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20/05/2019

Como Renato Janine pode começar acertando?


Renato Janine Ribeiro é atacado pela direita sem ter começado no cargo. Os ataques são baixos. Não são contra um político, pois ele não é um político, é professor de filosofia política. São ataques que o qualificam com um extremista ou terrorista de esquerda. São frases que o tomam como ignorante. Uma direita assim é tresloucada. É incapaz de conviver com um professor com o currículo de Janine, que é cavalheiresco e mantém um suave perfil de um social-democrata “light”? Então, essa direita não me parece interessada em ver um Brasil melhor.

Tudo indica que uma direita assim quer unicamente desmoralizar todos que não sejam de sua linha, sem critério algum. Uma direita assim arrasta para o buraco até os conservadores mais sóbrios. Essa direita capitaneada pela Veja, com tentáculos até na liberal Folha de S. Paulo, põe tudo a perder. Corta os canais racionais de comunicação.

Já critiquei Renato Janine Ribeiro. Fiz isso em livro (Filosofia e história da educação brasileira, Ed. Manole), quando ele disse que o aluno de Humanidades podia ter menos dinheiro que o estudante de outras áreas, porque a pesquisa em Humanidades é “mais barata”. Bobagem isso. Mas, minha crítica foi pelo que ele fez e não pelo que não fez. Foi uma crítica em defesa de uma visão de Humanidades que Janine contrariou e, a meu ver, contrariou até a si mesmo, quando em cargo na Capes. Mas isso não me faz agora virar um crítico ranheta de Janine. Dizer que ele não é preparado para o cargo de ministro e que não é um bom filósofo brasileiro é simplesmente ridículo.

Não posso deixar de notar que a entrevista que ele deu à Folha de S. Paulo (06/04/2015) incorporou uma série de pontos que eu defendo há muito, e que falei em programa da Flix TV, e acredito que ele viu. Por isso, quero lançar minha visão sobre a atuação de Renato no MEC como quem está torcendo para ele acertar, pois se ele errar todos nós perdemos. Todos! Se uma pessoa com a formação do Renato Janine errar, teremos a sensação de não poder dar conta do MEC, que não haverá mais solução. Não será uma derrota de “esquerda” ou coisas assim, será uma forma de dizer que “O Saber” não acerta sobre “O Saber”, e que o MEC é algo que não vale a pena mais ter.

Toco em um ponto operacional. Renato Janine Ribeiro precisa melhorar a formação e o salário do professor do ensino básico (médio e fundamental). Ele está consciente disso. Como começar uma atuação assim, sendo que o MEC não administra a rede escolar de crianças e jovens?  Há um modo de começar isso. Por uma intervenção robusta na permanência dos melhores professores nas redes municipais e estaduais. Explico.

Sempre que há concurso para o magistério, o que ocorre é que os melhores classificados tomam posse e, em seguida, abandonam o cargo e, não raro, a própria profissão. O salário é humilhante e as condições de trabalho são péssimas (em todos os sentidos, físicas e espirituais, as leis do país tratam o professor como malfeitor!). O resultado disso é que, após a desistência inicial, os secretários de educação perdem quase todos os bons, os melhores classificados, e acabam convocando exatamente aqueles que não passaram no concurso. Este professor entra na sala de aula ganhando uma miséria, mal vestido e com uma tarja na testa escrito “reprovado no concurso”. Ora, se essa pessoa puder ensinar alguma coisa, se ela tiver algo a mostrar para o aluno de modo que o aluno a respeite, então devemos acreditar em milagre. Mas, por tudo que temos visto, o milagre não ocorre.

Então, faz-se necessário uma atuação aí, neste ponto, um incentivo “prá valer” no sentido de fazer com que o concursado não desista. Pode ser uma bolsa e uma promessa num futuro bem próximo (três anos) de ganhar uma sabática para estudar. Um apoio material (ganhar computador pessoal e ter rede gratuita para acessá-lo) acoplado a tal incentivo ajuda também. Só isso, de início, já pode segurar o concursado por mais tempo, e se ele ficar mais de um ano no emprego, ele estará pensando duas vezes antes de largar. Afinal, a promessa da sabática, dele poder continuar os estudos, estará já horizonte, faltando pouco. Isso atrai a juventude boa e inteligente para a carreira do magistério. Isso resolve em parte o problema.

Essa é uma ideia bem melhor (acredite Renato Janine) que a de fazer o estudante que termina seus estudos na universidade ir prestar serviço em escola. Fazer o estudante formando ir à escola como uma imposição, um prêmio negativo por ter escolhido um curso universitário é, para o estudante e para a sociedade, algo como que um “tapa buraco”, algo no “estilo fura greve”. Além disso, algo assim é extremamente autoritário, principalmente no Brasil, onde terminar um curso universitário é uma aventura. O correto é favorecer o emprego, não a informalidade. Medidas assim só vão afastar o estudante do curso de licenciatura na universidade.

Bem, aí está um início de conversa produtiva para o novo ministro. Há mais. Prometo estar atento.

Paulo Ghiraldelli , 57, filósofo.

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7 Responses “Como Renato Janine pode começar acertando?”

  1. Marcos O. F.
    09/04/2015 at 14:17

    Seria muito legal positivamente falando se alguns assuntos no Brasil fossem levados mais a sério. Um pouco afastado do campo político do bem e do mal, de Deus e o Diabo. Educação, Saúde, são questões que vão além desse jogo de rato. Precisamos ampliar nossa visão de cidadão e principalmente como brasileiro pensar educação como um bem para todos. Uma boa educação com qualidade não pode ser tratada como uma utopia futurista de um sonho que sempre será possível em um Brasil futuro. São pequenas ações agora que darão condições para um Brasil com uma educação melhor. Espero como cidadão que ministro da educação possa realizar um ótimo trabalho. “Que a pátria educadora possa sair do papel de verdade”.

  2. Raimundo Marinho
    07/04/2015 at 14:56

    Obrigado pelo texto Mestre Ghi.

    Vou enviar pro Marco Antonio Vila, ontem ele liberou mais peçonha no Janine.

    Muito sucesso pro Janine; já temos uma luz no fim túnel.

    EU ACREDITO.

    • 07/04/2015 at 15:02

      Marco Vila tá se mostrando igual ao Azevedo, apenas invejoso.

    • José Silva
      07/04/2015 at 16:00

      As vezes me pergunto se o Villa compreende que o que ele fala é simplesmente um monte de asneiras. Acho que sim, por isso tenho uma repulsa maior com esta pessoa.

      Falar merda acreditando, é uma coisa. Falar merda consciente disso eu acho de uma desonestidade sem tamanho.

    • 07/04/2015 at 16:45

      José não se esqueça que ser de direita hoje vende texto e dá lugar na TV.

    • alexandre
      07/04/2015 at 19:20

      Villa + Azevedo = não sai nada que presta.

      Enquanto o Villa tem odeia o PT só em ouvir a sigla e qualquer coisa relacionada a ela o Azevedo se preocupa em dar um verniz intelectual as suas colocações, é impressionante como ele se acha a opinião pública e o porta voz oficial de tudo chega a ser hilario, o cara é ridiculo .

      Nem assisto mais ou ouço mais nada sobre eles, pois nao acrescenta em nada.

    • 07/04/2015 at 19:22

      Alexandre!
      A ESQUERDA RECEBE patrocínio oficial; virou esquerda chapa branca! Mas a modinha agora é ser de direita, pois tem uma classe média que compra livros fascistóides e uma imprensa louca para para promover quem se porta como falso rebelde. A direita está se lambuzando, pois nunca comeu melado! Agora até já apareceu intelectual de direita!

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