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17/08/2017

Do que Deus não faz


O que é de Deus e o que não é? O que ele não faz?

Atribuímos a Deus um bocado de coisas, mas pouco do que falamos por aí é da responsabilidade Dele ou realmente existe.

Veja bem, a heterossexualidade, ora, isso é uma lenda urbana. Deus não iria fazer um monstro com cérebro e imaginação que gastaria uma vida toda se relacionando só com um tipo de ser vivo. Deus não é perverso.

A igualdade natural. Todo mundo é filho de Deus, mas não é por isso que somos iguais. Deus teria feito um monte de gêmeos idênticos? Mas que pai heim? Deus não é esse cara tão sem criatividade. Tanto é verdade que somos bem diferentes que vivemos buscando justiça, ou seja, buscando uma certa igualdade.

Comer animais! Isso é o pior. A maioria de nós já ouviu falar que Deus disse “amai-vos uns aos outros” ou que disse “crescei e multiplicai-vos” e coisas assim. Mas teria Deus dito “comei os defuntos”? Duvido. Não disse! Deus não é um cara de mau gosto, de apetite bizarro.

Outro dado interessante é as pessoas que se casam mais ou menos com a mesma idade. Deus jamais esteve ligado nesse tipo de coisa, ele nunca aconselharia uma garota bem jovem desposar um garoto da idade dela (ou vice versa). Deus nunca foi de dar conselho do tipo: que vivam vocês dois aí, ambos sem experiência, batendo cabeça no mundo. Não, Deus é bom. Se fosse para dar conselho, Deus iria por uma quase pedofilia – uma pedofilia saudável, não doentia, eu diria! Nada distante da cultura dos lugares onde Jesus, filho de Deus, nasceu!

Ah! Tem também a conversa sobre Nietzsche, pois este disse “Deus está morto”. As pessoas acham que isso fez Deus ficar com raiva de Nietzsche ou que Nietzsche falou isso com raiva de Deus. Nada disso. Nietzsche nunca teve nada contra Deus e Deus não mudou seu comportamento por causa da expressão de Nietzsche.

É isso.

Paulo Ghiraldelli, 57, filósofo.

PS: não insista em ler esse texto sem o ensino médio e não insista em querer entender se você é energúmeno.

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15 Responses “Do que Deus não faz”

  1. Alaer Garcia
    15/01/2015 at 19:46

    E ai , Paulo
    Por falar em Deus, so alguns dias que descobri que Pondé, que esta sempre em cima do muro , nao é cristao…Voce cita Sto Agostinho, ele é como se negasse.
    Ele esta ainda com Abraao , no judaismo, . Vivendo e aprendendo

    • 15/01/2015 at 19:53

      Claro, ele é casado com judia, vive lá em Israel, na direitona de Israel

  2. Sandra Regina
    04/12/2014 at 22:37

    Pedofilia saudavel ? Arghhhhhhhhhhhh

    Pedofilia é e sempre será asquerosa!!!!

    • 04/12/2014 at 23:47

      Sandra Regina o meu blog é para pessoas adultas que já terminaram o ensino fundamental.Termine a escola, aprenda o uso das palavras, faça uma faculdade em boa universidade, deixe de lado a mania de não refletir e então volte. Daqui uns anos.

  3. Wagner
    04/12/2014 at 18:38

    Paulo, quem se aproximou mais de Deus, Santo Agostinho ou São Paulo?

    • 04/12/2014 at 23:49

      Nós teríamos de achar que foi São Paulo, que falou com Deus, na figura de Jesus, pessoalmente. Agora, para nós filósofos ocidentais, já nos cânones de uma filosofia cristão e não apenas religioso, Santo Agostinho.

  4. Handerson
    04/12/2014 at 17:00

    Ok, as pessoas utilizam a ideia de “Deus” como meio para justificar suas certezas e condicionamentos desnecessários e irracionais.

    • 04/12/2014 at 17:05

      Handerson não faça isso, não seja simplório à toa.

  5. Pedro de Sousa
    04/12/2014 at 11:09

    Acho, Paulo, que você tem razão ao dizer que Deus nã é um cara sem criatividade. Realmente. É só ver como a marca que mais caracteriza a natureza é a heterogeneidade. Sem ela, a própria natureza não existiria. Você já viu quantas soluções a natureza inventou para os seres vivos se reproduzirem. Por isso, acho estranho você dizer que a heterossexualidade é lenda urbana. É verdade que existem muitas espécies de plantas e até alguns animais que se autofecundam, mas a esmagadora maioria das formas de fecundação se dão pela heterossexualidade. A espécie humana é só mais uma. Não vejo porque deveríamos ser espciais.

  6. 04/12/2014 at 07:49

    Professor,

    Não serão essas breves linhas apenas um breviário do conceito de revolta em Camus?

    • 04/12/2014 at 11:03

      Breno: it is higher for me! Desenvolva!

    • 04/12/2014 at 17:34

      Revolta enquanto um “virar as costas” à metafísica, a Deus. Mergulhar num mundo não mais governado pela providência, atestando um homem tragicamente livre porque sem deus, sem temores, sem esperança. Um Zaratustra de Nietzsche ou um Condottiere de Onfray.

      Será que não posso perceber seu texto sobre esse enfoque? Sob um homem desesperado, nas palavras de Comte-Sponville? Um homem que, negando a moralidade tipicamente religiosa, embarca de encontro à própria subjetividade, traçando novos caminhos e estilos?

    • 04/12/2014 at 23:51

      Breno não creio que eu tenha qualquer traço de filósofo trágico ou qualquer traço do desespero, no sentido próprio da filosofia trágica, de Unamuno por exemplo. Meu texto é única e exclusivamente de filosofia social. Ele é uma provocação de filosofia social contra o senso comum.

  7. Henrique
    03/12/2014 at 19:07

    Oi Paulo. Fiquei pensando em um trecho de um livro do Peter Sloterdjik q vc colocou no blog…é esse: “A promessa primordial da vida, que em linguagem filosófica se chama razão(…)” Gostaria de saber um pouco mais no que ele estava pensando ao escrever isso. Fica talvez uma sugestão de pauta para o Hora da Coruja, discutir sobre a razão na leitura do Peter.
    Continuem o otimo trabalho de reflexão que vcs tem feito. Obrigado.

    • 03/12/2014 at 23:00

      Henrique fizemos vários programas e há vários textos meus aí sobre o assunto. Se você se consulta para se desinibir e, então, ser sujeito, consulta o que? Suas justificativas, sua teoria – enfim, sua razão. É isso.

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