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21/11/2017

Papa Francisco contra o anti-hipócritas


O presidente do Irã Hassan Rohani esteve no Vaticano, e o Papa Francisco o recebeu com alegria. Para tal visita, tomou precauções: mandou cobrir os nus artísticos que povoam as passagens sagradas do Vaticano. O líder muçulmano não acha correto o nu se envolver em lugares sagrados. Alguns viram a atitude do Papa errada, hipócrita. São os sabichões atuais, os realistas e anti-hipócritas. 

Jesus foi enfático contra os hipócritas. Hoje temos que ser enfáticos contra os anti-hipócritas. Quem são? São os que chamam os esforços do Papa (e de Obama) em conciliação com o Irã de “servilismo do Ocidente civilizado à bárbarie” e de “pura hipocrisia” ou “demagogia”. O movimento anti-hipocrisia e realista é o cume do cinismo destrutivo.

É fácil explicar as atitudes do Papa para além da análise rasteira dos que, agora, viraram modinha ao dizer “não acredito no amor”. São os desencantadinhos. Os que acham que se é inteligente por gemer mais que outros.

Um casal resolve tirar foto da esposa grávida nua e colocar na sala de seu apartamento. Muitos fizeram e fazem isso, dependendo de quanto foram atingidos pelos Sixties. Todavia, se essas pessoas são adultas e não mais adolescentes, e vão receber uma visita querida, bem mais velha, que ficaria incomodada com tal foto, recolhem o quadro por uns dias. Não é possível fazer isso? Claro que é! Chamaríamos de hipócrita tal casal? Obviamente não. Podemos dizer para outros: na minha casa mando eu, se veio até aqui, me suporte não só na minha liberdade mas também nas minhas idiossincrasias. Mas não posso fazer assim se quem vem para a minha casa é uma visita convidada. Não posso, por nenhuma etiqueta ocidental, criar uma situação constrangedora proposital para a visita convidada.

Assim fez o Papa. A conversa é justamente sobre isso: terrorismo e paz. Quanto as culturas monoteístas atuais podem se suportar, se tolerar? Nossa Igreja deve aos renascentistas e, portanto, à cultura grega, uma boa parte de sua arte e cultura. Os iranianos possuem uma tradição persa, não grega, e uma religião monoteísta ligada ao Profeta. Não há razão para uma autodestruição em nenhum dos textos que sustentam tais doutrinas. Portanto, não há razão para etiquetas agressivas. Quando o ponto de partida não é este, o princípio do cristianismo se perde e, então, o Papa deixaria de ser o Papa cristão. Se a Igreja se opôs ao Iluminismo, é bobagem achar que o liberalismo que veio junto deste não precisou do cristianismo para brotar. Vale para os liberais o princípio do direito subjetivo e do perdão, e esses dois elementos são cristãos antes de serem modernos. Eles são base para o princípio liberal expresso primordialmente na Carta da Tolerância de Locke.

A política da direita e de boa parte da esquerda carcomida não entende nada disso. São os realistas anti-hipócritas. Nada mais hipócrita que esse movimento anti-hipócrita. Até os rostos de seus difusores mostram um profundo desgosto para com tudo que é feminino e, portanto, amoroso. Não se chega a lugar algum com as diretrizes belicosas dessa gente. O Papa se sai melhor. Como também Obama.

Paulo Ghiraldelli, 58, filósofo.

 

 

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13 Responses “Papa Francisco contra o anti-hipócritas”

  1. Rpdolfo Peroche
    28/01/2016 at 21:12

    Paulo Ghiraldelli como poucos sabe analisar de forma critica a realidade politica do século XXI .O Irã tem forte influencia no Oriente Médio , uma aproximação com a Europa e Estados Unidos pode ajudar muito a paz na região.

  2. Cesar Marques - RJ
    27/01/2016 at 12:09

    Atitude bacana e generosa do Papa Francisco, mas não sei se foi necessária, pois o atual presidente do Irã (Aiatolá Rouhani) é considerado um liberal, tendo inclusive formação acadêmica ocidental, ao contrário do seu antecessor (Ahmadinejad), que é ligado a ala mais conservadora do país. Portanto, acho que Rouhani não ficaria chocado com as obras artísticas do Vaticano.

    • 27/01/2016 at 12:11

      Cesar as questões não são tratadas por duas pessoas, mas por dois estadistas. Eles não se visitaram como comadres.

  3. Sther
    27/01/2016 at 10:30

    Meu problema com isso é o fato desse tipo de gesto cordial partir sempre do ocidente.Nos países islâmicos geralmente até as estrangeiras são obrigadas a seguir as regras de vestuário.Se fosse o papa a visitar e tivesse com o que se ofender, será que fariam a mesura?Parece mais que o ocidente teme mesmo os países islâmicos e age de modo complacente em vez de amistoso.Difícil ver de modo positivo uma relação desigual, se apenas um lado cede ainda não há diálogo.

    • 27/01/2016 at 12:09

      Sther acho que você faz parte daquele tipo de gente que não quer entender as coisa, nem ler.

  4. João Bah Rocha
    26/01/2016 at 23:51

    Um texto excelente. Parabéns!

    • LMC
      27/01/2016 at 12:18

      A visita do presidente do Irã ao
      Papa é um gesto de grandeza
      de ambas as partes e um
      exemplo de diplomacia.

      Isto de cobrir nus no Vaticano
      pro presidente iraniano me
      lembrou aquele pessoal da
      TFP que fazia uma verdadeira
      cruzada contra os nus no
      teatro,na TV e no cinema em
      nome da moral e da família
      brasileira(?)lá pelos anos 80.
      (não estou comparando
      isso com o que houve
      ontem,não).

  5. obsuni
    26/01/2016 at 23:34

    O princípio da realidade se baseia na contrapartida dos fatos. Se o governo do Irã trata seus cidadãos (se é que podem ser chamados assim) da maneira como os trata. O Papa e Obama até que estão se arriscando demais. O Papa deveria usar uma burca da próxima vez…

    • 27/01/2016 at 01:10

      Obsumi já vi que você é um tonto da direita. Não precisa voltar.

    • LMC
      27/01/2016 at 13:35

      Tonto da direita?Eu conheço
      um,o Reinaldo Azevedo.No
      rádio,ele fica imitando o
      Afanásio o tempo todo.kkkk

  6. Maximiliano Paim
    26/01/2016 at 21:13

    Fui ao artigo do cujo ler do que se trata a dita descrença no amor. Mais claro do que isso não é necessário dizer que, por definição, não pode ser filósofo.

    • 27/01/2016 at 01:10

      Quem?

    • Maximiliano Paim
      27/01/2016 at 11:34

      O chanceler da PUCSP e oráculo da direita, teu (ex?) amigo.

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