pedro nada vira uma bobagem depois da crítica de um filósofo. As coisas não acontecem assim. Mesmo no campo culto, estritamente filosófico, há variações da metafísica, do que é metafísica. Alguns de nós pode tentar fazer filosofia desinflacionada, mas isso não diz que estamos conseguindo etc etc. Tente amadurecer seus estudos de história, de compreensão maior de como a história se dá, de como a consciência popular funciona etc.

    • Ivandro Almeida de Gois
      23/11/2014 at 18:21

      Sim fala do indivíduo humano. Estou satisfeito professor, como vossa explicação. É através do diálogo que se oxigena a mente, obrigado.

    • 23/11/2014 at 22:50

      Ivandro veja o vídeo sobre O que é subjetividade colocado no rodapé do blog

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About Paulo Ghiraldelli

Filósofo