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24/11/2017

Sexo com crianças é bom (ou “sexo” + “criança” = bom tema)


As crianças adoram imitar símbolos sexuais e pessoas que cantam utilizando o que alguns chamam de pornografia. As crianças possuem desejo sexual e possuem prazer libidinal desde a mais tenra idade. No entanto, quando elas mostram o seu gosto por uma cantora que remexe a bunda loucamente ou por uma bandinha que fala palavrão ou faz gestos obscenos, elas estão muito longe do sexo. O sexo entra aí por obra dos pais e moralistas de plantão (moralistas não no sentido filosófico). Eles e somente eles, esses adultos, fazem a correlação inexistente.

O mundo sexual das crianças existe, não é vazio. Freud disse isso e essa lição só não foi aprendida por quem mora em um buraco de tatu ou tem o cérebro igual ao de uma minhoca. Mas o mundo sexual da criança é um mundo que não corresponde ao que o adulto entende como sexo. A criança brinca e a brincadeira tem como barro o exagero da imaginação. Quando ela vê o comportamento corporal diferente, que o adulto toma com dança sensual ou, para alguns, obscena, ou quando ela vê a linguagem alusiva ao sexo, que o adulto pode chamar de palavrão, ela, a criança, logo percebe que estão aí armas que desarmam o adulto. Ela nota que são elementos que tiram o adulto da sua costumeira apatia. Ora, por que então não se aproveitar disso para também receber atenção?  E por que não rir disso, na hora que dá certo?

Em outras palavras: a arquitetura semântica da criança não é a do adulto.

Boneca AnitaCarla Perez e os Mamonas foram ícones infantis dos anos noventa, como agora pode uma Valesca Popozuda fazer sucesso. Xuxa e Carla Perez foram bonecas de brinquedo para crianças. Valesca Popuzuda e Anita são bonecas para as crianças. Renato Aragão cansou de fazer gestos obscenos no horário nobre da Globo e ser imitado por crianças. Com isso, esteve junto com Xuxa durante anos no cinema, fazendo filme para crianças. Se a arquitetura semântica infantil é algo particular, também suas telas de janela, para a proteção de insetos, são especiais.  A criança filtra com seus filtros.

Lembro que a Marta Suplicy esteve em um “Roda Viva” da TV Cultura, nos anos oitenta, para dizer que Xuxa sexualizava a vida infantil, e que uma tal precocidade iria trazer problemas para todas as crianças, justamente os que hoje são os adultos mais jovens que eu. Minha filha e minha esposa foram criadas vendo Xuxa. Não creio que Xuxa fez mal a elas. O que Xuxa fez de sexo com Pelé e Airton Sena não tinha nada a ver com Xuxa rebolando na TV. Pelé e Airton Sena não estavam com Xuxa “de brincadeira”, mas minha esposa e minha filha estavam. Marta Suplicy era sexóloga nesse tempo! Meu Deus! Que sorte que isso passou!

Anitta-PoderosasMas, ainda hoje, de vez em quando, surgem por aí os que querem repetir Marta na sua fase pudica, feminista e ligada aos inícios do politicamente correto. Ela própria abandonou tudo isso. A juventude abandonou tudo isso. Mas a linguagem que temos hoje ainda não espelha uma boa semântica da vida atual. Somos mais livres sexualmente, bem mais, mas nossa linguagem ainda está presa a cânones de um moralismo anterior ao dos anos oitenta. Fazemos uma coisa, mas a descrevemos de modo diferente, às vezes até para nós mesmos. Então, não raro, algumas pessoas que olham o sexo e as crianças, ou o sexo e a juventude, hoje, enganadas pela linguagem, se deixam levar por essa defasagem semântica e acabam prevendo práticas e crimes que não ocorrem.

Notamos isso no combate hoje exagerado ao que chamam por aí, erradamente, de “pedofilia”. A violência contra a criança é tomada como sexual, e o que às vezes nem abuso é, acaba pode se denominado de “pedofilia”, palavra que na letra da lei não expressa crime, mas que é tomada como crime e pecado pelos adultos pouco reflexivos. A culpa de tudo isso? Para as vozes da ignorância que predominam hoje em dia na mídia, muita coisa vem de algo parecido com o que Marta Suplicy dizia no passado: sexualização precoce. Vem também, para essas mesmas pessoas, do que ela não dizia, mas que é dito pelos pastores ridículos atuais: a taradização do mundo. Nunca houve tantos tarados como há hoje, dizem. Uma bobagem em termos de estatísticas. Todo adulto que encosta a mão em uma criança hoje é “pedófilo”! E isso só tende a ser retroalimentado. Claro! Hoje, pela lei, nem a professora pode segurar uma criança em uma briga ou limpá-la quando ela vai ao banheiro. Pois o corpo da criança ficou intocável de um modo irracional. Assim, qualquer toque é algo do “abuso sexual”, algo do “pedófilo”, não mais da necessidade pedagógica e do cuidado.

De um lado, as crianças são protegidas de algo que elas não sabem o que é, pois elas nãoAnita olham para o sexo como problema – e não é mesmo! Por outro lado, os adultos são postos todos como criminosos, porque a linguagem sobre a infância, o corpo e o sexo tem ido por um caminho errado, de moralismo barato e de completa falta de reflexão menos carola. O resultado disso é uma esquizofrenia total da sociedade. O sexo deixa de ser prazer e pecado e se torna crime. É o pior dos mundos.

Esse mundo que vivemos tem de acabar. Uma revolução na linguagem, capaz de incorporar o que já é feito na nossa prática comportamental, é necessária. Psicólogas pudicas, pastores hipócritas e colunistas que ligam sexo à posição política, não sabem de nada. Como não querem aprender, deveriam ficar calados.

Da minha parte, ou seja, da parte do filósofo que não é celibatário nem pudico e muito menos um boboca ou um babaca, o esforço é no sentido de conversarmos sobre nossas práticas comportamentais, inclusive a do sexo, sem que tenhamos de dar voltas e mais voltas, sem que tenhamos que mentir demais. A mentira em exagero cria uma verdade. Essa verdade não ajuda em nada, não vamos ser mais felizes por causa dela.

Paulo Ghiraldelli, 56, filósofo, autor de A filosofia como crítica da cultura (Cortez)

Post Scriptum1: PEDOFILIA NÃO é crime. As pessoas confundem, não sabem a lei. O abusador de crianças comete crime. Na nossa legislação a pedofilia é caracterizada como doença – corretamente. Até porque o pedófilo raramente é abusador sexual. Os abusadores sexuais raramente são pedófilos. Distinguir isso é um sinal de ter uma escolarização boa, não distinguir é sinal de desconhecimento do Código Penal, que está na net. Ou seja, é burrice.

Aproveitem e vejam: “SEXO COM CRIANÇAS” novamente. Para os que demonstraram ter dificuldade com as letras, fiz áudio visual. Veja se agora dá! PEDOFILIA EXPLICADA https://youtu.be/J6zhqKYg5Hg

Post Scriptum 2: Caso você seja daqueles que só lê o título, e não tem traquejo com a língua, pode entender o título assim: “tema sexo” + “tema criança” é bom de discutir. Agora dá? Ou nem assim?

 

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441 Responses “Sexo com crianças é bom (ou “sexo” + “criança” = bom tema)”

  1. Gustavo
    09/10/2017 at 23:24

    Eu repudio a prática da pedofilia e qualquer violência feita principalmente contra crianças e animais. No entanto, acredito que o sexo para as crianças deve ser tão normal e gostoso como brincar de boneca ou carrinho. Eles de fato não tem noção do que significa o sexo e a sexualidade, com a mesma visão e proporção que tem um adulto, por questões óbvias. Hoje, a psicologia moderna trata da sexualidade infantil como um comportamento natural da idade, chegando a ponto de ensinar aos pais que não se deve proibir tais comportamentos quando flagrados, que vai desde a masturbação infantil ao ”toque” entre as próprias crianças. Eu ainda iria mais longe. Acredito que o maior trauma futuro causado a uma criança é imposto pelos próprios adultos que a defendem e se responsabilizam por ela, dependendo do acontecimento. Existem culturas em que as crianças e pré-púberes tem contato sexual com homens bem mais velhos da tribo. Em outras culturas, mata-se a criança que nasceu deformada ou doente. Na nossa sociedade ocidental e ”civilizada”, é comum crianças ouvirem letras de músicas pornográficas e pais e adultos xingando palavras chulas e obscenas na frente de seus filhos crianças. Há muito mistério por de trás das culturas humanas. Difícil alguém ter uma mente tão livre de crenças e doutrinas, e esvaziar-se da ética por um determinado tempo para tratar do assunto de maneira totalmente imparcial e científica. Um tabu dentro da própria ciência. Já quando o assunto está ligado a outras espécies de animais mamíferos, o tema da sexualidade infantil (ou do filhote animal) muda de contexto e se torna natural, tão quanto falar de saúde e pediatria. Mistério.

  2. Cinira
    07/10/2017 at 08:30

    Adoro ler esses textos e saber que esses filosófos só vivem de teoria….faz uma filhinha ou um filhinho e deixa um desgraçado tocar nele…e sentir na pele a tristeza de uma crinça que foi tocada e ultrajada intimimamente….ver seu filho chorar e se esconder quando se depara com o pedofilo, tarado o que seja.

  3. Ricardo
    06/10/2017 at 01:30

    Você é pedófilo e foi abusado.

    Além de ser um grandessíssimo babaca, enganador, o que há de pior no reino animal que você é, pois humano você só tem a aparência.

  4. Clayton
    04/10/2017 at 12:41

    Concordo em número, gênero e grau com o Paulo, mesmo tendo algumas posições políticas voltadas para o liberal. Parabéns pela sua lucidez Ghiraldelli!

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