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01/05/2017

Sócrates, o eu e as leis


É bem conhecida entre os filósofos a passagem de O crepúsculo dos ídolos em que Nietzsche fala do encontro de Sócrates com “um estrangeiro que entendia de rostos”. Foi este homem que disse ao ateniense, em público e sem pudor, que ele era um monstrum. Mas então ouviu uma réplica inesperada: ‘o senhor me conhece’.[1] Na verdade, o episódio diz respeito ao aval de Sócrates à profissão do persa Zopyros, aquele que entendia da alma a partir de olhar rostos. Desmentindo Alcebíades, que se irritou com Zopyros quando este apontou para Sócrates como sendo alguém de alma vil, o mestre revelou seu segredo, até então não percebido por ninguém: ele havia chegado a ser o que era, um homem exemplar, pelo controle total dessa sua índole anterior, bem conhecida por ele próprio.[2] Sócrates se entendia como um homem em busca de si mesmo e, então, transformado continuamente por essa busca.

Leia o paper todo aqui: Sócrates, o eu e as leis.

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2 Responses “Sócrates, o eu e as leis”

  1. Daniel
    07/11/2016 at 12:14

    Fiquei pensando aqui para começar a fazer uma diferença, ainda que simples, sobre Sócrates e a cultura judaico-cristã. Porque estou pensando que a cultura judaica-cristã também buscou uma identidade no mundo antigo e na idade média, e até hoje é assim, mas o interessante é que parece não ser ligada à pólis como Sócrates pensava. Os judeus sempre tiveram que migrar para várias partes e os cristãos também perseguidos por parecerem outsiders no império romano, mas conservaram sua cultura e isso lhes deram identidade a partir de um ethos de herança cultural e não mais ligado a uma cidade ou um território. Um tempo depois os cristãos se tornam o império romano e incorporam a universalidade. Talvez isso tenha proporcionado a eles uma noção de povo universal e por consequência uma identidade universal mesmo que cada povo judeu ou cristão de cada país hoje seja diferente um do outro. O que estou pensando é que esse longo processo judaico-cristão pode ter dado base cultural para que posteriormente pudéssemos pensar em mercado, em ONU e em outras instituições que nos permitiram enxergar além da pólis socrática.

    • 07/11/2016 at 13:35

      Sim, a Bíblia mostra um povo nômade, procurando terra. A Ilíada e a Odisseia mostram um povos no agon guerreiro, mais tarde, agon entre cidades, agon dialético do próprio sócrates -um povo que joga. São coisas bem diferentes, mas ambas nos formam.

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About Paulo Ghiraldelli

Filósofo