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24/08/2017

O que é a personalidade fascista?


Não existe a personalidade comunista, apenas o defensor do comunismo (ao menos no século XX). Mas existe a personalidade fascista, e não raro ela se manifesta naquele que diz que não defende o fascismo, mas que todos vêm nele certo fascismo.

O comunismo não gerou um “modo de ser” universal e bem característico. O fascismo sim. É um modo desagradável de ser. Quando o comunista começa a criar caso, alimentado atitudes autoritárias, não temos outra saída senão dizer que ele está se comportando como “um fascista”.

Por que essa diferença entre o fascismo político e o fascista em geral?

O fascismo nem sempre é político. Ele tem raízes em comportamentos sociais, ele demanda uma ética e uma moral, ele tem mais a ver antes com o ethos que com a polis.

Ser fascista implica em somar características já postas antes da doutrina fascista aparecer. Xenofobismo, racismo, autoritarismo específico, visão peculiar sobre a mulher, dificuldade de aceitar o diferente, tendência à idolatria a um líder histriônico, mania de grandeza, moralismo barato quanto a práticas sexuais (o que às vezes implica em apego às religiões reacionárias) e belicismo – eis aí alguns elementos comuns que se encontravam aqui e acolá antes da doutrina fascista aparecer, e que ela soube reunir e, então, treinar o fascista.

A palavra “fascista” vem de fascio, que quer dizer “feixe”. Foi um apetrecho de guerra dos romanos. Nada além de galhos amarrados contendo uma cabeça de machado. Manteve sua silhueta após ter se transformado em um feixe de madeira mais consistente, para então se imortalizar simbolicamente em quadros e monumentos. Não à toa tornou-se o símbolo do movimento de Mussolini na Itália, que reunia grupos que deveriam salvar a pátria de seu “caos moral e econômico” nos anos dez, talvez usando o tal “fascio”. Sim, a ideia de salvar a pátria da corrupção moral e de um suposto caos econômico sempre esteve na raiz de todos os fascismos, principalmente se para tal se pode usar algo como o “fascio”.

Modelo de "fascio"

Modelo de “fascio”

O fascista adora grupos, “bandinhos”, ou seja, ele se organiza em “fascio”, em feixes com cabeça armada. Benito Mussolini foi um agitador político que organizou o “fascio de combate”, reunindo naturalmente pessoas com os dotes citados acima. Para seu próprio espanto elas existiam em maior número do que qualquer italiano podia imaginar. Em 1919 ele disse algo bem significativo do movimento desses grupos: “não temos uma doutrina organizada, nós temos é a ação”. Isso marca o fascismo até hoje: há um horror pela elaboração do pensamento e pela conversação, pela demora desses processos, e por intelectuais e parlamentares mais sofisticados, que tendem a provocar impaciência e ódio nos fascistas. A universidade e o parlamento democrático são vistos pelos do fascio como lugar de frouxos, de gente que se recolhe para pensar, para amadurecer ideias e propostas, quando o necessário, segundo o fascista, é a ação. Quando se tenta argumentar com o fascista, ele diz “não quero saber”, ou então mostra uma foto, uma frase ou qualquer coisa desse tipo que é um ataque formal a algo que seu interlocutor preza. Na sociedade atual a Internet é um lugar muito significativo para se notar a prática do fascista, em “bandinhos” que tentam interromper argumentações racionais.

O fascio deu o modelo característico para os grupos paramilitares que buscavam organizar

Sim, um estilo de vida!

Sim, um estilo de vida!

a sociedade pela violência e intimidação, desconsiderando as forças policiais da ordem liberal, e depois, então, se tornando uma força polícia especial, quando o líder fascista assumia o poder político. Hitler, Franco, Salazar, Hiroíto, Pinochet e tantos outros tiveram, como Mussolini, seus “fascio de combate”, que depois se transformaram em suas guardas de elite, uma espécie de polícia da polícia, altamente violenta, disciplinada e, ao mesmo tempo, vingativa (1). Para ela se dirigiram os elementos mais fracassados e ressentidos da sociedade antes tida como sociedade liberal. Cabia a eles a execução das atividades mais cruéis, de modo que os líderes não tivessem de se responsabilizar diretamente pelos crimes que, pelo barbarismo, poderiam afastar dele até mesmo pessoas de seu exército. Mesmo quando já perdia a Guerra, Mussolini ainda era visto, sinceramente, como “o Duce” (aquele que guia), o chefe que cuida e não desampara. Hitler foi descrito como afável por todos que se relacionaram com ele mais de perto, um homem que gostava de cuidar dos que dele se aproximavam, inclusive crianças e animais.

Os estados democráticos liberais, hoje em dia, tentam se proteger do fascismo vindo de sua própria população. Mas enfrentam um problema. Por definição uma sociedade democrática liberal deve ser construída com mecanismos de proteção de sua vida e sobrevida, mas de uma maneira que esses mecanismos não venham a recriar ou alimentar o monstro do qual quer safar-se. Assim, a legislação contra o fascismo deve criminaliza-lo com um incrível cuidado. Sua sofisticação tem de vir da mão de técnicos competentes.

 Somos obrigados a admitir que toda e qualquer sociedade democrática é composta por uma grande quantidade de conservadores, pessoas em geral situadas no campo da direita política, mas que cultivam um ultraliberalismo, que no limite seria o contrário do fascismo. Mas por que então há confusão? Por que essas pessoas, não raro, são tomadas pela esquerda e pelos democratas como “fascistas”? Há nisso só confusão e xingamento por parte desses últimos?

O ultraliberalismo é uma doutrina em que a diminuição do papel do estado é o seu carro chefe, mas não necessariamente quando o estado está a favor dos mais ricos e, sim, quando ele começa com benefícios de caráter social-democrata.  Quando o estado de linha socialdemocrata ou algo parecido põe seu nariz para fora, os ultraliberais devolvem com garra a doutrina da meritocracia, e rapidamente transformam tal doutrina de modo a fazê-la perder sua legitimidade. Fazem o cultivo de diferenciações que ao invés de enriquecer espiritualmente os cidadãos, são aquelas que solidificam o preconceito contra minorias sociológicas e contra os mais pobres. Como isso ocorre?

A doutrina legítima da meritocracia coloca duas pessoas em relativa igualdade de condições para disputarem algo, deixando que o mérito próprio – a competência técnica requerida – seja o requisito para avaliação final. A doutrina é ilegítima, e então se torna ideologia, quando coloca duas pessoas para concorrer tendo como ponto de partida a desigualdade, forçando assim que sempre o mesmo ganhe, tendo como resultado disso a criação ou reforço de um pré-conceito sobre o eterno perdedor. Em poucos passos o pré-conceito se torna preconceito. E eis que o preconceito dá vazão ao escárnio, a humilhação, a exclusão e até mesmo a violência. Nesse tipo de situação, a exceção, principalmente ela, se torna o combustível da manutenção dessa ideologia. Esse preconceito é o cheiro de carne que atrai o monstro fascista. Todas as suas características já postas acima ressurgem quando ele pode começar sua trajetória de escárnio a partir do preconceito.

A personalidade fascista, então, se multiplica rapidamente. E a criminalização de suas atitudes pisa em ovos, uma vez que qualquer deslize e o estado democrático liberal pode cometer o desatino de tornar-se autoritário, alimentando ainda mais o fascismo. Qualquer vacilo pode tornar liberais, uma vez no poder (ou mesmo fora dele), pessoas que querem excluir opiniões alheias que não são nada senão opiniões. Afinal, o fascismo é um germe, um bicho que parece vir de fora e cair nas entranhas, mas que já está nos ductos da alma de cada um faz tempo, adormecido. Afinal, somos restos da Europa.

1. É preciso sempre não confundir políticos populistas, no estilo de Péron e Vargas, com o fascismo. Os populistas oscilam entre direita e esquerda, adulam “as massas”. Tem antes de tudo o objetivo de ficar no poder, e secundarizam projetos históricos. Não raro, o ataque aos grandes meios de comunicação são usados pelos fascistas e populistas. Apontam para a população que a “grande imprensa” é o “culpado por tudo”, pela deterioração dos valores morais (diz a direita) e por esconder a verdade (diz a esquerda), e então fomentam grupos do neo “fascio” contra a mídia. Essa técnica faz parte da incorporação do estilo fascista pelos populistas do Pós-Guerra.

Paulo Ghiraldelli, 57, filósofo e professor da URRJ. Diretor do Centro de Estudos em Filosofia Americana (CEFA) e autor, entre outros, de A filosofia como crítica da cultura (Cortez, 2014)

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28 Responses “O que é a personalidade fascista?”

  1. 16/05/2016 at 16:48

    Dr. Paulo,
    O Sr. Luiz Inácio Lula da Silva devido as inúmeras consequências que chegou ao pode pode ser comparado com Vargas no que diz respeito ao populismo, adulou as massas, criou bolsas família, bolsa gás, tirou grande parte da população da miséria (que eu até discordo – cadê a educação pensante, a vara para pesca) etc…
    Teve o objetivo de permanecer no poder mais de duas décadas
    se dizendo de esquerda e socialista e na sua vaidade achava que iria implementar projetos históricos para o mundo.
    Além de populista é um farsista? Pois ao atacar os meios de comunicações vigentes, jogando a “grande imprensa” contra o povo (sem a mínima educação e discernimento) que era o pai dos pobres. O grande salvador da pátria?
    Teve imenso a meu ver com a deterioração dos valores morais (independente que seja de direita ou esquerda – estou falando de ser humano apto a conviver harmonicamente com a sociedade) escondendo inúmeras verdades e utilizando a própria mídia paga pelo nosso erário público para satisfazer se Ego, fomentando grupos do neo “fascio”. Cultivou e incentivou as diferenciações que ao invés de enriquecer espiritualmente os cidadãos, são aquelas que solidificam o preconceito contra minorias sociológicas e contra os mais pobres. Dividindo o país.

    • 17/05/2016 at 01:16

      Embarcou sim no populismo que dizia combater.

  2. Felipe silva
    30/04/2016 at 14:10

    No contexto político atual, os que dizem que a mídia nacional favorece um lado do embate político, com notícias tendenciosas. Por exemplo os que dizem que a mídia é “golpista”. Isso se caracteriza fascismo de esquerda, mesmo muitas vezes notando que há uma certa seleitividade da grande mídia?

    • 30/04/2016 at 14:26

      Felipe é muito simplório a perspectiva de que mídia é um bloco só e que é capaz de fazer a cabeça de um povo todo. Nem em ditadura acontece mais isso.

    • Felipe silva
      30/04/2016 at 14:46

      Sim, e lógico que não faz a cabeça de um povo todo, mas tem lá sua parcela de influência se ela parte de bloco específico com interesses próprios.
      Mas minha dúvida não é sobre a mídia e sim sobre quem acusa a mídia de ter um comportamento parcial. Essa acusação pode ser caracterizada um ato fascista, dentro do contexto atual?

      Desde já agradeço a resposta rápida. E gostei muito do seu texto, me gerou reflexão sobre o tema. Gostei também comentários aqui e do diálogo.

    • 30/04/2016 at 15:29

      Felipe, minha resposta é uma resposta para sua pergunta. A mídia é um comércio e uma empresa de entretenimento. Ela precisa de público, mas de público que compra o que anunciadores financiam. Num país sem mercado, o estado vende propaganda dele mesmo, num país com mercado maior, as empresas vendem mais, num país onde uma parcela é culta, vende-se coisas melhores. É só isso. Quando reduzimos a mídia a uma direção só, com mensagens fascistas, estamos pensando no modelo político entre 1930 -45. Não é mais assim.

  3. Eduardo Moreira
    31/03/2016 at 14:04

    Este texto tem tudo a ver com meu pensamento. Só que ainda não tenho o conhecimento e a forma de expressar através das palavras de forma tão lúcida como foi feito.
    Uma pena que conheço tantas pessoas que pensam de forma fascista.

  4. Domingos Francisco da Silva
    21/03/2016 at 09:13

    Obrigado pela colaboração intelectual, esclarecedor.
    Continuarei a ler seus artigos.

  5. Cesar Marques - RJ
    16/04/2015 at 10:00

    “Mesmo quando já perdia a Guerra, Mussolini ainda era visto, sinceramente, como “o Dulce” (o doce).” – Não sei se é uma expressão que eu não conheça, mas pelo que sei, Mussolini era tratado como “o Duce” (o Chefe), e não Dulce.

    Caso seja algo de que eu não saiba, me desculpo antecipadamente.

    • 16/04/2015 at 12:13

      Você está certo, não há o “l”, mas “o doce”, que coloquei, é do mesmo modo que falamos aqui de “caudilho”, uns tomam como alguém ruim, mas no sul é alguém que cuida, um doce de pessoa. O Duce não era um chefe qualquer, mas um chefe afável. Vou corrigir lá, obrigado.

  6. alexandre
    04/04/2015 at 00:04

    Matou a pau!!!
    Agora entendi o que é fascismo, parece que a coisa ta cada vez mais sofisticada, agora temos o fascismo 2.0 onde vc não pode pensar e expor sua opinião que leva pau.
    Sobre a meritocracia, o nome é bonito mas na prática não funciona, principalmente em grandes empresas pois o que important não é fazer o q vale é parecer que faz e ter uma boa network.

    • 04/04/2015 at 01:17

      Alexandre a meritocracia funciona, claro. O texto mostra isso. O que não funciona é quando ela vira ideologia.

  7. 4F
    03/04/2015 at 23:54

    Muito bom o texto!

    Algumas questões:

    1. Bertrand Russell refere-se à “República” de Platão como “um panfleto totalitário” baseado na constituição de Esparta.

    Existem aspectos facistas nessa obra? Quais seriam?

    (Me interessa a questão; não é preguiça de ler 🙂

    2. Acho que o livro [1] é uma abordagem diferente, mas tangencia o texto, na parte que diz “[o fascismo] tem raízes em comportamentos sociais”.

    O autor (não filosófo, mas psicanalista) confere à repressão sexual no fascismo um papel central na formação da estrutura totalitária na sociedade.

    3. Sobre o populismo: Seria Hugo Chávez um exemplo (mais contemporáneo) válido?

    [1] Wilhelm Reich. Psicologia de massas do fascismo. Martin Fontes.
    https://en.wikipedia.org/wiki/The_Mass_Psychology_of_Fascism

    • 04/04/2015 at 01:18

      Platão não é totalitário e nem há “fascismo” nisso. Sobre Reich compre o livro e leia.

  8. 03/04/2015 at 11:42

    Saramago lutou tanto contra o fascismo que acabou por perseguir jornalistas. De fato, o fascismo é um germe.

    • 03/04/2015 at 13:00

      Possobon é mais ou menos isso. Escreva um texto sobre.

  9. Orquidéia Gonçalves
    03/04/2015 at 08:03

    Gostei muito.

  10. 03/04/2015 at 00:19

    Disse tudo ! Adorei !!!

  11. Luana
    02/04/2015 at 23:42

    Muito bom o texto sobre o fascismo
    Pensava que só havia um tipo de fascismo.: o político. E que seria anacrônico falar sobre pessoas fascistas atualmente.
    Hoje, eu ouvi sobre a ideologia da meritocracia de um estudante que estava se formando em engenharia química na UFSC.O mesmo no discurso agradeceu a seus pais por terem pagado as suas despesas com a faculdade. Aí a teoria da meritocracia já desanda.

    • 03/04/2015 at 03:25

      Luana fiquei feliz com seu aprendizado. Isso me anima!

    • Aldo
      03/04/2015 at 14:20

      A Teoria da Meritocracia pode ser vista como o desenvolvimento da necessidade de uma especialização para exercer uma atividade particular, assim como o fascismo em si é o desenvolvimento do pensamento, em momentos conturbados, de pessoas conservadoras, preconceituosas que vêem o problema da atualidade em seus preconceitose ganham ressonância entre os pares. O pensamento fascista é inerente do ser humano sem escrúpulos podendo aparecer em qualquer lugar e momento na história. A meritocracia só é um absurdo como vemos no quadro da nossa sociedade atual devido ao péssimo ensino público nacional, discutimos a necessidade de cotas de negros, pobres, indígenas, mas não vemos um programa educacional nacional eficiente e eficaz o que seria no mínimo fundamental para diminuir o abismo entre ensino particular e público e entre ensino público das diversas regiões de nosso país, a segunda não anula a primeira.

    • 03/04/2015 at 16:05

      ALDO JÁ CANSEI de falar aqui que cota étnica não é para resolver problema educacional cara! Putz! Tô cansado de repetir isso. Cota étnica é necessária tendo ou não ensino popular bom.

    • Aldo
      03/04/2015 at 16:35

      Não sou um leitor assíduo e não é a primeira e nem a última vez que peco na analogia. Pode retirar a frase em questão que não mudará o contexto. Quis dizer que deveríamos debater mais sobre um programa educacional que englobe as dificuldades relativas a área educacional de cada canto de nosso país, que devido a desigualde desenvolvimentista é bem gritante, há diversas nações que podem ser tomadas como exemplo.

      A Teoria da Meritocracia pode ser vista como o desenvolvimento da necessidade de uma especialização para exercer uma atividade particular, assim como o fascismo em si é o desenvolvimento do pensamento, em momentos conturbados, de pessoas conservadoras, preconceituosas que vêem o problema da atualidade em seus preconceitose ganham ressonância entre os pares. O pensamento fascista é inerente do ser humano sem escrúpulos podendo aparecer em qualquer lugar e momento na história. A meritocracia só é um absurdo como vemos no quadro da nossa sociedade atual devido ao péssimo ensino público nacional. Não estamos indo em direção a um programa educacional nacional eficiente e eficaz o que seria no mínimo fundamental para diminuir o abismo entre ensino particular e público e entre ensino público das diversas regiões de nosso país.

    • 03/04/2015 at 16:40

      Aldo eu ficaria contente se o ensino pudesse fazer as pessoas aprender a abstraírem, só isso, sem programa especial. Se elas pudessem fazer esse exercício, daria para fazer o resto, mas o problema é que há um emperramento cerebral estrutural. É isso que disse. Agora, o pensamento fascista NÃO é inerente a ninguém sem escrúpulos; uma pessoa pode ser sem escrúpulos e não ser fascista.

  12. Luís Carlos
    02/04/2015 at 22:00

    Excelente texto. Uma aula. Pena que os que deveriam ler e aprender alguma coisa com este texto passarão longe e continuarão a vomitar chorume na internet. Agora quando leio notícias pela rede, criei o hábito de não ler os comentários. É algo assustador e desanimador.

    • 03/04/2015 at 03:27

      Luís Carlos, será que um conservador não aprende? Temos de partir do pressuposto que todos aprendem, ainda que existam tipos que nos desmintam. Passe à frente o texto.

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