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16/12/2017

Quando começa o fascismo de esquerda e direita?


O fascismo não é um regime de governo, é um comportamento, uma atitude, um modo de ser. Por isso, pode estar entranhado em pessoas de esquerda ou direita.

O comportamento do fascista é sempre grupal – como o próprio nome “feixe” indica (veja artigo). O fascista tem sua claque, seu grupo, sua turma. Tropa de choque. Quando ele quer alguma coisa, lança mão do comando que ele sabe emitir, que é como um tipo de apito de cachorro, numa frequência que só alguns escutam, no caso, os medíocres. Desperta os ressentidos de sempre, os ofendidos do mundo – tanto faz se são ricos ou pobres -, que passam a perseguir o indivíduo que ele aponta como a bruxa da vez.

Em uma sociedade democrática liberal há leis que podem ser requisitadas pelos indivíduos, enquanto indivíduos, quando ofendidos. Todavia, o fascista não caminha por aí. Ele até pode usar desse expediente, mas sua tática paralela é a que vale. Ele reúne seu grupo para tentar, por via da pressão de massa, arrancar o outro do seu emprego. Ou seja, na verdade ele quer a eliminação do outro, sua morte, e então ele centra fogo no ganha-pão do outro. A questão dele não é xingar ou revidar ou criticar. Ele pode fazer isso. Mas é tudo tática para arrebanhar gente capaz de ir na porta da escola para fazer o professor perder o emprego, ou ir na porta da rádio para fazer o jornalista ser despedido, ou ir na justiça para tirar dinheiro do outro de modo a inviabilizá-lo socialmente.

Onde há aglomeração de gente para tirar o ganha pão de alguém, o fascista está lá. E hoje ele aprendeu a fazer isso por conta do estilo de vida dado pelo Programa Big Brother, onde arrancar alguém de um lugar, por meio do voto, parece democrático, mas, no caso, é ditatorial. Não gostei dele: tira! O facebook é o reino do fascismo de direita e esquerda.

O fascista está sempre pronto a não responder agressão com agressão ou com argumento, embora possa fazer isso. Seu comportamento como fascista se dá pelo fato de tenta atingir o outro, buscando inviabilizá-lo socialmente, tentando fazer a família do outro passar necessidade, jogando-o para o gueto social. O fascista é especialista em criar guetos para o outro.

É por isso que a juventude, de direita ou de esquerda, quando não tem um pai que funciona como autoridade legítima em casa, que pune e valoriza a criança de  modo correto, acaba se frustrando, deslizando para o fracasso, e uma vez na sociedade passa a odiar o lema de Maio de 68, “é proibido proibir”. Quando falo tal lema para o jovem de hoje, de tendência autoritária, não raro ele responde: “mas é preciso ter limite”. A primeira coisa que lhe vem à cabeça é o limite, é a mão da autoridade calando aquele que ousar ser livre.

O jovem com tendência fascista odeia a liberdade. Por isso, à direita ou à esquerda, ele quer um chefe, ou Deus ou o pastor ou Exército ou o Partido etc. Ele sempre quer uma coisa superior que pense por ele, que o salve! Que tire da competição os outros, os melhores. Aliás, ele é o rei da ideologia da meritocracia, mas está sempre por baixo nesse regime, caso isso funcione mesmo como doutrina.

Ele quer alguém ou alguma coisa que seja uma mão de ferro, o atinja em cheio, contanto que atinja outros. Ele não se importa de ser atingido, pois sua mediocridade nunca o deixaria mesmo ser livre. Aliás, ser livre para quê, com sua parca inteligência? Então, que o inteligente também não possa ser livre.

O fascista à direita ou à esquerda quer ditadura, a sua ditadura. É um coitado, um nada, e então quer reduzir os outros, que são vistos por ele como sempre melhores, também como um nada. Quando estamos no meio de gente assim, vale sempre a máxima de Diderot: “o talento é imperdoável”. Cuidado, do seu lado pode haver um medíocre.

Paulo Ghiraldelli, 58, filósofo.

PS: vocês verão o ódio que irá despertar esse texto! O fascista espuma pela boca!

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19 Responses “Quando começa o fascismo de esquerda e direita?”

  1. Sil
    15/06/2016 at 14:09

    A título de esclarecimento. Vc usou o termo pai, genericamente, para pai e mãe, ou vc acredita que cabe apenas ao pai corrigir comportamentos? Caso tenha usado de modo genérico para ambos casos, não seria o caso de deixar expresso? Pois tem muita fascista machista………

    • 15/06/2016 at 18:54

      Sil, justamente por causa de você falar em “fascista machista” é que não vou esclarecer, meus textos não são para polícia de esquerda, tipo Márcia Tiburi.

  2. Giselle
    03/06/2016 at 19:41

    Esse artigo ajudou-me bastante.

    • 03/06/2016 at 19:46

      Bom saber! Veja este livro: Filosofia política para educadores (baixe na Cultura)

  3. José
    07/05/2016 at 21:54

    O texto está muito bem escrito. Sintetiza perfeitamente o que é o Fascismo. Há muita semelhança entre Pinochet e Chavez, entre Stalin e Hitler e por aí afora. Agora mesmo, os esquerdo-ascistóides acusam de golpe a leg;vitima deposição deste governo!!

    José

  4. 18/04/2016 at 01:17

    existe somente um tipo de fascismo ?
    quais existem??

  5. 26/10/2015 at 11:59

    sim, o fascismo é um comportamento. geralmente conduzido pleo extremismo. na teoria politica diz-se que a extrema direita se parece com a extrema esquerda e taí o Wikipedia para mostrar como duas figuras historicas [Hitler e Stalin] tinham tanto em comum.
    ainda que levemos em consideração que “direita” e “esquerda” são conjuntos de idéias [ideologias], que pouco ou nada tem a ver com os regimes que se identificam como tais, há este mal-estar em ver partidos, grupos e organizações de “esquerda” que flertam com o fascismo.

    • 26/10/2015 at 13:13

      Roberto, deveríamos ser mais cuidadoso com o termo “extremista”.

  6. Eduardo
    26/10/2015 at 01:11

    Paulo, me perdoe se minha pergunta soa ignorante, mas reconheço minha ignorância. Acompanho seu blog e tenho aprendido muito aqui. Vi você escrever no facebook que Mises não é um clássico. Marx e Adam Smith, por outro lado, são clássicos. Isso reconheço, mas se alguém me perguntar não sei dizer o porquê Mises está fora. Por que Mises não é clássico? E quanto aqueles outros autores que Olavo tanto fala, como Roger Scruton, Russel Kirk e Eric Voeglin? Eles podem ser chamados de clássicos? O que define um clássico e o que exclui alguém dessa lista?

    • 26/10/2015 at 11:45

      Eduardo, boa pergunta. Olha o que respondi aqui para o Antero:

      Antero não existe dois lados da mesma moeda. Esse é o problema. Existe mil lados de mil moedas. Agora, o critério do ensino médio no mundo todo é o conhecimento dos clássicos. Mises não é importante como teórico liberal, não é um clássico. Adam Smith, Locke e Nozick o são. Não entender o que é um clássico é que faz os que se acham não-coxinhas como você virem aqui exigirem “dois lados”, imaginando que o ensino é como jornalista de principiante, “ver os dois lados”. Não é. O clássico exprime o particular como universal. Platão faz a República, é super grego aquilo, aliás, mas ganha universalidade, todo mundo lê a República e vê uma teoria, uma utopia, uma metafísica, uma pedagogia etc. em diversas épocas e lugares. Sacou agora? Obrigado por ler minhas coisas e comentar de modo que eu possa responder.

    • Eduardo
      26/10/2015 at 14:52

      Paulo, obrigado pelo esclarecimento. O que tenho aprendido aqui é inestimável. O trabalho que você aqui é muito bom.

    • Eduardo
      26/10/2015 at 14:52

      Paulo, obrigado pelo esclarecimento. O que tenho aprendido aqui é inestimável. O trabalho que você faz aqui é muito bom.

    • 29/10/2015 at 17:50

      Mises não é um clássico porque ele está mais para teórico do neoliberalismo. os primeiros teoricos de economia/ do capitalismo/do liberalismo, partiam de pressuposições empíricas para mostrar como o mercado funciona. o teórico neoliberal parte de deduções de como ele acha que o mercado deveria funcionar…

  7. Jokas
    25/10/2015 at 13:02

    Esse aumento do ressentimento eh sinal que o fascismo continua latente no Brasil ?

    • 25/10/2015 at 18:37

      Há um sentimento fascista mundial que vai e volta. Veja a concentração de renda no mundo e os processos de mudança, deixando muita gente de fora. O fascismo difuso, comportamental, nasce aí.

  8. Matheus Kortz
    25/10/2015 at 10:11

    Excelente essa frase de Diderot, infelizmente me incursei em alguns nucleozinhos de esquerda “d’O Partido” e comecei a odiar meus proprios talentos, como se nao fossem dignos… é incrivel como essas pegam a gente. Graças a deus (o deus logos nesse caso) que consegui sair disso se nao seria mais um fascistinha na conta

  9. Fernando CR
    25/10/2015 at 08:50

    Descendo um pouco na esfera cultural, mais um pouquinho, é o caso que tomou conta no meio artístico, caso calypso, podemos dizer que é facismo convocar uma legião de fãs para se por contra alguém?

    • 25/10/2015 at 18:42

      Fernando é preciso tomar cuidado com querer encontrar nas minhas palavras tudo que você vê que se pareça com uma imagem do que falei. Meus textos não são verdades finais, são material para chamar as pessoas inteligentes para o estudo.

    • Fernando CR
      26/10/2015 at 05:49

      Obrigado, é que há tempos tenho achado injusto esta situação que mencionei, e a imagem que você passou realmente se parece com ela, mas tranquilo, como sugeristes vou estudar mais, mesmo não sendo inteligente. rssss
      Abraços!!!

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