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22/09/2017

Sexo de todos com todos


O feminismo está com os dias contados. O movimento gay também, ao menos no Ocidente. As bandeiras que tais movimentos sustentam não irão desaparecer, mas elas perderão força acentuadamente dentro dos próximos dez anos. Isso não ocorrerá por causa do fim do preconceito segundo os objetivos das agendas dos grupos de pressão, mas por meio de uma revolução subcutânea que já é possível de ser detectada.

Jean-GreyEssa revolução está se mostrando sutilmente, para quem quer ver. Garotas e garotos que estão entre 15 e 22 anos estão dando as cartas da “nova onda”. São pessoas que praticam o sexo casual, ou mesmo os chamados “amores de verão”, e que não amam “homens” ou “mulheres”, mas “pessoas”. “Eu gosto de pessoas” – diz uma dessas garotas. E ela continua: “não sei o que é homem ou mulher, sei o que é uma pessoa, e se me interesso por vários dotes de uma pessoa e ela me dá tesão, eis aí alguém que pode render beijo ou sexo em geral ou até um namoro longo”. Essa fala está longe de ser isolada e mais distante ainda da ideia do “bissexual”. Não há sexo “masculino” ou “feminino” nessa fala, e nem mesmo gênero. As palavras “homem” e “mulher” pronunciadas aí não tem outra função senão a de tornar a frase inteligível. O que a garota quis dizer com isso é: “pessoas me interessam”.

No contexto dessa mudança de gosto e comportamento, corre junto o desaparecimento da importância das “discussões de gênero”. Elas perdem o sentido. Aliás, para tais jovens, elas já não fazem sentido. A palavra “machismo” nem mesmo consta do vocabulário desses jovens. Quando algum deles não é bem servido no bar, a última coisa que irá fazer é acusar o barman de machismo ou homofobia. Eles vão chama-lo de perdedor de dinheiro, de barman não profissional. A redescrição ocorre de uma maneira tão rápida e espontânea que ambas as partes do conflito já não estarão se dando conta que estão conversando de modo diferente. Quem anda e perambula por aí, vagando pela noite em lugares de juventude, presencia essa situação de uma maneira mais frequente do que há dois anos.

Será engraçado perceber, também, o caráter reacionário das lideranças de minorias. Aliás, emmulher beijando cão algumas situações, esses elementos de vanguarda já soam como sendo de retaguarda. Levantam questões que não importam mais. Muitos envolvidos em conflitos já não caminham por meio de reações que as vanguardas de minorias caminhariam. Não recorrerem a questões do feminismo ou a questões de discriminação de mulheres para se defender. Começam a se defender como se vivêssemos na mais pura e real vigência do regime liberal, mas entre pessoas de iguais direitos efetivamente cumpridos. A intimidação não conta e até mesmo se, por um acaso, alguém no meio da discussão lança um “bicha”, “lésbica” ou “mulherzinha”, isso passa batido. Aquele que seria ofendido simplesmente não entende tais palavras como contendo potencial de agressão. Claro que sabe que pode ser uma agressão, mas isso não lhe bate no coração como até pouco tempo as  minorias ensinavam a todos que acontecia.

Efetivamente o que está ocorrendo é algo que ninguém esperava. A revolução educacionalfauno dos sentidos e sensações e também a alteração na busca de prazer está simplesmente dando um banho na esperada revolução feita à base de ideologia.  A vitória do feminismo e do movimento gay virá no decreto de sua diluição por conta de uma reação … de pele. Falaremos talvez de “novos hormônios”, ao menos para aqueles que adoram, sempre, usar de uma terminologia mais “física”, por que acham que falam de modo mais real assim!

Claro que essa revolução tem a ver com a luta contra preconceitos, é em parte fruto dessa luta. Uma vez baixada a guarda, as crianças que viveram sob menor alerta para com o tal do “preconceito”, agora começam a chegar idade adulta, jovem, e estão mais abertas no sentido de olhar para as figuras do mundo. Aliás, é bom lembrar, estamos fazendo algo assim também na nossa relação com os animais, em especial os cachorros.

 Aquilo que é visto com mais um ser no mundo, como mais um igual, logo também é elemento que desperta afetos. E o que desperta afetos desperta afetos de ordem sexual também. Na verdade, o fim do feminismo e o fim do movimento gay será apenas a ponta do iceberg de uma transformação que vem dando passos mais velozes do que se podia imaginar há pouco tempo. Daqui a vinte anos estaremos amando mais coisas e fazendo sexo com mais elementos do mundo de uma maneira muito curiosa. Estaremos nos casando com ETs, nós mesmos, todos com todos.

Paulo Ghiraldelli Jr., 56, filósofo. Autor de A filosofia como crítica da cultura (Cortez, 2014)

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25 Responses “Sexo de todos com todos”

  1. 03/02/2015 at 13:44

    como diria o Mauro Bartolomeu: Onigamia já!

  2. fabio
    26/07/2014 at 17:28

    Esse texto é constrangedor. A quintessência da estupidez do queer neoliberal. Ridículo. Feminismo, luta gay e gênero superados?

    • 27/07/2014 at 21:26

      Fábio, esse texto não é neoliberal e você não conseguiu entendê-lo. Ele é um texto para pessoas inteligentes, como tudo que eu escrevo. Não é para você.

  3. Julio de Mattos
    24/07/2014 at 19:00

    Professor, pq o homossexualismo tem aumentado tanto nesses tempos de hoje? Será que é a profesia da biblia de sodoma e gomorra?

    • 24/07/2014 at 19:23

      Júlio! Você não gosta de Sodoma e Gomorra? Ou tem medo? Tem medo porque se lembra do seu desejo né? Júlio! Deixa rolar cara.

  4. Maria Madalena
    18/07/2014 at 21:14

    Parece que essa é mesmo a tendência, rsrs!
    Mas será que no mundo Oriental isso chega na mesma velocidade? Vejo velhas barreiras.

    • 18/07/2014 at 23:19

      O Mundo Oriental não conta, ele é arrastado, como sempre.

  5. Regina
    18/07/2014 at 17:56

    Há quem se remoa quando se mexe em assuntos dessa ordem. Eu, adorei! Não por que compartilhe das práticas – não me enquadro entre os 15 e os 20 – mas porque é óbvio que novos conceitos de relacionamentos estão se formando. E, achei muito legal seu texto ser isento de julgamentos, pelo menos não percebi – fui ingênua? E ainda pra terminar o “bate-bola” com o cezinha! genial! ri muito! Gol para o professor!

    • 18/07/2014 at 20:25

      Regina eu sou sempre o mais descritivo possível.

  6. Bigas
    17/07/2014 at 10:30

    Ótimo texto, professor.
    Concordo que há esse movimento em curso – dos amantes de pessoas- mas não creio que é certo que daqui uns anos seremos todos felizes nessa esbórnia. O que me faz pensar isso, pelo menos no Brasil, é a reação moralizante que os evangélicos estão fazendo, ganhando muitos espaços, principalmente, nas periferias do país e fazendo impor sua visão moralista de mundo. Se desenha, então, uma situação de disputa pela sexualidade.
    Tomara que o professor esteja certo, seria bem da hora.
    abrçs
    Ps: o feminismo, a questão de gênero, entre outros, não desaparecerão, mesmo com isso, por darem dinheiro, emprego e status intelectual pra muita gente.

    • 17/07/2014 at 12:29

      Eu não disse, Bigas, que o mundo futuro será um pique nique, nem mesmo uma “esbórnia”. Agora, sua última conclusão é um pouco conservadora e, de certo modo, pouco atenta ao meu artigo. É como se você não tivesse pensado no que leu.

  7. Zé Mineiro
    17/07/2014 at 09:11

    Cá nos interior nóis pratica o amor com as cabrita desde muito tempo! Nóis semo da vanguarda!

    • 17/07/2014 at 12:30

      Nâo Zé Mineiro, vocês são apenas cornos, pois os bodes comem essas suas esposas.

  8. minino Owen
    16/07/2014 at 19:38

    G0ys, já ouviu falar? Nova moda por aí.

    • 16/07/2014 at 20:22

      Minino já escrevi e já fiz até quadrinho sobre isso, faz tempo.

  9. Jhonatan Ribeiro
    16/07/2014 at 19:14

    kkkkk esse cezinha… seria o dicesar ex-bbb?

    • 16/07/2014 at 19:15

      NÃO, apenas esses louquinhos da vida que precisam de atenção. Eu sou vítima desses Nassifs da vida.

  10. Cezinha
    16/07/2014 at 18:55

    Prof. Ghiraldelli, lendo esse texto eu fiquei me perguntando: se um cachorro come a bunda do dono, quem é gay?

    • 16/07/2014 at 19:02

      Cezinha! Isso é da intimidade sua com o seu cachorro, não cabe a mim opinar na sua vida, menos ainda na do cachorro.

    • Cezinha
      16/07/2014 at 19:04

      “Daqui a vinte anos estaremos amando mais coisas e fazendo sexo com mais elementos do mundo de uma maneira muito curiosa. Estaremos nos casando com ETs, nós mesmos, todos com todos.”

      Daqui a vinte anos, você vai entender a minha pergunta, filósofo.

    • 16/07/2014 at 19:05

      Cezinha já disse, essas questões da sua sexualidade são suas, elas não são interessantes para o meu leitor. Você deve discutir o relacionamento com o seu cachorro.

    • Cezinha
      16/07/2014 at 19:07

      Eu não suporto cachorros, Professor. Agora pergunte para si mesmo: eu gosto de cachorros?

    • 16/07/2014 at 19:10

      Cezinha! Esse seu caso aí já é mais complicado, demanda uma conversa franca com sua mãe.

  11. Marcio Issler
    16/07/2014 at 18:24

    Belo texto professor!

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